Apostila agua

Apostila agua

(Parte 1 de 5)

Universidade Católica de Goiás Departamento de Engenharia Curso de Engenharia Civil Disciplina de Saneamento Básico

Autor: Professor João Bosco de Andrade. Colaboração: Acadêmica Fernanda Posch Rios

Notas de aula da Disciplina de Saneamento Básico do Curso de Engenharia Civil da Universidade Católica de Goiás.

Universidade Católica de Goiás Engenharia Civil – Saneamento Básico

Autor Professor João Bosco de Andrade Colaboração Acadêmica Fernanda Posch Rios

CAPÍTULO I — SANEAMENTO BÁSICO10
1. NOÇÕES PRELIMI NARES10
2. OBJETIVOS DO SANEAMENTO10
3. IMPORTÂNCIA DE UM SISTEMA DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA10
3. 1. I MPORTÂN CIA SANITÁRIA10
3. 2. I MPORTÂN CIA ECONÔ MICA1
4. A ÁGUA NA TRANSMISSÃO DE DOENÇAS1
4.1. DOENÇAS DE TRANSMISSÃO HÍDRICA1
4.2. DOENÇAS DE ORIGEM HÍDRICA1
4.3. ÁGUA E DOENÇAS12
4.4. DOENÇAS CAUSADAS POR AGENTES QUÍMICOS12
DOENÇAS PELA ÁG UA12

S U M Á R I O 5. MEDIDAS GERAIS DE PROTEÇÃO PARA EVITAR DISSEMINAÇÃO DE

QUÍMICAS E BIOLÓGICAS DAS ÁGUAS13
1. QUALIDADE DE ÁGUA13
1. 1. C ONCEI TOS FUNDAM ENTAIS13
2. GRAU DE POLUIÇÃO DAS ÁGUAS NATURAIS13
2.1. GRAU DE POLUIÇÃO E DE CONTAMINAÇÃO DAS ÁGUAS DE CONSUMO13
3. IMPUREZ AS14
3.1. IMPUREZAS MAIS COMUNS14
4. CARACTERÍSTICAS FÍSICAS, QUÍMICAS E BIOLÓGICAS DA ÁGUA15
4. 1. C ARACTERÍSTICAS FÍSI CAS16
4. 2. C ARACTERÍSTICAS QUÍMICAS16
4.3. CARACTERÍSTICAS HIDROBIOLÓGICAS DAS ÁGUAS17
CAPÍTULO I — CONSUMO DE ÁGUA18
1. INTRO DUÇÃO18
2. USOS DA ÁGUA18
3. CONSUMO MÉDIO PER CAPITA19

CAPÍTULO I — QUALIDADE, IMPUREZAS E CARACTERÍSTICAS FÍSICAS, 4. FATORES QUE AFETAM O CONSUMO ........................................................ 19

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4. 1. C LIMA19
4.2. HÁBITOS E NÍVEL DE VIDA DA POPULAÇÃO19
4.3. NATUREZA DA CIDADE20
4.4. TAMANHO DA CIDADE20
4.5. EXISTÊNCIA OU AUSÊNCIA DE MEDIÇÃO20
4.6. PRESSÃO NA REDE20
5. VARIAÇÕES DE CONSUMO20
5. 1. V ARIAÇÕ ES DIÁR IAS20
5. 2. V ARIAÇÕ ES HORÁRIA S21
CAPÍTULO IV — PERÍODO DE PROJETO E POPULAÇÃO DE PROJETO2
1. PERÍODO DE PROJETO2
PROJETO2
2.1. MÉTODO DA PROGRESSÃO ARITMÉTICA23
2.2. MÉTODO DA PROGRESSÃO GEOMÉTRICA23
2.3. MÉTODO DA PARÁBOLA23
2.4. MÉTODO DA CURVA LOGÍSTICA24
2.5. PROCESSO DE EXTRAPOLAÇÃO GRÁFICA25
2. 6. P OPULAÇÃ O FLU TUAN TE25
2. 7. D ISTRIBUIÇÃO DEMO GRÁFICA25
2.8. CONSIDERAÇÕES ADICIONAIS SOBRE A PREVISÃO DE POPULAÇÃO26
2.9. ÁREAS A SEREM ABASTECIDAS – CONCEPÇÃO E ETAPAS DE PROJETO26
2.10. VOLUME DE ÁGUA A SER DISTRIBUÍDO NUMA CIDADE26
CAPÍTULO V — CAPTAÇÃO DE ÁGUAS DE SUPERFÍCIE28
1. CONSIDERAÇÕES INICIAIS28
2. EXAME PRÉVIO DAS CONDIÇÕES LOCAIS28
3. PRINCÍPIOS GERAIS PARA A LOCALIZAÇÃO DE TOMADAS DE ÁGUA29
4. COMPONENTES DE UMA CAPTAÇÃO30
4. 1. B ARRAGEN S30
4.2. DISPOSITIVOS RETENTORES DE MATERIAIS ESTRANHOS30
4.3. DISPOSITIVOS PARA CONTROLAR A ENTRADA DE ÁGUA32
4.4. CANAIS E TUBULAÇÕES DE INTERLIGAÇÃO35

