(Parte 1 de 20)

Cinco Passos para o

Poder Pessoal

Como Se Fortalecer Para Uma Vida Extraordinária

Patrick J. Ryan

Conteúdo

Introdução

Poder dos paradigmas

Enigma dos biscoitos

Uma mulher, que acabou de comprar uma xícara de café e cinco biscoitos de chocolate, sentou-se em uma mesa em frente à loja de biscoitos, de frente para um homem desconhecido que estava sentado na mesma mesa. Depois de provar o café, ela tirou um biscoito do pacote.

Assim que ela começou a comer, o homem pegou o pacote e tirou um biscoito.

Paralisada de raiva, silêncio e descrença, ela comeu o primeiro biscoito e pensou no que fazer depois. Será que ela imaginou o que ela tem certeza que viu? Ele teria coragem de fazer isso novamente? Finalmente quando a curiosidade passou, ela pegou um segundo biscoito no pacote. Confiante, o homem também foi e pegou outro biscoito, estampando um enorme sorriso no rosto enquanto comia. Somente a sua certeza de um autocontrole impecável a impediu de protestar contra esse ladrão de biscoitos. Afinal, a arrogância deste homem era extraordinária, e ele não parecia um mendigo, vestido de terno e gravata.

Já que havia apenas um biscoito sobrando, ela engoliu o seu segundo biscoito e novamente foi ao pacote. Mas ele foi mais rápido. Com um sorriso radiante, e ainda nenhuma palavra, ele quebrou o biscoito que sobrava ao meio e ofereceu a ela. Em total descontentamento, um olhar de indignação começou a se formar, ela então se levantou, pegou sua grande bolsa e foi rapidamente em direção ao carro. No carro ela até deixou escapar uma pequena ofensa de seus lábios, enquanto procurava as chaves na bolsa.

Seus dedos acharam, ao lado das chaves, seu pacote de biscoitos fechado! Essa mulher sofreu uma mudança abrupta na visão de seu próprio comportamento, como uma extensão ao seu equívoco na situação dos biscoitos. Seu paradigma, neste caso, a levou a uma série de julgamentos errôneos.

A base sobre a qual fazemos julgamentos, o ideal sobre o qual nós medimos o comportamento humano, é o nosso paradigma.

Como a mulher nessa história descobriu, nossos paradigmas não são necessariamente corretos, já que diferentes pontos de vista sobre o mesmo evento são possíveis, dada uma mudança ou informação adicional, as pessoas carregam paradigmas individuais.

Construir paradigmas que são flexíveis, úteis e poderosos é um talento que algumas pessoas possuem, e pode ser desenvolvido por qualquer um com alguma ajuda e concentração.

Ou considere um exemplo mais pessoal. Quando minha filha Kim estava na quinta série, ela era uma das crianças mais altas na sala. Então, quando ela nos contou que estava tentando entrar no time de basquete, minha esposa e eu, é claro, a encorajamos, porque ela jogava bem e adorava o jogo.

No entanto, nossos paradigmas foram torcidos quando nós aparecemos para o seu primeiro jogo e só então descobrimos que foi o time masculino, e não o feminino, que ela tentou entrar – e conseguiu, ela era a pivô! Não preciso dizer, nosso paradigma foi rapidamente alterado.

Minha caminhada para o fortalecimento

Por que algumas pessoas parecem ter nascido vencedoras, pessoas que regularmente e facilmente alcançam seus objetivos pessoais e profissionais? O que faz com que tais pessoas tenham sucesso onde outros irão provavelmente fracassar?

Por outro lado, todos nós conhecemos pessoas que têm um dom incrível para tornar as melhores idéias e sensações em um pensamento negativo e frustrações. Eles parecem passar pela vida como se estivessem sob uma “nuvem negra”. Na realidade, muitas vezes essas pessoas parecem mais felizes quando estão na mais completa miséria.

Esse tipo de personalidade e caráter pode ser atribuído meramente à falta de sorte? Ao passado? À hereditariedade? À classe social? Procurar respostas para estas questões ocupou boa parte de minha vida pessoal e profissional nas últimas duas décadas.

Antes disso, antes de minha pesquisa começar, eu era um caso perdido. Eu estava acima do peso, fora de forma, devia muito e fumava dois ou três maços de cigarro por dia. Pior ainda, eu vinha ensinando psicologia por quase 15 anos e estava quase sempre vazio, como se ligasse o piloto automático.

Fora a minha frustração profissional, eu estava relativamente ocupado gastando minhas energias em uma série de atividades, para cobrir minha falta de objetivo pessoal.

