Procedimentos e cuidados especiais

Procedimentos e cuidados especiais

(Parte 8 de 10)

Condições emocionais: o paciente expressou sentimentos de ansiedade quanto à sua situação de saúde e insegurança relativa ao futuro. Refere, também, muitas dúvidas em relação à descontinuidade de sua vida sexual, social e laborativa, com a presença da colostomia, exprimindo verbalmente refração à confecção da mesma.

Integridade tissular: pele íntegra.

Sinais vitais: temperatura axilar: 36ºC. Freqüência cardíaca: 72 bpm. Freqüência respiratória: 12 irpm. Eupnéico, ausculta cardíaca e pulmonar normais. Pressão arterial: 140 x 80 m/Hg.

Outros: mucosas normocoradas, linfonodos não-palpáveis. Não utiliza próteses.

Conforme programado, o Sr. E.S. foi internado após o término do tratamento neo-adjuvante, para cumprimento de programação cirúrgica. Não apresentou reações adversas à neo-adjuvância. O plano de cuidados a seguir foi realizado pelo enfermeiro estomaterapeuta em atividade intra-hospitalar em fase pré-operatória.

Procedimentos e cuidados especiais – Capítulo 8

Anexos › 593

Fase pré-operatória

Quadro 101 – Principais diagnósticos e prescrições de enfermagem na fase pré-operatória DIAGNÓSTICO PRESCRIÇÃO

Ansiedade relacionada à confecção da colostomia, caracterizada pela verbalização de sentimentos de ansiedade quanto à sua situação de saúde e insegurança em relação ao futuro, bem como muitas dúvidas em relação à descontinuidade de sua vida sexual, social, laborativa e alterações no padrão de sono

• Reforçar afirmações de eficácia quanto à continuidade do tratamento proposto, identificando a colostomia como recurso provisório positivo para o tratamento

• Oferecer informações em linguagem clara acerca da programação cirúrgica e recursos, que serão utilizados no pós-operatório (cateter nasogástrico, dreno sentinela e cateter vesical de demora)

• Realizar demarcação abdominal da derivação programada antes do início do preparo de cólon

• Oferecer informações precisas e completas sobre a enterostomia, utilizando-se de recursos visuais com demonstração de coletores e manual ilustrado

• Explicar o tipo de colostomia a ser confeccionado, com vistas à reconstrução do trânsito intestinal num prazo mínimo de três meses

• Encorajar a discussão a respeito da sexualidade com o parceiro

• Reforçar os mecanismos de enfrentamento adaptativos com encaminhamento para o Serviço de Psicologia (problema colaborativo)

Risco de resposta alérgica à resina do equipamento coletor, devido à utilização contínua do dispositivo após confecção da colostomia

• Realizar teste com aplicação de equipamento coletor, a fim de observar reações de pele para escolha adequada do modelo a ser utilizado

• Oferecer informações sobre a aquisição gratuita garantida dos equipamentos coletores selecionados

Incontinência intestinal relacionada ao preparo de cólon retrógrado, caracterizada por eliminações fecais de consistência amolecidas e em vários episódios incontinentes de urgência

• Informar paciente sobre preparo de cólon, que inclui períodos ordenados de dieta sem resíduos, líqüida e jejum conforme prescrição médica

• Explicar a necessidade do preparo de cólon, mecanismo de realização e solução a ser utilizada, bem como os efeitos transitórios de incontinência

• Orientar o paciente para higiene íntima após episódios evacuatórios e utilização de fralda geriátrica neste período

Procedimentos e cuidados especiais– Capítulo 8

‹ Bases do tratamento 594

No pós-operatório imediato de cirurgia de retossigmoidectomia, o Sr. E.S. permanece internado, sendo encaminhado ao banho de aspersão com auxílio, após sentar no leito por 20 minutos para prevenção de lipotimia postural. Apresenta cateter nasogástrico afixado em linha nasal média sem compressão tecidual, em sifonagem com débito de aspecto esverdeado em baixo volume, micção por cateter vesical de demora com urina de aspecto âmbar de volume normal, punção venosa periférica com soroterapia em curso, dreno sentinela tipo Jackson Prattes em flanco esquerdo com volume de aspecto sero-hemático, colostomia em alça em transverso direito não funcionante, ferida operatória abdominal com oclusão cirúrgica seca externamente limpa, cateter peridural com cobertura oclusiva adesiva transparente mantido fechado.

Mantido em dieta zero, sinais vitais estáveis. Estimulado à deambulação precoce com auxílio.

No segundo dia de pós-operatório, devido ao baixo débito, foi sacado cateter nasogástrico, bem como retirado pelo Serviço de Anestesiologia o cateter peridural. Iniciada pelo Serviço de Nutrição a progressão dietética com inserção de líqüidos apenas nos horários das principais refeições. O paciente evolui sem intercorrências, apresentando-se tranqüilo. Queixa-se apenas de “gosto ruim na boca e língua grossa”. Refere curiosidade em relação ao manejo da colostomia.

O plano de cuidados a seguir refere-se ao período de internação em fase pós-operatória de retossigmoidectomia, elaborado pelo estomaterapeuta que acompanha o paciente em questão.

Procedimentos e cuidados especiais – Capítulo 8

Anexos › 595

Fase pós-operatória

Quadro 102 – Principais diagnósticos e prescrições de enfermagem na fase pós-operatória DIAGNÓSTICO PRESCRIÇÃO

Risco de lipotimia devido ao tempo prolongado de jejum e manejo cirúrgico com anestésico

• Encorajar o paciente a sentar no leito por até 20 minutos antes de levantar-se por completo do leito

Mobilidade física prejudicada relacionada à presença de cateteres e sondas, caracterizada pela dificuldade para movimentação sozinho

• Auxiliar o paciente em banho de aspersão

• Orientar o paciente a sentar em poltrona três vezes ao dia, inclusive às refeições, por pelo menos 30 minutos

• Auxiliar o paciente a deambular no corredor pelo menos três vezes ao dia

Incontinência urinária funcional relacionada ao manejo cirúrgico, caracterizada por instalação de cateter vesical de demora

• Monitorar cateter vesical de demora, orientando equipe de enfermagem para limpeza do mesmo, fixação adequada e posicionamento do prepúcio sobre a glande

• Informar o paciente sobre a importância desses procedimentos

• Orientar a enfermagem para anotação de débito urinário nas 24 horas

Risco de infecção devido à ferida operatória abdominal, presença de cateter vesical, punção venosa periférica em membro superior, dreno sentinela no flanco esquerdo e manejo de colostomia

• Realizar curativo em ferida operatória diariamente, com técnica asséptica, utilizando apenas solução fisiológica isotônica e oclusão seca nas primeiras 48 horas. Caso a ferida apresente-se seca no terceiro dia, utilizar apenas filme adesivo transparente

• Monitorar processo de reparo tissular em região irradiada (pelve)

• Monitorar posicionamento, fixação sem tração e perveabilidade de sondas e drenos

• Manter utilização de equipamento de precaução universal para manejo do paciente

• Orientar a enfermagem para registro de débito e aspecto de dreno sentinela nas 24 horas

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