2. PREVISÃO DA EVOLUÇÃO DA POPULAÇÃO DURANTE O PERÍODO DE 4.5. POÇO DE SUCÇÃO ....................................................................................... 35

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5. DETALHES EXECUTIVOS DE UMA BARRAGEM DE NÍVEL35
CAPÍTULO VI — LINHAS ADUTORAS E ÓRGÃOS ACESSÓRIOS38
1. GENERALI DADES38
2. CLASSIFICAÇÃO DAS ADUTORAS38
2.1. QUANTO À NATUREZA DO LÍQUIDO TRANSPORTADO38
2.2. QUANTO À ENERGIA DE MOVIMENTAÇÃO DA ÁGUA39
3. DIMENSIONAMENTO HIDRÁULICO DAS ADUTORAS POR GRAVIDADE40
4. ASPECTOS A SEREM CONSIDERADOS40
5. DIMENSIONAMENTO DE UMA ADUTORA POR RECALQUE41
6. PEÇAS ESPECIAIS E ÓRGÃOS ACESSÓRIOS42
7. OBRAS COMPLEMENTARES4
CAPÍTULO VII — BOMBAS E ESTAÇÕES ELEVATÓRIAS46
1. GENERALI DADES46
2. DEFINIÇÃO DE UMA BOMBA PARA EFETUAR O RECALQUE DE ÁGUA46
2. 1. G RANDEZA S CARACTERÍSTICAS46
2.2. NPSH – LIMITE DE SUCÇÃO POSITIVA48
3. ESTAÇÕES ELEVA TÓRIAS49
3.1. SALÃO DE MÁQUINAS E DEPENDÊNCIAS COMPLEMENTARES50
3.2. POÇO DE SUCÇÃO50
3.3. TUBULAÇÕES E ÓRGÃOS ACESSÓRIOS51
3. 4. D ISPOSITIV OS AUXILIA RES52
CAPÍTULO VIII — RESERVATÓRIO DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA5
1. FINALI DADES5
2. CLASSIFICAÇÃO DOS RESERVATÓRIOS56
2.1. QUANTO À LOCALIZAÇÃO NO SISTEMA56
2.2. QUANTO À LOCALIZAÇÃO NO TERRENO57
3. CAPACIDADE DOS RESERVATÓRIOS58
4. RESERVATÓRIOS APOIADOS, SEMI-ENTERRADOS E ELEVADOS58
5. DIMENSÕES ECON ÔMICAS59

CAPÍTULO IX — REDES DE DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA ..................................... 61

