Vigilância epidemiológica

Vigilância epidemiológica

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Acidentes de Trabalho (de Trajeto, Típico e Não Especificado); Condiloma Acuminado/Vírus do Papiloma Humano (Hpv); Coqueluche; Dengue; Doença de Chagas; Dermatoses Ocupacionais; Distúrbio Osteomuscular Relacionado ao Trabalho (LER/DORT); Esquistossomose Mansônica; Febres Purpúricas ou Hemorrágicas de qualquer Etiologia; Febre Maculosa; Hanseníase; Hepatites Virais (A, B, C, D, E e Não Especificadas); Herpes Genital; Intoxicação por Metais ou Solventes (inclui Benzenismo); Leishmanioses Tegumentar e Visceral; Leptospirose; Malária; Maus Tratos contra crianças e adolescentes; Parotidite Epidêmica; Perda Auditiva Induzida por Ruído de origem Ocupacional; Pneumoconioses; Reações Graves ao Estresse e Transtornos de Adaptação Relacionados ao Trabalho e Desemprego; Sífilis Congênita, Primária, Secundária e Terciária; Infecção pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (Hiv) em Gestantes e Crianças Expostas ao Risco de Transmissão Vertical; Síndrome da Imunodeficiência Adquirida — Aids; Síndrome da Ulcera Genital; Síndrome do Corrimento Cervical / Uretral; Tétano Acidental e Neonatal; Tuberculose Pulmonar e Extrapulmonar.

São Paulo

(Resolução S- 62, de 9-5-2002 e Resolução S-141 de 12/1/2002)

Notificação Imediata (24horas)

Botulismo; Carbúnculo ou "antrax"; Cólera; Febre Amarela; Hantavirose; Peste; Poliomielite/Paralisia Flácida Aguda; Raiva Humana; Saramp;o Tétano Neonatal; Tularemia; Varíol;a Agravos inusitados e todo e qualquer surto e epidemia

Notificação Semanal - não imediata

Acidentes por Animal Peçonhento; Coqueluche; Dengue; Difteria; Doença de Chagas (casos agudos); Doença Meningocócica e outras Meningites; Esquistossomose (**); Febre Maculosa; Febre Tifóide; Hanseníase (**); Hepatite B e C; Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) em gestantes e crianças expostas ao risco de transmissão vertical; Intoxicação por Agrotóxicos; Leishmaniose Tegumentar Americana; Leishmaniose Visceral; Leptospirose; Malária; Rubéola e Síndrome da Rubéola Congênita; Sífilis Congênita; Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS); Tétano; Tracoma (**); Tuberculose (**) (**) - casos confirmados

Espírito Santo (Portaria n9 326- de 16/07/2001)

A Portaria do Estado do Espírito Santo, um pouco antes da atual lista nacional, não incluía: Botulismo, Carbúnculo ou Antraz; Esquistossomose em área não endémica; Febre Maculosa; Tularemia e Varíola. No caso das Hepatites já incluía os tipos (A, B, C e E). Agora, após a lista nacional, os agravos anteriores estarão incluídos).

Vitória (Decreto ne 1.669 de 02/07/2003)

Notificação Imediata (24horas)

Casos Suspeitos: botulismo, carbúnculo ou "antraz", cólera, febre amarela, febres hemorrágicas de etiologia não esclarecida, hantaviroses, paralisia flácida aguda, peste, raiva humana, tularemia e varíola e os surtos ou agregação de casos ou óbitos de agravos inusitados, difteria, doença de etiologia não esclarecida e doença meningocócica.

Casos Confirmados: poliomielite, sarampo e tétano neonatal.

Notificação Semanal - não imediata

Coqueluche, Dengue, Doenças de Chagas (casos agudos), Meningites, Esquistossomose, Febre Maculosa, Febre Tifóide, Hanseníase, Hepatites Virais, Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) em gestantes e crianças expostas ao risco de transmissão vertical, Leishmaniose Tegumentar Americana, Leishmaniose Visceral, Leptospirose, Malária (em área não endémica), Meningite por Haemophilus Influenzae, Rubéola, Síndrome da Rubéola Congênita, Sífilis Congênita, Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS), Tétano, Tuberculose; Intoxicação por Agrotóxico; Perda de Audição induzida pelo ruído (relacionada ao trabalho; Dermantite de contato não especificada (relacionada ao trabalho); LER (Lesão por esforço repetitivo)

Paraná (SESA/ISEP/CIDS/DSI/SINAN/PR)

Acidentes por Animais Peçonhentos; AIDS; Atendimento Anti-rábico Humano; Cisticercose; Cólera; Coqueluche; Dengue; Difteria; Doença Meningocócica; Febre Reumática; Febre Tifóide; Hantavirus; Hanseníase; Hepatites (A, B, C, Portadores); HIV Gestante; Intoxicação por Agrotóxico; Intoxicação por Medicamento; Leishmaniose Tegumentar Americana; Leptospirose; Meningite nao especificada; Meningite por Haemophilus; Meningite por outra etiologia determinada; Meningite Tuberculosa; Meningites Virais; Paralisia Flácida Aguda; Poliomielite; Rubéola; Sarampo; Sífilis Congênita; Síndrome da Rubéola Congênita; Teníase; Tétano Acidental; Tétano Neonatal; Toxi-infeccao alimentar; Toxoplasmose (congênita, materna); Tuberculose Pulmona r

Obs: Na página da Secretaria Estadual de Saúde tem uma série de boletins com relatos de casos notificados e investigados, bem como material técnico sobre os agravos. Encontramos também situações especiais de notificação como a apresentada para a Blastomicose sul-americana (Paracoccidiodomicose).

