Endireite as Costas

Endireite as Costas

(Parte 6 de 7)

Aos chimpanzés, o viver na selva estimula a forma pacífica de vida com o caminhar de quatro patas; por outro lado, o caminhar sobre duas patas em campo aberto favorece o instinto agressivo e o uso de garras, ao liberar as outras duas para a defesa. E evidente que isso tem influência sobre a coluna, sobre os músculos, as articulações e o próprio sistema nervoso, que deverá adaptar os seus proprioceptores de maneira diferente, inclusive modificando seus arcos reflexos, agora realizados em outra dimensão.

E por que isso também não ocorreria com quem anda cabisbaixo, deprimido ou ansioso e tenso? No futuro a cinesiologia, que é o estudo do movimento, deverá analisar as reciprocidades entre o significado do movimento para a emoção e vice-versa, o significado da imagem corporal própria e a expressão corporal como forma de comunicação.

Admitindo a existência de controles voluntários para a postura adequada, pode-se mostrar os erros de postura, que resultam em dores, aos pacientes, de modo que possam reconhecê-los e retornar "voluntariamente" a uma posição mais estável e menos agressiva às estruturas de sustentação. É óbvio que se pode ensinar uma postura estereotipada, e a constituição individual e cultural de cada pessoa acaba se refletindo na postura. Um caboclo que senta de cócoras tem uma postura diferente de andar de um executivo que senta em cadeiras macias. Sem preocupação com a elegância (que nem sempre as mulheres concordam em esquecer), e mais voltados para o controle da dor, é que tentamos realizar a Escola de Posturas, descrita mais adiante.

Conclusões

Nas diversas concepções da definição da postura corporal apresentadas, permanecem, sob o nosso modo de entender, alguns dados objetivos: 1) A evolução do ser humano para a postura bípede obrigou a uma série de alterações estruturais da coluna, bacia e membros inferiores; 2) Essas alterações anatômicas, já incorporadas à espécie e à coluna, são novamente modificadas com a idade, hábitos e tipos de trabalho, além de outros fatores. As alterações produzidas na coluna pelo passar dos anos são comparáveis às da arteriosclerose nos vasos. Nem sempre produzem sintomatologia, mas causam modificações na postura corporal; 3) Como o homem trabalha, as estruturas da coluna podem ser danificadas devido a posições posturais incorretas. A ergonomia é a ciência que procura estudar as posturas mais corretas do corpo para o trabalho; 4) As atitudes corporais das atividades do dia-a-dia, apesar de não serem trabalho (e mesmo no lazer), podem causar danos às estruturas já alteradas da coluna; por isso precisam ser reeducadas. Deve-se criar novas normas posturais, influindo nos hábitos reflexos de sentar, deitar, andar, etc, tentando evitar o aparecimento da dor; 5) O lazer e, principalmente, o esporte, a dança, trazem alterações posturais que podem causar danos às estruturas da coluna, que precisam ser corrigidas. Às vezes essas práticas devem ser limitadas; 6) Os problemas emocionais agem através da tensão nervosa e da tensão muscular, restringindo ou agredindo as estruturas danificadas, alterando posturas corporais definidas, quer pela evolução da espécie, quer pela própria evolução individual da pessoa; 7) Agindo-se sobre a postura emocional corrige-se a postura corporal; com muita probabilidade, acertando a postura corporal modifica-se o constituinte emocional.

Figura 14 A raiz sensitiva e a raiz motora constituem o nervo raquidiano (Sistema nervoso central periférico, voluntário) que termina na placa neuromotora do músculo esquelético. Antes, porém, existe um gânglio que é do sistema nervoso simpático (portanto involuntário) que também liberta uma enorme quantidade de nervos (nervos simpáticos) que também vão terminar no músculo, naqueles fusos musculares.

Exercícios: Quais?

