A História da Estética

A História da Estética

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Os pós-brancos invadem os decotes e as costas, pois a mulher deve possuir uma pele de porcelana. Para tal, é utilizada uma pasta chamada “la blanquette”, feita com pó de arroz e talco e umas gotas de tintura de benjoim, pasta que provoca uma obstrução completa dos poros.

Os banhos no mar começam também a divulgar-se, recomendados pelos médicos, no entanto, as mulheres entravam na água completamente cobertas, com botas altas, calças compridas, casacos de manga comprida, toucas na cabeça com abas para as orelhas, etc, isto para continuarem brancas.

Surgem também nesta época os cremes com garantia industrial. O primeiro foi o “Creme Simon”, para proteger a pele, que era uma espécie de creme nutritivo que todas as mulheres aplicavam. Em seguida surgiram os “leites de beleza”, mantiveram-se as loções e os óleos orientais entraram também em moda.

O “khol” era utilizado para escurecer os olhos acentuando, desta forma, a profundidade do olhar.

Em meados do século XIX, teve início a maquiagem moderna. Nesta época aparece pela primeira vez o que viria a ser futuramente o baton (precisamente em 1880), que era uma pomada composta por manteiga fresca, cera de abelha, raízes de um corante natural e cachos de uvas negras sem polpa, que davam cor, sem provocar efeitos secundários.

Em 1880, a maquiagem reconquistou as mulheres e nascia a moderna indústria de cosméticos. Pois com o desenvolvimento da química orgânica, começa-se a desvendar a composição química dos óleos e dos extractos naturais. Como resultado destas pesquisas, a indústria de perfumes passou de 500 a mais de 1000 fragrâncias sintetizadas. No final do século XIX, estava consolidada no mercado internacional a cosmética como um dos maiores e mais lucrativos negócios. Nascia, assim, a poderosa indústria de cosméticos que conhecemos até hoje, também muito influenciada pelos novos hábitos higiénicos, pela publicidade, pelo desenvolvimento dos meios de transporte, entre outros.

É também nesta altura, que se tornam famosos os banhos de morangos da elegante Madame Tallien, pois tinha a extravagância de banhar-se em sumo de morangos frescos, extraído das 20 caixas que traziam para ela.

Estudos médicos provaram que a maior causa da morte nos doentes, estava relacionada com infecções provocadas por falta de higiene dos médicos, que não lavavam as mãos antes de verem e tratarem os doentes. Passaram, então, a ser obrigados a desinfectar sempre as mãos.

Médicos famosos, como o Dr. Caron, tiveram uma grande importância na história da higienização, recomendando o banho como um meio indispensável para a higiene e cuidado do corpo. É adoptando estes hábitos higiénicos, que surge o interesse pelos cuidados do corpo, vindo a aumentar ao longo do século. E são estes conceitos de higiene, tão fundamentais no dia-a-dia de uma esteticista que recorre sempre a: utensílios descartáveis, desinfectantes e equipamentos de esterilização.

O primeiro Instituto de Beleza do mundo, surge em Paris, no ano de 1880 fundado por Madame Lucas, oferecendo para além dos serviços cosméticos, uma grande diversidade de técnicas: massagens, cirurgia estética e dietética.

Desta forma, podemos constatar que os cuidados pessoais e a preocupação com a aparência, foram modificando ao longo dos tempos, atendendo ao evoluir das civilizações, ao ideal de belo e consequentes modas.

Século XX

O Século XX pode ser considerado como um período de virada em toda a história, grandes avanços, mudanças, conquistas marcaram e foram alcançados nesta época.

Começa assim a luta das mulheres pela sua afirmação numa sociedade que as oprimia, foi assim denominada.

Enquanto os homens eram absorvidos pela Primeira Guerra Mundial, lutando nas frentes de batalha, as mulheres conquistavam o seu lugar no mercado do trabalho, mas nunca descuidando da sua feminilidade.

Intimamente ligada à Primeira Guerra Mundial está a “morte” do espartilho, pois as mulheres assumiam trabalhos nos campos, nas cidades e nas fábricas que exigiam espartilhos menores, simples e mais confortáveis. Durante os anos de guerra os espartilhos foram sendo gradualmente substituídos por cintas e seguidamente pelo soutien. No entanto é só com a Segunda Guerra Mundial que os espartilhos desaparecem por completo do quotidiano feminino.

