Apostila: Perícia Ambiental

Apostila: Perícia Ambiental

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O húmus é formado por restos de animais e de vegetais decompostos. Normalmente é muito escuro quase preto. O solo que apresenta mais de 10% de húmus é chamado de solo humífero. Para que o húmus se forme é necessária a ação de microorganismos, como fungos, bactérias e protozoários, sobre os seres mortos.

O calcário é um tipo de rocha sedimentar que também pode constituir os solos. O calcário é normalmente formado por carbonato de cálcio e apresenta-se nas cores cinza, amarela e até preta. Se a constituição do solo apresentar mais de 30% de calcário é chamado de solo calcário.

Os solos contêm um pouco de cada um desses materiais. Se forem nas proporções adequadas constituem o solo agrícola. Essa proporções, em geral, são: de 60 a 70% de areia, de 20 a 30% de argila, de 10 a 30% de húmus e de 5 a 6% de calcário, além de elementos, como potássio, nitratos em pequenas quantidades e outros minerais em micro quantidades.

que são chamados de berço da vida dos oceanos

Há locais, na desembocadura de rios para o mar, em que o solo sofre a ação das marés, ficando sob a água, durante a maré cheia e exposta, durante a maré baixa. São os chamados manguezais. Nestes sistemas a vida é intensa. Eles são tão importantes

A formação geológica do subsolo e a composição das rochas influenciam tanto o movimento da água de infiltração e subterrânea (direção e velocidade de escoamento) quanto na sua configuração. A resistência ao escoamento de fluxos de água ou de outros compostos no solo está associada ao seu coeficiente de permeabilidade, que descreve a maior ou menor facilidade de passagem de fluído através dos vazios.

A permeabilidade em rocha de igual formação pode ser diferente de um ponto para o outro. Ela pode variar também de acordo com a direção. A Tabela 1 mostra alguns valores típicos do coeficiente de permeabilidade, kf.

Tabela 1 – Valor de kf em função do tipo de solo

Solo kf (m/s)

Saibro 10- 1 a 10- 2 Areia 10- 3 a 10- 5 Areia fina (Siltosa, argilosa) 10- 6 a 10- 9 Argila < 10- 9

Esses valores de coeficiente kf são classificados conforme se segue:

- fortemente permeáveis: > 10- 4 (m/s); - permeáveis: 10- 4 até 10- 6 (m/s);

- fracamente permeáveis: 10- 6 até 10- 9 (m/s) e;

- muito pouco permeáveis: < 10- 9 (m/s);

O subsolo e a água freática contaminada é um sério risco para a saúde humana, o que normalmente não é diretamente reconhecido pelas pessoas atingidas. O tratamento da água de um sistema aqüífero pode levar centenas de anos e consome grandes quantidades de dinheiro. As principais fontes de contaminação do solo e do lençol freático são geralmente:

1) Percolação de substâncias concentradas em um local (fonte pontual) de:

- deposições antigas e problemáticas (lixões, lixões não-controlados); - aterros sanitários impermeáveis;

- poços de drenagem, lagoas de infiltração;

- áreas industriais (depósitos e manuseio indevidos de substâncias tóxicas);

- locais de acidentes ocorridos no transporte de substâncias químicas.

2) Infiltração em forma de linhas de substâncias por:

- infiltração a partir de riachos e rios; - infiltração de efluentes de tubulações de água danificadas e;

- infiltração da água pluvial nas estradas.

3) Infiltração difusa de substâncias em áreas com a água pluvial por:

- utilização exagerada de agrotóxicos na agricultura; - utilização indevida de herbicidas e pesticidas e;

- infiltração de substâncias da atmosfera com água pluvial.

