Manual de Condutas Médicas do Departamento de Pediatria, Faculdade de Medicina da Bahia

Manual de Condutas Médicas do Departamento de Pediatria, Faculdade de Medicina da...

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Manual de Condutas Médicas, Departamento de Pediatria, FAMEB, UFBA13

Prefácio

Prezados Colegas

A honra do convite e a satisfação em escrever este prefácio se multiplicaram a medida em que conheci o conteúdo da obra e pude constatar a qualidade do trabalho realizado pelos colegas do Departamento de Pediatria da FAMEB e do Centro Pediátrico Prof. Hosannah de Oliveira.

A edição de um Manual de Condutas Médicas como este, direcionado a acadêmicos, pós-graduandos e pediatras, elaborado de forma tão cuidadosa, no meio do turbilhão do dia-a-dia profissional que tanto nos absorve, nos faz acreditar que é possível melhorar a qualidade do atendimento pediátrico em nosso país, e nos remete a um momento de reflexão em busca dos caminhos para a sua efetivação.

Atuar como pediatra significa manter-se em uma atividade interessante, em que se criam e renovam os conhecimentos a cada dia. Entretanto, fatores adversos como má condições de trabalho, remuneração incompatível e pressões de toda ordem, têm nos afastado paulatinamente daqueles ideais que projetamos e pelos quais lutamos em nossa trajetória profissional.

A resposta a esta situação vigente, neste país de dimensões continentais, está justamente em iniciativas setorizadas como esta, de um grupo de valorosos pediatras que fazem de sua indignação força motriz, neste caso, para contribuir com o aprimoramento profissional daqueles que se dedicam ou se preparam para o atendimento de crianças e adolescentes.

Este excelente trabalho trata, de forma abrangente, as principais patologias infantis, analisando todos os aspectos de interesse na área, bem como discorre sobre métodos diagnósticos e terapêuticos mais adequados à prática diária. Tudo isso em capítulos muito bem divididos, em que predomina o caráter multidisciplinar.

O leitor encontrará ainda outros dados de relevância na prática pediátrica, como os anexos que abordam a questão da imunização, gráficos de crescimento, tabelas com dose de antimicrobianos e quadros com valores de pressão arterial. O Manual também não deixa de ser um meticuloso projeto a nos orientar sobre temas como a ética no atendimento de emergência, infecção hospitalar e maus tratos.

Pude constatar que este Manual será de extrema validade não só para aqueles que se preparam para exercer a medicina voltada para a criança, mas também para todos aqueles que já exercem a pediatria e que encontrarão nesta obra orientações práticas para incrementar e melhorar o atendimento de seus pacientes.

A todos os professores do Departamento de Pediatria da FAMEB e do Centro Pediátrico Prof. Hosannah de

Oliveira que contribuíram para que este projeto se tornasse realidade, nossos efusivos parabéns. Aos que buscarão nele informação, pesquisa e atualização, a certeza de que trata-se de excelente fonte de conhecimento.

Lincoln Marcelo Silveira Freire

Professor Adjunto, Doutor, do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais

Presidente da Fundação Sociedade Brasileira de Pediatria

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Na atualidade da Faculdade de Medicina da Bahia (FAMEB), faz parte do senso comum o excelente grau de diferenciação dos programas desenvolvidos (nas áreas de ensino, assistência, extensão e pesquisa) pelos docentes e médicos vinculados ao Departamento de Pediatria da FAMEB e/ou ao Centro Pediátrico Prof. Hosannah de Oliveira (CPPHO). Isso é traduzido pela boa satisfação da sua clientela do sistema docente-assistencial: pacientes e familiares, alunos e internos do Curso de Medicina e também dos médicos-residentes do programa de residência médica em Pediatria do Complexo Hospital Universitário Prof. Edgard Santos (C-HUPES).

