LEVANTAMENTO DE IMPACTOS AMBIENTAIS NA ANTIGA PEDREIRA texto

LEVANTAMENTO DE IMPACTOS AMBIENTAIS NA ANTIGA PEDREIRA texto

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Com o desenvolvimento do município, verificou-se a necessidade de materiais para a construção de novas edificações. Assim, no final da década de 1930, começa a exploração da Pedreira Municipal de Araçatuba. Com o tempo, a Pedreira Municipal não conseguia mais atender à demanda de brita para a construção civil, com isso, outras pedreiras iniciaram atividades na cidade: a Pedreira Baguaçú (próxima à Pedreira Municipal) e a Pedreira do Batata (um pouco mais a frente do Ribeirão Baguaçu), Figura 5.

No final da década de 1970, a pedreira Municipal encerrou suas atividades devido ao esgotamento dos recursos minerais. As outras pedreiras encerraram as atividades entre 1985 e 1987, devido à aprovação da Lei Municipal nº. 2.627 que passa a proibir a concessão e respectiva renovação da licença de funcionamento de indústrias de extração mineral no perímetro urbano de Araçatuba.

Figura 5: Antigas pedreiras de Araçatuba (Adaptado de ARAÇATUBA, 2006).

A Pedreira Municipal foi desativada e abandonada (final década de 70). Ficaram em sua área restos de materiais extraídos, equipamentos abandonados, inclusive, a edificação onde se efetuava o beneficiamento das rochas. Com o crescimento urbano, começaram a surgir problemas com o lixo jogado pela população dentro da área da pedreira. No final da década de 1980, foram organizados, por alguns professores que se preocupavam com o meio ambiente, mutirões de limpeza na Pedreira Municipal.

Nessa época, começaram a surgir projetos para a recuperação da área degradada da pedreira. Em 1988, o Decreto Lei nº 3129 institui o Parque Ecológico Baguaçú, do qual faz parte a Pedreira Municipal. Em 1995, com a construção da Avenida Waldir Felizola de Moraes, o Parque Ecológico Baguaçú e, conseqüentemente, a área da Pedreira Municipal ficaram divididas em duas partes (Figura 6).

Figura 6: Parque Ecológico Baguaçú (em verde) dividido pela Avenida (Adaptado de ARAÇATUBA, 2006). 2.7.2 IMPACTOS AMBIENTAIS NA REGIÃO.

Apesar dos projetos para uma possível recuperação da área degradada da antiga pedreira, poucas ações foram tomadas de forma isolada. Foram realizados mutirões de limpeza e, após a criação do Parque Ecológico Baguaçú, diversas árvores foram plantadas, levando a uma revegetação do local (Figura 7). Com o retorno da vegetação houve um aumento da fauna, principalmente de capivaras (Figura 8) e aves aquáticas (Figura 9).

Figura 7: Vegetação na área da pedreira. (Foto: Marcélio Galvão de Castro, 2007)

Figura 8: Capivaras na lagoa do Parque Ecológico Baguaçú (Foto: Marcélio Galvão de Castro, 2007). Figura 9: Aves aquáticas na lagoa da pedreira (Foto: Marcélio Galvão de Castro, 2007).

O principal impacto visual na área é a água que mina da Pedreira (Figura 10). A quantidade de água foi suficiente para formar e manter duas lagoas (Figura 1). A água da 1ª lagoa passa por um tubo de concreto, abaixo da Avenida, e deságua na 2ª lagoa. A água da 2ª lagoa forma um pequeno curso de água de aproximadamente 40 cm de largura que corre em direção ao Ribeirão Baguaçú.

Figura 10: Filete formado pela água que minava da pedreira em 1987 (Foto: Selma Rico, 1987). Figura 1: Lagoas formadas pela água que mina da Pedreira Municipal (Adaptado de ARAÇATUBA, 2006).

Figura 12: Pedreira abandonada (Foto: Selma Rico, 1987). Figura 13: Lagoa formada pela água que mina da Pedreira Municipal (Foto: Marcélio Galvão de Castro, 2007).

Observando as Figuras 12 e 13 nota-se a alteração sofrida pela área da pedreira com o tempo. As duas fotografias representam, aproximadamente, a mesma região em épocas distintas (1987 e 2007, respectivamente). As Figuras 14 e 15 mostram outra vista da pedreira (1987 e 2007, respectivamente).

Figura 14: Pedreira Municipal (Foto: Selma Rico, 1987).

Figura 15: Imagem da pedreira em 2007 (Foto: Marcélio Galvão de Castro, 2007).

Não foi encontrado nenhum estudo ou informação sobre a profundidade das lagoas, porém, a partir da avaliação de mapas altimétricos (Figuras 16 e 17) da região, estima-se que a profundidade média esteja na faixa de 3,5 a 5,0 metros.

