REGENERAÇÃO NATURAL DE PINHO-CUIABANO (Schizolobium amazonicum)

REGENERAÇÃO NATURAL DE PINHO-CUIABANO (Schizolobium amazonicum)

5° Simpósio de Pós-Graduação em Ciências Florestais Brasília, 14 – 16 de agosto de 2008

REGENERAÇÃO NATURAL DE PINHO-CUIABANO (Schizolobium amazonicum Huber ex Ducke) APÓS SISTEMAS DE DESMATAMENTOS DIFERENCIADOS

Rubens Marques Rondon Neto – rubensrondon@yahoo.com.br Prof. Dr. da UNEMAT – Universidade do Estado de Mato Grosso – Campus Alta Floresta e UFMT – Universidade Federal de Mato Grosso - Programa de Pós-graduação em Ciências Florestais e Ambientais. Rodovia MT 208, s/n, Jardim Tropical, 78580-0, Alta Floresta/MT Aparecida Scatambuli Sicuto Engenheira Florestal graduada pela Universidade Estadual do Mato Grosso. Marcos Antônio Camargo Ferreira – macfloresta@gmail.com

Engenheiro Florestal, Doutorando em Ciências Florestais, UnB. Pós Graduação em Ciências Florestais. SAIN L4 LOTE4, Edifício Sede do Ibama, 70818-9000 – Brasília - DF

Resumo: O presente trabalho teve como objetivo avaliar a regeneração natural e o banco de sementes de Schizolobium amazonicum em ambientes recém-desmatados de forma diferenciada. O estudo foi feito em duas áreas originalmente cobertas por floresta primária desmatada seguida de uma queima de toda a área (Área I) e área desmatada e queima apenas das leiras (Área I), no município de Carlinda/MT. Foram inventariadas 10 parcelas de 2 x 6 m em cada área, a fim de avaliar a densidade de indivíduos de Schizolobium amazonicum. O banco de sementes foi coletado em parcelas de 0,5 x 0,5 m instaladas no centro das parcelas utilizadas no levantamento dos indivíduos regenerados. A regeneração natural de Schizolobium amazonicum foi maior na área I quando comparada com a área I.

Palavras-chave: Schizolobium amazonicum, paricá, pinho-cuiabano, regeneração natural.

Natural regeneration of pino-cuiabano (Schizolobium amazonicum Huber ex Ducke) after differentiated deforestation

Abstract: This study aimed to evaluate the natural regeneration and the seeds bank of Schizolobium amazonicum in environments newly deforestation in different ways. The study was done in two areas originally covered by primary forest deforested followed by a burning of the whole area (Area I) and deforested area and burning only the tracks (Area I), in the municipality of Carlinda/MT. We sampled 10 plots of 2 x 6 m in each area to assess the density of individuals from Schizolobium amazonicum. The bank seed was collected in plots of 0.5 x 0.5 m, installed in the center of the plots used in the survey of individuals regenerated. The natural regeneration of Schizolobium amazonicum was bigger in area I when compared with the area I.

Key words: Schizolobium amazonicum, paricá, pinho-cuiabano, natural regeneration.

1 INTRODUÇÃO

O pinho-cuiabano ou paricá (Schizolobium amazonicum Huber ex Ducke) é uma espécie florestal da família Fabaceae, com ocorrência natural nas clareiras de florestas primárias e nas vegetações secundárias de terra firme da Bacia Amazônica. A sua madeira é muito utilizada para a produção de laminados e fabricação de compensados (Leão, 1990). Também apresenta potencial para a recuperação de áreas degradadas e na composição de sistemas agroflorestais.

Trata-se de uma espécie classificada quanto ao grupo ecológico como pioneira, que geralmente apresenta tolerância ao fogo e conseqüentemente ocorre à quebra de dormência das sementes, muitas vezes formando florestas puras (Marques, 1990). É uma espécie que se adapta à maioria dos solos, podendo formar maciços florestais com dominância monoespecífica.