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1. CONCEITO61
2. TRAÇADO DOS CONDUTOS61
3. VAZÕES DE DISTRIBUIÇÃO63
4. CONDIÇÕES DE FUNCIONAMENTO DAS REDES DE DISTRIBUIÇÃO63
5. CONSIDERAÇÕES SOBRE AS DISTÂNCIAS ENTRE CONDUTOS64
6. DEDUÇÃO DO MÉTODO DE HARDY-CROSS (REDES MALHADAS)6
CAPÍTULO X — PROCESSOS GERAIS DE TRATAMENTO DE ÁGUA68
1. INTRO DUÇÃO68
2. A ESCOLHA DO MANANCIAL68
3. A QUALIDADE DA ÁGUA69
4. INVESTIGAÇÕES DE LABORATÓRIO69
5. INSTALAÇÃO PIL OTO69
6. FINALIDADES DO TRATAMENTO69
7. PRINCIPAIS PROCESSOS DE PURIFICAÇÃO70
CAPÍTULO XI — TRATAMENTO QUÍMICO-COAGULAÇÃO72
1. OBJETIV OS72
2. REAGENTES EMPREGADOS72
3. PROPRIEDADES COAGULANTES72
4. REQUISITOS PARA A PERFEITA COAGULAÇÃO72
5. DOSAGEM DE REAGENTES73
6. CÂMARAS DE MISTURA RÁPIDA E FLOCULADORES73
6.1. CÂMARA DE MISTURA RÁPIDA73
6. 2. FLO CU LADORES75
CAPÍTULO XII — DECANTADORES79
1. CONCEITOS79
2. VELOCIDADES DE SEDIMENTAÇÃO80
3. DIMENSIONAMENTO DOS DECANTADORES80
3.1. TAXAS DE ESCOAMENTO SUPERFICIAL80
3.2. RELAÇÃO ENTRE COMPRIMENTO E LARGURA L/B80
3.3. PERÍODO DE DETENÇÃO81

3.4 PROFUNDIDADE DOS DECANTADORES .................................................................. 81

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Autor Professor João Bosco de Andrade Colaboração Acadêmica Fernanda Posch Rios

3.5 NÚMERO DE DECANTADORES82
3.6 LIMPEZA DOS DECANTADORES82
3.7 DISTRIBUIÇÃO DE ÁGUA NOS DECANTADORES — ENTRADA DE ÁGUA84
3.8 SAÍDA DA ÁGUA — COLETA DA ÁGUA DECANTADA84
CAPÍTULO XIII — FILTROS RÁPIDOS DE GRAVIDADE86
1. TAXA DE FILTRAÇÃO86
2. NÚMERO DE FILTROS86
3. FORMA E DIMENSÕES DOS FILTRO86
4. ESPESSURA DAS CAMADAS E ALTURA DA CAIXA DO FILTRO87
5. MEIO FIL TRANTE87
6. CAMADA SUPORTE8
7. FUNDO DOS FILTROS8
8. DETALHES EXECUTIVOS DOS FILTROS8
9. LAVAGEM DOS FILTROS90
10. QUANTIDADE DE ÁGUA DE LAVAGEM90
1. CALHAS PARA ÁGUA DE LAVAGEM90
12. LAVAGEM AU XILI AR90
REFERÊNCIAS BIB LIOGRÁFICAS94
Tabela 1 – Impurezas em suspensão15
Tabela 2 – Impurezas em estado coloidal15
Tabela 3 – Impurezas em dissolução15
Tabela 4 – Indicação da qualidade da água x processos de tratamento exigidos17
Tabela 5 – Usos da água18
Tabela 6 – Densidades demográficas observadas em áreas urbanas26
Tabela 7 – Velocidade de sedimentação de partículas na água31
Tabela 8 – Roteiro de Cálculo42
Tabela 9 – Limites de velocidade e de vazão64
Tabela 10 – Quantidades usuais de sulfato de alumínio, conforme a turbidez73

Í N D I C E D E T A B E L A S Tabela 1 – Estimativas do consumo de alcalinizantes. ............................................. 73

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Autor Professor João Bosco de Andrade Colaboração Acadêmica Fernanda Posch Rios