4) Infiltração a partir de lagos e lagoas de contenção

Toda água livre que existe no nosso planeta compõe hidrosfera. Dessa água cerca de 0,001% está na atmosfera, 0,009% está nos lagos, rios e riachos, 0,625% está nas águas de superfície e solo, 2,15% está nas calotas de gelo e geleiras e 97,209% nos mares. Há um outro tanto de água em composição química com minerais, como é o caso da sílica. Assim, a água disponível para uso é apenas uma pequena parcela de toda água existente no planeta.

A água é tão importante para a vida humana quanto os alimentos. Um indivíduo precisa de um ou dois litros de água diários para sobreviver. O problema básico não é a falta de água potável, poucas pessoas morrem de sede. O problema é obter um fornecimento suficiente de água potável e serviços de saneamento adequados.

Ao contrário do combustível fóssil e do solo, as águas doces são uma fonte renovável. Se forem usadas de forma adequada e cuidadosamente conservadas, o ciclo hidrológico global pode satisfazer as necessidades, atuais e projetadas, em uma base sustentável. Contudo, problemas como o fornecimento de água doce e com a qualidade da água são de importância imediata e fundamental para todos.

O crescimento populacional e as exigências crescentes por energia e alimentos estão impondo grandes demandas tanto pela quantidade quanto pela qualidade dos suprimentos de água doce. Nos países em desenvolvimento, os problemas com a poluição e esgotamento da água potável são uma realidade.

A água pura é um composto líquido formado por moléculas de oxigênio e hidrogênio. A água nunca se encontra no estado puro na natureza. Diversos gases, oxigênio, dióxido de carbono e nitrogênio estão dissolvidos na água. Os sais, como nitratos, cloretos e carbonatos também se encontram em solução. Diversos sólidos, tais como: pequenos pedaços de matéria animal, poeira e areia encontrados em suspensão na água. Outras substâncias químicas dão cor e gosto à água. Os íons presentes na água conferem o caráter alcalino ou ácido à solução. A temperatura da água varia de acordo com profundidade e local, influenciando o comportamento químico.

Dentro dessa complexa mistura existe uma coleção extraordinariamente variada de vida vegetal e animal. Desde o fitoplâncton (vegetais) e zooplâncton (animais) unicelulares até a baleia azul, pode ser encontrado na água. Para quase todas as espécies de vida fora da água encontram seu correspondente dentro dela. Algumas, particularmente os insetos, podem viver diferentes estágios de vida tanto dentro como fora da água. Cada categoria de biota tem um nicho particular, ou conjunto de condições aquáticas, que lhe é mais adequado para o desenvolvimento.

Os usos de água podem ser divididos em quatro grandes categorias:

1. Uso físico direto pelo homem e seus animais domésticos. Usamos água para beber, tomar banho, lavar e diversos usos domésticos. Para este caso os padrões são severos. A água deve ser aspecto limpo, pureza de gosto e acima de tudo, estar isenta dos perigosos e debilitantes microorganismos que flagelam as populações urbanas dos séculos precedentes.

2. Uso direto na indústria e agricultura como fator de produção. As indústrias são os maiores consumidores. Elas consomem quase 40% nos processos industriais. Outros 17% estão no item "indústrias e miscelânea" e incluem manufatura, mineração e construção. A irrigação utiliza 3%.

3. Uso psicológico como parte de nosso ambiente estético e cultural. Um belo lago ou rio talvez não tenha serventia especial, mas se houver uma contabilidade econômica, a água tem um valor definido porque o apreciador sente-se tão satisfeito pela visão com acontece com o gosto da comida ou a cor da roupa. O valor não pode ser medido simplesmente em dinheiro.

4. Uso ecológico como componente virtual no sistema de sustentação da vida na

Terra. Apesar do vasto volume de água na Terra, que inundaria o solo até uma altura de uns 250 metros se fosse distribuída por igual, o ambiente aquático é biologicamente fraco. Apenas 3% cabem à água doce. No resto, a produção biológica limita-se em primeiro lugar à camada da superfície, especialmente nos estuários. Contudo, todo o volume oceânico funciona como um termostato do calor e dos minérios para o resto do mundo.