Belo Horizonte (Gerência de Epidemiologia e

Informação - SMSA - BH)

Inclusão da Caxumba e dos agravos relacionados ao trabalho (Estado de Minas Gerais), alem das presentes na lista nacional.

1 - Conceitos

O estudo dos fenómenos envolvidos no processo epidêmico pressupõe a compreensão dos conceitos de estrutura e caracteres epidemiológicos e do que venha a ser o comportamento endémico de uma doença transmissível.

Entende-se por estrutura epidemiológica de uma doença a forma de interação dos diferentes fatores relativos ao meio ambiente, hospedeiro e ao agente - seja ele químico, físico ou biológico -, que determina o comportamento desse agravo no âmbito de uma população delimitada e num período de tempo estabelecido.

Os caracteres epidemiológicos constituem a resultante da estrutura epidemiológica em cada momento e se expressa pela frequência e distribuição da doença na população em determinado instante, segundo as variáveis tempo, espaço e pessoa.

A estrutura epidemiológica se apresenta de forma dinâmica, modificando-se em cada ponto no tempo e no espaço, definido e redefinido continuamente, o que pode ser entendido como comportamento normal ou anormal de uma doença numa comunidade, fixado um ponto no tempo e no espaço.

Pode-se portanto, conceituaro comportamento normal ou endémico de um agravo à sua ocorrência dentro de padrões regulares em agrupamentos humanos distribuídos em espaços delimitados e caracterizados, num determinado período de tempo, permitidas flutuações cíclicas ou sazonais. Por outro lado, define-se o comportamento epidêmico de um agravo à saúde como a elevação brusca do número de casos caracterizando, de forma clara, um excesso em relação ao normal esperado. O número de casos que indicam a presença de uma epidemia variará de acordo com o agente, tipo e tamanho da população exposta, experiência prévia ou ausência de exposição.

A epidemia não apresenta obrigatoriamente um grande número de casos, mas um claro excesso de casos quando comparada à frequência habitual de uma doença em uma localidade.

Por exemplo, há muitos anos não ocorre um único caso humano de peste bubônica no Município de Santos, pela ausência de roedores infectados. Desse modo, o aparecimento de um caso autóctone representaria uma situação epidêmica decorrente de uma alteração substancial na estrutura epidemiológica do município, no que concerne à peste .

2 - Algumas Características do Comportamento Epidêmico a) Aumento brusco, pois um aumento gradual representa uma alteração do nível endémico da doença e não uma epidemia. Como exemplo podemos citar a elevação da incidência de sífilis, em todos os seus estágios, nos Estados Unidos da América, a partir de 1987 (Gráfico 1).

b) aumento temporário, havendo um retorno da incidência aos níveis endémicos previamente observados.

O surto é uma forma particular de epidemia em que todos os casos estão relacionados entre si, não ocorrendo, obri-

Gráfico 1 - Gonorréia e Sífilis 1* e 2, Estados Unidos, 1951-90 gatoriamente, numa única área geográfica pequena e delimitada ou população institucionalizada. Existem ainda outras formas particulares de epidemia, entre elas podemos citar a pandemia, que se caracteriza por atingir mais de um continente, e a onda epidêmica, que se prolonga por vários anos. Exemplos: pandemia de gripe e cólera e onda epidêmica de doença meningocócica.

Para doenças imunopreveníveis e para aquelas objeto de um programa especial de controle, eliminação ou erradicação, este limiar de normalidade deve estar em consonância com os objetivos do programa. Assim, a presença de um único caso confirmado de poliomielite decorrente da circulação do poliovírus selvagem no Brasil já representaria uma situação epidêmica.

3-Cálculo do Nível Endémico ,

Um dos métodos utilizados para verificação de ocorrência de uma epidemia é o DIAGRAMA DE CONTROLE, que consiste na representação gráfica da distribuição da média mensal e desvio padrão dos valores da frequência (incidência ou casos) observada, em um período de tempo (habitualmente 10 anos). A construção deste gráfico pode ser feita procedendo-se da seguinte maneira: • verificar se a distribuição do número de casos/incidência da doença, registrado mensalmente durante os últimos anos (geralmente dez anos ou mais), apresenta grandes variações; • excluem-se os dados referentes a anos epidêmicos;

• calcula-se a média aritmética e os desvios-padrão (pode ser calculado no programa Excel) de cada distribuição mensal das incidências registradas no período selecionado; • os valores compreendidos entre aqueles correspondentes à média de cada mês acrescidos de 1,96 desvios-padrão e aqueles de cada média mensal menos 1,96 desvios-padrão (distribuição normal), correspondem ao nível endémico da doença, ou seja, o limite de variação esperada para cada mês; • representa-se graficamente (diagrama curvilínear) a distribuição das médias e desvios-padrão da incidência (diagrama de controle); • quando os valores observados ultrapassam aqueles do limite máximo da variação esperada, diz-se que está ocorrendo uma epidemia. Desta maneira, quando uma doença deixou de ocorrer em uma determinada área, o registro de um único caso pode estar configurando uma epidemia ou surto.

Para exemplificar, apresentam-se os cálculos necessários à construção do diagrama de controle, utilizando-se dados da Tabela 1 que contêm a incidência mensal por 100.0 habitantes de doença meningocócica, no Brasil, de 1983 a 2000.

Tabela 1

Mese s

Jan Fev

Mar Abr

Mai Jun Jul Ago

Set Out

Nov Dez

- Coeficiente de

Incidência da doença Meningocócica

Brasil, 1983 a 2000

A média aritmética é calculada pela seguinte fórmula: media =

O desvio padrão é calculado pela seguinte fórmula:

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