Dengue: manual de Enfermagem

Dengue: manual de Enfermagem

(Parte 1 de 5)

disque saúde 0800.61.1997 w.saude.gov.br/svs w.saude.gov.br/bvs

Dengue manual de enfermagem adulto e criança

Ministério da saúde

Brasília / dF 2008

Tiragem: 330.0 exemplares

Impresso na Dupligráfica Editora Ltda.

SIG Sul - Quadra 4 - 125

Brasília - DF Brasília, março de 2008

Dengue manual de enfermagem adulto e criança

Ministério da saúde secretaria de Vigilância em saúde diretoria técnica de Gestão

Brasília / dF 2008 série a. normas e Manuais técnicos

© 2008 Ministério da Saúde

Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução parcial ou total desta obra, desde que citada a fonte e que não seja para venda ou qualquer fim comercial. A coleção institucional do Ministério da Saúde pode ser acessada na íntegra na Biblioteca Virtual do Ministério da Saúde: w.saude.gov.br/bvs

Série A. Normas e Manuais Técnicos

Tiragem: 1ª edição – 2008 – 330.0 exemplares

Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Ficha Catalográfica

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Diretoria Técnica de Gestão.

Dengue : manual de enfermagem – adulto e criança / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigi- lância em Saúde, Diretoria Técnica de Gestão. – Brasília : Ministério da Saúde, 2008. 48 p. (Série A. Normas e Manuais Técnicos)

ISBN 978-85-334-1466-2

1. Dengue. 2. Assistência. 3. Saúde pública. I. Título. I. Série.

NLM WC 528 Catalogação na fonte – Coordenação-Geral de Documentação e Informação – Editora MS – OS 2008/0190 títulos para indexação Em inglês: Dengue: Guide for nursing – Adult and Child Em espanhol: Dengue Guía de enfermería – Adulto y Niño elaboração, edição e distribuição MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Vigilância em Saúde Diretoria Técnica de Gestão Produção: Núcleo de Comunicação endereço Esplanada dos Ministérios, Bloco G, Edifício Sede, 1º andar, Sala 134 CEP: 70058-900, Brasília/DF E-mail: svs@saude.gov.br Endereço eletrônico: w.saude.gov.br/svs

Produção editorial Capa e projeto gráfico: Fabiano Camilo Diagramação: Sabrina Lopes Revisão: Mara Soares Pamplona Normalização: Valeria Gameleira da Mota organização Ana Cristina da Rocha Simplício Fabiano Geraldo Pimenta Júnior Giovanini Evelim Coelho Suely Esashika

Colaboradores Ana Paula Gonçalves Lima Resende Ivaneuza Gomes de Ávila Maciel Lucia Alves da Rocha Lucia Maria Coelho Araújo Maria do Socorro da Silva Marisa Dias Rolan Loureiro Leudinéa Sá Pacheco

Apresentação | 5 1 Introdução | 7

2 Espectro clínico | 7 2.1 Aspectos clínicos na criança | 8 2.2 Febre hemorrágica da dengue (FHD) | 8 2.3 Dengue com complicações | 9 2.4 Caso suspeito de dengue | 9

3 Diagnóstico diferencial | 9

4 Atendimento de enfermagem ao paciente com suspeita de dengue | 10 4.1 Roteiro de atendimento | 10

5 Indicações para internação hospitalar | 13

6 Estadiamento | 13 6.1 Grupo A | 13 6.2 Grupo B | 13 6.3 Grupo C e D | 14

7 Assistência de enfermagem | 14 7.1 Febre | 14 7.2 Cefaléia, dor retroorbitária, mialgias, artralgias | 15 7.3 Prurido | 15 7.4 Dor abdominal | 16 7.5 Plaquetopenia | 17 7.6 Anorexia, náuseas e vômitos | 18

Sumário

7.7 Sangramentos: gengivorragia, hematêmese, epistaxe, metrorragia e outros | 19

8 Sinais de choque | 21 8.1 Objetivo | 21 8.2 Conduta | 2 8.3 Complicações | 2

9 Dengue com complicações (formas atípicas) | 25 9.1 Derrame cavitário | 25 9.2 Encefalopatia | 25 9.3 Falências hepáticas, renais e respiratórias | 26 9.4 Hemoglobinúria | 26

