Telecurso 2000 - Curso Profissionalizante de Mecânica - Leitura e Interpretação de Desenho Técnico - Volume I

Telecurso 2000 - Curso Profissionalizante de Mecânica - Leitura e Interpretação...

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AULA 1

Quando alguØm quer transmitir um recado, pode utilizar a fala ou passar seus pensamentos para o papel na forma de palavras escritas. Quem lŒ a mensagem fica conhecendo os pensamentos de quem a escreveu. Quando alguØm desenha, acontece o mesmo: passa seus pensamentos para o papel na forma de desenho. A escrita, a fala e o desenho representam idØias e pensamentos. A representaçªo que vai interessar neste curso Ø o desenho.

Desde Øpocas muito antigas, o desenho Ø uma forma importante de comunicaçªo. E essa representaçªo grÆfica trouxe grandes contribuiçıes para a compreensªo da História, porque, por meio dos desenhos feitos pelos povos antigos, podemos conhecer as tØcnicas utilizadas por eles, seus hÆbitos e atØ suas idØias.

As atuais tØcnicas de representaçªo foram criadas com o passar do tempo, à medida que o homem foi desenvolvendo seu modo de vida, sua cultura. Veja algumas formas de representaçªo da figura humana, criadas em diferentes Øpocas históricas.

Desenho das cavernas de Skavberg (Noruega) do período mesolítico (6000 - 4500 a.C.). Representaçªo esquemÆtica da figura humana.

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O que Ø desenho tØcnico

Introduçªo

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Representaçªo egípcia do tœmulo do escriba Nakht, sØculo XIV a.C. Representaçªo plana que destaca o contorno da figura humana.

Nu, desenhado por Miguel ´ngelo Buonarroti (1475-1564). Aqui, a representaçªo do corpo humano transmite a idØia de volume.

Esses exemplos de representaçªo grÆfica sªo considerados desenhos artís-desenhos artís-desenhos artís-desenhos artís-desenhos artísticosticosticosticosticos. Embora nªo seja artístico, o desenho tØcnicodesenho tØcnicodesenho tØcnicodesenho tØcnicodesenho tØcnico tambØm Ø uma forma de representaçªo grÆfica, usada, entre outras finalidades, para ilustrar instrumentos de trabalho, como mÆquinas, peças e ferramentas. E esse tipo de desenho tambØm sofreu modificaçıes, com o passar do tempo.

AULA1

Quais as diferenças entre o desenho tØcnico e o desenho artístico?

O desenho tØcnico Ø um tipo de representaçªo grÆfica utilizado por profissionais de uma mesma Ærea, como, por exemplo, na mecânica, na marcenaria, na eletricidade. Maiores detalhes sobre o desenho tØcnico vocŒ aprenderÆ no decorrer deste curso. Por enquanto, Ø importante que vocŒ saiba as diferenças que existem entre o desenho tØcnico e o desenho artístico. Para isso, Ø necessÆrio conhecer bem as características de cada um. Observe os desenhos abaixo:

Cabeça de Criança, de Rosalba Carreira (1675-1757).

Paloma, de Pablo Picasso (1881-1973).

Estes sªo exemplos de desenhos artísticos. Os artistas transmitiram suas idØias e seus sentimentos de maneira pessoal. Um artista nªo tem o compromisso de retratar fielmente a realidade. O desenho artísticodesenho artísticodesenho artísticodesenho artísticodesenho artístico reflete o gosto e a sensibilidade do artista que o criou.

normas tØcnicas, ou seja, sªo normalizadosnormalizadosnormalizadosnormalizadosnormalizadosCada Ærea ocupacional tem seu

JÆ o desenho tØcnicodesenho tØcnicodesenho tØcnicodesenho tØcnicodesenho tØcnico, ao contrÆrio do artístico, deve transmitir comcomcomcomcom exatidªoexatidªoexatidªoexatidªoexatidªo todas as características do objeto que representa. Para conseguir isso, o desenhista deve seguir regras estabelecidas previamenteregras estabelecidas previamenteregras estabelecidas previamenteregras estabelecidas previamenteregras estabelecidas previamente, chamadas de normas tØcnicasnormas tØcnicasnormas tØcnicasnormas tØcnicasnormas tØcnicas. Assim, todos os elementos do desenho tØcnico obedecem a próprio desenho tØcnico, de acordo com normas específicas. Observe alguns exemplos.

