Manual de Condutas Médicas do Departamento de Pediatria, Faculdade de Medicina da Bahia

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Uso de anti-histamínicos em anafilaxia

No tratamento inicial, é indicado apenas como coadjuvante, pois controla o prurido e ameniza os sintomas, ao recrudescerem. Alguns autores relatam a utilização da Difenidramina (EV), constatando efeito benéfico, além da ajuda, no controle da hipotensão. Não é aconselhável usar prometazina (Fenergan), pelo importante efeito sedativo que proporciona, dificultando a observação do paciente.

No tratamento posterior, podem ser usados Hidroxizine, Clemastina, Loratadina, Cetirizina, Dexclorfeniramina.

Não devem ser utilizados os anti-histamínicos que contêm corantes em sua fórmula. É importante verificar os efeitos colaterais de cada uma dessas drogas.

Em casos refratários, pode ser útil o uso de Anti-histamínicos H2, como a Cimetidine.

Anti-histamínicos utilizados preferencialmente nos quadros respiratórios: •Loratadina< 30 kg – 2,5 ml – > 30 kg – 5,0 ml dose única diária – VO

•Cetirizina2 a 12 anos – 2,5 a 5 mg a cada 12 horas – VO > 12 anos – 10 mg – dose única diária – VO

Anti-histamínicos utilizados preferencialmente nos quadros cutâneos: Hidroxizine(sol. oral c/10 mg/5 ml – comp. 25 mg) 0,7 mg/kg/dia, divididos em 3 doses, VO. > 12 anos = dose do adulto – 25 mg/dose 3 a 4 x/dia.

Clemastina< 1 ano: 0,125 mg/dose 12-12h (indicação principal) 1 a 3 anos: 0,12 a 0,15 mg/dose 12-12h. 3 a 6 anos: 0,25 mg/dose 12-12h. 6 a 12 anos: 0,375 mg/dose 12-12h. >12 anos: 0,75 a 1 mg/dose 12-12h.

Anti-histamínicos utilizados em qualquer manifestação clínica: Difenidramina(uso na fase inicial) (sol. oral – 2,5 mg/ml) crianças: 1,0 a 2,0 mg/kg. adolescentes e adultos: 25 a 50 mg.

Dexclorfeniramina(sol. Oral - 0,4 mg/ml)) crianças: 2 a 6 anos: 1,25 ml a 2,50 ml, VO, 3 vezes ao dia máximo = 3 mg/dia. 6 a 12 anos: 2,50 ml, VO, 3 vezes ao dia máximo = 6 mg/dia. adolescentes e adultos: 5 ml, VO, 3 a 4 vezes ao dia máximo = 12 mg/dia, embora muitos pacientes fiquem bem com 6mg/dia.

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Cimetidina(sol injetável 150 mg/ml) uso pediátrico: 300mg em infusão venosa lenta.

Quando o broncoespasmo se mantém intenso, mesmo após a administração da adrenalina, avaliar uso de:

Salbutamol inalatório: até 12 anos de idade: 0,15 a 0,25 mg/kg (máx. 5 mg) acima de 12 anos: 2,5 mg/dose diluir em 2 ml de SF e repetir em nebuliz. sob máscara, a cada 6 horas.

Salbutamol intra-venoso: se o quadro persiste, utilizar em infusão contínua dose ataque: 10 mcg/kg em 10’ manutenção: 0,6 a 0,8 mcg/kg/min, aumentar 0,2 a cada 15 min, até max. de 4 a 8 mcg/kg/min.

Aminofilina por via endovenosa. 5 a 7 mg/kg/dose – diluir em SG 5% - 20 ml – muito lento velocidade de infusão: 0,6 a 0,8 mg/kg/hora.

Quadros Refratários podem necessitar a utilização de Glucagon por infusão venosa contínua (crianças = 1mg/hora; adultos: 1 a 5 mg/hora).

Embora o risco de vida, nas reações mais brandas, seja mínimo, todo paciente que tenha apresentado um quadro anafilático deve permanecer sob observação no hospital, por 4 a 12 horas. Nos casos graves, deve ser hospitalizado por um mínimo de 24 horas. Indicar internação em UTI nos pacientes com instabilidade respiratória e/ou circulatória.

Indivíduos com história pregressa indicando um quadro de anafilaxia grave, ou de reação alérgica rápida e intensa, a alérgenos não evitáveis ou dificilmente evitáveis, ou ainda com relato de quadros alérgicos de manifestações múltiplas e concomitantes, devem ser orientados quanto a:

•sintomas iniciais de anafilaxia;

•possibilidade de auto-uso de Adrenalina.

•necessidade de portar informações sobre alergias (na carteira de documentos, braceletes ou correntes de pescoço),

•manter tais dados nas fichas escolares e prontuários médicos.

1.American Academy of Allergy, Atshma and Immunology; American College of Allergy, Atshma and Immunology. Joint Council of Allergy, Atshma and Immunology. J Allergy Clin Immunol 1998; 101(6 Pt 2): S465-528.

2.Galli S.J. Pathogenesis and management of anaphylaxis: Current status and future challenges. J Allergy Clin Immunol. 2005; 115: 571-4.

3.Guedes HTV. Anafilaxia. In: Silva LR; Garcia DEMC; Mendonça DR: Pronto Atendimento em Pediatria. MEDSI, 2000. p. 699-706.

4.Guedes HTV. Anafilaxia na Criança - Fisiopatologia, Diagnóstico e Tratamento. Pediatria Atual. 2003; 16; 7-10.

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5.Lieberman P. Kemp S.F, Oppenheimer J, ET al. The diagnosis and management of anaphylaxis: An updated practice parameter.J Allergy Clin Immunol. 2005; 115 (3 Pt 2): S483-523.

6.Simons FE, Gu X, Johnston LM, Simons KJ. Can epinephrine inhalations be substituted for epinephrine injection in children systemic anaphynlaxis? Pediatrics. 2000; 106: 1040-4.

8.The Allergy Report – Consenso da American Academy of Allergy Atshma and Immunology, acesso em 25 de janeiro de 2005. (http://w.aaaai.org).

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Cetoacidose diabética

Crésio Alves

A cetoacidose diabética é definida como uma disfunção metabólica grave causada pela deficiência relativa ou absoluta de insulina, associada ou não a uma maior atividade dos hormônios contra-reguladores (cortisol, catecolaminas, glucagon, hormônio do crescimento). A produção dos hormônios contra-reguladores é estimulada pelo estresse e redução da oferta de glicose para a célula.

A cetoacidose caracteriza-se clinicamente por desidratação, respiração acidótica e alteração do sensório, e laboratorialmente por:

-hiperglicemia (glicemia > 250 mg/dl);

-acidose metabólica (pH < 7,3 ou bicarbonato sérico < 15 mEq/L);

-cetonemia (cetonas totais > 3 mmol/l) e cetonúria.

Alguns pacientes podem estar em cetoacidose e ter uma glicemia normal, caso tenham usado insulina pouco tempo antes de virem para a Unidade de Emergência. Outros podem ter glicemia > 250 mg/dl e não estarem em cetoacidose, caso não preencham os demais requisitos para o seu diagnóstico.

-Sub-insulinização por omissão, redução da dose, aumento da necessidade, ou má administração da insulina (mais comum em adolescentes);

-Processos infecciosos (mais comum em pré-púberes);

- Transgressão alimentar;

-Problemas psicológicos, econômicos e sociais;

-Vômitos repetidos;

- Estresse cirúrgico;

- Gravidez;

-Síndrome de Münchausen.

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