10 Medicamentos utilizados (conforme prescrição médica) | 26 10.1 Sintomáticos | 26

1 Confirmação laboratorial | 27 1.1 Metódos de diagnóstico | 28

12 Critérios para alta hospitalar | 28

13 Classificação final e encerramento do caso | 29 13.1 Caso confirmado de dengue clássica | 29 13.2 Caso confirmado de febre hemorrágica da dengue | 29 13.3 Caso confirmado de dengue com complicações | 30

Referências | 31

Anexos | 32

Anexo A - Protocolo de verificação de sinais vitais | 32 Anexo B - Dor – Mensuração | 38 Anexo C - Protocolo de Oxigenoterapia | 39 Anexo D - Cateterismo gástrico e Punção venosa | 45 Anexo E - Cartão de Identificação do Paciente com Dengue | 48 secretaria de Vigilância em saúde / Ms

Apresentação

O Ministério da Saúde, por intermédio da Secretaria de Vigilância em Saúde

(SVS), tem a satisfação de apresentar aos profissionais de enfermagem o manual “Dengue Manual de Enfermagem – Adulto e Criança” elaborado em parceria com técnicos das secretarias estaduais e municipais de saúde e profissionais dos conselhos regionais e federal da enfermagem.

Esta publicação cumpre o papel de informar e atualizar os conhecimentos dos profissionais de enfermagem, visando à melhoria da qualidade da assistência integral prestada ao paciente com dengue. Assim, procura prevenir a ocorrência de formas graves e, conseqüentemente, reduzir a letalidade por dengue, o principal objetivo do Programa Nacional de Controle da Dengue.

A dengue representa uma das grandes preocupações do Ministério da Saúde, devido à quantidade de casos notificados todos os anos. Por abranger quase a totalidade do território nacional, há risco potencial de ocorrer novas epidemias associadas à circulação do sorotipo DEN-3 e a possibilidade da entrada do DEN-4, único sorotipo que ainda não teve disseminação no país.

A publicação deste manual sistematiza as informações sobre os procedimentos de enfermagem para o atendimento aos pacientes com dengue, e concretiza mais uma iniciativa do Ministério da Saúde, que busca dotar o Sistema Único de Saúde (SUS) de respostas mais adequadas a esse grande desafio da saúde pública.

Por fim, espero que este manual possa auxiliar os profissionais de enfermagem no seu trabalho com os pacientes, na prevenção e na formação das equipes de saúde, assim como os gestores do SUS.

José Gomes Temporão Ministro da Saúde

Gerson Penna Secretário de Vigilância em Saúde dengue: manual de enfermagem – adulto e criança secretaria de Vigilância em saúde / Ms

1 Introdução

A dengue é hoje uma das doenças com maior incidência no Brasil, atingindo a população de todos os estados, independentemente da classe social. Nesse cenário, torna-se imperioso que um conjunto de ações para a prevenção da doença seja intensificado, permitindo assim a identificação precoce dos casos de dengue, a tomada de decisões e a implementação de medidas de maneira oportuna, a fim de principalmente evitar óbitos. Preservar a vida humana é obrigação de todos.

A capacitação de profissionais de saúde no atendimento ao paciente com dengue é um dos principais componentes do Programa Nacional de Controle da Dengue (PNCD) do Ministério da Saúde. Para atender a essa necessidade de treinamento, a Secretaria de Vigilância em Saúde elaborou o presente material, que visa orientar os profissionais de enfermagem, para uma identificação precoce e uma assistência adequada ao paciente com dengue.

A classificação da dengue, segundo a Organização Mundial da Saúde, na maioria das vezes é retrospectiva e depende de critérios clínicos e laboratoriais que nem sempre estão disponíveis precocemente, porém a ação sistemática e efetiva do atendimento de enfermagem permite auxiliar no reconhecimento precoce de formas potencialmente graves, que necessitam de tratamento imediato.

A proposta deste manual é, portanto, abordar aspectos da assistência de enfermagem, desenvolvendo um atendimento integral, que possa colaborar para o restabelecimento da saúde individual e coletiva.