Tabela 12 –- Velocidades de sedimentação80
Tabela 13 – Espessuras usuais das camadas do filtro87
Tabela 14 – Dimensões das camadas, de acordo com material8
Tabela 15 – Espessuras das camadas de acordo com diâmetro do material8
Í N D I C ED E F I G U R A S
Figura 1 – Curva de variação horária do consumo21
Figura 2 – Pontos de tomada de água29
Figura 3 – Dimensões de um desarenador31
Figura 4 – Detalhes para remoção de sólidos32
Figura 5 – Detalhe de comporta tipo stop-log3
Figura 6 – Detalhe de válvulas ou registros34
Figura 7 – Detalhe de adufa34
Figura 8 – Detalhe da barragem em planta36
Figura 9 – Detalhe da barragem em cortes37
Figura 10 – Adutora por gravidade em conduto forçado39
Figura 1 – Adutora por recalque simples39
Figura 12 – Adutora por gravidade em conduto livre39
Figura 13 – Adutora por recalque duplo39
conduto forçado (sifões invertidos)39
Figura 15 – Adutora mista com trecho por recalque e trecho por gravidade39
Figura 16 – Adutora de gravidade com caixas de quebra de pressão40
Figura 17 – Exemplos de dispositivos especiais42
Figura 18 – Influência da válvula redutora de pressão na posição da L.P43
Figura 19 – Detalhe de stand-pipes4
Figura 20 – Grandezas características de uma bomba47
Figura 21 – Ambientes de uma estação elevatória49
Figura 2 – Detalhes da redução excêntrica e concêntrica51
Figura 23 – Detalhes do recalque52
Figura 24 – Dispositivos para escorva da bomba53
Figura 25 – Dispositivos para escorva da bomba54
Figura 26 – Detalhe do reservatório de montante56
Figura 27 – Detalhe do reservatório de jusante, ou de sobras56
Figura 28 – Detalhe do reservatório enterrado57

Figura 14 – Adutora por gravidade com trechos em conduto livre (aqueduto) e trechos em Figura 29 – Detalhe do reservatório semi-enterrado .................................................. 57

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Figura 30 – Detalhe do reservatório apoiado57
Figura 31 – Detalhe do reservatório elevado58
Figura 32 – Dimensões econômicas e relativas de um reservatório retangular60
Figura 3 – Rede ramificada em espinha de peixe62
Figura 34 – Rede ramificada em grelha62
Figura 35 – Rede malhada62
Figura 36 – Detalhe da distância entre condutos secundários – rede ramificada64
Figura 37 - Detalhe da distância entre condutos principais – rede ramificada64
Figura 38 – Detalhe da distância entre condutos – rede malhada65
Figura 39 – Detalhe de uma rede de distribuição real6
Figura 40– Detalhe de uma rede assimilada à real6
Figura 41 – Somatória de vazões em um nó6
Figura 42 – Somatória de perdas de carga num circuito6
Figura 43 – Fluxograma do tratamento convencional70
Figura 4 – Lay-out do tratamento convencional71
dezem bro / 200371
Figura 46 – Detalhe da câmara de mistura rápida74
Ponte)74
Figura 48 – Detalhe do misturador75
Figura 49 – Floculador mecânico do tipo de Turbina Axial75
Figura 50 – Floculador mecanizado de eixo horizontal76
Figura 51 – Floculador não mecanizado (hidráulico) de movimento horizontal7
Figura 52 – Floculador não mecanizado (hidráulico) de movimento vertical7
Figura 53 – Floculador tipo Alabama78
Figura 54 – Floculadores protegidos por guarda – corpos metálicos78
Figura 5 – Esquema do decantador em planta baixa79
Figura 56 – Detalhes construtivos do decantador em corte83
Figura 57 – Detalhe da cortina distribuidora de água no decantador83
Figura 58 – Detalhe do raspador de lodo no decantador84
Figura 59 – Detalhe das Calhas que recebem a água decantada85
Figura 60 – Vista do decantador85
Figura 61 – Detalhe da bateria de filtros em planta89
Figura 62 – Detalhe dos filtros em corte89
Figura 63 – Início do processo de lavagem de uma das células do filtro91

Figura 45 – Vista geral da estação de tratamento do sistema João Leite em Goiânia, em Figura 47 – Calha Parshal ( ponto de aplicação de sulfato de alumínio na ETA Meia Figura 64 – Injeção de ar para limpeza das camadas do filtro .................................... 91