Figura 16: Mapa altimétrico (Adaptado de ARAÇATUBA, 2006).

Figura 17: Mapa altimétrico (Adaptado de ARAÇATUBA, 1978).

Pode-se verificar que a 2ª lagoa apresenta-se coberta com uma camada de algas (Figura 18). Estas algas podem estar relacionadas com uma possível eutrofização da lagoa. Além disso, algas podem ser indicadores de contaminação por outras substâncias, como, por exemplo, metais. Nessa lagoa observa-se, também, a existência de uma antiga edificação de madeira (Figura 19) e alguns equipamentos (Figura 20), parciais e / ou totalmente submersos; equipamentos outrora utilizados no beneficiamento das rochas.

Figura 18: Lagoa com camada de algas (Foto: Marcélio Galvão de Castro, 2007).

Figura 19: Britador abandonado na pedreira (Foto: Marcélio Galvão de Castro, 2007).

Figura 20: Edificação e equipamentos parcialmente submersos (Foto: Marcélio Galvão de Castro, 2007).

Nas fotos aéreas pode-se observar a Pedreira em três épocas distintas: em 1978 (Figura 2) na época da desativação, em 1994 (Figura 23) antes da construção da Avenida Waldir Felizola de Moraes, e em 2004 (Figura 24); foto mais recente. A partir da observação das imagens aéreas, apresentadas nas Figuras 2 e 23, pode-se evidenciar as edificações, as quais, na atualidade, encontra-se parcialmente ou totalmente submersas na lagoa (setas amarelas), vide também, Figura 20. A imagem aérea apresentada na Figura 24, por sua vez, permite evidenciar claramente as duas lagoas e a condição atual em que estes se encontram indicadas pelas setas brancas.

Figura 21: Fotografia aérea de um trecho próximo à pedreira no ano de 1940 (Adaptado de IGC, 1940).

Figura 2: Fotografia aérea da pedreira no ano de 1978 (Adaptado de ARAÇATUBA, 1978).

35 Figura 23: Fotografia aérea da pedreira no ano de 1994 (Adaptado de ARAÇATUBA, 1994).

Figura 24: Fotografia aérea da pedreira no ano de 2004 (Adaptado de DAEA, 2004).

A Figura 21 mostra um trecho próximo à estação de tratamento de água no ribeirão

Baguaçú em 1940 (seta preta). Neste trecho observa-se a terra utilizada para cultivo em regiões próximas à pedreira. Numa comparação com as Figuras 2 e 23, verifica-se uma alteração da paisagem no local (setas pretas).

Outra observação em relação às Figuras 21, 2, 23 e 24 é o aumento da vegetação na área da pedreira Municipal. Nota-se que em 1978 a vegetação era quase inexistente, com as trilhas onde as máquinas circulavam bem evidentes. As margens do Ribeirão Baguaçú estão praticamente “nuas” de vegetação. Por outro lado, a imagens aéreas obtidas em 1994 e 2004, evidenciam a presença de vegetação rasteira e o surgimento de árvores. Atualmente, imagem aérea obtida em 2007, evidencia a presença de vegetação e arborização mais densa.

3 CONCLUSÕES.

A extração mineral é importante para a economia regional e nacional, desde que realizada de maneira correta, para não gerar prejuízos ao meio ambiente e a população. O abandono de pedreiras sem as devidas medidas corretivas gera impactos ambientais, alguns mais evidentes enquanto outros são imperceptíveis.

A consulta à documentação histórica de textos e imagens de arquivos, levados a cabo neste trabalho, e datado do início do processo de exploração das minas, na região de Araçatuba, e de documentos e leis federais, estaduais e municipais revelam nitidamente, para o caso em questão, o descaso com as questões ambientais no período anterior à década de 60.

Como impacto visual nota-se a inicial degradação da região, com a ausência de vegetação e a presença de entulhos e lixo orgânico e inorgânico despejados pela população; posteriormente a modificação gradual da flora, inicialmente como conseqüência da iniciativa do poder público, posteriormente abandonado, e o aparecimento, natural, da fauna na antiga Pedreira Municipal de Araçatuba.

A modificação natural, mais evidente, é a formação das lagoas no local, o reaparecimento da flora e da fauna, como comentado anteriormente. Porém, a pesar de a área estar de certa forma reabilitada, aparentemente, a presença de algas em uma das lagoas pode ser indicativo de contaminação por substância química, devido ao fato de estar ali submersos equipamentos e restos de produtos empregados no processo de mineração. Estes aspectos permitem sugerir a continuidade desse trabalho, com o desenvolvimento de um estudo da possível contaminação do solo e da água na região da pedreira.

4 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS.

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