PsicoFarmacologia (Parte 4)

PsicoFarmacologia (Parte 4)

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Curso de
Psicofarmacologia

MÓDULO IV

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MÓDULO IV

ALUCINÓGENOS

Poucos fármacos apresentam como ação primária à qualidade de induzir a estados perceptivos alterados remanescentes de sonhos. Muitos destes estados alterados são acompanhados por alterações brilhantes e coloridas do meio e por plasticidade de alterações constantes de forma e cor. O indivíduo sob a influência destes fármacos torna-se incapaz de tomar uma decisão normal, visto que o mesmo interfere com o pensamento racional. Estes compostos são conhecidos como alucinógenos ou psicotomiméticos.

Dietilamida do ácido lisérgico (LSD)

Ocorre ativação do sistema nervoso simpático, o que causa dilatação pupilar, aumento da pressão sangüínea, piloereção e aumento da temperatura corpórea. Pequenas doses de LSD, por via oral, podem induzir a alucinações de cores brilhantes e também ocorrem alterações do humor. Têm ocorrido tolerância e dependência física, porém a verdadeira dependência é rara. Os efeitos adversos incluem hiperreflexia, náusea e fraqueza muscular. Elevadas doses, algumas vezes, em indivíduos suscetíveis, produzem alterações psicóticas de longa duração. O haloperidol e outros neurolépticos podem bloquear a ação alucinatória do LSD e rapidamente abortar esta síndrome.

Tetrahidrocanabinol

Ele diminui a força muscular e dificulta muito a atividade motora refinada, bem como a necessária para dirigir automóvel. Aumenta o apetite, causa xerostomia, alucinações visuais, ilusões e aumento da atividade sensorial. Apesar da identificação de receptores ao THC em SNC, seu mecanismo de ação é desconhecido. Os efeitos do THC ocorrem imediatamente após o fumo da droga, porém seus efeitos máximos ocorrem após cerca de 20 minutos. Após 3 horas, os principais efeitos desaparecem. Os efeitos adversos incluem taquicardia, hipotensão e avermelhamento das conjuntivas oculares. Em doses elevadas, desenvolve-se psicose tóxica. Ocorrem tolerância e moderada dependência física com o uso freqüente e continuado do fármaco. O THC é usado, algumas vezes, quando da ocorrência de emese severa causada por agentes quimioterápicos anticâncer.

Fenciclidina (PCP)

A fenciclidina, análogo da quetamina, causa anestesia dissociativa (insensibilidade à dor, sem perda da consciência) e analgesia. Neste estado, produz adormecimento de extremidades, andar cambaleante, falar pastoso e rigidez muscular. Algumas vezes, ocorre comportamento hostil e bizarro. Em dose aumentada, ocorre anestesia, estupor ou coma, porém, estranhamente, os olhos permanecem abertos. Existe sensibilidade aumentada a estímulos externos e as ações sobre o SNC podem persistir por semanas. Com o uso continuado, desenvolve-se, freqüentemente, tolerância.

DOENÇA DE PARKINSON

Visão Geral

O parkinsonismo é distúrbio neurológico progressivo do movimento muscular caracterizado por tremores, rigidez muscular, bradicinesia (lentidão em iniciar e continuar os movimentos voluntários) e anomalias de postura e marcha. A doença de Parkinson é a quarta doença neurológica mais comum entre idosos, afetando 500.000 pessoas somente nos Estados Unidos. A maioria dos casos envolve indivíduos com idade de 65 anos, entre os quais a incidência é cerca de 1:100.

 Etiologia

Para a maioria dos pacientes a causa da doença de Parkinson é desconhecida. A doença correlaciona-se com redução na atividade dos neurônios dopaminérgicos inibitórios na substância negra e no estriato - partes do sistema de gânglios da base do encéfalo que são responsáveis pelo controle do movimento. Os fatores genéticos não desempenham papel dominante na etiologia da doença de Parkinson, embora possam ter alguma influência sobre a suscetibilidade individual. Parece cada vez mais provável que certo fator ambiental não-identificado possa ter influência na perda de neurônios dopaminérgicos.