Nossa aula

Desenho tØcnico de arquitetura

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Nesses desenhos, as representaçıes foram feitas por meio de traçostraçostraçostraçostraços, símbolossímbolossímbolossímbolossímbolos, nœmeros nœmeros nœmeros nœmeros nœmeros e indicaçıes escritasindicaçıes escritasindicaçıes escritasindicaçıes escritasindicaçıes escritas, de acordo com normas tØcnicas.

No Brasil, a entidade responsÆvel pelas normas tØcnicas Ø a ABNT -

Associaçªo Brasileira de Normas TØcnicas. Neste curso vocŒ vai conhecer a aplicaçªo das principais normas tØcnicas referentes ao desenho tØcnico mecânico, de acordo com a ABNT.

Como Ø elaborado um desenho tØcnico

idØias por meio de um esboçoesboçoesboçoesboçoesboço,isto Ø, um desenho tØcnico à mªo livre. O esboço

Às vezes, a elaboraçªo do desenho tØcnico mecânico envolve o trabalho de vÆrios profissionais. O profissional que planeja a peça Ø o engenheiro ou o projetista. Primeiro ele imagina como a peça deve ser. Depois representa suas serve de base para a elaboraçªo do desenho preliminardesenho preliminardesenho preliminardesenho preliminardesenho preliminar. O desenho preliminar corresponde a uma etapa intermediÆria do processo de elaboraçªo do projeto, que ainda pode sofrer alteraçıes.

serÆ executado pelo desenhista tØcnico. O desenho tØcnico definitivodesenho tØcnico definitivodesenho tØcnico definitivodesenho tØcnico definitivodesenho tØcnico definitivo,tambØm
chamado de desenho para execuçªodesenho para execuçªodesenho para execuçªodesenho para execuçªodesenho para execuçªo,contØm todos os elementos necessÆrios à

Depois de aprovado, o desenho que corresponde à soluçªo final do projeto sua compreensªo.

O desenho para execuçªo, que tanto pode ser feito na prancheta como no computador, deve atender rigorosamente a todas as normas tØcnicas que dispıem sobre o assunto.

Desenho tØcnico de marcenaria.

Desenho tØcnico mecânico.

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O desenho tØcnico mecânico chega pronto às mªos do profissional que vai executar a peça. Esse profissional deve lerlerlerlerler e interpretarinterpretarinterpretarinterpretarinterpretar o desenho tØcnico para que possa executar a peça. Quando o profissional consegue ler e interpretar corretamente o desenho tØcnico, ele Ø capaz de imaginar exatamente como serÆ a peça, antes mesmo de executÆ-la. Para tanto, Ø necessÆrio conhecer as normas tØcnicas em que o desenho se baseia e os princípios de representaçªo da geometria descritivageometria descritivageometria descritivageometria descritivageometria descritiva .

Geometria descritiva: a base do desenho tØcnico

O desenho tØcnico, tal como nós o entendemos hoje, foi desenvolvido graças ao matemÆtico francŒs Gaspar Monge (1746-1818). Os mØtodos de representaçªo grÆfica que existiam atØ aquela Øpoca nªo possibilitavam transmitir a idØia dos objetos de forma completa, correta e precisa.

Monge criou um mØtodo que permite representar, com precisªo, os objetos que tŒm trŒs dimensıes (comprimento, largura e altura) em superfícies planas, como, por exemplo, uma folha de papel, que tem apenas duas dimensıes (comprimento e largura).

Esse mØtodo, que passou a ser conhecido como mØtodo mongeanomØtodo mongeanomØtodo mongeanomØtodo mongeanomØtodo mongeano, Ø usado na geometria descritivageometria descritivageometria descritivageometria descritivageometria descritiva. E os princípios da geometria descritiva constituem a base do desenho tØcnico. Veja:

À primeira vista, pode parecer complicado. Mas, nªo se preocupe. Acompanhando este curso, vocŒ serÆ capaz de entender a aplicaçªo da geometria descritiva no desenho tØcnico. Basta aprender ou recordar algumas noçıes bÆsicas de geometria, que serªo apresentadas na próxima aula.

Representaçªo de um objeto de acordo com os princípios da geometria descritiva.

2Figuras geomØtricas

2 A U L A

IntroduçªoSe olhar ao seu redor, vocŒ verÆ que os objetos tŒm forma, tamanho e outras características próprias. As figuras geomØtricas foram criadas a partir da observaçªo das formas existentes na natureza e dos objetos produzidos pelo homem.

Nesta aula vocŒ vai conhecer ou recordar os diversos tipos de figuras geomØtricas. Todos os objetos, mesmo os mais complexos, podem ser associados a um conjunto de figuras geomØtricas.

