Relatório de germinação

Relatório de germinação

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1 INTRODUÇÃO

Os termos “plantas invasoras” ou “plantas daninhas”, de acordo com Lorenzi (2000), correspondem às espécies de plantas que nascem e se reproduzem espontaneamente e não são cultivadas pelo homem. Ainda segundo esse autor, dependendo do local onde ocorrem, as plantas invasoras ou silvestres podem receber denominação especificas dentre outros, de plantas ruderais. Essas plantas crescem sem o cultivo do homem, “ruderais” quando ocorrem indesejavelmente em ambientes urbanos, como em ruas, terrenos baldios, invadem os canteiros de jardinamento, sobre muros e telhados, etc. A Asteraceae corresponde a uma família cosmopolita, essas herbáceas são altamente infestantes, propagam-se por sementes, sendo algumas espécies de fácil dispersão pelo vento e outras com aquênios aristados que derem a roupas, calçados ou pêlos de animais quando tocados.

As plantas anuais têm ciclo curto, o crescimento vegetativo e restrito e nesse, período elas desenvolvem-se rapidamente, dominando com facilidade as plantas cultivadas. Estando perfeitamente adaptadas ao ambiente onde se desenvolvem, as invasoras crescem com muito maior facilidade que a planta cultivada, visto que essa não tinha nenhuma adaptação com a área.

Por questão de sobrevivência, as invasoras anuais produzem grande quantidade de sementes, além de possuírem dispositivos especiais de disseminação que muito facilitam a manutenção de suas populações. No geral, as sementes dessas invasoras possuem longos períodos de dormências o que permite a germinação das mesmas após vários meses, desde que surjam as condições de temperatura e umidade exigidas.

Segundo Aranha (1987), no Estado de São Paulo cerca de 80% das plantas invasoras são anuais, incluindo-se nesse grupo praticamente todas as representantes da família Asteraceae e numerosas Poaceae.

As áreas urbanas estão cada vez mais apresentando um maior índice de degradação ambiental, aumentando as áreas pavimentadas e deixando de lado o aspecto paisagístico. Troppmair (1989) apud Silva (2007), relata que quanto maior for o afastamento das condições naturais e aumentarem as condições noóticas ou da tecnosfera, mais difícil se torna a sobrevivência no espaço urbano, poucas são as espécies da flora que conseguem resistir às condições do ambiente urbano e grande parte desaparece a médio ou longo prazo.

As plantas invasoras pelas suas características rústicas apresentam capacidade de crescer em condições adversas e fazem parte integrante da paisagem urbana, segundo Troppmair (1989) às plantas invasoras ou ruderais, pelo fato de não terem concorrentes, desenvolvem-se sobremaneira, nas áreas urbanas.

Devido à dificuldade de controle da espécie, formas alternativas de controle tem sido testadas, como o uso de plantas com capacidade inibidora. A esta capacidade dáse o nome de alelopatia. A definição mais aceita para alelopatia é dada por Rice (1984) que diz se tratar de qualquer efeito direto ou indireto, benéfico ou prejudicial, de uma planta ou de microorganismos sobre outra planta, mediante produção de compostos químicos que são liberados no ambiente.

Algumas substâncias alelopáticas podem ser usadas como herbicidas naturais quando detectado seu princípio ativo. Segundo Ferreira & Borguetti [3], o avanço nos estudos de química dos produtos naturais, por meio de métodos de extração, isolamento, purificação e identificação tem contribuído para o conhecimento de compostos secundários, sendo que muitos destes compostos são potencialmente aleloquímicos. Estes compostos revelam-se como herbicidas naturais, os quais estariam livres dos efeitos prejudiciais causados pelos herbicidas sintéticos (Yunes, 2001).

As substâncias alelopáticas liberadas por uma planta poderão afetar o crescimento, prejudicar o desenvolvimento normal e até mesmo inibir a germinação das sementes de outras espécies vegetais (Silva, 1978).

A germinação é um fenômeno biológico que pode ser considerado pelos botânicos como a retomada do crescimento do embrião, com o subseqüente rompimento do tegumento pela radícula. Entretanto, para os tecnologistas de sementes, a germinação é definida como a emergência e o desenvolvimento das estruturas essenciais do embrião, manifestando a sua capacidade para dar origem a uma planta normal, sob condições ambientais favoráveis (IPEF, 1998).