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De acordo com Hawley & Smith (1982) a regeneração natural após o corte raso da floresta depende da distribuição de uma quantidade de sementes sobre a área, existência de condições favoráveis para germinação e estabelecimento das plântulas. A facilidade de Schizolobium amazonicum se regenerar naturalmente a partir de sementes em locais de ocorrência natural, sugere a exploração desse potencial, a fim de estabelecer povoamentos florestais a partir de técnicas simples e a baixo custo.

Dessa forma, o presente trabalho teve como objetivo avaliar a regeneração natural e o banco de sementes de Schizolobium amazonicum em ambientes recém-desmatados de forma diferenciada.

2 METODOLOGIA

2.1 Área de estudo

O presente trabalho foi realizado em duas áreas originalmente cobertas por Floresta

Ombrófila Aberta primária, desmatadas de forma diferenciada no mês de abril de 2003 para formação de pastagens com braquiarão (Brachiaria brizantha). Ambas as áreas situam-se uma ao lado da outra no município de Carlinda – extremo norte do Estado de Mato Grosso, na coordenada geográfica 09º53”50”S e 56º05’38”W e a 255 m de altitude. Juntas essas áreas de estudo somam cerca de 12 ha.

A primeira área foi desmatada com motoserra seguido de uma queima de toda a área

(Área I). Na segunda área a derrubada das árvores foi feita do mesmo modo que na Área I, no entanto, o material lenhoso foi enleirado e apenas as leiras foram queimadas (Área I). Os remanescentes florestais mais próximos dessas áreas de estudo se encontram a aproximadamente 400 m de distância.

Segundo a classificação de Köppen, a região apresenta clima tipo Awi, sendo tropical chuvoso com estação seca nítida de dois meses. A temperatura média anual varia entre 20°C e 38°C, tendo média de 26°C. A precipitação pluviométrica é elevada, estando entre 2.500 a 2.750 m, com intensidade máxima em janeiro, fevereiro e março (FERREIRA, 2001).

O solo da região é classificado como Podzólico Vermelho Amarelo Distrófico a

Moderado, de textura média com cascalho/argilosa e relevo suave ondulado (MOREIRA, 2007). Segundo Ferreira (1997), o relevo apresenta Depressão Interplanáltica da Amazônia Meridional e a região encontra-se inserida na Grande Bacia Amazônica.

2.2 Amostragem dos indivíduos regenerantes e banco de sementes

Depois de 24 meses de feito os desmates das áreas I e I foi realizado o levantamento de todos os indivíduos de Schizolobium amazonicum com altura superior a 10 cm, utilizando-se para cada área 10 parcelas de 2 x 6 m (12 m2), distribuídas de forma sistemática e eqüidistantes 10 m uma da outra. Os indivíduos amostrados tiveram sua altura total e diâmetro à altura do solo (DAS), medidos com vara graduada e paquímetro, respectivamente.

Nas áreas I e I foram realizadas as coletas do banco de sementes com o uso de uma moldura de madeira de 0,5 x 0,5 m (0,25 m2), amostradas na região central das parcelas utilizadas para levantar a regeneração de Schizolobium amazonicum. A serrapilheira e o solo até a profundidade de aproximadamente 7 cm foram coletadas e acondicionados separadamente em sacos plásticos identificados. Posteriormente, esse material foi seco e peneirado em peneira de malha 20, a fim de separar e contar as sementes de Schizolobium amazonicum.

Os dados obtidos foram submetidos à análise de variância e teste de Tukey a 5% de probabilidade, analisados no programa SISVAR.

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3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

As respectivas alturas médias dos indivíduos de Schizolobium amazonicum nas áreas I e I foram de 3,1 e 2,8 m, com valores mínimos e máximos de 1,7 – 5,2 m e 1,7 – 3,8 m. Cerca de 60,0% e 52,4% dos indivíduos apresentaram alturas entre 3,01 – 4,0 m nas áreas I e I, respectivamente (Figura 1A). Nas áreas I e I cerca de 82,8% e 84,3% dos indivíduos regenerados tinham DAS entre 2,01 – 4 cm, respectivamente (Figura 1B). Portanto, verificase que mais da metade da população amostrada tiveram altura total e DAS semelhantes, indicando semelhanças entre os locais. Tal situação se deve ao fato que os locais das leiras queimadas na área I é onde houve a maior porção de indivíduos regenerados, sendo semelhante a área I que foi totalmente queimada.