2 Espectro clínico

A infecção pelo vírus da dengue causa uma doença de amplo espectro clínico, incluindo desde formas inaparentes até quadros graves, podendo evoluir para o óbito. Dentre estes, destaca-se a ocorrência de febre hemorrágica da dengue, hepatite, insuficiência hepática, manifestações do sistema nervoso, miocardite, hemorragias graves e choque.

Na dengue, a primeira manifestação é a febre, geralmente alta (39ºC a 40ºC) de início abrupto, associada à cefaléia, adinamia, mialgias, artralgias, dor retroorbitária, com presença ou não de exantema e/ou prurido. Anorexia, náuseas, vômitos e diarréia podem ser observados por dois a seis dias.

dengue: manual de enfermagem – adulto e criança secretaria de Vigilância em saúde / Ms8

Alguns pacientes podem evoluir para formas graves da doença e passam a apresentar sinais de alarme da dengue, principalmente quando a febre cede, os quais precedem as manifestações hemorrágicas graves.

As manifestações hemorrágicas como epistaxe, petéquias, gengivorragia, metrorragia, hematêmese, melena, hematúria e outros, bem como a plaquetopenia podem ser observadas em todas as apresentações clínicas de dengue. É importante ressaltar que o fator determinante na febre hemorrágica da dengue é o extravasamento plasmático, que pode ser expresso por meio da hemoconcentração, hipoalbuminemia e ou derrames cavitários.

2.1 aspectos clínicos na criança

A dengue na criança, na maioria das vezes, apresenta-se como uma síndrome febril com sinais e sintomas inespecíficos: apatia, sonolência, recusa da alimentação, vômitos, diarréia ou fezes amolecidas.

Nos menores de 2 anos de idade, especialmente em menores de 6 meses, os sintomas como cefaléia, mialgias e artralgias podem manifestar-se por choro persistente, adinamia e irritabilidade, geralmente com ausência de manifestações respiratórias, podendo confundir com outros quadros infecciosos febris, próprios desta faixa etária.

As formas graves sobrevêm geralmente em torno do terceiro dia de doença, acompanhadas ou não da defervescência da febre.

Na criança, o início da doença pode passar despercebido e o quadro grave ser identificado como a primeira manifestação clínica. O agravamento geralmente é súbito, diferente do adulto, no qual os sinais de alarme de gravidade são mais facilmente detectados. O exantema, quando presente, é maculopapular, podendo apresentar-se sob todas as formas (pleomorfismo), com ou sem prurido, precoce ou tardiamente.

2.2 Febre hemorrágica da dengue (FHd)

As manifestações clínicas iniciais da dengue hemorrágica são as mesmas descritas nas formas clássicas de dengue. Entre o terceiro e o sétimo dia do início da doença, quando da defervescência da febre, surgem sinais e sintomas como vômitos importantes, dor abdominal intensa, hepatomegalia dolorosa, desconforto respiratório, letargia, derrames cavitários (pleural, pericárdico, ascite), que alarmam a possibilidade de evolução do paciente para a forma hemorrágica da doença. Em geral, esses sinais de alarme precedem as manifestações hemorrágicas dengue: manual de enfermagem – adulto e criança secretaria de Vigilância em saúde / Ms espontâneas ou provocadas (prova do laço positiva) e os sinais de insuficiência circulatória, que podem existir na FHD. O paciente pode evoluir em seguida para instabilidade hemodinâmica, com hipotensão arterial, taquisfigmia e choque.

2.3 dengue com complicações

É todo caso grave que não se enquadra nos critérios da OMS de FHD e quando a classificação de dengue clássica é insatisfatória.

Nessa situação, a presença de um dos achados a seguir caracteriza o quadro: alterações graves do sistema nervoso; disfunção cardiorrespiratória; insuficiência hepática; plaquetopenia igual ou inferior a 50.0/mm3; hemorragia digestiva; derrames cavitários; leucometria global igual ou inferior a 1.0/mm3; óbito.

Manifestações clínicas do sistema nervoso, presentes tanto em adultos como em crianças, incluem: delírio, sonolência, coma, depressão, irritabilidade, psicose, demência, amnésia, sinais meníngeos, paresias, paralisias, polineuropatias, síndrome de Reye, síndrome de Guillain-Barré e encefalite. Podem surgir no decorrer do período febril ou mais tardiamente, na convalescença.

