Manual do Atendimento Pré-Hospitalar CAPÍTULO 2

Manual do Atendimento Pré-Hospitalar CAPÍTULO 2

(Parte 3 de 8)

É composto pelo encéfalo e pela medula espinhal. O encéfalo está contido dentro da cavidade craniana enquanto a medula espinhal está contida dentro do canal medular na coluna vertebral. Todo o sistema nervoso central é envolto por membranas chamadas de meninges e é banhado por um líquido chamado de líquido cefalorraquidiano ou simplesmente líquor.

Fig 2.12 – Meninges cranianas

Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

É o órgão controlador do corpo. É o centro da consciência, responsável por todas nossas atividades corporais voluntárias, pela percepção, pela inteligência. É também o centro das emoções e pensamentos que são característicos dos seres humanos. É composto de três partes principais: o cérebro, o cerebelo e o tronco encefálico.

É a parte mais volumosa do encéfalo. Divide-se em metades direita e esquerda, os hemisférios cerebrais. A porção mais externa do cérebro é chamada de córtex cerebral ou substância cinzenta e contém os corpos dos neurônios. A porção interna do cérebro é chamada de substância branca e contem os prolongamentos dos neurônios conhecidos como axônios. O cérebro é dividido ainda em lobos que levam o mesmo nome dos ossos que os recobrem: Frontal, parietal, temporal e occipital. Existem no cérebro áreas que comandam especificamente cada parte do corpo e áreas responsáveis pelo processamento das sensações. Cada hemisfério cerebral comanda os movimentos voluntários da metade oposta do corpo. Assim uma lesão no hemisfério cerebral direito altera a motricidade do lado esquerdo do corpo e vice-versa. 0 cérebro é o responsável pelas nossas emoções e características que Formam nossa personalidade.

Localizado na região posterior da cavidade craniana logo abaixo do lobo occipital do cérebro. É responsável pelo equilíbrio e pela coordenação dos movimentos do corpo.

5.1.3. Tronco encefálico

É a porção inferior do encéfalo. Se comunica com a medula espinhal, com a qual está em continuidade, através de uma grande abertura na base do crânio chamada de forame magno. No tronco se localizam os centros nervosos que controlam Funções vitais como a respiração, freqüência cardíaca a pressão arterial, além de muitas outras funções corporais básicas. Lesões do tronco encefálico são, portanto, extremamente graves.

5.1.4. Medula Espinhal

E um cilindro achatado que desce pelo interior da coluna vertebral. Sua principal função é fazer a intercomunicação

Fig 2.13 – Vista detalhada da Meninge Aracnóide

Fig 2.14 – Medula espinhal e seu revestimento

Anatomia e Fisiologia entre o encéfalo e o corpo. E composta por agrupamentos de fibras nervosas que levam para o encéfalo as sensações como o tato, dor e as sensações térmicas provindas de todo o organismo e por fibras nervosas que descem do encéfalo conduzindo estímulos nervosos dirigidos aos órgãos efetores como os músculos, por exemplo. Sua secção completa corta toda a comunicação do encéfalo com os segmentos do corpo localizados abaixo do nível da lesão medular, levando tanto a anestesia quanto à paralisia irreversíveis. As secções parciais e contusões produzem quadros clínicos que variam de acordo com os feixes nervosos lesados, podendo ser total ou parcialmente reversíveis. Devido à gravidade das seqüelas físico-psicosociais das lesões raquimedulares é que se enfatiza tanto o cuidado com a imobilização da coluna vertebral do indivíduo traumatizado.

5.2. SISTEMA NERVOSO PERIFÉRICO

O sistema nervoso periférico é composto de 31 pares de nervos que saem da medula espinhal (nervos raquidianos) e 12 pares de nervos que saem do crânio (nervos cranianos).

A cada espaço Intervertebral, desde a primeira vértebra cervical até a quinta sacral, de cada lado da medula espinhal se origina uma raiz nervosa que sai do canal medular através de um orifício chamado de Forame Intervertebral. Os nervos raquidianos apresentam Fibras sensitivas e motoras. As Fibras sensitivas trazem para a medula espinhal os impulsos sensitivos provindos da pele e outros órgãos e as fibras motoras levam os impulsos da medula espinhal para os músculos.

Os nervos cranianos se exteriorizam através de orifícios no crânio e apresentam, além de funções sensitivas e motoras comuns, algumas funções especiais como a transmissão dos impulsos sensitivos dos sentidos da visão, olfação e gustação e dos impulsos motores para os olhos, língua, faringe e laringe. O terceiro par craniano, chamado de nervo oculomotor, merece uma atenção especial no atendimento aos traumatizados. Entre suas funções está a de enervar o músculo esfíncter pupilar do olho. Quando um traumatismo cranioencefálico promove compressões do tronco encefálico capazes de ameaçar o funcionamento dos centros vitais o nervo oculomotor, devido à sua estreita relação anatômica com o tronco, também é comprimido e deixa de inervar o esfíncter pupilar. O relaxamento do músculo produz então uma abertura pupilar anormal, chamada de midríase, que é facilmente perceptível e alerta para a presença de uma lesão intracraniana grave com risco de parada cardíaca e respiratória.

Divisão Funcional: sistema nervoso somático e sistema nervoso autônomo.

Os neurônios pertencentes a ambos os sistemas se encontram tanto no sistema nervoso central quanto no periférico.

Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR

5.2.1. Sistema nervoso somático

Controla as atividades voluntárias do corpo. Informações sensoriais vindas pelos nervos periféricos são processadas no córtex cerebral que envia estímulos aos músculos em resposta.