O pior de tudo, meu estado psicológico estava péssimo. Eu estava rapidamente me tornando uma pessoa negativa, nervosa e cínica, e pela primeira vez na minha vida, eu não gostava de mim mesmo. Duas décadas depois, eu posso ver que estava tendo uma clássica crise de meia idade, aquelas coisas que os professores que atuam no campo da psicologia supostamente evitam pelo seu conhecimento acumulado sobre o assunto.

Então Dan, um amigo muito próximo, um homem vigoroso de 40 e poucos anos, morreu subitamente de ataque cardíaco. Eu senti o medo da minha própria morte, e me forcei a olhar para mim mesmo, por completo, personalidade tipo A, completada por um estado psicológico negativo, que atraía tensão, pressão e todo tipo de desconforto e doença que tal estado mental atrai se deixado de lado. Já que eu passei a maior parte da minha vida adulta no campo da psicologia – primeiro como conselheiro e depois, por um tempo bem maior, como professor de psicologia – eu naturalmente fui buscar lá minha primeira ajuda.

Eu estou triste em dizer que a psicologia tradicional foi de pouca ajuda em meu caso, e eu passo a acreditar nisso pelo fato de que a psicologia tradicional enfatiza a normalidade, anormalidade e a teoria de aprendizado, mas não como alterar um estado mental ou a responsabilidade em se sentir melhor. Na realidade, a natureza determinante da maioria das escolas de pensamento da psicologia tornou mais fácil para pessoas como eu culpar outros, ou forças externas por quase todo tipo de problema.

Depois de ver minha condição após a morte de Dan, eu claramente entendi que o que eu precisava era ter responsabilidade sobre meu próprio destino e retomar o senso de controle interno sobre a minha vida. O que eu precisava era fortalecimento.

Um dia depois da morte do meu amigo, eu me encontrei na seção de “auto-ajuda” em uma livraria. Ainda que eu estivesse com vergonha de estar ali – nos círculos tradicionais da academia, o campo da auto-ajuda é olhado com ceticismo e suspeita por muitos e com desprezo por alguns -, uma curiosidade nascida por desespero psíquico me guiou a um livro de Albert Ellis, um dos pioneiros no campo da psicologia cognitiva.

Já que eu tinha um conhecimento prático da psicologia cognitiva, e já que o campo não era cientificamente suspeito como eu pensava que a auto-ajuda seria, eu comprei o livro escrito por Ellis. Esta aparente ocorrência acidental começou a mudar minha vida, já que Ellis me apresentou a algumas idéias simples mas revolucionárias, um conceito tão poderoso que sustenta uma ênfase:

A realidade não é tanto o que acontece a nós; mais verdadeiramente, é como nós pensamos sobre esses eventos que criam a realidade em que vivemos. Em um sentido bastante real, isto significa que cada um de nós cria a realidade em que vive.

Como resultado desta crença básica sobre a natureza da existência, muitos seres humanos criam problemas, nas palavras de Ellis, “por causa de seus pensamentos e crenças irracionais”.

A boa notícia é que, já que uma coisa que todos podemos aprender é a controlar nossos pensamentos, nossas respostas para as situações que a vida nos apresenta, quaisquer que sejam, são de nossa total responsabilidade!

A má notícia é que, já que uma coisa que todos podemos aprender é a controlar nossos pensamentos, nossas respostas para as situações que a vida nos apresenta, quaisquer que sejam, são de nossa total responsabilidade!

A psicologia cognitiva me deu um novo modelo de referência, um novo mapa mental para enxergar o mundo, um novo paradigma através do qual pareço ver o meu papel. Lembre-se, um paradigma é um filtro e é criado de nossas predisposições genéticas, nosso aprendizado e experiências passadas, nosso próprio ego.

Como eu descobri mais tarde, os paradigmas podem tanto ser limitantes como libertadores, e eles nunca são os mesmos de uma pessoa para outra.

De qualquer forma, como se o universo parasse para responder minhas mais profundas preocupações, meus paradigmas rapidamente me levaram a grandes mudanças em minha vida. Eu comecei a experimentar um aumento interno da minha serenidade, meu controle pessoal, minha auto-estima e meu objetivo.

Durante este tempo, em grande parte por causa de excitantes mudanças em minha vida, eu desenvolvi um curso chamado Psicologia do Crescimento Pessoal. Já que a comunidade de estudantes onde eu ensino estava interessada em aplicações práticas do conhecimento, eu comecei explorando a literatura de auto-ajuda, fortalecimento, performance e auto-estima.

