Orientação para a promoção da alimentação saudável para a criança menor de dois anos de idade

Orientação para a promoção da alimentação saudável para a criança menor de dois...

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(baseado no Guia Alimentar da criança brasileira menor de dois anos de idade)

Brasília, julho de 2001

Ministério da Saúde Organização Pan-Americana de Saúde

Ministro da SaúdeMinistro da Saúde José Serra

Secretário de políticas de SaúdeSecretário de políticas de Saúde Cláudio Duarte da Fonseca

Coordenadora de Atenção BásicaCoordenadora de Atenção Básica Heloíza Machado de Souza

Coordenadora de Alimentação e Nutrição/DABCoordenadora de Alimentação e Nutrição/DAB Denise Costa Coitinho

Coordenadora de Saúde da CriançaCoordenadora de Saúde da Criança Ana Goretti Kalume Maranhão

Autora:Autora: Márcia Regina Vítolo- Departamento de Nutrição/UnB

Colaboradores EspeciaisColaboradores Especiais

Zuleica Portela de Albuquerque OPAS/OMS Maria de Fátima Cruz Correia de Carvalho ATAN/DAB/SPS/MS Júlio Marcos Brunaci ATSC/DAB/SPS/MS

ColaboradoresColaboradores Cláudia Choma B. Almeida- UFPR/CCAN-Região Sul

Cristina Maria G.Monte-UFCe - Região Nordeste Denise Cavalcante de Barros-ENSP/CCAN-Região Sudeste Estelamaris T. Monego- UFG/CCAN- Região Centro-Oeste

Esther L.Zaborowski- ENSP/CCAN- Região Sudeste

Elsa Regina Justo Giugliani-UFRS Ida Cristina Leite Veras-IMIPI/CCAN-Região Nordeste 1 Ida Helena C. F. Menezes-UFG/CCAN-Região Centro-Oeste

Ilma Kruze Grande de Arruda-IMIPI/CCAN-Região Nordeste 1 Regina Mara Fisberg- FSP/USP

Sarah Ma. N. Blamires Komka-Secretaria Estadual de Saúde/DF Sônia Tucunduva Philippi-FSP/USP Yedda Paschoal de Oliveira- ATAN/DAB/SPS/MS

Direção de Arte: André Ctenas Ilustrações: Rafael Altavista Apoio Técnico e financeiro da Organização Pan-Americana de Saúde/Brasil

Este Manual foi elaborado com a finalidade de apoiar os profissionais de saúde na implementação dos Dez Passos da Alimentação SaudávelDez Passos da Alimentação Saudável para Crianças Brasileiras Menores de Dois Anos,para Crianças Brasileiras Menores de Dois Anos, os quais sumarizam recomendações elaboradas frente aos problemas relacionados à alimentação e nutrição de crianças menores de dois anos em todas as regiões do País. Esses passos foram consolidados no Guia Alimentar Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de Dois Anos.para Crianças Brasileiras Menores de Dois Anos. Cada um dos Dez Passos para uma alimentação saudável é aqui apresentado com atualizações sobre o tema para o profissional de saúde e informações para facilitar a transmissão de seu significado às mães. Seu conteúdo busca, ainda, direcionar o apoio para o conhecimento sobre as dificuldades, ansiedades e receios das mães para alimentar a criança pequena, na transição da amamentação para a dieta da família. Apresenta, também, sugestões de como orientar às mães para alimentar seus filhos com uma dieta adequada com vistas à formação de bons hábitos futuros.

Prentende-se que este material seja utilizado, não somente, para capacitação de recursos humanos, mas sobretudo, como documento de consulta permanente na prática diária de todos os profissionais e trabalhadores de saúde (agentes comunitários de saúde e equipes de saúde da família). Seus principais propósitos são de contribuir para aumentar a duração do aleitamento materno, adequar a qualidade da alimentação complementar oferecida à criança menor de dois anos, e desenvolver hábitos alimentares saudáveis, uma vez que estes se formam nos primeiros anos de vida.

Espera-se que, na prática e a partir de sugestões e contribuições dos profissionais de saúde, as edições posteriores venham a ser aperfeiçoadas progressivamente.