De um modo geral, existe uma "febre", no mundo moderno, de fazer exercícios. Isso pode ser constatado em toda parte das cidades, onde pessoas correm nas ruas, senhoras andam nas praças e todos se esforçam em praticar esporte. Há inúmeras competições ciclísticas, maratonas, campeonatos de tênis, etc., que são patrocinados pelo Governo para estimular os cidadãos a se movimentarem. Sem esquecer que, no Brasil, existem o futebol e o samba, que por si só já são ótimos exercícios.

Essa "febre" pela ginástica começou na década dos 60, quando os americanos descobriram, desolados, que as doenças do coração (infarto) eram as que maior número de mortes causavam na população adulta.

As autoridades médicas realizaram vários estudos, e foi possível verificar que isso ocorria por vários motivos: vida sedentária, fumo, ingestão de álcool, comida gordurosa, fatores emocionais, hereditariedade, etc.

Bem conhecidas as causas, passaram a tratá-las. Surgiram as comidas dietéticas, sem gordura, quase sem sal. Campanhas para parar de fumar e diminuir a ingestão de álcool e principalmente diminuir o stress da vida moderna.

Mas, como diminuir o stress, a ansiedade, a agitação diária em que o homem moderno vive?

Os problemas econômicos, sociais, emocionais, familiares são alterações diárias e freqüentes na vida de cada um.

Descobriu-se que o exercício físico, o movimento muscular, ajudava no combate ao stress, melhorando as estatísticas de morte por infarto do miocárdio.

Bem, estava resolvido o problema. Fazer exercícios é bom para todo mundo. Melhora o corpo e também a mente. O próprio presidente Kennedy, que sofria terrivelmente da coluna, recomendava às pessoas nadar. O lema mais freqüente que se ouvia era "Mexa-se". Até o presidente Mao-Tsé-Tung, com mais de 75 anos, atravessou a nado um determinado rio da China, só para incentivar os chineses ao esporte.

O Sr. Otávio, de 42 anos, gerente do setor financeiro de um banco, via com desconfiança o fato de que, ao subir 3 andares de escadas, chegava sem fôlego e com palpitação. Contou para a esposa, que disse que isso acontecia porque estava com uma "barriga enorme", resultante de muitos chopes e massas. Otávio, quando jovem, fizera esporte, praticava remo e bolaao-cesto, mas depois que começou a trabalhar no banco foi deixando os esportes. Também, tinha que fazer tantos cursos, que não dava tempo!!!

Alertado para essa falta de fôlego, num exercício mínimo, Otávio procurou o seu clínico geral, que constatou que a pressão arterial estava alta, que o sangue tinha as gorduras aumentadas (colesterol e os triglicerídeos) e que o peso corporal estava acima da tabela.

Além de um regime alimentar e medicação para baixar a pressão, foi a ele recomendada uma academia de ginástica, para fazer exercícios. "Que tipo de exercícios?" perguntou Otávio. "Deve fazer os exercícios anaeróbicos", respondeu o médico responsável; e concluiu: "Os exercícios anaeróbicos são realizados para melhorar o fôlego e a circulação. Melhoram a oxigenação sanguínea, desenvolvem a circulação arterial colateral do próprio coração que é um músculo, também estimulando o funcionamento pulmonar”.

Foi o americano K. Cooper quem conseguiu fazer uma tabela para se avaliar facilmente o total de exercícios que se podem fazer sem o perigo de agredir o organismo. A tabela leva em conta dados fáceis de serem controlados pela própria pessoa, tais como em quantos minutos se deve correr uma determinada distância ou, então, quanto se deve nadar, ou pedalar de bicicleta (veja tabela nº 1).

Tabela I

Categoria de aptidão Distância percorrida Consumo de oxigênio

I Muito Fraca menos de 1600m 28,0 ml ou menos

I Fraca 1600 a 2000m 28,1 a 34 ml

I Razoável 2000 a 2400m 34,1 a 42 ml

IV Boa 2400 a 2800m 42,1 a 52 ml V Excelente 2800 ou mais 52,1 ou mais

Tabela I -Corrida de 1600m realizada continuamente

Tempo (minutos) Pontos Oxigênio ml/kg/min. 20:0 a 14:30 1 7 14:30 a 12:0 2 14 12:0 a 10:0 3 21 10:0 a 8:0 4 28 8:0 a 6:30 5 35 6:30 ou menos 6 42

Esse tipo de exercícios é bom para as pessoas de meia idade, com as características do Sr. Otávio. Esses exercícios anaeróbicos também podem ser feitos pelos jovens, sendo obrigatórios para as pessoas que praticam os diversos tipos de jogos de bola (futebol, vôlei, bola-ao-cesto, tênis, etc.).

