Viveiro de Mudas Florestais com Espécies de Importancia Ecológica e Econômica em Assentamentos de Reforma Agrária

Viveiro de Mudas Florestais com Espécies de Importancia Ecológica e Econômica em...

(Parte 1 de 5)

Elaboração:

Biólogo Moisés da Luz

Acad. Matias Felipe E. Kraemer Acad. Rodrigo Baggio

Responsáveis:

Prof. Jorge Alberto Quillfeldt

Depto de Biofísica, IB quillfe@ufrgs.br

Prof. Paulo Brack

Depto de Botânica, IB pbrack@adufrgs.ufrgs.br

Prof. Fábio Kessler Dal Soglio

Depto de Fitossanidade, FA fabiods@ufrgs.br

Porto Alegre, março de 2007

1. INTRODUÇÃO

As atividades agrícolas estão ligadas diretamente aos processos naturais do planeta, da mesma maneira que o humano, enquanto espécie, faz parte desse contexto ecológico. A humanidade vem se distanciando, por diversas razões, dos processos naturais, principalmente após a Revolução Industrial e ultimamente, com o intenso desenvolvimento da tecnologia eletrônica e de informática. Atualmente a maioria da população do planeta vive nas zonas urbanas. Por conseqüência, sua atividade agrícola passa a ignorar tais preceitos ecológicos, mesmo que para isso tenha que esquecer de suas próprias raízes culturais e conhecimentos adquiridos ao longo de milhares de anos.

A homogeneização e simplificação dos sistemas agrícolas atuais mostram-se incapazes de sustentar-se no tempo-espaço, na medida que dependem de insumos externos e proporcionam ambientes suscetíveis a pragas e doenças. Este cenário, por sua vez, gera maior dependência do agricultor às empresas fornecedoras destes insumos, produzindo um ciclo vicioso e excludente, de modo a abrir espaços para novos “milagres econômicos”, baseados em novas técnicas e variedades que irão novamente cair em desuso perante a próxima “moda econômico-tecno-cultural”. O resultado disso é o êxodo rural e a concentração de terras e de poder econômico.

Neste contexto, o retorno ao campo de famílias que perderam suas terras ou foram exploradas pelo modelo agrícola vigente, representa um novo ciclo de propostas buscando o planejamento de atividades agrícolas soberanas, do ponto de vista cultural, ambiental e social.

Surge então a demanda de agricultores assentados no Assentamento Herdeiros de

Oziel Alves, em São Jerônimo-RS, para a estruturação de um viveiro de produção de mudas de espécies florestais nativas, servindo como alternativa para a subsistência das famílias e também como alternativa econômica e de recuperação ambiental. A idéia é que seja estabelecida uma atividade comunitária, onde os agentes envolvidos sejam beneficiados com a utilização das mudas no próprio assentamento e para a comercialização na região.

O acesso às mudas arbóreas de espécies nativas diversas, com poucos recursos econômicos, possibilita à comunidade o planejamento de sistemas produtivos complexos, com enfoque tanto na alimentação como na produção madeireira e para usos diversos, que vem a confrontar com o atual modelo agrícola. Atualmente a situação da agricultura familiar ou de pequenas propriedades se agrava ainda mais, visto que alternativas deste tipo foram pouco ou quase nada desenvolvidas no Estado do Rio Grande do Sul, ao contrário, grandes empresas nacionais e multinacionais vieram ao Estado e optaram por plantar espécies exóticas em grandes extensões de terra, na forma de monoculturas. Além disso, essas plantações visam a produção de celulose para papel, sendo a maior parte para exportação. Ou seja, essas monoculturas de espécies exóticas, como Eucaliptus spp. e Pinus elliottii, além de representarem um prejuízo enorme do ponto de vista ambiental e paisagístico, não geram produtos para a alimentação das famílias e pela forma como estão sendo aplicadas, refletem o mesmo modelo econômico de concentração de renda nas mãos de grandes empresários e ao capital externo.

