Dengue: manual de Enfermagem

Dengue: manual de Enfermagem

(Parte 2 de 5)

• Desenhar um quadrado de 2,5cm de lado (ou uma área ao redor da falange distal do polegar) no antebraço da pessoa e verificar a pressão arterial (deitada ou sentada).

• Calcular o valor médio: (PAS+PAD)/2.

• Insuflar novamente o manguito até o valor médio e manter por cinco minutos em adultos (em crianças, 3 minutos) ou até o aparecimento de petéquias ou equimoses.

• Contar o número de petéquias no quadrado. A prova será positiva se houver 20 ou mais petéquias em adultos e 10 ou mais em crianças.

A prova do laço é importante para a triagem do paciente suspeito de dengue, pois é a única manifestação hemorrágica de FHD representando a fragilidade capilar.

dengue: manual de enfermagem – adulto e criança secretaria de Vigilância em saúde / Ms12 sinais de alarme a) Dor abdominal intensa e contínua. b) Vômitos persistentes. c) Hipotensão postural e/ou lipotímia. d) Hepatomegalia dolorosa. e) Hemorragias importantes (hematêmese e/ou melena). f) Sonolência e/ou irritabilidade. g) Diminuição da diurese. h) Diminuição repentina da temperatura corpórea ou hipotermia. i) Aumento repentino do hematócrito. j) Queda abrupta de plaquetas. k) Desconforto respiratório.

4.1.2 Histórico de epidemiologia a) Perguntar sobre presença de casos semelhantes no local de moradia ou de trabalho. b) Perguntar sobre história de deslocamento nos últimos 15 dias para área de transmissão de dengue.

4.1.3 Orientações aos pacientes e familiares a) Todos os pacientes (adultos e crianças) devem retornar imediatamente em caso de aparecimento de sinais de alarme. b) O desaparecimento da febre (entre o segundo e o sexto dia de doença) marca o início da fase crítica, razão pela qual o paciente deverá retornar para nova avaliação no primeiro dia desse período. c) Orientar o paciente sobre o uso e importância do “Cartão de Identificação do Paciente com Dengue” (Anexo E).

Para seguimento do paciente, recomenda-se:

A adoção do “Cartão de Identificação do Paciente com Dengue”, que é entregue após a consulta ambulatorial em que constam as seguintes informações: dados de identificação, unidade de atendimento, data de início dos sintomas, medição de PA, prova do laço, hematócrito, plaquetas, sorologia, orientações sobre sinais de alarme e local de referência para atendimento de casos graves na região.

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5 Indicações para internação hospitalar a) Presença de sinais de alarme. b) Recusa na ingesta de alimentos e líquidos. c) Comprometimento respiratório: dor torácica, dificuldade respiratória, diminuição do murmúrio vesicular ou outros sinais de gravidade. d) Plaquetas <20.0/mm3, independentemente de manifestações hemorrágicas. e) Impossibilidade de seguimento ou retorno à unidade de saúde. f) Co-morbidades descompensadas como diabetes mellitus, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca,uso de dicumarínicos, crise asmática, etc. g) Outras situações a critério médico.

6 Estadiamento

O manejo adequado do paciente com dengue depende do reconhecimento precoce dos sinais de alarme, do contínuo monitoramento, reestadiamento dos casos e da pronta reposição hídrica. Com isso, torna-se necessário a revisão da história clínica, acompanhado do exame físico completo a cada reavaliação do paciente, com o devido registro em instrumentos pertinentes (prontuários, ficha de atendimento, cartão de acompanhamento).

6.1 Grupo a a) Febre por até sete dias, acompanhada de pelo menos dois sinais e sintomas inespecíficos (cefaléia, prostração, dor retroorbitária, exantema, mialgias, artralgias) e história epidemiológica compatível. b) Prova do laço negativa e ausência de manifestações hemorrágicas espontâneas. c) Ausência de sinais de alarme.

6.2 Grupo B a) Febre por até sete dias, acompanhada de pelo menos dois sinais e sintomas inespecíficos (cefaléia, prostração, dor retroorbitária, exantema, mialgias, artralgias) e história epidemiológica compatível. b) Prova do laço positiva ou manifestações hemorrágicas espontâneas, sem repercussão hemodinâmica. c) Ausência de sinais de alarme.