Os exercícios que vamos aqui relacionar para a coluna são diferentes, dirigidos especialmente para músculos específicos e têm a finalidade de "fortalecê-los", "esticá-los", etc., ajudando a proteger a coluna.

São diferentes da musculação, simples exercícios realizados com a finalidade de aumentar o tamanho e a força dos músculos. Não deixam de ser exercícios, que devem "fortalecer" a musculatura das costas e regiões vizinhas. Mas, com certeza, não são exercícios aeróbicos, como correr, nadar, andar de bicicleta, etc., ou o exercício do jogo de bola. Às vezes são exercícios isométricos e isotônicos (veja o quadro).

Outra característica dos exercícios para os desvios de coluna é que devem também colaborar na criação de uma consciência corporal, a fim de sentir o corpo, como um todo e com os seus desvios.

Exercícios: para quem?

Os exercícios que aqui vão ser apresentados são chamados de corretivos. Não são os mesmos que se usam para as pessoas adultas que têm dores na coluna. Esses exercícios são para jovens com desvios de coluna.

Que idade é boa para começar?

Depois dos 10 anos de idade. Antes as crianças, com raras exceções, não gostam de fazer ginástica periodicamente, e também não "entendem" os exercícios que devem ser feitos.

Assim, os jovens, tanto meninas como meninos, antes dos 10 anos, devem ser encaminhados para fazer natação; se não gostarem de água, fazer atletismo ou mesmo jogar vôlei ou bola-ao-cesto, pois são esportes que "alongam" o corpo.

Depois dos 18 anos, esses exercícios chamados de corretivos não vão mais colaborar para um possível endireitar da coluna que já atingiu sua maturidade óssea, soldando os núcleos de crescimento. Não há possibilidade de endireitá-la, mas também a curva da coluna não vai mais piorar.

Os exercícios corretivos, depois dos 18 anos, devem ser continuadamente realizados, pois deve-se dar estrutura de apoio à coluna, e também ampliar os grupos musculares a serem exercitados; são recomendados, além disso, exercícios anaeróbicos e posturais.

A idade em que há mais "preguiça" de fazer os exercícios é a adolescência, com início em torno de 12 anos na menina e 13 no menino, época em que a curva piora.

Exercícios: Como? Quanto?

Existe uma hora mais adequada para fazer exercícios?

Isso é variável de pessoa para pessoa. Em relação à coluna, o período logo de manhã cedo, quando a pessoa se levanta da cama, é o mais adequado para fazer alongamento a fim de colocar a coluna no lugar, pois, na maioria das vezes, o jovem dormiu encolhido.

Os exercícios feitos pela manhã têm, entretanto, um problema, para os jovens que vão à escola nesse horário. O exercício é feito com pressa e inadequadamente.

É preferível fazê-Ios à tarde. Portanto, a regra básica é que o exercício precisa ser feito no período de melhor disponibilidade de horário do jovem.

Fazer com calma, usufruir o ato delicioso de conhecer o próprio corpo.

Não fazer automaticamente, sem sentir a finalidade do exercício; é preciso acionar os músculos adequados.

Não há necessidade de suar, repetindo inúmeras vezes o mesmo exercício, sem respirar adequadamente e cansando-se.

Se não conseguir fazer, todos os dias, ao menos meia hora de exercícios, entre numa academia, realizando a ginástica junto com outras pessoas, incentivando-se uns aos outros. Realize, então, uma hora de exercícios em dias alternados.

Pratique exercício com música, o que, além de causar um bom relaxamento, produz um modo mais agradável de fazer ginástica.

Tipos de exercícios

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