O sistema nervoso somático é responsável por praticamente todas atividades musculares coordenadas como andar, escrever e comer.

5.2.2. Sistema nervoso autônomo

Também chamado de sistema nervoso vegetativo ou involuntário. Controla as funções vegetativas involuntárias do corpo humano, independentemente da consciência e da vontade. Entre estas funções se encontram a regulação do aparelho cardiovascular, do processo digestivo, da respiração e do funcionamento renal.

O sistema nervoso autônomo exerce sua função reguladora através de dois subsistemas de função antagônica e complementar: o simpático e o parassimpático. O simpático é responsável pela constrição vascular, aumento da freqüência cardíaca e dilatação pupilar, entre muitas outras funções. O parassimpático, por sua vez, é responsável pela vasodilatação, diminuição da freqüência cardíaca e contração pupilar.

5.3. Sistema endócrino

Não faz parte do sistema nervoso, mas também possui uma importante função reguladora. E um sistema formado por vários órgãos chamado de glândulas endócrinas e que produzem substâncias chamadas de hormônios responsáveis pela regulação do metabolismo e de fenômenos como o crescimento e diferenciação sexual. Como quase todas as glândulas pequenas, dificilmente elas são lesadas em traumatismos.

●Hipófise: do tamanho de uma ervilha. Situa-se na base do crânio e regula a atividade de todas as outras glândulas endócrinas.

●Tireóide: situada no pescoço; controla a intensidade do metabolismo.

●Paratireóides: Regulam o metabolismo do cálcio; são diminutas e situam-se atrás da tireóide.

●Adrenais: também chamadas de suprarrenais porque se situam sobre os rins. Produzem vários hormônios que regulam o metabolismo dos carboidratos, lipídeos, proteínas, água, sódio e potássio. Certos hormônios atuam em situações de estresse como a adrenalina e a noradrenalina.

●llhotas de Langerhans: situam-se no pâncreas e produzem a insulina.

●Gônadas: também denominadas glândulas sexuais. São os testículos e ovários e produzem os hormônios responsáveis pela diferenciação sexual.

6. ABDOME e PELVE

O abdome contém os principais órgãos do aparelho digestivo, do aparelho urinário, parte do aparelho reprodutor e endócrino e também grandes vasos arteriais e venosos. A

Anatomia e Fisiologia cavidade abdominal está separada da cavidade torácica pelo músculo diafragma e se continua inferiormente com a cavidade pélvica. A separação entre a cavidade pélvica e a abdominal é um plano imaginário que passa pelo púbis e o sacro. Seus outros limites são os músculos da parede ântero-lateral do abdome, a musculatura dos ilíacos e a coluna vertebral.

A cavidade abdominal é revestida internamente por uma fina membrana, semelhante à pleura, chamada de peritônio. Alguns dos órgãos no abdome estão acoplados diretamente à pare¬de posterior do abdome e apenas a sua superfície anterior é recoberta pelo peritônio, são os órgãos retroperitoneais: os rins, ureteres, a bexiga urinária, o pâncreas, uma parte do duodeno, do cólon e do reto, a aorta e a veia cava inferior.

Os outros órgãos dentro da cavidade abdominal são chamados de intraperitoneais porque são quase que inteiramente revestidos pelo peritônio e são apenas parcialmente fixos à parede posterior do abdome por faixas de tecido que permitem uma mobilidade maior ou menor dentro da cavidade. São órgãos intraperitoneais: Fígado, vesícula biliar, estômago, baço, intestino delgado e parte do cólon.

Entre o peritônio que reveste a parede abdominal internamente (peritônio parietal) e aquele que reveste os órgãos abdominais (peritônio visceral) existe um espaço virtual análogo ao que existe no tórax. Este espaço é chamado de cavidade peritoneal. Normalmente existe uma quantidade mínima de líquido

Fig 2.15 – Principais órgãos retro-peritoneais Fig 2.16 – Principais órgãos intraperitoneais

Manual do Atendimento Pré-Hospitalar – SIATE /CBPR livre na cavidade peritoneal para permitir a movimentação das vísceras sem atrito. Quando há lesões de órgãos intra-abdominais pode haver vazamento de secreções digestivas e sangue para o interior da cavidade peritoneal que é capaz de abrigar vários litros de liquido devido à elasticidade da parede abdominal anterior.

Os órgãos abdominais também podem ser genericamente divididos em vísceras ocas e vísceras parenquimatosas.

As vísceras ocas são pertencentes ao aparelho digestivo, urinário e reprodutor e contém secreções intestinais ou urina no seu interior. As lesões destas vísceras levam ao vazamento de secreções no interior da cavidade peritoneal. As secreções são irritantes para o peritônio e produzem inflamação peritoneal (peritonite) e dor; algumas produzem irritação leve como a urina e outras produzem uma irritação severa como o suco gástrico ácido ou fezes.

As vísceras parenquimatosas (maciças) são bastante vascularizadas e suas lesões produzem sangramentos abundantes. São o fígado, baço, pâncreas e rins.

A pelve está em continuidade com o abdome e sua cavidade, a cavidade pélvica, é delimitada pelos ossos do quadril.

Fig 2.17 – Vísceras ocas abdominais Fig 2.18 – Vísceras parenquimatosas abdominais

Anatomia e Fisiologia

Abriga a bexiga urinária, o reto e Os órgãos internos do aparelho reprodutor feminino. As paredes pélvicas são bastante vascularizadas e são freqüentemente fonte de hemorragias severas.

6.1. Aparelho digestório

(Parte 3 de 8)

Comentários