Procedimentos e cuidados especiais

Procedimentos e cuidados especiais

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Esses cateteres são confeccionados em silicone ou poliuretano, são radiopacos, de comprimento total, variando entre 10 e 75 cm, apresentando marcações a cada 1 a 5 cm.

A sua introdução por veias periféricas se dá através da utilização de dispositivos de punção, que podem ser agulhas metálicas com asas ou cateteres curtos sobre agulha metálica, conhecidos mundialmente como “Scalibur”, devido ao seu design, o qual lembra uma espada medieval.

São também referendados na literatura internacional corrente como PICC (peripheraly inserted central catheter) e são diversas as suas técnicas de inserção periférica, compatibilizando-

Administração de 0 ml de solução fisiológica a 0,9% sobre pressão positiva.

Procedimentos e cuidados especiais– Capítulo 8

‹ Bases do tratamento 580 as com: tipo de CCIP empregado, características do paciente, dificuldades pré-avaliadas, doença de base, necessidades da terapia intravenosa indicada, dentre outras.

Tido até alguns anos atrás como um cateter de média permanência, o CCIP, seguindo a evolução dos tempos e incorporando materiais de melhor qualidade e mais biocompatíveis, é hoje considerado um cateter venoso central de longa permanência, dentro da classificação dos semiimplantados. Com indicação de permanência máxima de um ano pela Infusion Nurses Society (INS), uma das mais respeitadas entidades de terapia infusional no mundo, o CCIP, no INCA, já atingiu um tempo máximo de permanência de 2 anos e 6 meses.

Dentre os cateteres venosos centrais, é o que apresenta melhor relação custo-benefício: menor custo; menores riscos relacionados ao cateter; dispensa a utilização de sala cirúrgica, podendo ser inserido em qualquer local, inclusive no leito de internação ou em residências; exige apenas um RX simples para confirmação de sua localização após ser inserido; apresenta eficiente resposta a tratamentos intravenosos com extremos de pH e osmolaridade.

Seus modelos, apresentações, bem como algum dispositivo adicional tipo válvula bidirecional em sua ponta proximal ou distal, diferenciação de seu calibre por códigos de cores, duplo lume, estruturas para melhor fixação na pele, dentre outros, variam de acordo com a empresa fabricante.

Indicações

São indicados, inicialmente, para tratamento quimioterápico de até um ano de duração prevista.

Sua indicação está associada à necessidade de acesso venoso central e às boas condições venosas periféricas do paciente.

Outras indicações, segundo a comissão interdisciplinar de cateteres, são para pacientes de suporte terapêutico, inclusive em terapia domiciliar, tanto para a instalação, quanto para manutenção. Porém, muitas vezes, isso não é possível devido à deficiência do acesso venoso periférico.

Podem ser indicados também nos casos de pacientes com lesões torácicas, coagulopatias, com comprometimento imunológico, respiratório, ou até mesmo nas impossibilidades físicas, como por exemplo, na cifose.

Contra-indicações

São contra-indicados quando o paciente não apresenta adequada rede venosa periférica, na presença de deformidades físicas ou feridas infectadas nas áreas de inserção, quando há necessidade de acesso venoso central por mais de um ano. Porém podem ser colocados na impos-

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Anexos › 581 sibilidade de implantação dos outros tipos, quando existirem intercorrências clínicas que inviabilizem os mesmos.

Procedimento de colocação

O procedimento de colocação do CCIP se torna facilitado quando se refere à disponibilidade de recursos materiais e humanos, uma vez que pode ser realizado em ambulatório ou no lar.

Deverá ser realizado também com técnicas assépticas e o enfermeiro deverá submeter-se à degermação para paramentação própria e do paciente.

Poderá ser utilizado ou não botão anestésico, dependendo do calibre do scalp utilizado e da sensibilidade do paciente.

Após o procedimento, são realizados Raios X de controle para verificação do posicionamento do mesmo, conforme figura 121.

Complicações que podem surgir durante a colocação:

• Sangramentos.

• Lesões em nervos e tendões (devido à extrema proximidade do nervo cutâneo lateral).

• Mau posicionamento (migração para outra região).

• Arritmias cardíacas (relacionadas à excitabilidade da parede miocárdica, devido à progressão do cateter ou fio-guia ao interior do átrio direito).

Complicações que podem surgir na pós-inserção:

• Flebite – é a complicação mais comum, geralmente ocorre nas primeiras 48 a 72 horas após a inserção, podendo ser decorrente de traumatismo vascular durante o processo de introdução do cateter.

• Oclusão – é a complicação mais freqüente, geralmente decorrente de acúmulo de sangue na ponta e/ou interior do cateter e ausência de flushes periódicos do cateter.

• Celulite – é geralmente causada pelo Staphilococus epidermidis ou S. aureus.

Pode ser tratada com antibioticoterapia oral, o que, muitas vezes, dispensa a retirada do cateter.

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• Embolia gasosa – é uma complicação rara, pois o local de saída do cateter fica abaixo do nível do coração, o que ajuda a manter a pressão adequada dentro do sistema.

• Embolia pulmonar – pode ocorrer devido à quebra do cateter para dentro do braço ou ruptura do cateter durante uma irrigação forçada.

Sítios para colocação

As principais veias de escolha são as cefálicas e as basílicas, já que o calibre das mesmas e o acesso a elas são mais fáceis. O curativo e enfaixamento do braço afetam, da menor maneira possível, a estética do paciente e os hábitos de vida diária dos mesmos, além disso, permite a proteção contra a tração acidental e a exposição do cateter.

Figura 121 – CCIP em veia basílica direita, com ponta em veia cava superior Fonte: BOSTON SCIENTIFIC CORPORATION (2002)

Liberação para uso e curativos

A utilização desse tipo de cateter é possível imediatamente após a sua implantação, sem expor o paciente a traumas ou dores, já que a sua inserção na pele é protegida com curativo e enfaixamento e a manipulação será realizada na sua porção exteriorizada.

A manutenção deve ser semanal, assim como a troca de curativos do local de inserção do cateter.

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Vantagens e desvantagens

Dentre as vantagens desse dispositivo, as mais relevantes estão relacionadas à facilidade da colocação, não necessitando de cirurgia nem exposição a anestésicos, podendo ser realizada no ambulatório por enfermeiros.

O procedimento para colocação é rápido, assim como a sua retirada nos casos de complicações, o que não impede uma nova colocação em curto período de tempo, pois esse tipo de dispositivo conserva o sistema vascular periférico.

Em relação às desvantagens, as mais inconvenientes são a necessidade de curativos e manutenção semanais, além de uma boa fixação e a limitação para algumas atividades físicas.

É importante ressaltar também que são necessárias freqüentes reciclagens para pacientes e acompanhantes/responsáveis, no sentido de enfatizar os cuidados no domicílio e retornos periódicos para manutenção.

Outra grande desvantagem está relacionada à dificuldade na colocação em pacientes politratados, uma vez que a rede venosa encontra-se fragilizada e/ou estenosada em função dos citostáticos utilizados no tratamento.

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