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Autor Professor João Bosco de Andrade Colaboração Acadêmica Fernanda Posch Rios

Figura 65 – Injeção de água no sentido ascensional e respectiva descarga92
Figura 6 – Régua de medição de perda de carga de cada filtro92
92
Figura 68 – Conjunto motor - bomba que recalca água para lavar os filtros93

Figura 67 – Tubulação que recebe água dos filtros, localizada abaixo do nível do terreno Figura 69 – Vista lateral das bombas que recalcam água para lavar os filtros .............. 93

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1. NOÇÕES PRELIMINARES

Saúde - é o estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de doenças ou de enfermidades. (Conforme a Organização Mundial de Saúde).

Saúde Pública - formas de preservar, melhorar ou recuperar a saúde, através de medidas coletivas e com a participação da população, de forma motivada. Saneamento - instrumento da saúde pública que consiste em intervenções sobre o meio físico do homem, de forma a eliminar as condições deletérias à saúde.

2. OBJETIVOS DO SANEAMENTO a) abastecimento de água; b) coleta, remoção, tratamento e disposição final dos esgotos; c) coleta, remoção, tratamento e disposição final dos resíduos sólidos - lixos; d) drenagem das águas pluviais; e) higiene dos locais de trabalho e de lazer, escolas e hospitais; f) higiene e saneamento dos alimentos; g) controle de artrópodes e de roedores (vetores de doenças); h) controle da poluição do solo, do ar e da água, poluição sonora e visual; i) saneamento em épocas de emergências (quando ocorrem calamidades, como: enchentes, terremotos, maremotos, tufões, tornados, ciclones etc., ou quando ocorrem epidemias de determinadas doenças).

3. IMPORTÂNCIA DE UM SISTEMA DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA

3.1. Importância Sanitária

A implantação ou a melhoria de um sistema de abastecimento de água vai repercutir imediatamente sobre a saúde da população, assim porque:

• ocorre a erradicação de doenças de veiculação ou de origem hídrica;

• ocorre a diminuição dos índices de mortalidade geral e em especial da mortalidade infantil;

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• as melhores condições de higiene pessoal e do ambiente que proporciona vai implicar diminuição de uma série de doenças não relacionadas diretamente à água. (Efeito Mills- Reincke).

3.2. Importância Econômica

A importância econômica é também relevante. A implantação do abastecimento público de água se traduz num aumento de vida média útil da população e na redução de número de horas perdidas com diversas doenças, refletindo num aumento sensível de número de horas trabalhadas dos membros da comunidade beneficiada e com isto, aumento de produção. O homem é um ser que trabalha, sendo portanto um fator de produção.

A água constitui matéria-prima de muitas indústrias ou auxiliar de processos em atividades industriais, como água para caldeira e outras.

4.1. Doenças de Transmissão Hídrica

A água é um importante veículo de transmissão de doenças notadamente do aparelho intestinal. Os microrganismos patogênicos responsáveis por essas doenças atingem a água com os esgotos de pessoas infectadas.

Relativamente aos microorganismos patogênicos, as doenças de transmissão hídrica podem ser ocasionadas por:

• bactérias: febres tifóides e paratifóide, disenteria bacilar, cólera;

• protozoários: amebíase ou disenteria amebiana;

• vermes (helmintoses) e larvas (esquistossomose);

• vírus: hepatite infecciosa e poliomielite.

4.2. Doenças de Origem Hídrica

Quatro tipos de contaminantes tóxicos podem ser encontrados nos mananciais de abastecimento público: a) contaminantes naturais de uma água que esteve em contato com formações minerais venenosas; b) contaminantes naturais de uma água na qual se desenvolveram determinadas colônias de microrganismos venenosos; c) contaminantes introduzidos nos cursos de águas por certos despejos industriais; d) a água distribuída à popu1ação pode ser contaminada por instalações e obras hidráulicas defeituosas, pelo uso de tubos metálicos inadequados, ou por práticas inadequadas de tratamento das águas.

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4.3. Água e Doenças

As doenças relacionadas com a água podem ser causadas por agentes microbianos ou por agentes químicos.