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◗ ATenÇÃO!!!

Os sinais de alarme e o agravamento do quadro costumam ocorrer na fase de remissão da febre.

6.3 Grupos C e d a) Febre por até sete dias, acompanhada de pelo menos dois sinais e sintomas inespecíficos (cefaléia, prostração, dor retroorbitária, exantema, mialgias, artralgias) e história epidemiológica compatível. b) Presença de algum sinal de alarme (que caracteriza o Grupo C) e/ou manifestações hemorrágicas presentes ou ausentes. c) Presença de sinais de choque (o que caracteriza o Grupo D).

sinais de choque a) Hipotensão arterial.

b) Pressão arterial convergente (PA diferencial <20mmHg). c) Extremidades frias, cianose. d) Pulso rápido e fino. e) Enchimento capilar lento (>2 segundos).

7 Assistência de enfermagem

.1 Febre

7.1.1 Objetivo a) Reduzir a temperatura. b) Avaliar a evolução clínica. c) Prevenir a convulsão por febre. d) Proporcionar conforto para o paciente.

7.1.2 Conduta a) Controle rigoroso de temperatura. b) Aplicar compressas mornas (nunca fria devido ao risco de vasoconstricção súbita). c) Orientar, auxiliar e supervisionar a ingesta de líquidos (oferta de soro oral).

dengue: manual de enfermagem – adulto e criança secretaria de Vigilância em saúde / Ms1 d) Orientar, auxiliar e supervisionar banho com água morna. e) Atentar para o risco de crise convulsiva (crianças menores de 5 anos, principalmente lactentes). f) Observar diurese (quantidade, aspecto e cor). g) Realizar balanço hídrico e hidroeletrolítico. h) Administrar medicação prescrita. i) Registrar sinais vitais. j) Registrar no prontuário as condutas de enfermagem prestadas.

.2 Cefaléia, dor retroorbitária, mialgias e artralgias

7.2.1 Objetivo a) Controlar e reduzir a dor. b) Prevenir complicações. c) Avaliar a evolução clínica. d) Proporcionar conforto para o paciente.

7.2.2 Conduta a) Verificar sinais vitais. b) Diminuir a luminosidade e ruídos, se possível. c) Orientar repouso relativo. d) Estimular a mudança de decúbito. e) Aplicar a escala de dor para a tomada de conduta. f) Administrar medicação prescrita. g) Aplicar protocolo de cuidados de enfermagem com acesso venoso periférico ou central. g) Registrar no prontuário as condutas de enfermagem prestadas.

.3 Prurido

7.3.1 Objetivo a) Avaliar a evolução clínica. b) Restabelecer e manter a integridade da pele. c) Proporcionar conforto para o paciente.

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7.3.2 Conduta a) Auxiliar, orientar e dar banhos com água em temperatura ambiente ou aplicar compressas umedecidas em água na pele do paciente, sem fricção. b) Manter as unhas aparadas e lixadas. c) Orientar para a utilização de sabonete neutro. d) Orientar quanto ao uso de medicação prescrita. e) Registrar no prontuário as condutas de enfermagem prestadas.

.4 dor abdominal

7.4.1 Objetivo a) Avaliar a evolução clínica. b) Observar evolução para formas graves. c) Proporcionar alívio à dor. d) Controlar complicações. e) Proporcionar conforto ao paciente.

7.4.2 Conduta a) Realizar exame físico dirigido: localização da dor, distensão abdominal, som maciço à percussão, edema, presença de defesa abdominal. b) Aplicar e avaliar a escala de dor (Anexo B). c) Colocar o paciente em posição confortável, preferencialmente com a cabeceira elevada (semi-Fowler). d) Auxiliar o paciente em qualquer movimentação. e) Verificar e avaliar os sinais vitais. f) Controlar líquidos ingeridos e eliminados. e) Aplicar protocolo de cuidados de enfermagem com acesso venoso periférico ou central. g) Atentar para o risco de choque hipovolêmico*. h) Administrar a medicação prescrita. i) Medir a circunferência abdominal para avaliar distensão e edema, hemorragia digestiva alta e baixa (melena), hematúria ou hipermenorréia. k) Registrar no prontuário as condutas de enfermagem prestadas.

