simposio gado de leite ufv

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FORRAGEIRAS DO GÊNERO Cynodon PARA A PRODUÇAO INTENSIVA DE LEITE A PASTO Adilson de Paula Almeida Aguiar1

A família Gramíneae possui acima de 600 gêneros, os de clima temperado (de campos e estepes) são da subfamília Pooideae, enquanto que as tropicais são das subfamílias Panicoideae e Choridoideae (de savanas e regiões semi-áridas).

O gênero Cynodon é da subfamília Choridoideae, tem oito espécies perenes, de acordo com sua distribuição geográfica.

A maioria das espécies estudadas, incluindo Cynodon dactylon, C. nlemfuënsis, C. plectostachyus e

C. aethiopicus encontram-se distribuídas por grande parte da porção tropical e, às vezes subtropical da África. A primeira é rizomatosa (Bermudas) e as outras três sem rizomas, são apenas estoloníferas (Estrelas).

O principal centro de origem e distribuição das gramas estrelas parece corresponder à faixa tropical do leste da África (principalmente Quênia, Tanzânia, Uganda) e Angola, na África Ocidental (PEDREIRA, NUSSIO, SILVA, 1998), regiões de baixas latitudes (10ºN a 18ºS) e apresenta ciclo fotossintético C4. Segundo Corsi; Martha Junior (1998) as gramas bermudas começam a apresentar crescimento satisfatório do sistema radicular e parte aérea, apenas quando as temperaturas ultrapassam a marca de 15,5 e 12,7 graus, respectivamente.

O gênero Cynodon vegeta do paralelo 35ºN a 35ºS, evidenciando no seu comportamento cosmopolita, mas que as gramas bermudas (cultivares com presença de rizomas) e estrelas (cultivares com estolões) comerciais são recomendadas, no caso dos EUA para latitudes mais baixas, isto é, até 28º e 25ºN, respectivamente (PEDREIRA, NUSSIO, SILVA, 1998).

Segundo Vilela; Alvim (1998) o gênero Cynodon é considerado bem adaptado às regiões tropicais (as estrelas, não rizomatosas) e subtropicais (as bermudas, rizomatosas).

As gramíneas Cynodon spp são bem adaptadas a uma variedade de condições climáticas, fruto de sua grande variabilidade genética e diversidade de centros de origem, predominando, porém, nos grupos A (tropical úmido, e suas variações Af, Am, Aw e As) e C (Subtropical, e suas variações Cf, Cw e Cs) segundo o sistema de classificação de Trewartha (1968) (PEDREIRA, NUSSIO, SILVA, 1998).

O gênero Cynodon deve ter sido introduzido na América do Norte no inicio ou meados de Século XVIII, em 1751 para a Geórgia, Estados Unidos da América (EUA).

O desenvolvimento do capim bermuda cv. Coastal por Burton, em 1943 é considerado um marco no desenvolvimento de pastagens e da pecuária nos Estados Unidos e na história do melhoramento de plantas forrageiras (RODRIGUES, REIS, SOARES FILHO, 1998).

A hibridação em Cynodon spp. (intra e interespecífica) possibilitou o desenvolvimento de numerosos híbri- dos adaptados às regiões tropicais e subtropicais. Contudo, a produção de sementes é baixa e a maioria dos novos cultivares, não produz sementes viáveis de forma que o estabelecimento é obtido mais facilmente através do

Zootecnista, Especialista em Didática do Ensino Superior e em Solos e Meio Ambiente; Professor de Pastagens e Plantas Forrageiras I dos cursos de Agronomia e Zootecnia e de Zootecnia I (Bovinocultura de Corte e Leite), do curso de Agronomia das Faculdades Associadas de Uberaba (FAZU); Professor de Nutrição Animal e Forragicultura do curso de Medicina Veterinária da Universidade de Uberaba (UNIUBE); Consultor – Sócio da CONSUPEC – Consultoria e Planejamento Pecuário Ltda e da Alc@nce – Consultoria e Planejamento Rural.

Produtor de Leite. Zootecnista e Engenheiro Agrônomo pelas Faculdades Associadas de Uberaba – FAZU Especialista em Manejo da Pastagem pela FAZU Consultor e Sócio da CONSUPEC - Consultoria e Planejamento Pecuário Ltda e da Alc@nce – Consultoria e Planejamento Rural.

uso de material vegetativo tais como mudas enraizadas, pedaços de colmo (estacas), estolões e rizomas (RODRIGUES, REIS, SOARES FILHO, 1998).