Figura 1 – Distribuição dos indivíduos de Schizolobium amazonicum por classe de altura (A) e classe de diâmetro a altura do solo (DAS) (B), regenerados em área desmatada seguido de queima total (Área I) e área desmatada com as leiras queimadas (Área I).

Nas áreas I e I foram amostradas no total 03 e 27 sementes, dando densidades de 250 e 2.500 sementes/ha, respectivamente, apresentando diferenças estatísticas ao nível de 5% de probabilidade pelo teste de Tukey. A baixa quantidade de sementes presentes no banco de sementes da área I, associada à maior densidade de indivíduos regenerados, leva a acreditar que a queima da área total tenha provocado a superação da dormência tegumentar das sementes contidas no banco de sementes.

Tal explicação supracitada confere com os relatos de Braccini e Oliveira Júnior (2002), em que a impermeabilidade do tegumento é o fator que caracteriza a dormência das sementes de Schizolobium amazonicum, a qual pode ser quebrada pelo fogo, imersão em água quente a 80 oC ou escarificação mecânica. Foram inventariados 70 e 51 indivíduos de Schizolobium amazonicum nas áreas I e I, com densidades de indivíduos estimadas em 0,58 e 0,42 indivíduos/m2 ou 5.800 e 4.200 indivíduos/ha, respectivamente, diferindo estatisticamente pelo teste de Tukey ao nível de 5% de probabilidade.

Acredita-se que as densidades de indivíduos nas duas áreas estudadas são suficientes para o estabelecimento de povoamentos florestais com domínio de Schizolobium amazonicum, possivelmente necessitando de desbastes posteriores. No entanto, na área I a distribuição espacial dos indivíduos ocorreu em toda a área, diferentemente da área I em que a regeneração se concentrou basicamente nos locais das leiras queimadas.

4 CONCLUSÕES

A regeneração natural de Schizolobium amazonicum foi maior na área desmatada seguida da queima total da área total quando comparada com a área desmatada e somente as leiras queimadas. A queimada total da área desmatada induziu a regeneração natural de

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Schizolobium amazonicum, com o estabelecimento de uma densidade de indivíduos satisfatória para a formação de povoamentos florestais.

Braccini, A.L.E.; Oliveira Júnior, R.S. Banco de sementes da flora infestante no solo e sua importância no manejo de invasoras e nos estudos de tecnologia de sementes. Informativo ABRATES. v.12,

Ferreira, J.C.V. Mato Grosso e seus municípios. Cuiabá, MT: Secretaria de Estado de Educação de Cuiabá, 1997. 668p.

Ferreira, J.C.V. Mato Grosso e seus Municípios. Cuiabá - MT: Secretaria de Estado da Educação, 2001. 365p.

Hawley, R.C.; Smith, D.M. Silvicultura pratica. Barcelona: Ediciones Omega. 1982. 544p.

Leão, N.V.M. Disseminação de sementes e distribuição espacial de espécies arbóreas na Floresta Nacional do Tapajós, Santarém – Pará. 1990. Dissertação (Mestrado em Ciência Florestal), Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz/Universidade de São Paulo. Piracicaba/SP. 129p.

Marques, C.L.T. Comportamento inicial de paricá, tatajuba e eucalipto em plantio consorciado com milho e capim-marandu, em Paragominas, Pará. 1990. Dissertação (Mestrado em Ciência Florestal), Universidade Federal de Viçosa. Viçosa/MG. 92p.

Moreira, M.L.C; Vasconcelos, T.N.N. Mato Grosso: solos e paisagens. Secretaria de planejamento e coordenação geral, SEPLAN-MT. Cuiabá-MT, 2007, 272p.

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