Teste de germinação

Teste de germinação

1 INTRODUÇÃO

Atualmente, existe uma grande preocupação por parte dos pesquisadores e analistas de sementes, sobretudo os que trabalham com espécies florestais, em conduzir estudos que forneçam informações sobre a qualidade das sementes, especialmente no que diz respeito à padronização, agilização, aperfeiçoamento e estabelecimento dos métodos de análise. Nas Regras para Análise de Sementes (Brasil, 1992) existem prescrições para a condução do teste de germinação de um grande número de espécies cultivadas, no entanto, as espécies florestais nativas ainda são pouco pesquisadas, representando menos de 0,1% (Oliveira et al., 1989).

A germinação é um fenômeno biológico que pode ser considerado pelos botânicos como a retomada do crescimento do embrião, com o subseqüente rompimento do tegumento pela radícula. Entretanto, para os tecnologistas de sementes, a germinação é definida como a emergência e o desenvolvimento das estruturas essenciais do embrião, manifestando a sua capacidade para dar origem a uma planta normal, sob condições ambientais favoráveis (IPEF, 1998).

A avaliação da germinação das sementes é efetuada pelo teste de germinação, conduzido em laboratório sob condições controladas e por meio de métodos padronizados que visam, principalmente, avaliar o valor das sementes para a semeadura e comparar a qualidade de diferentes lotes, servindo como base para a comercialização das sementes (Marcos Filho et al., 1987; Novembre, 1994).

Marcos Filho (1986) destaca que, no processo de germinação ocorre uma série de atividades metabólicas, baseadas em reações químicas e que cada uma delas apresenta determinadas exigências quanto à temperatura, principalmente porque dependem da atividade de sistemas enzimáticos complexos, cuja eficiência é diretamente relacionada à temperatura e à disponibilidade de oxigênio.

Outra condição especificada nas Regras para Análise de Sementes (Brasil, 1992) para a condução do teste de germinação refere-se ao substrato, que tem a função de suprir as sementes de umidade e proporcionar condições para a germinação das mesmas e o desenvolvimento das plântulas (Figliolia et al., 1993). Basicamente, são indicados quatro tipos: papel, pano, areia e solo.

A escolha do substrato é efetuada em função da facilidade e eficiência do uso do mesmo e da espécie a ser analisada, considerando algumas de suas características, tais como o tamanho das sementes, a necessidade de água e luz, a facilidade da contagem e a avaliação das plântulas (Popinigis, 1977).

Os papéis a serem utilizados podem ser os de filtro, mata-borrão ou toalha.

Devem ser compostos de 100% de fibra de celulose de madeira, quimicamente clareada, algodão ou outro tipo de celulose vegetal, isentos de fungos, bactérias e de substâncias tóxicas que possam interferir no desenvolvimento ou na avaliação das plântulas. Devem ter textura porosa, sem permitir a penetração das raízes, mas com resistência suficiente para serem manuseados durante o teste e apresentar capacidade de retenção de água suficiente para todo o período do teste. O pH deve estar entre 6,0 e 7,5 (ISTA, 1985).

A escolha do substrato fica a critério do laboratório de análise, em função da disponibilidade dos materiais e da familiaridade do analista com o método de análise. A utilização do substrato adequado é fundamental para a germinação das sementes, pois é por meio dele que serão supridas as quantidades de água e oxigênio necessárias para o desenvolvimento da plântula; além disso, em condições de laboratório, o substrato funciona como suporte físico para que estas possam se desenvolver (Novembre, 1994).

Por meio de substâncias venenosas, as plantas podem impedir a colonização de outras espécies vegetais ao seu redor. Esse efeito é chamado de alelopatia e as substâncias denominadas aleloquímicas. O arilo presente em sementes de mamão, assim como em sementes de tomate, representam um bom exemplo do efeito inibitório da germinação. Portanto, diante do exposto, o presente trabalho teve como objetivo colher informações sobre o comportamento germinativo de sementes de alface crespa em resposta a presença de arilo no substrato e, bem como discutir seu papel como fatores limitantes da germinação.

2 MATERIAL E MÉTODOS

A pesquisa foi conduzida no Laboratório de Morfologia Vegetal do Campus 2 da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), São José dos Pinhais, PR.

As sementes utilizadas foram alface cultivar venerada, pureza 92%, germinação 98%, validade Mar/1, testes Mar/09.

Os testes de germinação das sementes foram conduzidos em dois tipos de substrato: de papel filtro com arilo de tomate (tratamento) e somente papel filtro (controle). O arilo de tomate foi extraído com auxilio de uma peneira.

As sementes foram semeadas com auxilio de uma pinça e foram mantidas sobre duas folhas de papel filtro e entre elas o arilo de tomate, em caixas plásticas tipo “gerbox”, postas para germinar na estufa a 25ºC, com luz constante. Antes da semeadura, os substratos foram umedecidos com água destilada. Os substratos foram umedecidos durante o período de duração do teste.

