64 orientação nutricional

64 orientação nutricional

(Parte 2 de 3)

Tabela 1- Distribuição dos atletas atendidos de acordo com a modalidade e faixa etária (ambos os gêneros).

Modalidades

Crianças

Adolescentes Adultos

(<30 anos)

Adultos (>31 anos) Total

Triatlo - - 12 - 12

Judô - - 20 - 20

Corrida - - 3 - 3

Natação 15 25 20 28 8

Pólo Aquático - - 15 - 15

Futebol - 56 - - 56

Total 15 81 100 28 224

A partir das respostas aos questionários e formulários observamos que 54% (<30 anos) e 95% (>30 anos) dos atletas além da prática da modalidade esportiva, estuda e/ou trabalha cerca de seis horas por dia. Quando questionados sobre qual profissional oferecia orientação nutricional, somente 15% respondeu que já recebia orientação de nutricionistas, porém no momento da consulta estava sem acompanhamento nutricional em função do afastamento do profissional do clube e/ou federação. Todos os atletas e acompanhantes informaram ter conhecimento sobre a influência da alimentação correta no bom desempenho, no entanto acham difícil obter tais informações de nutricionistas.

Estes resultados mostram a importância do desenvolvimento de estratégias que valorizem o atendimento nutricional à atletas.

Composição corporal

A maior parte (80%) dos atletas atendidos buscava a redução da massa corporal adiposa e aumento da massa corporal magra. Embora, poucos (15%) apresentassem real necessidade de redução de massa corporal total. Neste momento foi importante o esclarecimento de que a gordura corporal, dentro dos limites para cada modalidade, exerce papel fundamental no desempenho do atleta e na manutenção da saúde. Por exemplo, os atletas ligados aos esportes aquáticos, necessitam de massa corporal gorda para lhes garantir a flutuação e para a manutenção da qualidade da constituição das membranas celulares, principalmente dos eritrócitos (KOURY, 2004). Através de estratégias educativas, conseguimos mostrar que esta idéia não era adequada para a manutenção da saúde ou melhora do desempenho físico.

Grau de hidratação

A análise da bioimpedância elétrica (BIA) é um método rápido, de relativo baixo custo e não invasivo, capaz de estimar a água corporal total. Esta estimativa pode ser aplicada para monitorar o estado de hidratação bem como manter a saúde e o desempenho.

No presente projeto, os resultados da BIA demonstraram que aproximadamente 47% dos atletas apresentavam diferentes graus de desidratação. Para corrigirmos os erros detectados, durante a orientação dietética individual, iniciamos um trabalho de conscientização sobre a importância da ingestão hídrica para o bom desempenho físico e manutenção da saúde. Salientamos junto aos atletas e seus pares a importância do consumo de bebidas durante os treinos e competições, principalmente em dias quentes e secos.

História dietética

A análise da história dietética revelou que cerca de 85% dos atletas, possuíam erros alimentares, principalmente, em relação ao excesso de ingestão de proteína; reduzida ingestão de carboidratos, lipídeos (principalmente dos ácidos graxos polinsaturados) e dos minerais cálcio e ferro. Durante as consultas de orientação nutricional salientamos:- a importância do consumo de todos os grupos de alimentos para obtenção de todos os nutrientes diariamente, - que não existe um nutriente com maior destaque do que outro, - e que todos os nutrientes desenvolvem suas funções de forma integrada, caso um nutriente for consumido em quantidade maior do que outro pode causar desequilíbrio na homeostasia e prejuízos no desempenho físico.

No presente estudo, cerca de 40% dos atletas que apresentavam erros na ingestão diária de minerais eram adolescentes e crianças. A baixa ingestão de cálcio (<1.200 mg/dia) entre os adolescentes pode trazer prejuízos à saúde óssea, já que durante este período ocorre aumento da retenção de cálcio para formação óssea, sendo um momento crítico para mineralização quando cerca de 90% da massa óssea é incorporada. O consumo inadequado de alimentos fonte de ferro, tem sido associado à anemia ferropriva. Atualmente, a avaliação da prevalência de anemia em adolescentes tem despertado o interesse dos pesquisadores devido às peculiaridades de intenso crescimento e desenvolvimento nesta faixa etária, a dieta pobre em ferro associada a longo período de crescimento compensatório, pode comprometer as reservas desse micronutriente.