Essa constatação é facilmente observada conversando com estudantes e médicos-residentes, apesar das constantes críticas sobre a inadequação do ambiente e das condições de trabalho decorrentes da estrutura física e da falta de insumos aos procedimentos diagnósticos e terapêuticos. Porém, mesmo com essa situação adversa e conseqüente à contínua crise das unidades universitárias de saúde - impostas pelo Governo Federal - o Grupo da Pediatria (FAMEB-C-HUPES/CPPHO) vem sabendo delimitar os problemas, buscar ou indicar as correções e encontrar estratégias para oferecer melhores serviços aos seus usuários.

É parte desse esforço do Grupo da Pediatria (FAMEB-C-HUPES/CPPHO), o Manual de Condutas Médicas.

Cada capítulo foi escrito assinalando, com objetividade, as bases do problema de interesse para a saúde da criança, bem como os indicadores diagnósticos e às principais medidas terapêuticas, profiláticas e/ou de controle. Dessa forma, o Manual de Condutas Médicas cumpre o objetivo de oferecer ao consulente: informações para o melhor atendimento da criança e ao aconselhamento sobre o caso clínico; e questões de muito interesse da família com uma criança doente.

Além desse aspecto prático, fundamental, o Manual de Condutas Médicas tem outro fim, igualmente nobre e de impacto na assistência no médio e longo prazo: o de fundamentar as rotinas do serviço e assim permitir a consolidação das experiências na prática pediátrica. Desse modo, aumentam as chances de melhores perspectivas no aprimoramento da assistência, das condições de ensino e torna a pesquisa clínica mais rica de valores comparativos.

Merecem destaque os capítulos sobre “A ética no atendimento de emergência” e “Maus tratos”. O primeiro, tem relação com temática de grande valor para a Medicina e a Sociedade, porque sem a observação do código deontológico e dos valores bioéticos, a Medicina e os seus atores ficam menores e sem grandeza dentro da cultura da vida. Também, sem a valorização dos princípios éticos, a prática médica se torna mecanicista e desprovida de bens próprios aos caros preceitos humanísticos. Do contrário, a “coisificação” do binônimo criança-família é incompatível com civilidade e muito menos com a boa prática médica.

Nesse contexto, o capítulo “Maus tratos” reforça a necessidade do médico, do estudante e todas as pessoas adultas e de boa vontade a reverem os seus conceitos sobre a amplitude desse gravíssimo problema e com o qual é inadmissível aceitar a indiferença, o “pouco caso” ou como sendo um problema de outrem. Isso é omissão, tão crime como são os “Maus tratos”. Afinal, dentre os muitos valores de uma sociedade ou país, dois bens são básicos e estão diretamente relacionados ao seu bom porvir, suas crianças e a sua cultura. Sem esses bens, a riqueza material não tem sentido ou fica sem destino. Daí porque, é fundamental que esse capítulo seja motivo de grande reflexão por parte de todos nós.

Por certo é necessária a reflexão sobre os conteúdos de temática mais clínica, mas esses são mutáveis e muito dependentes dos futuros avanços científico-tecnológicos e que por meio dos quais, e dos novos olhares, chegar-se-á ao maior aprimoramento em futuras edições do Manual de Condutas Médicas. Mas os valores da cultura da vida são imutáveis e merecem dia-a-dia maior destaque à bem da real compreensão da dimensão humana e da natureza. Conhecendo o Grupo de Pediatria (FAMEB-C-HUPES/CPPHO), é possível especular que

Palavra do Diretor – FAMEB, UFBA

Manual de Condutas Médicas, Departamento de Pediatria, FAMEB, UFBA15 nesse processo de amadurecimento científico e intelectual chegará também o tempo que o Manual terá as características de um livro. Mas, enquanto esse tempo não chega, já adianto algumas sugestões de novos capítulos para a próxima versão do Manual: “Indicadores na criança de satisfação bio-psico-social”, “Formas de lazer e recreação em uma unidade de internação pediátrica”, “O atendimento e acompanhamento da criança em fase terminal, e da sua família” e “A morte de uma criança”.

