Gestão Custos VI

Gestão Custos VI

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Prof. Sérgio Marcus Nogueira Tavares smntasp@terra.com.br smntavar@unimep.br

1. INTRODUÇÃO

− Com a estabilização econômica, após o período inflacionário dos anos 80 e início da década de 90, a melhoria dos indicadores econômicos e sociais, a educação passou a ocupar espaço expressivo na agenda de desenvolvimento do país;

− As políticas públicas tem priorizado a educação fundamental e o ensino médio. Neste nível de educação, a iniciativa privada alcança as classes sociais A e B que, mesmo diante da oferta de vagas públicas, prefere educar seus filhos em instituições que ofereçam qualidade e diferenciais claros em relação ao ensino público;

− No ensino superior, predomina a iniciativa privada, com matrículas em expansão, neste caso não somente no atendimento às classes A e B, mas também às C e D, cujo perfil sócio-econômico requer uma tipologia organizacional bem específica para o seu acesso;

− Com a escalada tributária existente no país, sobretudo atingindo a classe média assalariada, o espaço destinado no orçamento doméstico à educação é estreito e disputado. Segundo pesquisa da FGV, as famílias gastam em média 13,6% do seu orçamento com a educação;

− Com apenas 10% dos jovens entre 18 e 24 anos matriculados no ensino superior, o potencial de crescimento ainda é significativo nesta área;

− Neste contexto, resta às instituições de ensino particulares focar sua atuação, definir nichos específicos e, sobretudo, operar com gestão profissional voltada à garantia de sustentabilidade e busca constante de desenvolvimento e atualização com os desafios do tempo que vivemos;

− A gestão de custos e a ação estratégica planejada que pressupõe a elaboração, execução e acompanhamento orçamentário são elementos fundamentais no processo da gestão profissional.

2. GESTÃO E ACOMPANHAMENTO DE CUSTOS

2.1. Custos numa Instituição de Ensino

Como entidade prestadora de serviços, a instituição de ensino apropria-se de fundamentos e conceitos da contabilidade de custos para a elaboração de instrumentos que permitam visualizar os gastos por serviços, no caso cursos ou projetos.

A identificação do custo de um curso ou projeto significa separar dos gastos totais ocorridos na instituição em um certo período, os valores específicos que caberiam a uma unidade de serviço, dentre todos os demais prestados pela instituição.

A contabilidade de custos irá tratar da acumulação dos dados, ordenamento e distribuição para, partindo do todo institucional, se chegar ao específico de um curso ou projeto, sob determinados critérios e princípios.

Como objetivo, ela busca aferir o custo unitário, no caso por aluno ou por curso, projeto, do serviço prestado.

2.2. Classificação de custos e despesas

Segundo Clóvis Padoveze, em sua obra Controladoria Estratégica e Operacional, temos: gastos, custos e despesas.

a) Gastos são todas as ocorrências de pagamentos ou recebimento de ativos, custos ou despesas. São ocorrências de grande abrangência e generalização.

b) Custos são os gastos, que não investimentos, necessários à prestação do serviço, no caso da instituição de ensino. São os gastos relacionados direta ou indiretamente à atividade fim, o serviço prestado.

c) Despesas são os gastos relacionados à administração do empreendimento prestador de serviço e à comercialização dos serviços. As despesas não se vinculam a um produto ou serviço mas são realizados para um período, independentemente do ciclo produtivo ou de prestação do serviço.

Essencialmente, podemos adotar a seguinte classificação de custos: 2.2.1. Quanto ao objeto a ser custeado: a) Custos Diretos

São os elementos do custeio que se relacionam diretamente ao serviço prestado (ensino, pesquisa, extensão) ou atividade fim da instituição.

Alguns exemplos: − materiais diretos: material escolar, material de consumo, material de laboratório exclusivo de um curso;

− mão de obra direta: salários e encargos trabalhistas de professores, assessores, coordenadores de curso, funcionários ligados ao curso ou projeto específico;

− custos operacionais diretos: energia elétrica, capacitação docente, gastos com conservação de equipamentos, água, telefone, etc.

b) Custos Indiretos São gastos que não podem ser alocados diretamente a uma atividade operacional ou serviço prestado, mas precisam ser atribuídos através de critérios de distribuição (rateio, alocação ou apropriação). São elementos de custos comuns a mais de um curso ou projeto.

Alguns exemplos: − gastos com Vestibular / processos seletivos;

− gastos com laboratórios de uso comum a mais de um curso/projeto;

− gastos com gabinetes de direções acadêmicas, de faculdades ou centros, coordenações de áreas ( no caso da educação fundamental).

c) Despesas administrativas e/ou operacionais

No que se refere à atividade educacional, além do custeio da atividade fim, temos as despesas da atividade meio, que atendem às atividades complementares, de apoio administrativo e de controle da entidade mantenedora.

Tais despesas são alocadas às atividades fim através de rateio. Alguns exemplos: − despesas com jardinagem e limpeza;

− despesas com diretoria geral, reitoria e diretoria administrativa e/ou financeira. 2.2.2. Quanto ao volume da atividade: a) Custos Fixos

São os elementos do custeio que se mantém constantes nas alterações do volume das atividades operacionais.

Eles são considerados fixos dentro de um intervalo relevante de capacidade de prestação de serviço.

Por exemplo: para o oferecimento de uma turma de 80 alunos no curso de Direito, os salários e encargos sociais dos docentes em aulas são custos fixos. Igualmente o valor do aluguel do espaço físico, a energia elétrica, a depreciação de um equipamento, dentre outros. Isto significa que, se esta turma funcionar com 40, 60 ou 80 alunos, ou seja com variação da capacidade de prestação do serviço no limite de 1 sala de aula, estes elementos do custeio são constantes.

b) Custos Variáveis

São assim chamados os custos e despesas cujo montante varia na proporção direta das variações do nível de atividades.

No caso do curso, alguns exemplos: − horas/aula dos docentes dedicados à orientação de monografias e estágios supervisionados;

− material de consumo e de informática do curso. c) Custos Semi fixos e Custos Semi variáveis Não é de uso comum nas instituições de ensino esta distinção, mas ela pode ser utilizada e representa um refinamento no tratamento de custos.

Os custos semi fixos são os que tem uma parcela fixa e outra variável. Por exemplo, os gastos com energia elétrica, cujos valores pagos pela manutenção da demanda são fixos e os relativos ao consumo são variáveis.

Os custos semi variáveis são os que apresentam variação em relação à quantidade/volume de produção, mas não na proporção 1:1. Materiais de apoio podem se comportar como custos semi variáveis.

2.3. Formas de Custeio a) Custo Real

Parte de dados reais de gastos já ocorridos e identificados contabilmente. b) Custo Padrão

É uma forma de antecipar ocorrências de custos, calculando-se com base em eventos planejados, futuros ou desejados, podendo ou não se concretizar na operação da atividade.

O custo padrão pode partir de custo real anterior mas não tem compromisso seqüencial com este, rompendo, em dado momento, com seus critérios de apuração e projeção. Seu compromisso é com metas.

c) Custos Orçados

Procuram identificar custos que irão ocorrer a partir de projeções, simulações sobre o custo real, aplicando-se indexadores ou indicadores, conforme a natureza da atividade e tendências.

2.4. Métodos de Custeio aplicáveis à atividade

É o processo de identificação do custo unitário de um serviço ou de todos os serviços prestados, partindo do total dos custos diretos e indiretos.

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