Educação Profissional Básica para Agentes Indígenas de Saúde Módulo Promovendo a Saúde e Prevenindo Doenças Endêmicas

Educação Profissional Básica para Agentes Indígenas de Saúde Módulo Promovendo a...

(Parte 3 de 4)

3 - Coordene a sistematização da apresentação dos grupos de acordo com as perguntas formuladas. Ressalte as diferenças relativas às características de ciclo vital dos vetores e a evolução do quadro clínico.

4 - Prepare a palestra ou selecione textos sistematizando os conceitos de: modos de transmissão, classificação dos vetores, sinais e sintomas, relação com as alterações ambientais (desmatamento, urbanização, garimpo). Inclua filmes e materiais educativos.

5 - Divida os alunos em grupos. Selecione as doenças provocadas por vetores de maior prevalência nas comunidades (Doença de Chagas, Dengue, Febre Amarela, Leishmaniose Visceral). Cada grupo deverá trabalhar as doenças selecionadas, utilizando o seguinte roteiro: • hospedeiro intermediário (vetor);

• ciclo evolutivo do vetor;

• porta de entrada;

• quadro clínico;

• porta de saída;

• cadeia de transmissão. Forneça o material indicado para a preparação do seminário. Auxilie cada grupo nos trabalhos e estimule formas criativas de apresentação: mímica, teatro, cartazes, música, dança, maquetes, desenhos. Todos os membros dos grupos

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Atividades do alunoOrientações para o instrutor Continuação

6 - Discuta as seguintes questões: • como é feito o diagnóstico das doenças provocadas por vetores na sua comunidade? • como é feito o tratamento destas doenças?

• quais os cuidados necessários no tratamento?

• quais as medidas de prevenção e controle indicadas? • qual o papel do AIS junto à equipe de saúde?

7 - Retome as propostas de solução para os problemas de saúde relacionados ao meio ambiente, elaborados em plenária na seqüência 1, ativ.6. Agora que você estudou sobre a cadeia de transmissão das doenças provocadas por vetores, acrescente as medidas necessárias para vigilância, prevenção e controle destas doenças em sua comunidade.

8 - Elabore uma projeto de trabalho para vigilância, controle e prevenção nas aldeias das doenças provocadas por vetores.

devem participar da preparação e apresentação do seminário. No caso da Leishmaniose Visceral, compare com o modo de transmissão da Leishmaniose Tegumentar Americana (trabalhada no módulo Parasitoses Intestinais e Doenças de Pele), ressaltando as diferenças relativas ao quadro clínico e destacando, ainda, o papel dos reservatórios (cães, roedores). Solicite a sistematização individual para fixação da aprendizagem, utilizando as fichas 1 e 2.

6 - Divida os participantes por etnia/aldeia. Após as discussões, auxilie na sistematização, em plenária, dos aspectos: • diagnóstico clínico e laboratorial;

• coleta de material para exames;

• tratamento medicamentoso padronizado;

• utilização de ervas, plantas e medicina tradicional; • medidas de prevenção e controle.

Apresente os esquemas de tratamento e as medidas de controle químico e biológico preconizadas pela vigilância epidemiológica, enfatizando as ações do AIS.

7 - Coordene a plenária, apoiando na sistematização das medidas de vigilância, prevenção e controle, com destaque para as práticas educativas em relação à prevenção, ao meio ambiente e ao equilíbrio ecológico.

8 - Apóie a atividade em grupos específicos por etnia/aldeia, respeitando as características culturais. Lembre as diferentes estratégias que podem ser utilizadas: • reuniões com a comunidade em geral e/ou com grupos específicos como mulheres, lideranças, professores e alunos das escolas indígenas; • visitas às famílias;

• elaboração de material educativo com recursos da comunidade; • programação de atividades nas aldeias juntamente com as equipes dos Dseis, Divep e outros parceiros, para subsidiar as ações de saneamento e vigilância ambiental e para estabelecimento de fluxo de notificação de casos. Esta atividade deverá ser desenvolvida durante a dispersão.

Atividades do alunoOrientações para o instrutor

Promovendo a saúde e intervindo no processo saúde-doença Seqüência de atividades 7

Esta sequência será ministrada em regiões endêmicas de tracoma

1 - Observe o cartaz apresentado pelo instrutor e discuta as seguintes questões: • você conhece esta doença?