Estratégia do tratamento

Muitos dos sintomas do parkinsonismo refletem um desequilíbrio entre os neurônios colinérgicos excitatórios e o número de neurônios dopaminérgicos inibitórios, grandemente diminuído. A terapêutica visa a restaurar a dopamina nos gânglios da base e antagonizar o efeito excitatório dos neurônios colinérgicos, restabelecendo assim o correto balanço dopamina/acetilcolina.

Fármacos Usados na Doença de Parkinson

Os fármacos atualmente disponíveis oferecem alívio temporário dos sintomas da doença, mas não interrompem nem revertem a degeneração neuronal causada por ela.

Principais medicamentos para a Doença de Parkinson

DROGA (PRINCÍPIO ATIVO)

NOME COMERCIAL®

MECANISMO DE AÇÃO

LEVODOPA OU L-DOPA

SINEMET/CRONOMET/´PROLOPA

PRECURSORA DA DOPAMINA

BROMOCRIPTINA

PARLODEL/BAGREN

AGONISTA DOPAMINÉRGICO

LISURIDE

DOPERGIN

AGONISTA DOPAMINÉRGICO

PRAMIPEXOL

MIRAPEX

AGONISTA DOPAMINÉRGICO

PRAMIPEXOL

SIFROL

AGONISTA DOPAMINÉRGICO

PERGOLIDA

CELANCE

AGONISTA DOPAMINÉRGICO

BIPERIDENO

AKINETON

ANTICOLINÉRGICO

TRIHEXIFENIDIL

ARTANE

ANTICOLINÉRGICO

AMANTADINA

MANTIDAN

DOPAMINA ENDÓGENA

SELEGILINA/L-DEPRENIL

NIAR -DEPRILAN -JUMEXIL - ELEPRIL

INIBIDOR DA MAO-B (*)

TOLCAPONE

TASMAR

INIBIDOR DA COMT(**)

ENTACAPONE

COMTAN

INIBIDOR DA COMT(**)

(*) MAO-B = monoamino-oxidase B - (**) COMT-catecol-O-metil-transferase

Levodopa (L-dopa) e carbidopa

A levodopa é um precursor metabólico da dopamina. Este fármaco restaura os níveis de dopamina nos centros extrapiramidais (substância negra) que se atrofiam no parkinsonismo. Em pacientes no início da doença, o número de neurônios dopaminérgicos residuais na substância negra (tipicamente cerca de 20% do normal) é adequado para a conversão da levodopa a dopamina. Assim, nos pacientes novos a resposta terapêutica a levodopa é consistente e eles raramente se queixam de que os efeitos do fármaco "desaparecem".

Infelizmente, com o passar do tempo o número de neurônios decai e passa a haver menos células capazes de captar a levodopa exógena e convertê-la à dopamina para armazenagem e liberação posteriores. Conseqüentemente, aparecem variações do controle motor. A melhora proporcionada pela levodopa é apenas sintomática e perdura somente enquanto a droga está presente no organismo.

Mecanismo de ação

a. Levodopa: Como o parkinsonismo é o resultado de insuficiência de dopamina em regiões específicas do cérebro, as tentativas feitas são no sentido de repor a dopamina faltante. Ela própria não atravessa a barreira sangue-cérebro, mas seu precursor imediato, a levodopa, é facilmente transportada para o SNC, sendo convertida a dopamina no cérebro. São necessárias doses altas de levodopa, pois grande parte e descarboxilada a dopamina na periferia, ocasionando efeitos periféricos adversos (náuseas, vômitos, arritmias cardíacas, hipotensão).

b. Carbidopa: Os efeitos da levodopa no SNC podem ser muito aumentados pela administração concomitante de carbidopa, um fármaco inibidor da dopamina-descarboxilase que não atravessa a barreira hemato-encefálica. A carbidopa diminui o metabolismo da levodopa no trato gastrintestinal e nos tecidos periféricos; deste modo, aumenta a disponibilidade da levodopa no SNC. A utilização da carbidopa diminui em 4 a 5 vezes a dose de levodopa necessária e, conseqüentemente, diminui a gravidade dos efeitos adversos da dopamina formada na periferia.

