Procedimentos e cuidados especiais

Procedimentos e cuidados especiais

(Parte 6 de 10)

Consultas de enfermagem

No pré-operatório de implantação de cateteres venosos centrais de longa permanência

A consulta deverá ser realizada por um enfermeiro, em espaço físico adequado, levando em conta a necessidade do paciente e o tipo de cateter mais adequado para cada situação (idade, condição socioeconômica, clínica, dentre outras).

Esse encontro objetiva a plena orientação do paciente e acompanhante/responsável para o procedimento de implantação a ser realizado, assim como auto-cuidado e limitações. Utiliza-se, para tal, um folheto explicativo padronizado pelo INCA para o tipo de cateter que o paciente irá colocar (CVC-TI, SI ou CCIP).

O paciente será agendado para a cirurgia de implantação e orientado sobre os cuidados de pré-operatório, dia e hora do procedimento, e realização do risco cirúrgico e exames laboratoriais.

No caso do CCIP, o paciente será agendado para a colocação do cateter no ambulatório de cateter do hospital correspondente.

Procedimentos e cuidados especiais– Capítulo 8

‹ Bases do tratamento 584

No transoperatório de implantação de cateteres venosos centrais de inserção periférica

Toda a técnica de implantação do CCIP é de responsabilidade do enfermeiro qualificado para tal procedimento, assim como a solicitação dos Raios X de controle da ponta do mesmo.

No pós-operatório de implantação de cateteres venosos centrais de longa permanência

A consulta é realizada no primeiro ou terceiro dia após a implantação do dispositivo.

Objetiva a avaliação do local de implantação, orientação do paciente e acompanhante/responsável sobre o autocuidado, limitações, prevenção de riscos e identificação de complicações, principalmente infecciosas, além do agendamento da retirada de pontos.

Deverá ser reforçada a orientação a respeito do local adequado para atendimento e quando recorrer às salas ou ambulatórios de cateter.

No follow up

Objetiva atender aos pacientes ambulatoriais quanto à manutenção, ativação, desativação, retirada de pontos, curativos, coleta de sangue, além do esclarecimento de dúvidas, diagnóstico e tratamento de complicações e reforço das orientações.

O atendimento aos pacientes internados se dá por meio da identificação e tratamento das complicações.

Padronização das soluções utilizadas

Solução heparinizada – cateteres venosos centrais de longa permanência

Devido às obstruções freqüentes em curtos períodos de manipulação dos cateteres, foi normatizado, em 27 de dezembro de 1996, pela Comissão Interdisciplinar de Cateteres do INCA, a utilização de uma concentração de solução heparinizada de 500 ui/ml, com flush de 2 ml nos cateteres venosos centrais de longa permanência.

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Anexos › 585

Método de preparo da solução

• Aspirar 0,25 ml de liquemine (ampola 5.0 ui) e completar para 10 ml de solução fisiológica 0,9%.

• Aspirar 1 ml de heparina sódica (frasco 25.0 ui), completar para 10 ml de solução fisiológica 0,9%.

• Instilar 2 ml dessa solução para heparinização dos cateteres totalmente ou semiimplantados: 500 iu/ml.

Heparinização de cateteres centrais de inserção periférica

Devido ao pequeno calibre desse tipo de cateter, a Comissão Interdisciplinar de Cateteres indicou a utilização de heparina sódica pura.

A quantidade de heparina a ser administrada deverá ser igual ao volume comportado pelo cateter (após ser reduzido), acrescentando mais 0,1 ml.

Exemplo: se um cateter de 60 cm comporta 1 ml de líqüido e foi reduzido para 30 cm para ser inserido, a quantidade de heparina a ser administrada será de 0,6 ml.

Atenção!

A heparina age inibindo a conversão do fibrinogênio em fibrina, impedindo a formação do coágulo.

Solução de streptoquinase

Essa solução só deverá ser utilizada em cateteres venosos centrais de longa permanência nos casos de obstruções. Quanto aos cateteres de inserção periférica, no caso de obstruções, a indicação será a retirada.

Passo a passo:

1) Diluir a Streptoquinase (ampola de 250.0 ui) em 5 ml de solução fisiológica 0,9%, obtendo uma solução de 50.0 ui/ml.

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‹ Bases do tratamento 586

2) Aspirar 1 ml dessa solução e diluir novamente em 4 ml de solução fisiológica 0,9%, resultando na solução final de 10.0 ui/ml.

3) Injetar lentamente de 1 a 1,5 ml dessa solução no circuito do cateter de longa permanência.

4) Solicitar que o paciente aguarde de 30 minutos a 1 hora, para observação e constatação da desobstrução.

Atenção!

A Streptoquinase age convertendo o plasminogênio em plasmina, atuando como agente fibrinolítico.

Rotina de desobstrução

Realizar a tentativa com solução fisiológica 0,9%, fazendo movimentos de aspiração, utilizando uma seringa de 10 ml com movimentos leves, repetidas vezes, para que não ocorra a ruptura do cateter.

Em caso de não desobstrução, realizar a mesma técnica com ácido ascórbico.

Caso não desobstrua, solicitar avaliação médica para possível indicação de utilização da solução de Streptoquinase, com a sua supervisão.

Registro de informações acerca dos cateteres venosos centrais

Conforme estabelecido pela Comissão de Cateter do INCA, o manuseio de CVC é “exclusivo” do enfermeiro. Assim, o registro de informações acerca dos referidos dispositivos deverá ser realizado na folha de evolução do paciente (em seu prontuário) e de forma adequada, ou seja, registro preciso, direto, claro, legível, empregando nomenclatura adequada. Devem constar nos registros:

• Data e hora.

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