• como ela aparece?

2 - Pesquise relatos de casos de tracoma na comunidade e discuta as seguintes questões: • nome do agente infeccioso;

• por onde o agente entra no corpo, sinais e sintomas que provoca, por onde sai do corpo; • como a doença se transmite na comunidade; • quais as medidas de prevenção e controle.

3 - Apresente em plenária o produto da discussão do seu grupo.

4 - Assista à palestra ou leia texto sobre tracoma.

5 - Participe do planejamento das ações de vigilância epidemiológica do tracoma no seu Dsei.

1 - Trabalhe com um único grupo. Apresente cartazes educativos do Ministério da Saúde que contenham fotos de lesões características de tracoma.

2 - Estimule a discussão em pequenos grupos, relacionando o modo de transmissão ao quadro clínico (sinais e sintomas). Destaque a transmissão direta, de olho a olho e indireta, por meio de vetores mecânicos (moscas).

3 - Coordene a plenária auxiliando na sistematização do quadro clínico e modo de transmissão do tracoma. Enfatize as ações a serem desenvolvidas pelos AIS, relativas ao diagnóstico precoce, referência para o tratamento padronizado e medidas de prevenção e controle.

4 - Convide um especialista para apresentar a palestra ou selecione texto sobre a vigilância epidemiológica do tracoma. Destaque os dados epidemiológicos da região, com ênfase aos povos indígenas e discuta o papel do agente de saúde na busca ativa de casos, coleta, registro e notificação de dados, acompanhamento e referência dos pacientes. Utilize como material de apoio os manuais técnicos da Funasa.

5 - Coordene a atividade em grupos, contando com o apoio técnico dos profissionais do Dsei. Trabalhe as ações de vigilância epidemiológica preconizadas para o tracoma, destacando as de competência dos AIS.

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Atividades do alunoOrientações para o instrutor Dispersão

1 - Participe da coleta de informações sobre saúdedoença em sua comunidade.

2 - Prepare atividades educativas para a comunidade sobre alimentação e saúde.

3 - Prepare atividades educativas para a comunidade sobre meio ambiente e saúde.

4 - Participe da busca ativa de sintomáticos respiratórios, acompanhamento do tratamento e controle de comunicantes de tuberculose na comunidade.

5 - Participe da busca ativa de casos de malária, acompanhamento do diagnóstico e tratamento.

6 - Identifique os recursos de saúde da sua comunidade observando: • quem são as pessoas que trabalham com saúde; • quais as condições do local de trabalho;

• quais são os equipamentos, materiais e medicamentos existentes; • quais são as condições para transporte de pacientes e encaminhamento para as referências; • quais são os recursos de comunicação com as referências do serviço.

7 - Elabore proposta para implementação de medidas simplificadas de vigilância ambiental em sua aldeia, junto à equipe de saúde.

8 - Participe de atividades de identificação de casos de doenças provocadas por vetores, com sugestão de ações de vigilância epidemiológica.

1 - Acompanhe o trabalho do agente de saúde na comunidade, esclarecendo as dúvidas e apoiando no planejamento da atividade. Oriente na coleta, sistematização e registro das informações nos formulários utilizados pelo Dsei. Utilize a ficha de avaliação nº 4.

2 e 3 - Apóie os preparativos para as práticas educativas e elaboração de cronogramas.

4 - Acompanhe a atividade do agente de saúde, orientando a identificação de sintomáticos respiratórios. No caso de pessoas em tratamento na comunidade, oriente o acompanhamento do paciente e dos comunicantes. Utilize a ficha de avaliação nº 5.

5 - Organize o desenvolvimento da atividade de coleta de lâminas. Utilize a ficha de avaliação nº 6.

6 - Acompanhe o trabalho do agente na aldeia esclarecendo dúvidas, orientando a sistematização das informações. Discuta com os agentes as prioridades e as necessidades do serviço, com a elaboração de propostas que devem ser discutidas na comunidade e encaminhadas ao Conselho Local de Saúde. Utilize a ficha de avaliação nº 7.