Nesta época destacam-se mulheres como Helena Rubinstein, com o lançamento do primeiro creme produzido industrialmente, o Valese, e a abertura do primeiro salão de beleza do mundo, e Estée Lauder cuja campanha publicitária de “Glamour Luxuriante” levaria à conquista do título de “Rainha Americana dos Cosméticos”.

A célebre frase “A beleza é uma questão de atitude. Não há mulheres feias, apenas mulheres que não se cuidam ou que não acreditam que são atraentes”, proferida inúmeras vezes ao longo dos últimos 55 anos serviu de grande incentivo a muitas mulheres, sendo assim Estée Lauder considerada uma das maiores empresárias do sector da cosmética.

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Já depois de ter acabado a Segunda Guerra Mundial, explodiu uma bomba atómica no atol de Bikini, onde os americanos haviam realizado uma série de testes atómicos. Esta bomba serviu de inspiração ao engenheiro mecânico francês Louis Reard que inventou o biquini, batizando com o nome do Atol de Biquini, no Oceano Pacífico, e tinha como objectivo rebentar com as ideias conservadoras da sociedade, daí o nome “Biquini”, na tentativa de ter o mesmo efeito que a bomba teve no Atol. O lançamento do primeiro Biquini deu-se em Junho de 1946 causando um verdadeiro escândalo, e nenhuma modelo quis participar na sua campanha publicitária á excepção da corajosa stripper Micheline Bernardine, que abraçou este desafio. Já na década dos anos 50, grandes atrizes contribuíram para a divulgação do biquini, nomeadamente a francesa Brigitte Bardot, em 1956 que imortalizou o traje no filme “E Deus criou a Mulher”, ao usar um modelo xadrez Vichy.

A obsessão pelo embelezamento do corpo é uma realidade”.

No cinema era exibida toda a sofisticação das atrizes com uma imagem idealizada. Estas “estrelas” incentivavam o público feminino na procura do seu brilho e na melhoria da sua aparência, imortalizando estilos de maquiagem.

Atrizes como com os seus olhos violeta contornados por khol, a morena Marilyn Monroe, que marcou a época com o seu batom vermelho, olhos com delineador e a pinta de rosto retocada, atraindo e intensificando a sua feminilidade, e a sempre recordada Audrey Hepburn pelos seus lindos olhos realçados com pestanas postiças e leve sombra.

Nos anos 20, foi lançado o batom, sendo os lábios pintados de forma a assemelhante a uma seta do Cupido, com cores fortes para chocar. O visual de eleição era ter o cabelo muito curto, liso à rapaz, carvão à volta dos olhos, sobrancelhas arranjadas e delineadas a lápis e uma pele branca. Também se usavam sinais postiços feitos com lápis.

Paris é palco de uma verdadeira revolução na história do batom. É a primeira vez que um produto desta categoria é embalado num tubo e vendido em cartucho.

A pintura carregada dos olhos, nos anos 30, usada pelas atrizes e estrelas de cinema, teve enorme influência na pintura do dia-a-dia nas primeiras décadas do século. O Ballet Russo Diaghilev, teve também grande efeito na cosmética. A pintura exótica dos olhos das bailarinas fez criar a moda das sombras de cores e douradas, assim como uso de bases.

Nos anos 40, durante a Segunda Guerra Mundial, o fornecimento de pinturas era escasso, pois o petróleo e o álcool usados na sua

produção faziam falta para as necessidades de guerra. Porém, os cosméticos desempenhavam um papel importante para levantar a moral feminina, pelo que muitas mulheres improvisavam com substitutos caseiros. O batom vermelho escuro, que se arranjava no mercado negro, era usado com verniz para as unhas a condizer.

Após a Segunda Guerra Mundial, nos anos 50, houve um retorno do visual mais feminino. Os olhos eram realçados por cortes de cabelo mais curtos e pelo uso exagerado de eyeliner preto na pálpebra superior, que, na forma líquida, era aplicado com pincel, substituindo o lápis. Foi também nesta altura lançada uma grande gama de produtos dirigida ao mercado mais jovem.