Elaboração de material educativo

A distribuição de cartilhas (250 unidades impressas) e folhetos (500 unidades impressas) educativos para todos os participantes do projeto foi utilizada como estratégia de fixação dos conceitos sobre alimentação. Esta estratégia gerou bons resultados para que ocorresse aderência a orientação dietética e fossem fornecidas informações sobre nutrição aos seus acompanhantes. Além dos participantes do estudo, o material educativo também foi distribuído durante a 8a Mostra de Extensão da UERJ em 2004.

Exames laboratoriais

Os resultados dos exames laboratoriais mostraram que 56% dos atletas apresentavam quadro alérgico ou de parasitose intestinal (eosinofilia >6%). Cerca de 47% apresentava anemia microcítica e hipocrômica, possivelmente devido a parasitose intestinal e/ou erro alimentar. Foi possível minimizar este resultado com o uso de vermífugos e orientação nutricional para melhorar a biodisponibilidade do ferro dietético.

Produtos gerados a partir do desenvolvimento do projeto A qualidade e a importância dos dados levantados pelo presente projeto propiciou a elaboração de diversos produtos técnicos e científicos entre eles, monografias, dissertações e teses, além de participações em reuniões científicas no Brasil e no exterior (Tabela 2).

Tabela 2- Número de produtos elaborados a partir do levantamento de dados do presente projeto de extensão

Número de produtos

Produtos Em andamento Concluídos

Monografias

(Especialização) - 04

Dissertações

(Mestrado) 01 01

Teses

(Doutorado) 03 01

Artigos publicados Encontros científicos Reuniões de extensão

Conclusões

• Através da metodologia adotada e da seriedade com que é conduzido o presente projeto, os resultados obtidos nos permitem afirmar que o grupo de atletas atendidos obteve melhora no seu estado nutricional, os acompanhantes passaram a ter mais atenção e cuidados com a a própria alimentação e não somente com a do atleta. Foram “desmistificados” vários pontos sobre nutrição e desempenho e, principalmente, os atletas se tornaram independentes quanto a busca de alimentos corretos de acordo com os períodos pré, durante e pós competição e/ou treinos.

• Os alunos que participaram do projeto, após término do período de envolvimento com o mesmo, demonstraram maior autonomia e iniciativa na busca da solução de problemas. O interesse pela área de nutrição esportiva conduziu os alunos à cursos de pósgraduação.

• A distribuição de cartilhas e panfletos foi fundamental, como instrumento de sedimentação dos conhecimentos em nutrição para todos os envolvidos com o projeto, além de permitirem aos alunos que desenvolvessem técnicas de elaboração de material educativo.

• Há necessidade crescente de estratégias que insira as orientações nutricionais, realizados por nutricionistas qualificados, para atletas competitivos já que estes possuem necessidades nutricionais especiais visando garantir não só a vitória no presente mas a saúde no futuro.

Referências

COMITE OLIMPICO INTERNACIONAL. Sydney 2000: Games of the XXVII Olympiad [online]. Disponível em <http://w.olympic.org.> Acesso em 29 de março de 2005.

DIÁRIO OFICIAL DA UNIÃO. (Republica Federativa do Brasil). Portaria n° 2, de 24 de março de 1998. Regulamento técnico para fixação de identidade e qualidade de alimentos para praticantes de atividade física. Brasília, 231-237p.

DIRETRIZ DA SOCIEDADE BRASILEIRA DE MEDICINA DO ESPORTE. Modificações dietéticas, reposição hídrica, suplementos alimentares e drogas: comprovação de ação ergogênica e potenciais riscos para a saúde. Revista Brasileira de Medicina do Esporte. n.2, p.43-56, 2003.

FELTZ, DL & EWING, ME. Psychological characteristics of elite young athletes. Medicine & Science in Sports & Exercise. n.19, p.598-605, 1987

FORUM NACIONAL DE PRÓ-REITORES DE EXTENSÃO DAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS BRASILEIRAS: PLANO NACIONAL DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA, maio 2000

JUZWIAK CR, ANCONA-LOPEZ F. Evaluation of nutrition knowledge and dietary recommendations by coaches of adolescent Brazilian athletes International Journal Sport Nutrition and Exercise & Metabolism. n.14, p.2-235, 2004.

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