No Brasil, não existe registro de onde e como o gênero Cynodon foi introduzido, mas acredita-se que tenha sido por produtores curiosos em avaliar o seu comportamento em condições brasileiras (VILELA; ALVIM, 1998).

Inicialmente a principal forma de uso foi em campos de feno e para pastejo de eqüinos em haras. Posteriormente foi implantado em piquetes para bezerros lactentes e animais de seleção, mas na última década tem sido largamente introduzido em sistemas de produção de leite, principalmente sob uso intensivo com ou sem irrigação.

A maior parte das informações geradas em pesquisas com espécies do gênero Cynodon até o momento (con- siderar o ano 2000), encontrada na literatura é oriunda de ensaios realizados na Região Sudeste dos EUA. Os trabalhos predominavam com a exploração da forrageira sob condições de pastejo e para a produção de feno, visando, basicamente, a alimentação de bovinos de corte em sistemas semi-intensivos (PEDREIRA; MELLO, 2000).

Pedreira; Mello (2000) ressaltou a necessidade de mais pesquisas que fornecessem resultados de produção de leite em pastagens de Cynodon submetidas a diferentes manejos, como níveis e tipos de adubação, sistemas de pastejo, consorciação com leguminosas, entre outros. Estudos de viabilidade econômica deveriam, sempre que possível, ser parte integrante dessas pesquisas, visando avaliar o sistema como um todo.

O objetivo deste trabalho será o de avaliar o potencial de forrageiras do gênero Cynodon para a produção intensiva de leite a pasto e tentar preencher algumas lacunas deixadas por Pedreira; Mello (2000).

A seguir faz-se um resumo dos principais híbridos lançados nos EUA que tiveram ou ainda têm importância no Brasil. Este resumo foi escrito com base nas revisões dos trabalhos de Hill et al. (1998); Vilela; Alvim (1998); Pedreira, Nussio, Silva (1998) e Rodrigues, Reis, Soares Filho (1998).

2. Principais híbridos do gênero Cynodon

Cynodon variedade (var.) dactylon (Grama Seda ou Bermuda Comum): cosmopolita, invasora, forragei- ra ou ornamental. Tem sua origem provável no Paquistão Ocidental e na Turquia. É provável que tenha chegado na América com os conquistadores espanhóis, nos fenos trazidos para alimentar os animais.

Cynodon cultivar (cv.) “Coastal” (Burton, 1943): cruzamento entre linhagem local encontrada em cam- pos de algodão na Geórgia como planta invasora e uma variedade introduzida da África. Produziu duas vezes mais (kg matéria seca/hectare – (MS/ha)) do que a variedade bermuda comum (grama seda) e resistente ao fungo Helminthosporium spp e a nematóides, respondendo bem a adubação nitrogenada.

Cynodon cv. Coastcross (Burton, 1942): hibrido interespecífico F1 obtido a partir do cruzamento entre “coastal” e uma introdução de C. nlemfuënsis com alta digestibilidade proveniente do Quênia. Foi liberado para o plantio em 1967.

Trata-se de uma gramínea perene, estolonífera, não rizomatosa, com folhas pilosas e inflorescência de coloração verde. Apresenta boa produção de matéria seca, boa resistência ao pisoteio e alta tolerância a pragas e doenças.

Ocasionalmente poderá desenvolver um rizoma muito curto Menos tolerante aos invernos mais severos do

Sul dos EUA (baixa tolerância a baixas temperaturas). Isso posto considerando o cv Coastcross – 1, já que o cv. Coastcross – 2 (atual Coastcross) é mais tolerante ao frio. Foi 12 a 13% mais digestível e 160% mais produtivo que a cv. Coastal. É um hibrido estéril.

O capim Coastcross-1 é recomendado para fenação em decorrência da boa relação folha/colmo que possui, sendo, também indicado para formação de pastagens para eqüinos, bovinos, ovinos e caprinos.

Cynodon cv. Swannee (Burton, 1962). selecionado para solos arenosos e região do Golfo do México.

Cynodon cv. Tifton 4 (Burton, Monson, 1978)

Cynodon cv. cv. Midland: para áreas mais frias do sudeste e meio-oeste dos EUA, nos estados de Kansas, Kentucky e Maryland (Latitudes acima de 40º Norte).