2.4 Caso suspeito de dengue

Todo paciente que apresenta doença febril aguda com duração de até sete dias, acompanhada de pelo menos dois dos sintomas como cefaléia, dor retroorbitária, mialgias, artralgias, prostração ou exantema, associados ou não à presença de hemorragias. Além de ter estado, nos últimos 15 dias, em área onde esteja ocorrendo transmissão de dengue ou tenha a presença de Aedes aegypti.

Todo caso suspeito de dengue deve ser notificado à Vigilância Epidemiológica.

3 Diagnóstico diferencial

As principais doenças que fazem diagnóstico diferencial são: influenza, enteroviroses, doenças exantemáticas (sarampo, rubéola, parvovirose, eritema infeccioso, mononucleose infecciosa, exantema súbito, citomegalovirose e outras), hepatites virais, abscesso hepático, abdome agudo, hantavirose, arboviroses (febre amarela, Mayaro, Oropouche e outras), escarlatina, pneumonia, sepse, infecção urinária, meningococcemia, leptospirose, malária, salmonelose, riquetsioses, doença de Henoch-Schonlein, doença de Kawasaki, púrpura dengue: manual de enfermagem – adulto e criança secretaria de Vigilância em saúde / Ms10 auto-imune, farmacodermias e alergias cutâneas. Outros agravos podem ser considerados conforme a situação epidemiológica da região.

4 Atendimento de enfermagem ao paciente com suspeita de dengue

Cabe ao profissional de enfermagem coletar e registrar dados da forma mais detalhada possível no prontuário do paciente. Esses dados são necessários para o planejamento e a execução dos serviços de assistência de enfermagem.

4.1 roteiro de atendimento

4.1.1 Histórico de enfermagem (entrevista e exame físico) a) Data do início dos sintomas. b) Verificar pressão arterial, pulso, enchimento capilar, freqüência respiratória, temperatura. c) Realizar medidas antropométricas (peso, altura, índice de massa corporal (IMC). d) Pesquisar sinais de alarme. e) Realizar prova do laço na ausência de manifestações hemorrágicas. f) Segmento da pele: pesquisar pele fria ou quente, sinais de desidratação, exantema, petéquias, hematomas, sufusões e outros. g) Segmento cabeça: observar sensibilidade à luz, edema subcutâneo palpebral, hemorragia conjuntival, petéquias de palato, epistaxe e gengivorragia. h) Segmento torácico: pesquisar sinais de desconforto respiratório, de derrame pleural e pericárdico. i) Segmento abdominal: pesquisar dor, hepatomegalia, ascite, timpanismo, macicez e outros. j) Segmento neurológico: pesquisar cefaléia, convulsão, sonolência, delírio, insônia, inquietação, irritabilidade e depressão. k) Sistema músculo-esquelético: pesquisar mialgias, artragias e edemas. l) Realizar a notificação e investigação do caso. m)Registrar no prontuário as condutas prestadas de enfermagem.

dengue: manual de enfermagem – adulto e criança secretaria de Vigilância em saúde / Ms11 referência de normalidade para pressão arterial em crianças

diastólica = 20 a 60mmHg

• Recém-Nascido até 92 horas: sistólica = 60 a 90mmHg

diastólica = 53 a 66mmHg

• Lactentes < de 1 ano: sistólica = 87 a 105mmHg Pressão média sistólica (percentil 50) para crianças > de 1 ano = idade em anos x 2 + 90

Para determinar hipotensão arterial, considerar: pressão sistólica limite inferior (percentil 5) para crianças > de 1 ano: idade em anos x 2 + 70. Achados de pressão arterial sistólica abaixo deste percentil ou valor sinaliza hipotensão arterial.

Pediatric Advanced Life Support, 1997; Murahovschi, J. 2003.

➤ Em crianças, usar manguito apropriado para a idade e peso.

Prova do laço A prova do laço deverá ser realizada obrigatoriamente em todos os casos suspeitos de dengue durante o exame físico.

(Parte 1 de 5)

Comentários