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◗ ATenÇÃO!!!

A dor abdominal é um achado importante que pode anteceder o choque, constituindo um dos principais sinais de alarme.

7.5.1 Objetivo a) Avaliar a evolução clínica. b) Controle e avaliação de exames de laboratório. c) Prevenir complicações.

7.5.2 Conduta a) Realizar exame físico dirigido: verificar edema, petéquias, equimose, hematoma, sangramentos (epistaxe, gengivorragia, metrorragia e outros). b) Manter o acesso venoso permeável. c) Controlar a diurese e densidade urinária. d) Atentar para o risco de choque. e) Manter cabeceira do leito elevada (semi-Fowler). f) Providenciar a coleta exames de controle de acordo com a solicitação médica. g) Notificar ao médico sempre que o resultado da plaqueta for menor ou igual a 100.0 e o hematócrito maior do que 10% em relação ao valor basal ou anterior. h) Verificar sinais vitais. i) Observar sinais de irritação, agitação, sonolência e convulsão. j) Registrar no prontuário as condutas de enfermagem prestadas.

Paciente com hematócrito aumentado em até 10% acima do valor basal ou, na ausência deste, com as seguintes faixas de valores:

• crianças: ≥ 38% e ≤ 42% • mulheres: ≥ 40% e ≤ 4%

• homens: ≥ 45% e ≤ 50% e/ou plaquetopenia entre 50 e 100.0 cels/m e/ou leucopenia <1.0 cels/m.

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.6 anorexia, náuseas e vômitos

7.6.1 Objetivo a) Acompanhar evolução clínica. b) Estabelecer e manter o equilíbrio hídrico e hidroeletrolítico. c) Prevenir complicações.

7.6.2 Conduta a) Realizar exame físico. b) Orientar e supervisionar a aceitação da dieta. c) Aplicar protocolo de cuidados de enfermagem com sonda nasogástrica para alimentação, se necessário. d) Estimular a ingesta de soro de reidratação oral (livre demanda em crianças e em adultos 1/3 do peso corporal, conforme aceitação). e) Atentar para sinais de hiponatremia e hipocalemia. f) Incentivar a ingesta de alimentos/frutas ricas em potássio (laranja, banana, tomate, etc.). g) Adequar a ingesta de líquidos conforme os hábitos do paciente (chimarrão, água de coco, etc.). h) Pesar o paciente diariamente e/ou a cada retorno. i) Observar e avaliar os sinais e sintomas de desidratação (turgor e elasticidade da pele reduzidos, diminuição da reserva salivar, pulso filiforme, oligúria ou anúria, fontanela deprimida e taquicardia). j) Verificar e avaliar as alterações dos sinais vitais (Anexo A). k) Realizar e avaliar curva térmica e pressórica. l) Anotar volume, característica, data, hora do vômito e freqüência. m)Manter o ambiente livre de odores desagradáveis. n) Registrar no prontuário as condutas de enfermagem prestadas.

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. sangramentos: gengivorragia, hematêmese, epistaxe, metrorragia e outros

7.7.1 Objetivo a) Acompanhar evolução clínica. b) Reduzir os fatores que contribuem para o sangramento. c) Prevenir complicações.

7.7.2 Conduta a) Identificar e avaliar a ocorrência de sangramento, anotando o local, volume e as características. b) Não administrar medicamentos por via intramuscular. c) Utilizar o dispositivo venoso de acordo com o calibre da veia. d) Exercer pressão no local da retirada de venopunção até cessar o sangramento ou fazer curativo se necessário. e) Aplicar bolsa de gelo ou gelo seco sobre a área de venopunção na persistência de sangramento e/ou aplicar compressão direta sobre o local. f) Verificar sinais vitais. g) Realizar exame físico dirigido: abdome (dor pélvica, distensão, abdominal, presença de defesa abdominal) e sinais de choque. h) Realizar controle hídrico e hidroeletrolítico. i) Avaliar os exames laboratoriais: plaquetas, tempo de atividade, protrombina, hematócrito e hemoglobina. j) Preparar o paciente para a realização de exames complementares (ultra-sonografia), etc. k) Não aplicar pomadas antitrombolíticas. l) Aplicar assistência de enfermagem na administração de hemoderivados. m)Registrar no prontuário as condutas de enfermagem prestadas.