Para mim foi uma surpresa! Todas as minhas pré-disposições acadêmicas sobre a literatura de auto-ajuda eram na melhor das hipóteses simplistas e na pior delas erradas. O que começou como um simples curso se tornou uma aventura, e eu li quase todos os livros de auto-ajuda impressos Eu também escutei muitas fitas de áudio, assisti a muitos vídeos e fui a muitos seminários no mundo da auto-ajuda. Como a minha pesquisa, ensino e experimentos continuaram, três questões centrais começaram a emergir, perguntas que me ajudaram a organizar minha aproximação para o campo que eu chamo de “Psicologia do Fortalecimento Pessoal” (Personal Empowerment Psychology).

Três perguntas com a mesma resposta

1 - Sem considerar as diferenças na semântica, existem alguns temas, princípios e habilidades comuns que consistentemente ocorrem na pesquisa de pessoas fortalecidas?

2 - Estes princípios e técnicas são vigentes por um tempo suficiente para serem catalogados? Em outras palavras, eles ocorrem em um grande número de pessoas por um longo período de tempo? 3- Estes princípios e habilidades podem ser facilmente ensinados para, e aprendidos por, pessoas normais?

Eu agora sei que a resposta para as três perguntas é “Sim!”

Psicologia do Fortalecimento Pessoal (PFP)

Idealmente, a ciência resulta de um sistema testado e provado que produz resultados consistentes. Fortalecimento pessoal é a habilidade de achar seu próprio propósito ou missão e então criar uma vida que perfeitamente valida a essência de si mesmo. PFP, então, é a nova ciência sobre como o cérebro e a mente trabalham para produzir resultados, pensamentos, emoções e, até mesmo, ações fortalecedoras.

Os princípios básicos da PFP foram usados e se provaram eficientes com pessoas de todo o mundo, e o propósito deste livro é dividir com você o “pico” da tecnologia de aperfeiçoamento pessoal, explicar os princípios e habilidades, e ilustrar como os usar em sua vida.

Existem quatro suposições que eu faço sobre o comportamento humano e a consciência humana que precisam estar claras desde o começo. Ao longo deste livro, cada uma destas importantes suposições será discutida, mas aqui eu as coloco da maneira mais simples possível.

Quatro suposições

1 - Existe uma fonte de inacreditável sabedoria dentro de todos nós.

2 - Todos possuem os recursos internos necessários para o fortalecimento pessoal; estes recursos interiores simplesmente precisam ser usados, e confiados.

3 - É melhor que as pessoas tenham muitas escolhas ou opções em suas vidas do que somente algumas opções ou nenhuma escolha.

4 - Todas as pessoas possuem a capacidade de crescimento pessoal incrível em suas vidas.

Meus objetivos principais quando escrevi Os 5 passos para o Poder Pessoal (The 5 Steps to Personal Power) fluem destas 4 suposições. Todas elas, eu sei por anos de experiência em seminários e salas de aula, são objetivos alcançáveis para aqueles que os querem.

Objetivos do Programa dos 5 Passos

Ajudar você a descobrir um paradigma mais eficiente para o que você pensa.

Dar a você uma visão maior sobre o que você espera de si mesmo.

Ajudar você a descobrir a sua missão, visão ou propósito na vida.

Ajudar você a se desbloquear e re-focar seus objetivos.

Ajudar você a descobrir uma fonte inesgotável de força e serenidade.

Ajudar você a ver e agir mais eficientemente quando o que você está pensando e fazendo não está funcionando.

Um dos pontos fortes da minha aproximação é que eu não sou comprometido com nenhuma escola de pensamento ou ponto de vista. Em vez disso, eu examinei uma grande gama de técnicas, incluindo relaxamento, visualização, falar internamente, realização de objetivos e o poder da expectativa positiva, e recolhi idéias da psicologia cognitiva, comportamental, psicologia humana, programação neuro-lingüística, pesquisas cerebrais recentes e até metafísica.

Nessa pesquisa pessoal, eu sempre tive dois critérios em mente: Funciona? Um grande número de teorias e habilidades parecem boas no papel.

Mas, quando eu as tentava na vida real, com estudantes normais em um período de tempo mais extenso, eram ineficientes.

É simples? A maioria das pessoas é capaz de entender prontamente? E, depois de dedicar uma boa parte de tempo à prática, pode ser usada efetivamente?

Diferente de alguns profissionais que apenas encontram os participantes algumas horas ou dias, eu tive estudantes por dezesseis semanas, então eu pude ver o que funcionava e o que não funcionava em um longo período de tempo. Desta experiência, eu posso afirmar com confiança o seguinte: As técnicas apresentadas nesse livro funcionam.

Elas podem funcionar para você.

No entanto, caso você ache que as técnicas nesse livro não funcionarão para ninguém além de poderosos homens de negócios ou atletas, meu próprio passado demonstra que esse não é o caso.

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