Nos anos 60 assiste-se ao culto da juventude, os fabricantes de cosméticos concentraram a sua atenção no consumidor jovem. Inspirados no visual do continente, as raparigas usavam batons rosa-pálido ou brancos e maquilhagem carregada nos olhos. Os cosméticos de aplicação fácil e rápida, como os compactos de pó-de-arroz e as bases em tubo, eram os preferidos.

Na década de 70 as cores da maquiagem tornaram-se populares acompanhando coleções da alta-costura francesa, italiana e inglesa.

A moda e a beleza sempre de braço dado. Cada vez que um grande costureiro lançava uma nova colecção de cores e formas para as roupas, lá vinha um tom de sombra específico para os olhos...uma nova cor para a boca.

Dior, Chanel, Ives Saint Laurent entre outros grandes fabricantes, ousavam e enchiam os olhos das mulheres de todo o mundo com as suas criações cada vez mais tentadoras.

Com o boom da economia dos anos 80, surge um novo tipo jovem, urbano e carreirista, que se reflectiu na moda dos cosméticos, com um visual mais reivindicativo e uma acentuada definição das feições. Os fabricantes realçam a duração dos seus cosméticos e incitavam as mulheres muito ocupadas a voltarem a aplicar a maquilhagem ao longo do dia. É no final da década de 80 que entram em lançamento as fórmulas evoluídas de cosméticos pigmentados.

À beira do novo milénio surgem novas fórmulas baseadas em tecnologias de vanguarda, cujo uso garante propriedades bem interessantes para a nossa beleza, como protecção solar, manutenção e controle do envelhecimento da pele.

Nos anos 90, a era do benefício visível ganha importância vital, ou seja, a sutileza na aplicação da maquiagem é a característica desta época, pois quando aplicada com arte, pode dar impressão de não estar a ser usada. Os nomes dos cosméticos sugerem conter ingredientes clinicamente testados e indicam um afastamento em relação ao glamour do princípio do século e uma tendência para a estética mais pura.

Este Período é também marcado por alguns cosméticos:

  • O creme Nivea, que foi o primeiro hidratante do mundo, em 1911, resultando de uma pesquisa científica que descobriu um ingrediente activo para unir água e óleo;

  • O batom Lancôme, lançado em 1937, veio substituir o Rouge Baiser, um batom duro e seco. Brilho, suavidade e várias cores são as principais qualidades deste incrível batom;

  • O leite de rosas, surgiu em 1929, como uma loção embelezadora para a pele feminina. Até o seu frasco, na época de vidro, lembrava as formas do corpo feminino com “cintura fina”;

  • O sabonete Roger & Gallet, como o primeiro sabonete redondo envolto artesanalmente em papel drapeado;

  • Chanel 5 criado em 1921, o mundo inteiro apaixona-se por esta fragrância de Mademoiselle Coco Chanel;

  • E o Talco Granado, criado em 1903, pelo farmacêutico João Bernardo Coxito irmão de Jorge Coxito, o fundador da casa Granado, o polvilho anti-séptico granado, um talco para os pés, sendo a sua fórmula imbatível até aos dias de hoje.

Conclusão

A Estética surge na Grécia antiga como disciplina da filosofia que estuda as formas de manifestação da beleza natural ou artística.

Platão, filósofo grego, afirma que o belo é uma manifestação do bem, da perfeição e do que é verdadeiro.

Posteriormente, Aristóteles faz já uma distinção entre o bem e o belo. Defende que o belo é uma criação humana e é o resultado de um perfeito equilíbrio entre vários elementos.

A Estética teve desde sempre um papel muito importante ligado à beleza, bem estar, sedução, arte...

Desde o dia em que Eva colheu uma folha para enfeitar a sua nudez, percebeu que a natureza lhe fornecia elementos para a beleza e sedução.

É uma ciência que foi evoluindo ao longo das épocas e por isso hoje temos um vasto conhecimento na área da estética com tratamentos, cremes aparelhos e etc...

Concluindo estética é sim fundamental para o nosso dia-dia,e nossa vida em um todo.

Bibliografia

  • Dermatologia – Guanabara Koogam, Rio de Janeiro 1996 6° edição, Petri

  • História da Estética – Estampa, 1995 , Raynond Bayer

  • A História da Arte – LTC ,1999, Ernst H. Gombrinch

  • Ditadura da Beleza e a Revolução das Mulheres – 2005, Sextante, Augusto Cury

  • Wikipédia

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