VocŒ terÆ mais facilidade para ler e interpretar desenhos tØcnicos mecânicos se for capaz de relacionar objetos e peças da Ærea da Mecânica às figuras geomØtricas.

Figuras geomØtricas elementares Ponto

Pressione seu lÆpis contra uma folha de papel. Observe a marca deixada pelo lÆpis: ela representa um ponto. Olhe para o cØu, numa noite sem nuvens: cada estrela pode ser associada a um ponto.

O pontopontopontopontoponto Ø a figura geomØtrica mais simples. Nªo tem dimensªo, isto Ø, nªo tem comprimento, nem largura, nem altura.

Nossa aula

s s r s s sA s A A s s tCD

O ponto A dÆ origem a duas semi-retas.

No desenho, o ponto Ø determinado pelo cruzamento de duas linhas. Para identificÆ-lo, usamos letras maiœsculasletras maiœsculasletras maiœsculasletras maiœsculasletras maiœsculas do alfabeto latino, como mostram os exemplos:

LŒ-se: ponto A, ponto B e ponto C.

Linha

Podemos ter uma idØia do que Ø linha, observando os fios que unem os postes de eletricidade ou o traço que resulta do movimento da ponta de um lÆpis sobre uma folha de papel.

A linhalinhalinhalinhalinha tem uma œnica dimensªo: o comprimento. VocŒ pode imaginar a linha como um conjunto infinito de pontos dispostos sucessivamente. O deslocamento de um ponto tambØm gera uma linha.

Linha reta ou reta

Para se ter a idØia de linha reta, observe um fio bem esticado. A reta Ø ilimitada, isto Ø, nªo tem início nem fim. As retas sªo identificadas por letrasletrasletrasletrasletras minœsculasminœsculasminœsculasminœsculasminœsculas do alfabeto latino. Veja a representaçªo da uma reta r:

Semi-reta

Tomando um ponto qualquer de uma reta, dividimos a reta em duas partes, chamadas semi-retas. A semi-retasemi-retasemi-retasemi-retasemi-reta sempre tem um ponto de origem, mas nªo tem fim.

Segmento de reta

Tomando dois pontos distintos sobre uma reta, obtemos um pedaço limitado de reta. A esse pedaço de reta, limitado por dois pontos, chamamos segmentosegmentosegmentosegmentosegmento de retade retade retade retade reta. Os pontos que limitam o segmento de reta sªo chamados de extremida-extremida-extremida-extremida-extremidadesdesdesdesdes. No exemplo a seguir temos o segmento de reta CD, que Ø representado da seguinte maneira: CD.

Os pontos C e D (extremidades) determinam o segmento de reta CD.

AULA2Plano Podemos ter uma idØia do que Ø o planoplanoplanoplanoplano observando uma parede ou o tampo de uma mesa.

VocŒ pode imaginar o plano como sendo formado por um conjunto de retas dispostas sucessivamente numa mesma direçªo ou como o resultado do deslocamento de uma reta numa mesma direçªo. O plano Ø ilimitado, isto Ø, nªo tem começo nem fim. Apesar disso, no desenho, costuma-se representÆ-lo delimitado por linhas fechadas:

Para identificar o plano usamos letras gregasletras gregasletras gregasletras gregasletras gregas. É o caso das letras: a (alfa), b (beta) e g (gama), que vocŒ pode ver nos planos representados na figura acima.

O plano tem duas dimensıes, normalmente chamadas comprimento e largura. Se tomamos uma reta qualquer de um plano, dividimos o plano em duas partes, chamadas semiplanossemiplanossemiplanossemiplanossemiplanos .

Posiçıes da reta e do plano no espaço

A geometria, ramo da MatemÆtica que estuda as figuras geomØtricas, preocupa-se tambØm com a posiçªo que os objetos ocupam no espaço.

A reta e o plano podem estar em posiçªo vertical, horizontal ou inclinada. Um tronco boiando sobre a superfície de um lago nos dÆ a idØia de uma reta horizontal. O pedreiro usa o prumo para verificar a verticalidade das paredes. O fio do prumo nos dÆ a idØia de reta vertical.

Um plano Ø vertical quando tem pelo menos uma reta vertical; Ø horizontal quando todas as suas retas sªo horizontais. Quando nªo Ø horizontal nem vertical, o plano Ø inclinado. Veja as posiçıes da reta e do plano.

2Figuras geomØtricas planas Uma figura qualquer Ø planaplanaplanaplanaplana quando todos os seus pontos situam-se no mesmo plano.

A seguir vocŒ vai recordar as principais figuras planas. Algumas delas vocŒ terÆ de identificar pelo nome, pois sªo formas que vocŒ encontrarÆ com muita freqüŒncia em desenhos mecânicos.