A avaliação da germinação das sementes é efetuada pelo teste de germinação, conduzido em laboratório sob condições controladas e por meio de métodos padronizados que visam, principalmente, avaliar o valor das sementes para a semeadura e comparar a qualidade de diferentes lotes, servindo como base para a comercialização das sementes (Marcos Filho et al., 1987; Novembre, 1994).

Marcos Filho (1986) destaca que, no processo de germinação ocorre uma série de atividades metabólicas, baseadas em reações químicas e que cada uma delas apresenta determinadas exigências quanto à temperatura, principalmente porque dependem da atividade de sistemas enzimáticos complexos, cuja eficiência é diretamente relacionada à temperatura e à disponibilidade de oxigênio.

Outra condição especificada nas Regras para Análise de Sementes (Brasil, 1992) para a condução do teste de germinação refere-se ao substrato, que tem a função de suprir as sementes de umidade e proporcionar condições para a germinação das mesmas e o desenvolvimento das plântulas (Figliolia et al., 1993). Basicamente, são indicados quatro tipos: papel, pano, areia e solo.

A escolha do substrato é efetuada em função da facilidade e eficiência do uso do mesmo e da espécie a ser analisada, considerando algumas de suas características, tais como o tamanho das sementes, a necessidade de água e luz, a facilidade da contagem e a avaliação das plântulas (Popinigis, 1977).

Os papéis a serem utilizados podem ser os de filtro, mata-borrão ou toalha.

Devem ser compostos de 100% de fibra de celulose de madeira, quimicamente clareada, algodão ou outro tipo de celulose vegetal, isentos de fungos, bactérias e de substâncias tóxicas que possam interferir no desenvolvimento ou na avaliação das plântulas. Devem ter textura porosa, sem permitir a penetração das raízes, mas com resistência suficiente para serem manuseados durante o teste e apresentar capacidade de retenção de água suficiente para todo o período do teste. O pH deve estar entre 6,0 e 7,5 (ISTA, 1985).

A escolha do substrato fica a critério do laboratório de análise, em função da disponibilidade dos materiais e da familiaridade do analista com o método de análise. A utilização do substrato adequado é fundamental para a germinação das sementes, pois é por meio dele que serão supridas as quantidades de água e oxigênio necessárias para o desenvolvimento da plântula; além disso, em condições de laboratório, o substrato funciona como suporte físico para que estas possam se desenvolver (Novembre, 1994).

A fim de testar efeitos de outras plantas sobre a germinação de plantas da família Asteraceae, uma espécie com efeito alelopático já comprovado em outros experimentos foi escolhida: o sabugueiro (Sambucus australis cham e schlecht), planta medicinal e nativa; possui em suas folhas composição de glicosídeo cianogênico tóxico e ocasionalmente são utilizadas como inseticida. A espécie escolhida da família das Asteraceae para a realização do teste foi Taraxacum officinale, conhecida pelo nome popular de Dente-de-leão.

2 MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido no Laboratório de Morfologia Vegetal do

Campus 2 da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), São José dos Pinhais, PR. As sementes utilizadas foram coletadas na área interna da Universidade.

Os ensaios foram acondicionados em Câmara de Germinação, com controle da temperatura a 25 ºC + 2°C e fotoperíodo de 24 horas. As sementes foram colocadas em caixas tipo gerbox, com duas folhas de papel filtro usado como substrato, previamente autoclavados.

As avaliações foram realizadas diariamente, considerando-se como semente germinada aquela que apresentar radícula com aproximadamente dois milímetros de comprimento (Hadas, 1976).

Foi testado sobre a espécie os extratos da planta que poderá ser indicada como herbicida natural. Os extratos foram obtidos triturando a parte aérea em liquidificador em dois ciclos de 15 segundos, na proporção de 200g para cada litro de água destilada (resultando no extrato bruto).

O extrato bruto (100%) foi utilizado no tratamento 3. Para os outros tratamentos, houve uma diluição do extrato bruto com água destilada para as concentrações de 20 e 60%. No tratamento testemunha foi utilizado apenas água destilada.

Foram utilizadas 4 repetições de 25 sementes para os tratamentos e para o controle, tendo cada repetição constado de uma caixa plástica tipo “gerbox”.