7 - Apoie a atividade, conforme orientações da seqüência 1, item 6, respeitando a cultura indígena. Enfatize o papel do AIS junto à equipe de saúde nas ações de vigilância e controle de fatores de riscos biológicos (vetores, reservatórios e hospedeiros) e não biológicos (água para consumo humano, contaminantes ambientais, solo).

8 e 9. Acompanhe cada aluno. Estas atividades serão realizadas conforme o perfil epidemiológico local/regional. Atente para o papel do AIS junto à equipe de saúde, a organização local dos serviços e os protocolos técnicos do Dsei. Esta atividade será desenvolvida somente nos locais onde estas endemias ocorrem.

9 - Participe das ações de Vigilância Epidemiológica do tracoma.

10 - Participe da avaliação individual e coletiva do Módulo. 10 - A avaliação individual deve ser feita mediante uma conversa informal com o aluno, ressaltando os pontos positivos e negativos de seu processo de aprendizagem. A avaliação coletiva pode ser feita por meio de uma discussão na qual o grupo deve opinar sobre a atuação dos instrutores, material didático utilizado, aspectos logísticos do curso e sugestões (utilize a ficha de avaliação de desempenho).

Atividades do alunoOrientações para o instrutor Dispersão Continuação

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IV – Carga horária sugerida

Concentração Módulo básico - 120 horas Seqüência 6 - 24 horas (Áreas endêmicas) Seqüência 7 - 12 horas (Áreas endêmicas)

Dispersão Módulo básico - 60 horas Áreas endêmicas- 20 horas

DiasSeqüências de Atividades

1º diaManhã Seq. 1/Ativ. 1, 2 e 3 Tarde - Seq. 1/Ativ. 4, 5 e 6

Manhã - Seq. 2/Ativ. 1 e 2 Tarde - Seq. 2/Ativ. 3 e 4

Manhã - Seq. 3/Ativ. 1 e 2 Tarde - Seq. 3/Ativ. 3

Manhã - Seq. 3/Ativ. 4 Tarde - Seq.3/Ativ. 5

Manhã - Seq.3/Ativ. 6 e 7 Tarde - Seq. 3/Ativ. 8

Manhã - Seq.3/Ativ. 9 Tarde - Seq. 3/Ativ. 10 e 1

Manhã - Seq.3/Ativ. 12 e 13 Tarde Seq. 3/Ativ. 14

Manhã - Seq. 3/Ativ. 15 e 16 Tarde - Seq. 4/Ativ. 1 e 2

Manhã - Seq. 4/Ativ. 3 Tarde - Seq. 4/Ativ. 4

Manhã - Seq. 4/Ativ. 5 e 6 Tarde - Seq.4/Ativ. 7 e 8

Manhã Seq. 4/Ativ. 9 Tarde - Seq. 4/Ativ. 10 e 1

Manhã - Seq.4/Ativ. 12 e 13 Tarde - Seq.4/Ativ. 14

Manhã - Seq. 4/Ativ. 15 Tarde - Seq. 5/Ativ. 16

Manhã - Seg. 5/Ativ. 1 e 2 Tarde: Seq. 5/Ativ. 3

Manhã - Seq. 5/Ativ. 4 Tarde: Seq. 5/Ativ. 5

Cronograma - módulo básico

2º dia 3º dia

4º dia

5º dia

6º dia 7º dia 8º dia

9º dia

10º dia 11º dia

12º dia

13º dia 14º dia

15º dia

DiasSeqüências de Atividades 1º dia

Cronograma para áreas endêmicas de doença de chagas, dengue, febre amarela e leishmaniose visceral

2º dia 3º dia

Cronograma para áreas endêmicas de tracoma

Manhã Seq. 6/Ativ. 1 e 2 Tarde - Seq. 6/Ativ. 3 e 4

Manhã - Seq. 6/Ativ. 5 Tarde - Seq. 6/Ativ. 6

Manhã - Seq. 6/Ativ. 7 Tarde - Seq. 6/Ativ. 8

DiasSeqüências de Atividades

1º diaManhã Seq. 7/Ativ. 1 e 2 Tarde - Seq. 7/Ativ. 3 e 4

Manhã - Seq. 7/Ativ. 52º dia

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V – Texto de apoio

1. A importância do controle dos contactantes1

A tuberculose é uma doença que permanece como uma das principais causas de adoecimento e morte em vários países do mundo, inclusive no Brasil. Existem hoje cerca de oito milhões de casos novos da doença por ano, e estas pessoas transmitem a tuberculose para outras 50 a 100 milhões de pessoas, principalmente crianças e idosos.