Os primeiros anos de vida de uma criança, especialmente os dois primeiros, são caracterizados por crescimento acelerado e enormes aquisições no processo de desenvolvimento, incluindo habilidades para receber, mastigar e digerir outros alimentos, além do leite materno, e no autocontrole do processo de ingestão de alimentos, para atingir o padrão alimentar cultural do adulto.

Essas considerações podem ser confirmadas quando observamos que uma criança cresce, em média, 25 cm no primeiro ano de vida e 12 cm no segundo ano, passando, a partir dos 3 anos, a crescer de 5 a 7 cm por ano. Associado a esse crescimento físico, a criança vai adquirindo capacidades psicomotoras e neurológicas que podem ser observadas a cada mês. Esse processo é rápido de modo que aos 4-5 meses de idade já sustenta a cabeça e com seis meses é capaz de sentar sem apoio. Assim, torna-se inquestionável a importância da alimentação da criança nessa fase, uma vez que deficiências nutricionais ou condutas inadequadas quanto à prática alimentar podem, não só levar a prejuízos imediatos na saúde da criança, elevando a morbi-mortalidade infantil, como também deixar seqüelas futuras como retardo de crescimento, atraso escolar e desenvolvimento de doenças crônicas.

Os órgãos representativos no Brasil já vêm trabalhando, há algum tempo, com a proposta de aumentar a duração do aleitamento materno exclusivo e adequar as práticas da alimentação complementar, a partir dos sexto mês de idade.

A quase totalidade das crianças brasileiras iniciam a amamentação ao peito nas primeiras horas de vida (cerca de 95%). No entanto, o início do processo de desmame ocorre muito precoce - dentro das primeiras semanas ou meses de vida-, com a introdução de chás, água, sucos e outros leites e progride de modo gradativo. Nos primeiros seis meses de vida, o número de crianças em aleitamento materno exclusivo é pequeno e o de crianças já totalmente desmamadas é considerável (Pesquisa Nacional de Demografia e Saúde (PNDS), 1996; Ministério da Saúde, 1997), ficando muito aquém das recomendações do Ministério de Saúde. Pode-se afirmar que o processo de introdução de alimentos complementares não é oportuno nem adequado, caracterizando–se pelo uso predominante de alimentos lácteos e alimentação monótona e inadequada do ponto de vista calórico e nutricional.

O O Guia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de Dois AnosGuia Alimentar para Crianças Brasileiras Menores de Dois Anos elaborou recomendações a partir de um diagnóstico baseado em dados secundários compilados com a participação dos profissionais de Saúde de todos os estados da Federação, que lidam com a nutrição da criança em serviços de saúde, ensino e pesquisa, e complementado com o resultado de pesquisa qualitativa específica por macroregião.

Este Manual objetiva a operacionalização dos Dez passos da AlimentaçãoDez passos da Alimentação

Saudável para Crianças Brasileiras Menores de Dois AnosSaudável para Crianças Brasileiras Menores de Dois Anos recomendados pelo Ministério da Saúde e OPAS/OMS.

Boas técnicas de comunicação

Para que as informações dadas às mães sejam incorporadas e passem a fazer parte da prática diária da família, é importante que o profissional observe alguns aspectos de seu atendimento. Algumas sugestões são dadas a seguir:

OUVIROUVIR:: escute e preste atenção à mãe enquanto ela fala. Olhe a mãe nos olhos e demonstre que você está entendendo o que ela fala e como se sente, evite escrever enquanto a mãe está falando.

PERGUNTARPERGUNTAR:: faça perguntas abertas que permitem à mãe expressar o que sente e as suas preocupações, e não apenas responder SIM ou NÃO.

RESPONDERRESPONDER:: evite usar palavras que soam como julgamento (como mal, bem, melhor, pior, adequado, inadequado, suficiente, insuficiente, certo, errado, apropriado, inapropiado).

RECOMENDARRECOMENDAR:: limite as suas recomendações ao que é pertinente para a mãe nesse momento. Use linguagem simples que ela entenda. Priorize as informações mais relevantes e adie as demais para a próxima consulta. Faça perguntas para ver se a mãe entendeu o que você recomendou. Por exemplo: peça que ela repita com as próprias palavras a recomendação que você deu.

ELOGIARELOGIAR:: elogie a mãe naquilo que ela está fazendo bem, como por exemplo, dar o peito ao bebê, estar com as vacinas dele em dia, trazê-lo para consulta.