4.3.1. Doenças adquiridas por via oral

As doenças relacionadas a agentes microbianos podem ser adquiridos predominantemente por via oral ou seja, quando se ingere a água.

Primeiro grupo:

• cólera, febres tifóide e paratifóide, hepatite infecciosa, gastroenterites infantis ou diarréias, essas doenças só são contraídas ao se beber água contaminada.

Segundo grupo:

• disenteria bacilar, amebíase, poliomielite, as quais têm outras formas de difusão além da água.

Terceiro grupo:

• helmintoses, tuberculoses, a importância da água como veículo é pequena.

4.3.2. Doenças adquiridas por contato, através da pele e das mucosas

• esquistossomose, leptospirose e doenças relacionados aos banhos em piscinas, praias, tais como: conjuntivites, otites, sinusites, micoses e outras doenças da pele.

4.4. Doenças causadas por agentes químicos

A água no ciclo hidrológico pode entrar em contato com agentes químicos venenosos presentes no ar ou no solo. Além disso, as múltiplas atividades industriais podem introduzir substâncias das mais diversas naturezas que podem ocasionar doenças.

5. MEDIDAS GERAIS DE PROTEÇÃO PARA EVITAR DISSEMINAÇÃO DE DOENÇAS PELA ÁGUA

• proteção dos mananciais e controle da poluição das águas; • tratamento adequado da água a ser fornecida á população;

• sistema de distribuição bem projetado, construído, operado e mantido;

• controle permanente da qualidade bacteriológica e química da água na rede de distribuição, ou preferivelmente na torneira do consumidor;

• lavar periodicamente os reservatórios domiciliares;

• solução sanitária para a coleta e disposição dos esgotos com a finalidade de impedir a contaminação das águas de uso doméstico de forma geral e as usadas no lazer e recreação.

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Água pura, no sentido rigoroso do termo, não existe na natureza. Por ser um ótimo solvente, ela nunca é encontrada em estado de absoluta pureza. As impurezas presentes na água é que vão determinar suas características físicas, químicas e biológicas. As características das águas naturais, bem como as que devem ter a água fornecida ao consumidor, determinam o grau de tratamento necessário para cada uso. Portanto o conceito de impureza é relativo.

Assim, a água destinada ao uso doméstico deve ser desprovida de gosto, ao passo que numa água destinada à irrigação, esta característica não tem importância.

2. GRAU DE POLUIÇÃO DAS ÁGUAS NATURAIS

A qualidade das águas naturais depende do grau de poluição das mesmas, podendo ser registrado um grau tão elevado que até mesmo impeça a sua utilização, devido a impossibilidade ou dificuldade para o seu tratamento, adequando-a às necessidades de uso.

2.1. Grau de poluição e de contaminação das águas de consumo

2.1.1. Água de consumo doméstico

A água de consumo domiciliar deve ser potável. Água potável é aquela que obedece aos seguintes requisitos:

a) Higidez – ser hígida significa:

não estar contaminada de forma a permitir a infecção do consumidor com qualquer moléstia de veiculação hídrica; não conter substâncias tóxicas;

não conter quantidades excessivas de substâncias minerais ou orgânicas.

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Autor Professor João Bosco de Andrade Colaboração Acadêmica Fernanda Posch Rios b) Palatabilidade – a água deve impressionar bem os sentidos pela sua limpidez (ausência de cor e turbidez), por não possuir sabor e odor e pela temperatura agradável.

2.1.2. Água de consumo não doméstico

Água industrial - sua qualidade varia com o tipo da indústria. A água usada como matéria prima numa indústria farmacêutica, por exemplo, deve ter qualidade superior à potável (água destilada).

Água de irrigação - vegetais ingeridos crus e aqueles que têm contato com o solo exigem água de boa qualidade para não contaminar os alimentos e o homem por conseqüência. Algumas culturas podem ser irrigadas com água de qualidade inferior e até mesmo com esgotos. Água para fins pecuários - a criação de gado leiteiro exige água de boa qualidade.

3. IMPUREZAS

Na água são encontrados vários tipos de impurezas, umas mais comuns, outras com características particulares ou especiais.