A atividade humana é responsável por um grande numero de ameaças à rica diversidade da vida marinha. As causas dos danos ao meio ambientes marinho e costeiro são variadas e complexas, no entanto, todas estão relacionadas à alta concentração humana nas regiões litorâneas. Aproximadamente dois terços da população mundial vivem ao longo dos litorais e dos rios que deságuam nas áreas costeiras. Essa alta concentração de pessoas é responsável por mais da metade dos prejuízos causados aos recursos marinhos e costeiros.

As causas principais dos danos aos recursos marinhos são a poluição costeira vinda do continente através do esgoto municipal, lixo industrial, escoamento urbano e rural, desflorestamento continental, construção e crescimento em áreas litorâneas, lançamento em grande quantidade de resíduos nos oceanos, sedimentos dos esgotos e substâncias nocivas, derramamento de petróleo, plásticos descartáveis e a pesca excessiva pelo uso de métodos agressivos.

Quando comparados com o mar aberto, os ecossistemas costeiros possuem uma fecundidade biológica muito maior. Os estuários e recifes de corais são de 14 a 16 vezes mais férteis do que o mar aberto, os mangues são mais de 20 vezes mais fecundos. A Tabela 2 mostra a fertilidade biológica das áreas marinhas.

Tabela 2 - Fertilidade Biológica de Áreas Marinhas

Tipo de Ecossistema Média da Fertilidade Líquida *

Mar aberto 57 Regiões de Plataforma Continental 162 Áreas de Nascentes Elevadas 225 Pântanos Salgados 300 Estuários 810 Recifes de Corais e Bancos de Areia 900 Mangues 1.215 * em gramas de carbono por metro cúbico por ano

Toda a Terra está envolta em ar. Esse espaço nós chamamos de atmosfera. Muitos seres vivos necessitam do ar para respirar. Além disso, o ar é o próprio ambiente em que vivem algumas espécies de seres vivos. A camada de ar que envolve a Terra é como uma casca de maçã, pois metade do seu volume está até 5,5 km de altura da superfície, enquanto que 75% estão até 8,8 km e 9% até 30 km.

A atmosfera (do grego atmós, gás; sphaîra, esfera) da Terra tem espessura estimada em 800 km. Ela é formada por gases, principalmente, o nitrogênio (78%), o oxigênio (21%) e o argônio (0,9%), e por gases menores, entre eles o vapor de água e o dióxido de enxofre, que totalizam apenas 0,1% do volume do ar atmosférico. Ela também contém microrganismos e partículas sólidas, como cinzas vulcânicas e poeira.

A atmosfera pode ser dividida conforme a variação da temperatura, da composição química do ar ou da estrutura eletromagnética (campos elétricos e de atração magnética). Essas camadas são denominadas de troposfera, estratosfera, ionosfera, ou mesosfera e exosfera ou termosfera.

A emissão de gases na atmosfera existe desde os primórdios da vida na Terra. Os fenômenos naturais como o vulcanismo, decomposição anaeróbica da matéria orgânica e descargas elétricas de raios, têm a sua contribuição na liberação e na formação dos poluentes atmosféricos. Porém, a evolução da qualidade de vida e o crescimento populacional induziram o aumento da produção industrial e o consumo energético, acarretando dessa forma no aumento da poluição atmosférica.

A poluição do ar consiste na alteração da composição natural da atmosfera que é causada pelos poluentes nas formas sólida, líquida ou gasosa e energia. As fontes de poluição do ar podem ser do tipo naturais (atividades vulcânicas, queimadas, maresia) ou antropogênicas (aquelas que resultam da atividade humana).

Segundo a resolução do CONAMA 03/90, o ar torna-se poluído quando as concentrações de certos compostos ultrapassam valores limite de referência e podem afetar a saúde, a segurança e o bem-estar da população, bem como ocasionar danos à flora e à fauna, aos materiais e ao meio ambiente em geral.

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