O projeto apresenta uma proposta para a construção e o desenvolvimento de um viveiro comunitário, que será discutida e reavaliada junto à comunidade, de maneira que todos os processos e atividades fiquem bem esclarecidos. O espaço do viveiro servirá como núcleo de biodiversidade e fonte de inspiração comunitária, para a construção de novos espaços, como hortos medicinais e paisagísticos.

2. OBJETIVOS GERAL

• Implementação de um viveiro de essências florestais nativas.

ESPECÍFICOS • Produção de mudas florestais para serem utilizadas em recuperação ambiental;

• Capacitação de agentes para a conservação e a utilização da agrobiodiversidade;

• Formação de um núcleo de diversidade genética para uso na implantação e desenvolvimento de sistemas agrícolas diversificados;

• Resgate da agrobiodiversidade e de técnicas de manejo de agroecossistemas diversificados;

• Promover ações de educação ambiental e humana;

• Alternativa para a subsistência das famílias do assentamento;

• Alternativa de renda para os agricultores;

• Suprir outras demandas, como paisagismo, lazer, remédios caseiros e ciclos ecológicos.

3. JUSTIFICATIVAS

A construção de um viveiro para produção de essências florestais nativas no

Assentamento Rural “Herdeiros de Oziel Alves”, no Município de São Jerônimo, justificase por criar uma série de precedentes para atividades educacionais, ambientais e de produção agrícola.

Essas atividades refletem na comunidade uma maior autonomia, com menos dependência do Mercado, através da diversificação de culturas e do trabalho comunitário, assim como a valorização histórico-cultural dos agentes/assentados envolvidos. Além disso, elas vêm confrontar o atual modelo de desenvolvimento econômico proposto pelo Agronegócio monocultural e exportador, que exclui e inviabiliza a produção familiar em pequena escala.

Outro fator importante a considerar é a realização de um ciclo produtivo em conformidade com os ciclos ecológicos, de modo a haver recuperação, conservação e preservação dos recursos naturais, resultando na diminuição dos insumos agrícolas usados na produção agropecuária.

Com a ampliação do horizonte de novas possibilidades, os agentes envolvidos terão a possibilidade de perceberem diversos processos naturais e agrícolas, relacionando-os e desenvolvendo sua própria dinâmica, baseados em sua carga cultural.

Durante o processo de implementação, com atividades educacionais, a construção do viveiro será realizada com a participação da comunidade de forma que crianças e adultos sejam preparados para atuar e compreender todos os processos, aliando a teoria com a prática.

A valorização de espécies nativas e o acesso a essa biodiversidade, é de fundamental importância para a difusão e o desenvolvimento de uma agricultura menos agressiva ao ambiente e ao humano, com o planejamento e o desenvolvimento de sistemas agrícolas diversificados e que considerem a dinâmica sussecional de espécies na natureza.

4. MATERIAIS E MÉTODOS

O bom andamento das atividades inerentes à dinâmica do viveiro depende, dentre outros fatores, de uma disponibilidade de ferramentas e utensílios básicos para a realização das diferentes atividades. Segue abaixo uma listagem destes onde estão inclusos os materiais para estruturação, uso cotidiano ou periódico e de consumo.

4.1 Materiais para a estruturação e construção do viveiro • Sombrite 50%: 3 rolos de 3 metros de largura por 50 metros de comprimento cada;

• 4 rolos de mangueira preta de 50 metros cada, para condução da água de irrigação;

• brita ou cascalho para cobertura dos caminhos;

• 1 moirões de eucalipto de 30cm x 3 m, para estrutura básica;

• 45 escoras de 4 metros para complemento da estrutura;

• 62 costaneiras de 3,40 metros para estrutura do sombrite e das bancadas de germinação;

• 20 Kg de arame queimado (2 m) para sustentação do sombrite e uso geral;

• 1 caixa d'água 1000 Litros para irrigação;

4.2 Materiais básicos para funcionamento do viveiro • 2 pás de corte quadrado

• 1 alicate

• 1 martelo

(Parte 1 de 5)

Comentários