Os meus votos de continuado sucesso do Manual de Condutas Médicas é acompanhado de outra sugestão, que a tiragem possa ser ampliada, pelas autoridades de saúde da Cidade do Salvador e do Estado da Bahia, para servir como instrumento adicional do Programa de Educação Permanente de Pediatras e das Equipes de Saúde da Família.

Cidade do Salvador da Bahia, aos dezoito dias de abril do ano 2005, no 197° ano da fundação da Faculdade de Medicina da Bahia.

José Tavares-Neto Professor adjunto-doutor e Livre-Docente de Doenças Infecciosas e parasitárias Diretor da Faculdade de Medicina da Bahia da UFBA

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Agradecimentos

A realização de um trabalho desta ordem requer a congregação de esforços e o empenho de muitos. Sem dúvida foi o que não faltou. Cabe aqui apenas cumprir um procedimento rotineiro que em nada se igualará aos frutos que serão colhidos após o lançamento desta obra, tanto na assistência aos pacientes, quanto na orientação aos alunos.

A todos os professores que deram aula e ou escreveram capítulos;

À Profa. Déa Mascarenhas Cardozo, pelo incansável apoio em todas as etapas de realização deste trabalho;

À Sra. Edite Maria Almeida Requião e Silva, secretária do Departamento de Pediatria;

À Sra. Josenice Maria Pereira Gomes, secretária do Centro Pediátrico Professor Hosannah de Oliveira;

À arquiteta Márcia Magalhães Guimarães, do Núcleo Avançado de Ensino (NAVE) da FAMEB;

Ao Professor José Tavares-Neto, diretor da Faculdade de Medicina da Bahia (FAMEB);

À Sociedade Baiana de Pediatria pelo apoio na realização do Curso de Extensão; À Nestlé Nutrição Infantil;

O reconhecimento de todos com admiração e gratidão

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Apresentação

No Pronto Atendimento (PA) recebemos crianças com as mais diversificadas patologias agudas e, muitas delas, graves, a exigir objetividade de conduta e grande margem de acerto. É este contexto que serve de campo de prática para os internos do Departamento de Pediatria da Faculdade de Medicina da Bahia, Universidade Federal da Bahia e outros futuros profissionais da área de saúde.

O conhecimento e a prática por si só não são suficientes para garantir a qualidade do ensino e do tratamento de crianças. Os casos que permanecem em observação por tempo prolongado e ou exigem internamento tornam-se alvo de abordagem por vários profissionais.

A padronização de condutas advindas de um consenso permite a socialização do conhecimento, infundindo segurança aos membros da equipe de assistência, na abordagem aos pacientes e no processo Ensino / Aprendizagem.

Na medicina não existem “livros de receitas” como na culinária e, mesmo estas dependem tanto dos cozinheiros, dos ingredientes e principalmente da paixão em executá-las; as diretrizes, possibilidades de condutas, funcionam como bússolas e manuais, que se curvam a ouvidos, olhos e mãos que examinam o seu paciente buscando o melhor e, com isto, sempre se mantém inconformados e inquietos.

A singularidade deste manual deve-se ao fato de terem sido envolvidos na discussão e elaboração os próprios profissionais que atuam no PA do Centro Pediátrico Professor Hosannah de Oliveira (CPPHO), desenvolvendo atividades assistenciais e didáticas.

A louvável iniciativa e o grande empenho na coordenação para elaboração e execução deste trabalho, por parte da atual Chefe do Departamento de Pediatria, Professora Cristiana Nascimento de Carvalho, aliados à colaboração dos demais profissionais participantes, vieram atender às expectativas de uma comunidade que há muito anseia pela melhoria na qualidade do ensino da Pediatria e na assistência às crianças atendidas no CPPHO.

Vanda Maria Mota de Miranda

Maria do Socorro Heitz Fontoura

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