3.1. Impurezas mais comuns

As impurezas mais comuns podem ser consideradas sob os seguintes aspectos: quanto à natureza; quanto à ocasião de aquisição e quanto a apresentação e principais efeitos.

a) quanto à natureza:

naturais - adquiridas de constituintes normais do solo e do ar; artificiais - resultados do lançamento de resíduos da atividade humana (poluição do ar, das águas, do solo, esgotos, lixos, fumaças).

b) quanto à ocasião de aquisição:

pelas águas meteóricas: poeiras, oxigênio, nitrogênio, gás carbônico, gás sulfídrico, cloretos, fumaças, radioatividade; pelas águas de superfície: argila, sílica, silte, algas, microrganismos diversos, inclusive patogênicos (bactérias, protozoários, vermes, larvas) matéria orgânica simples ou complexas, cloretos, nitratos, substâncias radioativas, pesticidas agroquímicos em geral; pelas águas subterrâneas: microrganismos diversos, incluindo patogênicos, bicarbonatos, carbonatos, sulfatos, sais de ferro, de cálcio, de magnésio, de flúor.

c) quanto à forma de apresentação e principais efeitos:

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Tabela 1 – Impurezas em suspensão

Agentes Efeitos Causados

Microrganismos diversos: bactérias (sendo algumas patogênicas), algas e protozoários. cheiro, sabor, turbidez vermes e vírus. doenças areia, argila, silte, resíduos industriais e domésticos. turbidez larvas. doenças.

em estado coloidal:

Tabela 2 – Impurezas em estado coloidal

Agentes Efeitos Causados sílica turbidez vírus doenças

Tabela 3 – Impurezas em dissolução

Agentes Efeitos Causados sais de cálcio e de magnésio: carbonatos e bicarbonatos alcalinidade, dureza, incrustações sulfatos dureza; cloretos dureza, corrosividade sais de sódio e potássio: carbonatos e bicarbonatos alcalinidade sulfato ação laxativa, borbulhamento nas caldeiras fluoretos ação sobre os dentes cloretos sabor; ferro sabor; cor manganês cor escura oxigênio corrosão nitrogênio doenças metano odor.

4. CARACTERÍSTICAS FÍSICAS, QUÍMICAS E BIOLÓGICAS DA ÁGUA.

As impurezas contidas na água vão ser responsáveis por suas características físicas, químicas e biológicas. Estas características são determinadas por meio de exames em laboratório de amostras adequadas da água e complementadas com inspeção sanitária de campo. As amostras, para fins de análise, devem ser colhidas com cuidados e técnicas apropriados, com volume e número de amostras convenientes. Os exames são feitos conforme métodos padronizados por entidades especializadas.

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4.1. Características Físicas

As principais características físicas da água são: cor, turbidez, sabor, odor e temperatura.

Estas características envolvem aspectos de ordem estética e psicológica, exercendo uma certa influência no consumidor leigo. Entretanto, dentro de determinados limites, não apresentam inconvenientes de ordem sanitária. Contudo, por serem perceptíveis pelo usuário, independente de exame, o seu acentuado teor pode causar certa repugnância aos consumidores. Podem também favorecer uma tendência para se utilizar águas de melhor aparência, porém de má qualidade sanitária, com risco para a saúde.

Os resultados dos exames laboratoriais são usualmente expressos em mg/litro, ou ppm (parte por milhão).

Das características físicas só serão conceituadas cor e turbidez, já que as demais são de domínio do senso - comum.

Cor: é uma característica devida a existência de substâncias dissolvidas, que, na grande maioria dos casos, são de natureza orgânica.

Turbidez: é decorrente de substâncias em suspensão na água,ou seja de sólidos suspensos, finamente divididos e de organismos microscópicos. (Água turva = Água Suja.)

4.2. Características Químicas

São devidas à presença de substâncias dissolvidas na água, geralmente avaliáveis somente por meios analíticos, em laboratório. São de grande importância, pois podem acarretar conseqüências sobre o organismo dos consumidores, ou comprometer o aspecto higiênico, bem como o aspecto econômico do uso da água.

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