Ações

A levodopa diminui a rigidez, os tremores e outros sintomas do parkinsonismo.

Usos terapêuticos

A levodopa, em associação com a carbidopa, constitui regime medicamentoso potente e eficaz atualmente disponível para o tratamento da doença de Parkinson. Em aproximadamente dois terços dos pacientes com doença de Parkinson, o tratamento com levodopa/carbidopa reduz substancialmente a gravidade da doença durante os primeiros anos de tratamento.

Normalmente entre o terceiro e o quinto ano de terapia os pacientes sentem que a resposta terapêutica diminui.

 Bromocriptina

A bromocriptina é derivada da ergotamina (um alcalóide com ação vasoconstritora) e agonista de receptores dopaminérgicos. Este fármaco produz discreta resposta em pacientes que não reagem a levodopa, mas é freqüentemente empregado quando associado a ela em pacientes responsivos. A dose é gradativamente aumentada durante um período de 2 a 3 meses. Os efeitos adversos limitam bastante a utilidade dos agonistas dopaminérgicos. As ações da bromocriptina são semelhantes às da levodopa, exceto que alucinações, confusão, delírio, náusea e hipotensão ortostática são mais comuns, enquanto discinesia é menos evidente. Em doentes psiquiátricos, a bromocriptina faz com que a condição mental piore. Podem desenvolver-se problemas cardíacos graves, particularmente em pacientes com histórico de infarto do miocárdio. Em pacientes com doença vascular periférica, ocorre piora do vasoespasmo; nos pacientes com úlcera péptica, há piora do quadro ulceroso.

Amantadina

Foi acidentalmente descoberto que a droga antiviral amantadina, eficaz no tratamento da influenza, possui ação antiparkinsoniana. Ao que parece, este fármaco aumenta a síntese, a liberação ou a recaptura de dopamina pelos neurônios remanescentes. [Nota: Se a liberação de dopamina já alcançou o máximo, a amantadina não tem efeito.] A droga pode causar inquietação, agitação, confusão e alucinações; em altas doses pode provocar psicose tóxica aguda. Podem ocorrer também hipotensão ortostática, retenção urinária, edema periférico e secura de boca. A amantadina é menos eficaz do que a levodopa, e a tolerância desenvolve-se mais rapidamente, porém provoca menos efeitos adversos. A droga tem pouco efeito sobre o tremor, mas é mais eficaz do que os anticolinérgicos contra a rigidez e a bradicinesia.

Deprenil

O deprenil, também denominado selegilina, inibe seletivamente a monoaminoxidase B (que metaboliza a dopamina), mas não a monoaminoxidase A (que metaboliza a noradrenalina e a serotonina).

Diminuindo deste modo a metabolização da dopamina, o deprenil mostrou aumentar os níveis de dopamina no cérebro. Assim, este fármaco aumenta as ações da levodopa e, quando são administrados concomitantemente, o deprenil reduz de forma substancial a dose necessária de levodopa. Diferentemente dos inibidores da MAO não-seletivos, o deprenil nas doses recomendadas apresenta pequeno potencial de causar crises hipertensivas. Entretanto, se o deprenil é administrado em doses altas, a seletividade é perdida, e o paciente fica exposto a risco de grave hipertensão. Dados recentes sugerem que o uso precoce de deprenil pode efetivamente postergar o advento dos sintomas graves em até 50%, possivelmente reduzindo a formação de radicais livres.

 Agentes antimuscarínicos

Os agentes antimuscarínicos são muito menos eficazes do que a levodopa, desempenhando papel apenas coadjuvante na terapia antiparkinsoniana. As ações da benztropina, do trihexafenidil e do biperiden são semelhantes, embora cada paciente possa responder mais favoravelmente a um determinado fármaco. Todos os fármacos podem induzir alterações de humor e causar xerostomia (secura da boca) e problemas de visão, tal como qualquer bloqueador muscarínico. Interferem com o peristaltismo gastrintestinal e não podem ser usados em pacientes com glaucoma, hipertrofia prostática ou estenose do piloro. O bloqueio da transmissão colinérgica causa efeitos similares ao aumento da transmissão dopaminérgica (mais uma vez, por causa da criação de um desbalanço da relação dopamina/acetilcolina). Os efeitos adversos são semelhantes aos causados por doses altas de atropina, por exemplo, dilatação pupilar, confusão, alucinações, retenção urinária e boca seca.

