Sítio Cirúrgico

Sítio Cirúrgico

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Critérios Nacionais de Infecções relacionadas à assistência à saúde

Gerência Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde

Gerência de Investigação e Prevenção das Infecções e dos Eventos Adversos

Março de 2009 Janeiro de 2009

Agência Nacional de Vigilância Sanitária

Diretor-Presidente Dirceu Raposo de Mello

Diretores Agnelo Santos Queiroz Filho Dirceu Brás Aparecido Barbano José Agenor Álvares da Silva Maria Cecília Martins Brito

Gerente Geral de Tecnologia em Serviços de Saúde Heder Murari Borba

Gerente de Investigação e Prevenção de Infecções e Eventos Adversos Magda Machado de Miranda (substituta)

Equipe técnica Cássio Nascimento Marques Carolina Palhares Lima Fabiana Cristina de Sousa Fernando Casseb Flosi Heiko Thereza Santana Magda Machado de Miranda Suzie Marie Gomes

Agência Nacional de Vigilância Sanitária

Elaboração Antonio Bispo Junior Sociedade Brasileira de Videocirurgia (SOBRACIL)

Carlos Emílio Levy Associação Brasileira dos Profissionais em Controle de

Infecção e Epidemiologia Hospitalar (ABIH) Carolina Palhares Lima Agência Nacional de Vigilância Sanitária

Fabiana Cristina de Sousa Agência Nacional de Vigilância Sanitária Fernando Casseb Flosi Agência Nacional de Vigilância Sanitária George M. Trigueiro Secretaria Estadual de Saúde de Pernambuco (SES/PE)

Gláucia Dias Arriero Associação Brasileira dos Profissionais em Controle de

Infecção e Epidemiologia Hospitalar (ABIH) Heiko Thereza Santana Agência Nacional de Vigilância Sanitária

Jeane A. G. Bronzatti Sociedade Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico (SOBECC) Julival Fagundes Ribeiro Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI)

Lisieux Eyer de Jesus Universidade Federal Fluminense (UFF/RJ)

Hospital dos Servidores do Estado do Rio de Janeiro Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC) Sociedade Brasileira de Cirurgia Pediátrica (CIPE).

Luis Gustavo de O.Cardoso. Universidade de Campinas (Unicamp)

Associação Brasileira dos Profissionais em Controle de Infecção e Epidemiologia Hospitalar (ABIH) Magda M. de Miranda Agência Nacional de Vigilância Sanitária

Marisa Santos Associação Brasileira dos Profissionais em Controle de

Infecção e Epidemiologia Hospitalar (ABIH)

Marise Reis de Freitas Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Associação Brasileira dos Profissionais em Controle de Infecção e Epidemiologia Hospitalar (ABIH)

Mauro Romero Leal Passos Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e

Obstetrícia (FEBRASGO)

Plínio Trabasso Associação Brasileira dos Profissionais em Controle de

Infecção e Epidemiologia Hospitalar (ABIH)

Renato S. Grinbaum Associação Brasileira dos Profissionais em Controle de Infecção e Epidemiologia Hospitalar (ABIH)

Revisão e editoração Edzel Mestrino Ximenes – GIPEA/GGTES/ANVISA

Heiko Thereza Santana - GIPEA/GGTES/ANVISA Jonathan dos Santos Borges – GIPEA/GGTES/ANVISA Suzie Marie Gomes - GIPEA/GGTES/ANVISA

INTRODUÇÃO5
ROTINA7
A. CIRURGIA EM PACIENTE INTERNADO EM SERVIÇO DE SAÚDE7
B. CIRURGIA AMBULATORIAL7
C. CIRURGIA ENDOVASCULAR7
D. CIRURGIA ENDOSCÓPICA COM PENETRAÇÃO DE CAVIDADE7
INTERNADOS E AMBULATORIAIS8
INDICADORES DE RESULTADOS1
CÁLCULOS DE TAXA DE INCIDÊNCIA1
Fórmula para o cálculo:1
ESCOLHA DE PROCEDIMENTOS PARA VIGILÂNCIA12
CIRÚRGICO (PRÉ E INTRA-OPERATÓRIO)13
CIRURGIA ELETIVA COM TEMPO DE INTERNAÇÃO PRÉ OPERATÓRIA ≤ 24H13
TRICOTOMIA COM INTERVALO ≤ 2H13
TRICOTOMIA COM APARADOR OU TESOURA13
ANTIBIOTICOPROFILAXIA REALIZADA ATÉ 1 HORA ANTES DA INCISÃO14
ANTI-SEPSIA DO CAMPO OPERATÓRIO14
DURAÇÃO DA ANTIBIOTICOPROFILAXIA14
OPERATÓRIO IMEDIATO:14
INTRA-OPERATÓRIO:15
INSPEÇÃO DA CAIXA CIRÚRGICA15
INDICADOR DE ESTRUTURA17