“Revendo e informando sobre os dez passos da boa alimentação infantil”

Revendo seus conhecimentos Para que o aleitamento materno exclusivo seja bem sucedido é importante que, além da mãe estar motivada, o profissional de saúde saiba orientá-la e apresentar propostas para resolver os problemas mais comuns enfrentados por ela durante a amamentação. Porque as mães oferecem chás, água ou outro alimento?

Porque acham que a criança está com sede; para diminuir as cólicas; para acalmá-la a fim de que durma mais, ou porque pensam que seu leite é fraco ou pouco e não está sustentando adequadamente a criança. Nesse caso, é necessário admitir que as mães não estão tranqüilas quanto a sua capacidade para amamentar. É preciso orientá-las: que o leite dos primeiros dias pós-parto, chamado de colostrocolostro, é produzido em pequena quantidade, e é o leite ideal nos primeiros dias de vida, principalmente se o bebê for prematuro, pelo seu alto teor de proteínas.

que o leite materno contém tudo o que o bebê ne- cessita até o 6º mês de vida, inclusive água. Assim, a oferta de chás e água é desnecessária, e pode preju- dicar a sucção do bebê, fazendo com que este mame menos leite materno, pois o volume desses líquidos irá substituí-lo. Esses representam um meio de con- taminação que pode aumentar o risco de doenças. A oferta desses líquidos em chuquinhas ou mamadeiras fazem com que o bebê engula mais ar (aerofagia) propiciando desconforto abdominal pela formação de gases, e consequentemente, cólicas no bebê. Além disso, instala-se a confusão de bicos na hora

PASSO 1 - Dar somente leite materno até os seis meses, sem oferecer água, chás ou qualquer outro alimento.

O bebê que mama no peito tem mais saúde, cresce bem e adoece menos! de mamar no peito, dificultando a pega correta da mama pelo bebê (ver quadro ao lado). A pega errada vai prejudicar o esvaziamento total da mama, impedindo que o bebê mame o leite posterior (leite do final da mamada) que é rico em gordura, diminuindo a saciedade e encurtando os intervalos entre as mamadas. Assim, a mãe pode pensar que seu leite é insuficiente e fraco. Esses intervalosintervalos mais curtosmais curtos entre as mamadas levam ao aumento da fermentação da lactose (açúcar do leite), agravando as cólicas do bebê..

Se as mamas não são esvaziadas de modo adequa- do ficam ingurgitadas, o que pode diminuir a produção de leite pelo aumento da concentração de substâncias supressoras da lactação no leite retido que bloqueiam os receptores da prolactina nos alvéolos.

O que a mãe deve saber Que o leite materno contém a quantidade de água suficiente para as necessidades do bebê, mesmo em climas muito quentes. A oferta de água, chás ou qualquer outro alimento sólido ou líquido, aumenta a chance do bebê adoecer além de diminuir o volume de leite materno ingerido que é mais nutritivo.

O tempo para esvaziamento da mama, depende de cada bebê; há aquele que consegue fazê-lo em poucos minutos e aquele que o faz em trinta minutos ou mais

Antes dos seis meses, não ofereça complem

Sinais indicativos de que a criança está mamando de forma adequada

Produção versus ejeção do leite maternoProdução versus ejeção do leite materno A produção adequada de leite vai depender predominantemente da sucção do bebê (pega correta, freqüência de mamadas), pois estimula os níveis de prolactina. Entretanto, a produção de ocitocina que é responsável pela ejeção do leite é facilmente influenciada pela condições emocionais da mãe (auto-confiança). É comum a mãe referir que tem pouco leite, mas, o que ocorre com mais freqüência é a dificuldade de liberá-lo.

Sinais clínicos de produção insuficiente de leite: * bebê ganhando menos de 20 g por dia

* Ao toque, as mamas apresentam-se flácidas (amolecidas) * A quantidade de fraldas molhadas por dia é menor que seis

Ao amamentar: a) ela não deve ficar cansada, as costas precisam estar apoiadas em um sofá ou poltrona e o bebê apoiado sobre o colo materno. O uso de almofadas ou travesseiros pode ser útil; b) ela não deve sentir dor, se isso estiver ocorrendo, significa que a pega está errada.

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