Cynodon cv. Tifton 68: apesar de classificado como C. nlemfuënsis é considerado uma grama bermuda por

Burton; Monson (1984). É um híbrido F1 vigoroso, não rizomatoso, altamente digestível, resultado do cruzamento entre as duas linhagens de maior digestibilidade de todas da coleção da estação experimental de Tifton (proveniente do cruzamento de duas introduções que são as mais digestíveis de um banco de germoplasma com 500 introduções).

Um dos mais produtivos dentre os cultivares lançados pelo Dr. Burton, mas não é plantado nos EUA, pois possui pouquíssimos rizomas (freqüentemente nenhum) por isso é pouco tolerante ao frio.

É um tipo gigante de estolões grossos e compridos e não forma rizoma. Os estolões bem desenvolvidos apresentam pigmentação roxa, pronunciadas. As folhas são largas e compridas e mais pilosas do que as do Tifton- 85. Embora se propague rapidamente por via vegetativa tem se mostrado sensível a geadas, deficiência hídrica e ataque de cigarrinha.

Cynodon cv. Tifton 78: o melhor hibrido F1 resultante do cruzamento de Tifton 4 (extremamente tole- rante as baixas temperaturas e usado como linhagem paterna) com “Callie” (usado como linhagem materna) foi lançado pelo seu vigor, estabelecimento fácil e rápido, e boa produtividade. Foi lançado em 1978 e registrado em 1988.

Trata-se de capim perene, estolonífero e rizomatoso possuindo folhas e colmos mais finos do que os do Tifton 68 e maiores do que os do Coastcross-1. Os estolões apresentam coloração verde e com pigmentação roxa pouco intensa.

É um capim recomendado para fenação e para pastejo em decorrência da boa relação folha/colmo que possui, sendo aceito por eqüinos, bovinos, ovinos e caprinos.

Cynodon cv. Tifton 85: hibrido F1 interespecífico entre Tifton 68 (C. nlemfuënsis) e uma introdução aparentemente Cynodon dactylon proveniente da África do Sul, denominada P1 290884.

Produzira 26% mais MS e fora 1% mais digestível e mais suculenta que Coastal. Produziu 20% mais MS que Tifton 68, embora a Digestibilidade “in vitro” da Matéria Seca (DIVMS) fora geralmente inferior (até 5 unidades percentuais).

É muito competitivo com as invasoras mesmo superpastejada. Possui rizomas, o que torna essa forrageira resistente à seca e ao frio, possui melhor relação folha/caule que Tifton 68.

Foi lançado nos EUA em 1993 e tem sido considerado o melhor hibrido de Tifton conseguindo até o momento.

Por ocasião do XV Simpósio sobre Manejo da Pastagem, realizado pela FEALQ, em Piracicaba, em 1998, o

Dr. G. M. Hill previu a grande aceitação e expansão do cultivar Tifton 85 no Brasil. Segundo ele “o aspecto positivo da introdução da Tifton 85 no Brasil logo em seguida ao seu lançamento nos EUA é que esse material forrageiro está agora disponível a grande número de produtores nas principais regiões pecuárias do país”.

Previu que os cultivares Coastcross e Tifton 68 continuariam a representar alternativas para uso no Brasil, mas que era esperado uma expansão na área plantada com Tifton 85 em função de seu alto valor nutritivo, potencial produtivo e adaptação à utilização sob pastejo (HILL et al, 1998).

O Dr. Hill estava certo e neste meu trabalho, praticamente todos os resultados serão com este cultivar.

Cynodon cv. Florakirk: hibrido irmão de Tifton 78, com duas gramíneas provenientes de cruzamento re- cíprocos. Ambos são híbridos F1 do cv. Callie. A diferença é que no caso do Tifton 78, o cv Callie é linhagem materna e o Tifton 4 linhagem paterna, enquanto que no Florakirk, esse parentesco é inverso. Possui rizomas e estolões (rústica e resistente ao frio).

O sucesso alcançado com as gramas bermudas mudou a fisionomia do Sudeste dos EUA, transformando a região de essencialmente agrícola em área de agricultura e pecuaria, com mais de cinco milhões de hectares plantados com cultivares de C. dactylon.

Cynodon cv. Florico: C. nlemfuënsis var. nlemfuënsis é perene, estolonífera, não possui rizoma. Foi introduzido em Porto Rico, em 1957, trazido do Quênia. Chegou à Flórida em 1972 e foi lançado em 1993.

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