Introdução

A Infecção do Sítio Cirúrgico (ISC) é uma das principais infecções relacionadas à assistência à saúde no Brasil, ocupando a terceira posição entre todas as infecções em serviços de saúde e compreendendo 14% a 16% daquelas encontradas em pacientes hospitalizados. Estudo nacional realizado pelo Ministério da Saúde no ano de 1999 encontrou uma taxa de ISC de 1% do total de procedimentos cirúrgicos analisados. Esta taxa atinge maior relevância em razão de fatores relacionados à população atendida e procedimentos realizados nos serviços de saúde.

As definições de procedimento cirúrgico, infecção e indicadores constituem a base que norteia o trabalho das Comissões de Controle de Infecção Hospitalar (CCIH). A utilização de definições para os procedimentos e critérios para diagnosticar uma infecção, de modo harmonizado por todos os serviços de saúde, possibilita selecionar o objeto da vigilância e permite a comparação entre eles. Do contrário, as comissões estarão, muitas vezes, comparando de forma imprópria taxas e referências.

A despeito da homogeneidade destas definições, a interpretação dos indicadores pode ser difícil em razão de vários fatores:

1) Diferenças entre os hospitais e procedimentos, referente ao tempo de observação no período pós-operatório. Pacientes, instituições ou procedimentos que apresentam menor permanência hospitalar tenderão a apresentar cifras de infecção mais baixas devido à subnotificação inevitável e não devido ao menor risco.

2) Diversidade de procedimentos e condições subjacentes. Não é recomendada a comparação de taxas de infecção de procedimentos distintos ou taxas do mesmo procedimento, quando a condição da operação, estado clínico ou presença de fatores de risco dos pacientes varia significativamente.

3) Ausência de ajuste de risco satisfatório. Não existe forma plenamente satisfatória de corrigir os fatores de risco intrínsecos. A avaliação de cirurgias limpas é limitada, uma vez que a condição clínica do paciente não é avaliada. Além disto, muitos procedimentos cirúrgicos importantes no âmbito do controle de infecção não são classificados como limpos.

Indicadores ajustados, mais complexos, que levam em conta diversos fatores predisponentes do paciente são de coleta, cálculo e interpretação difíceis, inviabilizando outras atuações da comissão.

O desempenho destes indicadores não é igual para todos os procedimentos cirúrgicos, uma vez que o conjunto de fatores predisponentes é diferente de acordo com a operação.

Baseado nesses argumentos e nas limitações da comparação de taxas entre hospitais, o grupo de trabalho optou por enfatizar a avaliação de procedimentos específicos, cuja correlação entre indicadores fica menos sujeita às variações relacionadas ao risco intrínseco.

Em complemento aos indicadores de resultado, é necessária a análise de um sistema de indicadores de estrutura e processo. Diversos indicadores são utilizados e muitos instrumentos servem como guia às instituições para que estas estabeleçam padrões de atendimento com alta qualidade.

Este documento tem como objetivos principais sistematizar a vigilância das infecções do sítio cirúrgico e definir indicadores de resultado, processo e estrutura para a prevenção de infecção pós-operatória nos serviços de saúde do Brasil.

Definição de Paciente Cirúrgico Passível de Vigilância Epidemiológica de Rotina

Cirurgia em paciente internado em serviço de saúde

Paciente submetido a um procedimento dentro do centro cirúrgico, que consista em pelo menos uma incisão e uma sutura, em regime de internação superior a 24horas, excluindo-se procedimentos de desbridamento cirúrgico, drenagem, episiotomia e biópsias que não envolvam vísceras ou cavidades.

Cirurgia ambulatorial

Paciente submetido a um procedimento cirúrgico em regime ambulatorial (hospital-dia) ou com permanência no serviço de saúde inferior a 24horas que consista em, pelo menos, uma incisão e uma sutura, excluindo-se procedimentos de desbridamento cirúrgico, drenagem e biópsias que não envolvam vísceras ou cavidades.

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