Foram utilizadas 4 repetições de 25 sementes para o tratamento e para o controle, tendo cada repetição constado de uma caixa plástica tipo “gerbox”.

As contagens de germinação foram feitas diariamente, a partir da instalação do teste até seu encerramento, que ocorreu aos 7 dias. Considerando-se germinadas as sementes que originaram plântulas normais, com todas as estruturas essenciais, demonstrando, assim, sua aptidão para produzirem plantas normais sob condições favoráveis de campo. Os resultados foram expressos em porcentagem de germinação.

3 RESULTADOS E DISCUSSÔES

A porcentagem de germinação de sementes de alface submetidas ao arilo de tomate foi de 0%, significativamente menor em relação à testemunha que foi de 96%. Verificou-se que houve contaminação, um dos gerbox utilizado no tratamento, foi totalmente contaminado com fungo (25% do tratamento).

Figura 1 – Tratamento/Controle

A germinação no tomateiro é negativamente influenciada pela ação de substâncias reguladoras de crescimento presentes no arilo que envolve as sementes; aliado ao fato de contribuir para uma germinação desuniforme, o arilo deve ser adequadamente retirado visando, além da obtenção da máxima germinação, a emergência rápida as plântulas (PEREIRA & DIAS, 2000).

Segundo Rodrigues (1999), os compostos alelopáticos são inibidores de germinação e crescimento, pois interferem na divisão celular, permeabilidade de membranas e na ativação de enzimas.

A ação de vários aleloquímicos está envolvida na inibição e em modificações nos padrões de crescimento ou desenvolvimento das plantas. Os aleloquímicos podem ser seletivos em suas ações e as plantas podem ser seletivas em suas respostas, por este motivo torna-se difícil sintetizar o modo de ação destes compostos, cita SEIGLER apud GATTI (2004).

Dentre os fatores ambientais que influenciam a germinação encontram-se três condições imprescindíveis: a disponibilidade de água, a temperatura, oxigênio, luz (MARCOS FILHO, 2005), além do substrato (BRASIL, 1992).

A absorção de água pelas sementes é indispensável para o início do processo de germinação. A água é importante para reiniciar a atividade metabólica da semente após a maturidade. Vários fatores afetam a velocidade e a intensidade de embebição como a espécie, onde as diferentes partes da semente hidratam-se com velocidade distinta. No eixo embrionário, onde ocorrem intensas divisões celulares, favorece a retomada de crescimento, assim esta estrutura capta maiores quantidades de água necessária para o metabolismo e a constituição das novas células (MARCOS FILHO, 2005).

A água apresenta diversas funções de grande importância como o amolecimento do tegumento, intensificação da velocidade respiratória, favorecimento da troca gasosa, indução da síntese e atividade enzimática e dos hormônios, regularização da digestão, translocação e assimilação de reserva e crescimento subseqüente. A entrada da água provoca o aumento do volume do embrião e dos tecidos de reserva, que resulta na ruptura do tegumento e facilita a protrusão da raiz primária (MARCOS FILHO, 2005).

4 CONCLUSÃO

Concluiu-se que devido à presença de substâncias inibidoras de germinação no arilo do tomate a germinação das sementes de alface foi nula.

BRASIL. Ministério da Agricultura e Reforma Agrária. Regras para análise de sementes. Brasília, 1992. 365 p.

OLIVEIRA, E. C.; PIÑA-RODRIGUES, F. C. M.; FIGLIOLIA, M. B. Propostas para a padronização de metodologias em análise de sementes florestais. Revista Brasileira de Sementes, Brasília, v. 1, n. 1, p.1-42, 1989.

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NOVEMBRE, A. D. L. C. Estudo da metodologia para a condução do teste de germinação em sementes de algodão (Gossypium hirsutum L.) deslintadas mecanicamente. 1994. 133 p. Tese (Doutorado em Agronomia) – Escola superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Piracicaba, SP.

FIGLIOLIA, M. B. (Coord.). Sementes florestais tropicais. Brasília:

POPINIGIS, F. Fisiologia da semente. Brasília: AGIPLAN, 1977. 289 p. INTERNATIONAL SEED TESTING ASSOCIATION. International rules for testing seeds. Seed Science and Technology, Zurich, v. 13, n. 2, p. 301-520, 1985.

PEREIRA, K. J. C.; DIAS, D. C. F. S. Germinação e vigor de sementes submetidas a diferentes métodos de remoção de mucilagem. Revista Brasileira de Sementes, v.2,n.1, Brasília, 2000, p. 288-291.

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GATTI, A. B.; PEREZ, S. C. J. G. de A.; LIMA, M. I. S. 2004. Atividade alelopática de extratos aquosos de Aristolochia esperanzae O. Kuntze na germinação e no crescimento de Lactuca sativa L. e Raphanus sativus L. Acta Botânica Brasílica. 18(3): p. 459-472.

MARCOS FILHO, J. Fisiologia de sementes de plantas cultivadas. Piracicaba: Fealq, 2005.

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