Observe a representaçªo de algumas figuras planas de grande interesse para nosso estudo:

As figuras planas com trŒs ou mais lados sªo chamadas polígonos.

Sólidos geomØtricos

VocŒ jÆ sabe que todos os pontos de uma figura plana localizam-se no mesmo plano. Quando uma figura geomØtrica tem pontos situados em diferen- tes planos, temos um sólido geomØtricosólido geomØtricosólido geomØtricosólido geomØtricosólido geomØtrico.

Analisando a ilustraçªo abaixo, vocŒ entenderÆ bem a diferença entre uma figura plana e um sólido geomØtrico.

Os sólidos geomØtricos tŒm trŒs dimensıestrŒs dimensıestrŒs dimensıestrŒs dimensıestrŒs dimensıes: comprimento, largura e altura.

Embora existam infinitos sólidos geomØtricos, apenas alguns, que apresentam determinadas propriedades, sªo estudados pela geometria. Os sólidos que vocŒ estudarÆ neste curso tŒm relaçªo com as figuras geomØtricas planas mostradas anteriormente.

Os sólidos geomØtricos sªo separados do resto do espaço por superfícies que os limitam. E essas superfícies podem ser planas ou curvas.

Dentre os sólidos geomØtricos limitados por superfícies planas, estudaremos os prismasprismasprismasprismasprismas, o cubocubocubocubocubo e as pirâmidespirâmidespirâmidespirâmidespirâmides. Dentre os sólidos geomØtricos limitados por superfícies curvas, estudaremos o cilindrocilindrocilindrocilindrocilindro, o coneconeconeconecone e a esferaesferaesferaesferaesfera, que sªo tambØm chamados de sólidos de revoluçªosólidos de revoluçªosólidos de revoluçªosólidos de revoluçªosólidos de revoluçªo.

AULA2

É muito importante que vocŒ conheça bem os principais sólidos geomØ- tricos porque, por mais complicada que seja, a forma de uma peça sempre vai ser analisada como o resultado da combinaçªo de sólidos geomØtricos ou de suas partes.

Prismas

O prismaprismaprismaprismaprisma Ø um sólido geomØtrico limitado por polígonos. VocŒ pode imaginÆ-lo como uma pilha de polígonos iguais muito próximos uns dos outros, como mostra a ilustraçªo:

O prisma pode tambØm ser imaginado como o resultado do deslocamento de um polígono. Ele Ø constituído de vÆrios elementos. Para quem lida com desenho tØcnico Ø muito importante conhecŒ-los bem. Veja quais sªo eles nesta ilustraçªo:

Verificando o entendimento

Analise o modelo de plÆstico n” 31 ou, na falta dele, uma caixa de fósforos fechada. Compare com a ilustraçªo acima e responda:

faces.
arestas.
vØrtices.

Quantas faces, arestas e vØrtices tem esse prisma?

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Note que a base desse prisma tem a forma de um retânguloretânguloretânguloretânguloretângulo. Por isso ele recebe o nome de prisma retangularprisma retangularprisma retangularprisma retangularprisma retangular.

Dependendo do polígono que forma sua base, o prisma recebe uma denominaçªo específica. Por exemplo: o prisma que tem como base o triângulo, Ø chamado prisma triangularprisma triangularprisma triangularprisma triangularprisma triangular. Quando todas as faces do sólido geomØtrico sªo formadas por figuras geomØtricas iguais, temos um sólido geomØtrico regularregularregularregularregular.

O prisma que apresenta as seis seis seis seis seis faces formadas por quadrados iguais recebe o nome de cubocubocubocubocubo.

Pirâmides

A pirâmide Ø outro sólido geomØtrico limitado por polígonos. VocŒ pode imaginÆ-la como um conjunto de polígonos semelhantes, dispostos uns sobre os outros, que diminuem de tamanho indefinidamente. Outra maneira de imaginar a formaçªo de uma pirâmide consiste em ligar todos os pontos de um polígono qualquer a um ponto P do espaço.

do polígono que forma sua baseNa
de quadrangularde quadrangularde quadrangularde quadrangularde quadrangular,pois sua base Ø

É importante que vocŒ conheça tambØm os elementos da pirâmide: O nome da pirâmide depende figura ao lado, temos uma pirâmi-pirâmi-pirâmi-pirâmi-pirâmium quadrado. O nœmero de faces da pirâmide Ø sempre igual ao nœmero de lados do polígono que forma sua base mais um. Cada lado do polígono da base Ø tambØm uma

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