A tuberculose é a responsável pela morte de 170.0 crianças a cada ano (em todo o mundo) e, atualmente, mata mais adultos do que a aids e a malária juntas.

Nas áreas indígenas a tuberculose é um problema importante de saúde e de difícil controle. As principais dificuldades estão no diagnóstico, ou seja, na descoberta de pessoas doentes, no tratamento que é prolongado, e no controle dos contactantes.

O contactante é toda pessoa que convive com um doente de tuberculose.

As pessoas que moram na mesma casa de um paciente tuberculoso têm mais chance de entrar em contato com o bacilo da tuberculose, que se encontra no ar e geralmente vem da tosse e do espirro do doente.

Quando alguém adoece de tuberculose na comunidade é importante o agente de saúde observar aqueles que moram na mesma casa, especialmente as crianças e os mais velhos.

Na observação de crianças contactantes deve-se verificar:

• o peso, uma vez por mês, para perceber se a criança está engordando, emagrecendo, ou está com o mesmo peso;

• a ocorrência de infecções respiratórias como IRA e pneumonias repetidas vezes. Na observação de adultos contactantes, deve-se verificar: • se existe tosse com catarro por mais de um mês;

• se apresenta perda de peso, cansaço e febre baixa.

O agente de saúde deve comunicar à equipe distrital sempre que houver alguma intercorrência com um contactante. O diagnóstico precoce e o tratamento completo ainda são as formas mais eficientes de controlar a tuberculose na comunidade.

1. Adaptado do texto "Abordagem de Contactantes". Jornal de Pneumologia, 23(6) - nov.dez 1997.

VI – Texto interativo

1. Malária Parte I

A malária é uma doença infecciosa aguda, causada por um parasito que vive no sangue das pessoas doentes. É transmitida de uma pessoa doente para outra sadia pela picada de um mosquito anofelino (carapanã, muriçoca, mosquito prego). A malária existe há muito tempo, e tem outros nomes como maleita, sezão, impaludismo e tremedeira.

• os antigos do seu povo já conheciam a malária?

Os anofelinos têm preferência por locais com água limpa e parada. Costumam picar no período do entardecer e do amanhecer. Tanto o homem quanto o anofelino podem abrigar o parasito da malária, e por isso são chamados de hospedeiros. A fêmea do mosquito é quem transmite a doença. A pessoa, ao ser picada, recebe o parasito da malária em seu sangue.

O período de incubação da malária varia de acordo com a espécie de plasmódio, sendo de 8 a 12 dias para o Plasmodium falciparum, de 13 a 17 para o Plasmodium vivax e de 28 a 30 dias para o Plasmodium malariae . Após este período, as pessoas começam a desenvolver e manifestar os sinais e sintomas da doença. Na fase da febre, o número de parasitas no sangue é muito grande. Se o doente for picado novamente nesta fase, o mosquito vai abrigar o parasito em seu estômago e transmitir a doença para outras pessoas.

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• Faça um desenho sobre o modo de transmissão da malária.

Quais são os sinais e os sintomas da malária?

Parte I

O diagnóstico clínico da malária é feito por meio dos sinais e sintomas que o doente apresenta. O diagnóstico laboratorial pode ser feito pela gota espessa de sangue, que passa por um processo de coloração para ser observada no microscópio. A pesquisa de parasitos da malária no sangue, pelo método da gota espessa é a forma mais utilizada para o diagnóstico laboratorial nas áreas indígenas.

Os esquemas de tratamento da malária são padronizados e variam conforme o tipo de parasito – Plasmodium vivax, Plasmodium falciparum e Plasmodium malariae. Para as gestantes, crianças, idosos, pessoas debilitadas e pacientes graves, os esquemas terapêuticos poderão ser alterados, desde que sob acompanhamento médico.

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