7.7.3 Gengivorragia

7.7.3.1 Conduta a) Orientar a higiene oral com escova de cerdas macias ou “bonecas de gaze” com movimentos suaves. b) Orientar bochechos com anti-séptico oral não alcoólico. c) Evitar a ingestão de alimentos ácidos, duros e quentes; adequar a dieta de acordo com o estado do paciente e respectiva necessidade calórica.

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7.7.4 Epistaxe

7.7.4.1 Conduta a) Aplicar compressa fria sobre a pirâmide nasal e realizar compressão com o auxílio de gazes. b) Manter o paciente sentado ou em posição semi-Fowler. c) Não realizar hiper-extensão de pescoço. d) Realizar tamponamento nasal com gazes. e) Interagir com o profissional médico para avaliação da necessidade de tamponamento nasal posterior. f) Manter fixação do tamponamento, identificando data, hora e nome do profissional que realizou o procedimento. g) Avaliar os exames laboratoriais: plaquetas, TAP, hematócrito e hemoglobina. h) Orientar e supervisionar a não remoção de crostas, coágulos ou sujidades nasais. i) Verificar sinais vitais. j) Observar aspectos de sangramento e sua duração. k) Registrar no prontuário as condutas de enfermagem prestadas.

7.7.5 Hematêmese

7.7.5.1 Conduta a) Avaliar, orientar e registrar a ocorrência: hora, volume e característica. b) Verificar e registrar os sinais vitais. c) Realizar exame físico dirigido: dor e distensão abdominal, abdome em tábua, pele e mucosas e sinais de choque. d) Posicionar o paciente em Fowler alto. e) Orientar a higiene oral com escova de cerdas macias ou “bonecas de gaze” com movimentos suaves. f) Orientar bochechos com anti-séptico oral não alcoólico. g) Administrar antiemético conforme prescrição médica. h) Realizar controle de diurese. i) Realizar balanço hídrico e hidroeletrolítico. j) Controlar e avaliar eliminações atentando para: diurese (presença de hematúria, oligúria e anúria), fezes (melena, enterorragia). k) Investigar fatores desencadeantes (úlcera péptica, cirrose hepática, medicamentos anticoagulantes). l) Avaliar exames laboratoriais: plaquetas, TAP, hematócrito e hemoglobina.

dengue: manual de enfermagem – adulto e criança secretaria de Vigilância em saúde / Ms21 m)Não realizar lavagem gástrica*. n) Evitar inserir sonda nasogástrica. Se necessária a inserção da mesma, atentar para lubrificação adequada para evitar lesões. o) Registrar no prontuário as condutas de enfermagem prestadas.

◗ ATenÇÃO!!! A lavagem gástrica pode provocar o aumento de sangramento da mucosa gástrica.

7.7.6 Metrorragia

7.7.6.1 Conduta a) Realizar controle de diurese. b) Realizar balanço hídrico e hidroeletrolítico. c) Investigar fatores desencadeantes (medicamentos anticoagulantes e antiagregantes plaquetários, dispositivo intra-uterino, gravidez, aborto e puerpério recentes). d) Avaliar exames laboratoriais: plaquetas, TAP, hematócrito e hemoglobina. e) Controlar e avaliar metrorragia atentando para: volume, coloração, odor, presença de coágulos. f) Controlar e avaliar as eliminações atentando para: diurese (presença de hematúria, oligúria e anúria), fezes (melena, sangue vivo) e hematêmase. g) Realizar exame físico dirigido: dor pélvica, distensão abdominal, abdome em tábua, pele e mucosas e sinais de choque. h) Estabelecer um método de controle de sangramento vaginal: chumaço, absorvente. i) Orientar a não utilizar absorvente interno. j) Orientar, auxiliar, realizar e supervisionar a higiene da região pélvica. k) Verificar e registrar os sinais vitais. l) Registrar no prontuário as condutas de enfermagem prestadas.

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