Teste de estresse hídrico

Teste de estresse hídrico

1 INTRODUÇÃO

As plantas, em condições naturais ou experimentais, podem ser submetidas à disponibilidade de O2 que varia desde os teores normais (normoxia), passando pela deficiência (hipoxia) ou até mesmo pela ausência (anoxia). A pesar da intensidade destes estresses, existem várias espécies de plantas, especialmente aquelas mais adaptadas a ambientes alagados, que respondem favoravelmente a uma baixa oxigenação do solo, com a formação de aerênquima (DREW, 1997).

Vários processos metabólicos são afetados pela deficiência de O2, porém os eventos mais estudados são aqueles relacionados à respiração e ao metabolismo de N. Na ausência de um aceptor eletrônico terminal na cadeia de transporte de elétrons, o ciclo do ácido tricarboxílico passa a funcionar parcialmente e em ambas as direções. Ocorre a acidificação do citosol e o piruvato, produto da glicólise, é transformado em lactato e etanol, que representam as principais reações fermentativas das plantas. A alanina é o terceiro mais importante produto do metabolismo anaeróbico, sendo resultante de altas taxas de interconversão entre os aminoácidos em que as transaminases, tais como alanina aminotransferase, desempenham um papel importante (SOUSA; SODEK 2002).

Segundo Beltrão et al. (2001) o estresse hídrico, tanto por deficiência como excesso reduz a altura das plantas, a fitomassa total e a relação raiz/parte aérea, fotossíntese da planta, bem como o processo respiratório oxidativo, além de alterações no metabolismo da planta, como redução da atividade da invertase, enzima chave no metabolismo dos açúcares, transformando a sacarose em glicose e frutose, e incremento da atividade da enzima T-amilase, especialmente com o excesso de água no solo, e deficiência de oxigênio.

O objetivo deste trabalho foi determinar o desprendimento de CO2 em raízes de milho (Zea mays).

2 MATERIAL E MÉTODOS

A pesquisa foi conduzida no Laboratório de Morfologia Vegetal do Campus 2 da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), São José dos Pinhais, PR.

Colocou-se em um erlenmeyer (2000 ml) 1 litro de água deionizada, adicionou-se 2 ml de fenolftaleína e aproximadamente 20 ml de solução de bicarbonato de sódio 5% (até apresentar uma coloração rosa). Dividiu-se está solução em três erlenmeyer de 250 ml.

No primeiro erlenmeyer colocou-se uma planta de milho com uma película de óleo vegetal.

No segundo colocou-se uma planta de milho com uma película de óleo vegetal e colocou-se o erlenmeyer dentro de uma bandeja com gelo.

O terceiro adicionou-se apenas uma película de óleo vegetal, este sendo o controle. Os resultados foram observados após 2 horas e após 24 horas da instalação.

3 RESULTADOS E DISCUSSÔES

A fenolftaleína em meio básico tem coloração rosa e em meio ácido é incolor. O bicarbonato foi adicionado para que a solução ficasse alcalina e assim adiquirindo coloração rosa.

O óleo vegetal foi adicionado para formar uma película na superfície da solução para evitar o contato da mesma com o ar.

Após 2 horas observou-se que a coloração inicial (rosa) passou para rosa claro para o tratamento 2 e incolor para o tratamento 1. E após 24 horas a solução tornou-se incolor no tratamento 2, conforme figura 1 e figura 2.

Figura 1 - após 2 horas

Figura 2 - após 24 horas

Controle Tratamento 1 Tratamento 2 Controle Tratamento 1 Tratamento 2

Um dia de falta de oxigênio nas raízes já é suficiente para causar efeitos danosos, dois dias causam forte redução na fotossíntese e danos irreversíveis (mesmo que o motivo do estresse seja retirado) e alguns dias de anoxia causam morte do caule.

Em hipoxia e anoxia, em vez de oxidação de produtos orgânicos, são eles desviados para uma desassimilação anaeróbica, resultando em etanol (com desprendimento de CO2) ou ácido lático, sem perda de carbono, em ambos os casos sem formação de ATP. Voltando o oxigênio a ser disponível, ocorre recuperação da atividade respiratória com produção de energia.

4 CONCLUSÃO

Concluiu-se que devido ao estresse hídrico por anoxia ocorreu nas raízes das plantas de milho desprendimento de CO2. Comprovado pela mudança na coloração da solução em que as plantas foram colocadas. Essa mudança na coloração ocorreu devido a formação de ácido carboxílico pelo CO2 + H2O, tornando o meio ácido, no tratamento 1 a mudança na coloração ocorreu mais rápido do que no tratamento 2, devido a diferença na temperatura, em temperaturas mais baixas o metabolismo das plantas é reduzido, então o desprendimento de CO2 foi menor no tratamento 1.

BELTRÃO, N. E. de M.; SILVA, L. C.; VASCONCELOS, O. L. AZEVEDO, D.

M. P. de VIEIRA, D. J. Fitologia. In: AZEVEDO, D. M. P. de LIMA, E. F. (Ed). O agronegócio da mamona no Brasil. Brasília, DF: Embrapa Informação Tecnológica, 2001. p. 37-61.

DREW, M. C. Oxygen deficieny and root metabolism: injury and acclimatation under hypoxia and anoxia. Annual Review of Plant Physiology and Plant Molecular Biology, v. 48, p. 223-250, 1997.

SOUSA, C. A. F.; SODEK, L. The metabolic response of plants to oxygen deficiency. Brazilian Journal Plant Physiology, v. 14, n. 2, p. 83-94, 2002.

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