Prevenção do suicídio: um manual para profissionais da saúde em atenção primária

Prevenção do suicídio: um manual para profissionais da saúde em atenção primária

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Este documento pertence a uma série de recursos destinados a grupos sociais e profissionais específicos, especialmente relevantes para a prevenção do suicídio.

Ele foi preparado como parte do SUPRE, a iniciação mundial da OMS para a prevenção do suicídio.

Palavras-chave:suicídio/prevenção/recursos/ profissionais da atenção primária.

Prefácioiv
Suicídio – a dimensão do problema1
Por que o enfoque na equipe de atenção primária?2
Suicídio e doenças mentais2
Doenças físicas e suicídio6
Suicídio – Fatores sociodemográficos e ambientais8
O estado mental e o suicídio10
Como abordar a pessoa sob risco de suicídio1
Suicídio – fato ou ficção13
Como identificar uma pessoa com risco de suicídio14
Como abordar o paciente15
Como lidar com o paciente16
Encaminhando o paciente com risco de suicídio18
Recursos da comunidade19
O que fazer e o que não fazer20

Prefácio

O suicídio é um fenômeno complexo que tem atraído a atenção de filósofos, teólogos, médicos, sociólogos e artistas através dos séculos; de acordo com um filósofo francês Albert Camus, em O Mito de Sísifo, esta é a única séria questão filosófica.

Somos especialmente devedores à Dra. Lakshimi Vijayakumar, SNEHA,

Como um sério problema de saúde pública, este demanda nossa atenção, mas sua prevenção e controle, infelizmente, não são uma tarefa fácil. As melhores pesquisas indicam que a prevenção do suicídio, enquanto factível, envolve uma série completa de atividades, abrangendo desde a provisão das melhores condições possíveis para congregar nossas crianças e jovens através de um tratamento efetivo dos distúrbios mentais até um controle ambiental dos fatores de risco. Elementos essenciais para os programas prevenção do suicídio são o aumento da percepção e a disseminação de informação apropriada. Em 1999 a OMS lançou o SUPRE, sua iniciativa mundial para a prevenção do suicídio. Este livreto é um de uma série de fontes preparadas como parte do SUPRE e destinado a grupos profissionais e sociais particularmente relevantes na prevenção do suicídio. Isto representa um elo numa longa e diversificada corrente envolvendo um largo espectro de pessoas e grupos, incluindo profissionais de saúde, educadores, agentes sociais, governantes, legisladores, comunicadores sociais, forças da lei, famílias e comunidades.

Chennai, Índia, que preparou uma versão preliminar desse livreto. O texto foi posteriormente revisado pelos seguintes membros da Rede Internacional de Prevenção ao Suicídio da OMS, aos quais somos gratos:

- Dr. ∅ivind Ekeberg, Ullevål Hospital, Universidade def Oslo, Oslo, Noruega - Professor Jouko Lønnqvist, National Public Health Institute, Helsinki, Finlândia

- Professor Lourens Schlebush, Universidade de Natal, Durban, África do Sul

- Dr. Airi Värnik, Universidade de Tartu, Tallinn, Estônia

- Dr. Shutao Zhai, Nanjing Medial University Brain Hospital, Nanjing, China.

Livretos como este estão agora sendo amplamente disseminados, na esperança de que eles serão traduzidos e adaptados às condições locais – um prérequisito para sua eficácia. Comentários e requisições para permissão de tradução e adaptação serão então bem vindos.

Dr. J. M. Bertolote

Coordenador, Trantornos Mentais e Comportamentais

Departmento de Saúde Mental Organização Mundial da Saúde

Tradução para o Português:

Janaína Phillipe Cecconi, Sabrina Stefanello e Neury José Botega, do Departamento de Psicologia Médica e Psiquiatria da Faculdade de Ciências Médicas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, Brasil. Centro Brasileiro do Estudo Multicêntrico de Intervenção no Comportamento Suicida – SUPRE-MISS, da Organização Mundial da Saúde.

• Estima-se que um milhão de pessoas cometeram suicídio no ano de 2000 no mundo.

• A cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no mundo.

• A cada 3 segundos uma pessoa atenta contra a própria vida.

• O suicídio está entre as três maiores causa de morte entre pessoas com idade entre 15-35 anos.

• Cada suicídio tem um sério impacto em pelo menos outras seis pessoas.

• O impacto psicológico, social e financeiro do suicídio em uma família e comunidade é imensurável.

Suicídio é um problema complexo para o qual não existe uma única causa ou uma única razão. Ele resulta de uma complexa interação de fatores biológicos, genéticos, psicológicos, sociais, culturais e ambientais.

É difícil explicar porque algumas pessoas decidem cometer suicídio, enquanto outras em situação similar ou pior não o fazem. Contudo a maioria dos suicídios pode ser prevenida.

Suicídio é agora uma grande questão de Saúde Pública em todos os países.

Capacitar a equipe de atenção primária à saúde para identificar, abordar, manejar e encaminhar um suicida na comunidade é um passo importante na prevenção do suicídio.

• A equipe de atenção primária tem um longo e próximo contato com a comunidade e são bem aceitos pela população local.

• A equipe provê um elo vital entre a comunidade e o sistema de saúde.

• Em muitos países em desenvolvimento, onde os serviços de saúde mental não estão bem estruturados, o profissional de atenção primária é freqüentemente o primeiro recurso de atenção à saúde.

• O seu conhecimento da comunidade permite-lhe reunir o apoio dos familiares, amigos e organizações.

• Esse profissional está em posição de oferecer cuidado continuado.

• É também a porta de entrada aos serviços de saúde para os que deles necessitarem.

Em resumo, os profissionais de saúde da atenção primária são disponíveis, acessíveis, detentores de conhecimento e comprometidos com a promoção de saúde.

Estudos tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento revelam dois importantes fatores relacionados ao suicídio. Primeiro, a maioria das pessoas que cometeu suicídio tem um transtorno mental diagnosticável. Segundo, suicídio e comportamento suicida são mais freqüentes em pacientes psiquiátricos. Esses são os grupos diagnósticos, em ordem decrescente de risco de:

• depressão (todas as formas);

• transtorno de personalidade (anti-social e borderline com traços de impulsividade, agressividade e freqüentes alterações do humor);

• alcoolismo (e/ou abuso de substância em adolescentes);

• esquizofrenia;

• transtorno mental orgânico;

Apesar de a maioria das pessoas com risco de suicídio presentarem transtorno mental, a maioria não procura um profissional de saúde mental, mesmo em países desenvolvidos. Assim, o papel da equipe de atenção primária à saúde torna-se vital.

Depressão é o diagnóstico mais comum em suicídios consumados. Todos sentem-se deprimidos, tristes, solitários e instáveis de tempos em tempos, mas marcadamente esses sentimentos passam. Contudo, quando os sentimentos são persistentes e interferem na vida normal, usual da pessoa, eles tornam-se sentimentos depressivos e levam a um de transtorno depressivo.

Alguns dos sintomas comuns de depressão são: • sentir-se triste durante a maior parte do dia, diariamente;

• perder o interesse em atividades rotineiras;

• perder peso (quando não em dieta) ou ganhar peso;

• dormir demais ou de menos ou acordar muito cedo;

• sentir-se cansado e fraco o tempo todo;

• sentir-se inútil, culpado e sem esperança;

• sentir-se irritado e cansado o tempo todo;

• sentir dificuldade em concentrar-se, tomar decisões ou lembrar-se das coisas;

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