As contagens de germinação foram feitas diariamente, a partir da instalação do teste até seu encerramento, que ocorreu no oitavo dia. Os resultados foram expressos em porcentagem de germinação.

3 RESULTADOS E DISCUSSÔES

Todas concentrações testadas, nas condições em que foram realizados os experimentos, apresentaram fitotoxidade sobre o dente-de-leão em algum dos parâmetros analisados, como observado na tab. 1. Segundo Ferreira & Borguetti [3] a alelopatia influencia primeiramente na germinação, porém, o crescimento da plântula é mais sensível aos aleloquímicos, podendo afetar a velocidade e o tempo de germinação, ou mesmo, causar raízes necrosadas ou plântulas anormais.

Segundo Rodrigues (1999), os compostos alelopáticos são inibidores de germinação e crescimento, pois interferem na divisão celular, permeabilidade de membranas e na ativação de enzimas.

A ação de vários aleloquímicos está envolvida na inibição e em modificações nos padrões de crescimento ou desenvolvimento das plantas. Os aleloquímicos podem ser seletivos em suas ações e as plantas podem ser seletivas em suas respostas, por este motivo torna-se difícil sintetizar o modo de ação destes compostos, cita SEIGLER apud GATTI (2004).

O extrato de sabugueiro interferiu em todos os fatores as sementes de dentede-leão. A quantidade de sementes germinadas diminuiu em torno de 50% para o tratamento a 20% de extrato, diminuindo gradativamente conforme o aumento da concentração. A testemunha teve o menor tempo e a maior velocidade de germinação em relação aos demais tratamentos. O comprimento de raiz diminuiu de acordo com o aumento da concentração.

Outros estudos já foram realizados com o sabugueiro para testar sua interferência alelopática. Piccolo (2005) testou sobre a corda de viola e a guanxuma. Seu efeito foi pronunciado na germinação de guanxuma. Não houve diferença significativa na germinação de corda de viola, mas sim no desenvolvimento. Refosco (2005) testou no picão-preto e na soja e a espécie demonstrou forte poder de inibição, em ambos.

A interferência deve-se a ação de um único aleloquímico (como o glicosídeo cianogênico do sabugueiro), ou à ação conjunta de várias substâncias presentes na planta. Conforme Einhellig citado por Rezende (2003) a inibição alelopática resulta da ação conjunta de vários aleloquímicos que, coletivamente, interferem em vários processos fisiológicos e dependem da extensão dos estresses bióticos e abióticos associados. Conforme podem ser observadas nas fotos abaixo:

Figura 1 - extrato bruto (100%)

Figura 2 - extrato 60% Figura 3 - extrato 20%

9 Tabela taxa de germinação

Controle

Gráfico da taxa de germinação

TRAT. 1° DIA 2° DIA 3° DIA 4° DIA 5° DIA 6° DIA 7° DIA 8° DIA

4 CONCLUSÃO

Conclui-se que, nas condições que foram realizados estes experimentos, o extrato de sabugueiro pode ser utilizado como possível herbicida natural.

ARANHA, C. (et all). Sistemática de plantas invasoras. Instituto Campineiro de Ensino Agrícola. São Paulo, 1987.

BRASIL. Ministério da Agricultura e Reforma Agrária. Regras para análise de sementes. Brasília, 1992. 365 p.

OLIVEIRA, E. C.; PIÑA-RODRIGUES, F. C. M.; FIGLIOLIA, M. B. Propostas para a padronização de metodologias em análise de sementes florestais. Revista Brasileira de Sementes, Brasília, v. 1, n. 1, p.1-42, 1989.

IPEF. Informativo sementes IPEF – Abril/98. 1999. 2 p. Disponível em: <http://w.ipef.br/especies/germinacaoambiental.html>. Acesso em: 29 ago. 2009.

MARCOS FILHO, J. Germinação de sementes. In: SEMANA DE

apresentadosCampinas: Fundação Cargill, 1986. p.1-39.

ATUALIZAÇÃO EM PRODUÇÃO DE SEMENTES, 1., 1986, Piracicaba. Trabalhos

NOVEMBRE, A. D. L. C. Estudo da metodologia para a condução do teste de germinação em sementes de algodão (Gossypium hirsutum L.) deslintadas mecanicamente. 1994. 133 p. Tese (Doutorado em Agronomia) – Escola superior de Agricultura Luiz de Queiroz, Piracicaba, SP.

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