Ameaça a biodeversidade na amazônia oriental

Ameaça a biodeversidade na amazônia oriental

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SØrie Amazônia 6

Christopher Uhl Oswaldo Bezerra

Adriana Martini

Christopher Uhl, Oswaldo Bezerra & Adriana Martini. 1997.

Ameaça à Biodiversidade na Amazônia Oriental /

Christopher Uhl, Oswaldo Bezerra & Adriana Martini. SØrie Amazônia N° 06 - BelØm: Imazon, 1997.

34 p.; il

1. Biodiversidade. 2. Exploraçªo Madeireira. 3. PecuÆria. 4. ParÆ. 5. Amazônia.

SØrie Amazônia 6

Belém, 1997

Christopher Uhl Oswaldo Bezerra Adriana Martini

SØrie Amazônia 6

Diretoria Executi va: Paulo Barreto - Diretor Edson Vidal - Vice-Diretor

Conselho Diretor:

Adriana Ramos AndrØ Guimarªes

Anthony Anderson - Presidente Jorge Yared

Rita Mesquita

Conselho Consulti vo: Antônio Carlos Hummel Carlos da Rocha Vicente

Johan Zweede

Maria JosØ Gontijo

Peter May

Raimundo DeusdarÆ Filho

Robert Buschbacher

Robert Schneider Virgílio Viana

Texto:

Christopher Uhl

Biólogo, PhD - Imazon e Universidade Estadual da Pensilvânia - EUA

Oswaldo Bezerra

GØologo, M. Sc. - Imazon

Adriana Martini Ecóloga, M. Sc. - Imazon

Ediçªo e Revisªo de Texto: Tatiana CorrŒa

Editoraçªo Eletrônica: Jânio Oliveira

Apoio Editorial: Fundaçªo Ford

Imazon Caixa Postal 5101, Belém (PA). CEP: 6.613-397 Fone/Fax: (091) 235-4214/0122/0414/0864 Correio Eletrônico: imazon@imazon.or g.br site: w.imazon.org.br

RESUMO7
INTRODUO7
RESULTADOS E DISCUSSO9
Impactos das atividades no meio terrestre sobre a biodiversidade9
Impactos das atividades realizadas no meio aquÆtico
sobre a biodiversidade16
O futuro da Amazônia Oriental2
Manejando a Amazônia Oriental para conciliar os ideais
de desenvolvimento e conservaçªo25
CONCLUSO30
AGRADECIMENTOS31

Ameaça à Biodiversidade na Amazônia - 7

Após trinta anos de desenvolvimento agressivo, estÆ claro para nós que a Amazônia Oriental Ø rica em recursos naturais e que o homem estÆ determinado a explorÆ-los. O objetivo desse trabalho Ø discutir os impactos do uso dos recursos naturais na biodiversidade animal e vegetal dessa regiªo. Para isso, iremos considerar as principais atividades econômicas que afetam os ecossistemas terrestres e aquÆticos do ParÆ. No caso dos ecossistemas terrestres, iremos nos concentrar na extraçªo seletiva de madeira, a qual representa uma alteraçªo significativa da estrutura da floresta, e nas aberturas de floresta para a implantaçªo de pastagens, que representam a remoçªo completa da estrutura do ecossistema florestal. No caso dos ecossistemas aquÆticos, nossa atençªo estarÆ voltada para as alteraçıes significativas da sua estrutura, ocasionadas pelo processamento de sedimentos dos rios para extrair ouro, bem como para a sua remoçªo completa, causada pela construçªo de barragens de usinas hidrelØtricas. Ao analisar os impactos dessas quatro atividades na biodiversidade, consideramos os impactos diretos sobre espØcies no local da atividade e tambØm os impactos biológicos que podem se estender atravØs do ar ou da Ægua a ecossistemas ainda intocados. Concluiremos este artigo considerando o que pode ser feito para reconciliar os objetivos de desenvolvimento e conservaçªo na Amazônia Oriental.