ALZHEIMER

Definição

A doença de Alzheimer é uma doença que provoca deficiência cognitiva, afetando principalmente a memória necessária para reter novas informações. À medida que a doença evolui, várias outras funções cognitivas, como orientação, linguagem, julgamento, função social e habilidade de realizar tarefas motoras também declinam. Essa doença esta fortemente associada à idade, sendo bastante incomum antes dos 50 anos, mas podendo afetar metade das pessoas na faixa dos noventa anos. Ainda não foi encontrada uma cura, mas existem várias formas de tratamento que podem amenizar os sintomas de DA (doença de Alzheimer).

Desde a descoberta da DA por Alois Alzheimer, surgiram muitas dúvidas e confusões sobre a relação dessa doença com o envelhecimento normal, uma vez que alterações microscópicas observadas no cérebro de pacientes com doença de Alzheimer também se encontram em cérebros de pessoas idosas sadias. A diferença está na quantidade e distribuição dessas alterações.

A senilidade é a deterioração das funções físicas e mentais resultantes da idade avançada, não tendo necessariamente relação com a DA.

Demência é um termo médico utilizado para denominar disfunções cognitivas globais, podendo ocorrer em várias doenças diferentes, como doenças cerebrovasculares (AVCs), alcoolismo, AIDS, doença de Parkinson e doença de Alzheimer. Contudo, a DA é a causa mais comum de demência no mundo todo.

Não se deve confundir distúrbios causados pelo envelhecimento normal com distúrbios causados pela demência, erro muito comumente cometido. Algumas alterações de memória e outras funções cognitivas são comuns em idosos sadios. Na demência, há um declínio cognitivo que resulta na perda da função (habilidade de administrar as responsabilidades em casa e no trabalho, nas atividades sociais ou nas atividades do dia-a-dia). A perda de memória sempre ocorre na demência, mas não é suficiente para o diagnóstico desta, sendo necessário o declínio de pelo menos uma outra área da função cognitiva.

Fatores de Risco

Uma série de fatores parece aumentar a probabilidade de um indivíduo desenvolver doença de Alzheimer. A maioria desses fatores parece estar fora de controle do indivíduo.

- Idade;

- Hereditariedade de certos genes;

- Exposição aMetais: o alumínio e o zinco têm sido associados às alterações do tecido cerebral que ocorrem na doença de Alzheimer. Porém não há evidências diretas que liguem a exposição física a esses metais com a doença.

 

Sintomas

Os pacientes com Doença de Alzheimer têm dificuldade com o pensamento (cognição), com os padrões de comportamento e com a rotina diária. Cognição inclui memória, orientação, linguagem, julgamento e resolução de problemas. Os padrões de comportamento abrangem a personalidade, o humor, o nível de atividade e as percepções do ambiente. A rotina diária refere-se à capacidade de trabalhar, cuidar das necessidades pessoais e da casa, e participar da comunidade. À medida que a doença evolui, o indivíduo afetado depara-se com mais e mais desafios nessas áreas.

Geralmente, a Doença de Alzheimer se divide em três estágios: leve, moderado e grave. Cada estágio pode durar alguns anos.

Estágio Leve

- Esquecimento de eventos recentes;

- Comprometimento do aprendizado de novas informações;

- Relações de tempo levemente alteradas;

- Orientação espacial prejudicada fora do ambiente familiar;

- Dificuldade em realizar tarefas complexas;

- Necessidade de ser lembrado sobre os cuidados pessoais e higiene.

Estágio Moderado

- Esquecimento eventual do nome e identidade de familiares e amigos;

- Dificuldades com a noção de tempo;

- Desorientação espacial dentro de casa;

- Dificuldade em encontrar a palavra certa e em nomear objetos;

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