A Amazônia esta transbordando de vida. PorØm, as atividades humanas estªo cada vez mais em conflito com a saœde e a longevidade dessa vida natural. As tensıes começaram sØculos atrÆs com a chegada de comerciantes e caçadores de fortuna. Atualmente continuam com a ocupaçªo da Amazônia por colonos, fazendeiros, madeireiros, garimpeiros e grandes empresas hidroelØtricas. A abundância de espØcies das florestas e ambientes aquÆticos servem como meio de vida para alguns colonizadores e como fonte de riqueza e poder para outros.

A exploraçªo e colonizaçªo da Amazônia estÆ concentrada na parte sul e leste da Bacia. Em nenhum outro lugar da Amazônia esse avanço humano Ø mais aparente do que no Estado do ParÆ. Embora o ParÆ ocupe apenas um terço da Ærea da Amazônia brasileira, Ø responsÆvel por mais da metade da produçªo de madeira, gado e minerais da regiªo (IBGE, 1987).

8 - Uhl et al.

No Estado do ParÆ, as atividades econômicas de uso da terra (por exemplo, pecuÆria e extraçªo madeireira) estªo associadas aos sistemas de estradas, enquanto as atividades baseadas em ambientes aquÆticos (por exemplo, garimpo e construçªo de barragens) estªo associadas aos tributÆrios que fluem a partir do escudo da Guiana, ao norte, e do escudo Brasileiro ao sul do rio Amazonas (Figura 1). O ParÆ Ø conhecido por sua diversidade geológica, topogrÆfica e climÆtica (Daly e Prance, 1989), abrigando muitos tipos de vegetaçªo e comunidade de animais. Florestas sempre-verdes de terra firme ocupam Æreas significativas abaixo do rio Amazonas atØ a parte central do Estado do ParÆ. Florestas semidecíduas, florestas de palmeiras e florestas de cipós estªo concentradas em regiıes de transiçªo, onde as florestas altas gradualmente se misturam na vegetaçªo de cerrado. Formaçıes isoladas de florestas de montanhas baixas ocorrem na regiªo dos depósitos de ferro de CarajÆs. Vegetaçıes tipo savana sªo comuns no norte do rio Amazonas, na parte oriental da ilha do Marajó e nas cabeceiras do rio Tocantins (Prance e Brown, 1987). Enquanto isso, o baixo Amazonas e seu estuÆrio contŒm uma rica mistura de ecossistemas aquÆticos que incluem florestas sazonalmente ou diariamente inundadas (influŒncia das marØs), campos naturais e lagos de vÆrzea.

Figura 1. O estado do Pará na Amazônia Oriental. O mapa mostra a localização das atividades de exploração madeireira, pecuária, garimpos e construção de hidrelétricas

Exploraçªo madeirera PecuÆria

Garimpos HidrelØtrica ativa

HidrelØtrica planejada

Exploraçªo de mogno

Ameaça à Biodiversidade na Amazônia - 9

Impactos das atividades no meio terrestre sobre a biodiversidade

Uma alteraçªo significativa na estrutura dos ecossistemas terrestres - o caso da atividade madeireira

A extraçªo de madeira tem sido praticada em pequena escala por vÆrios sØculos na Amazônia em Æreas de floresta acessíveis por Ægua. Entretanto, um grande salto na exploraçªo de madeira ocorreu no final da dØcada de 70, com a implantaçªo de uma rede confiÆvel de estradas no leste do ParÆ. Essas estradas, como a rodovia BelØm-Brasília (Figura 1), ligaram imensas Æreas de floresta de terra firme a regiıes densamente povoadas e com escassez de madeiras, como o Nordeste e a regiªo industrializada do Sudeste do Brasil. O avanço na Amazônia ocorreu justamente quando os estoques madeireiros no restante do Brasil estavam quase esgotados.

Atualmente, existem quatro padrıes distintos de exploraçªo madeireira na

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