Dengue: manual de Enfermagem

Dengue: manual de Enfermagem

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8 Sinais de Choque

8.1 objetivo a) Acompanhar evolução clínica b) Detectar precocemente os sinais de choque. c) Prevenir complicações.

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8.2 Conduta a) Detectar precocemente os sinais: hipotensão, hipotermia, taquisfigmia, taquipnéia, sangramentos, hêmese severa, abdome plano, polidipsia, cianose de extremidades, tontura, irritabilidade, choro persistente ou sonolência em criança, tempo de enchimento capilar >2 segundos, sudorese, pele fria e pegajosa, oligúria/anúria, confusão mental, alteração na fala, torpor e coma. b) Controlar sinais vitais e instalar oxímetro de pulso. c) Identificar precocemente a convergência da pressão arterial. d) Controlar líquidos administrados. e) Administrar oxigênio. f) Desobstruir vias aéreas superiores. g) Manter cabeceira elevada. h) Proceder cateterismo gástrico conforme prescrição médica. i) Medir resíduo gástrico e atentar para o aspecto. j) Proceder cateterismo vesical usando técnica asséptica. k) Controlar a diurese e densidade urinária. l) Puncionar acesso venoso calibroso (dois acessos de preferência). m)Manter hidratação venosa conforme prescrição. n) Pesar diariariamente o paciente. o) Controlar exames laboratoriais. p) Observar alteração do nível de consciência. q) Manter o paciente aquecido. r) Registrar no prontuário as condutas de enfermagem prestadas.

8.3 Complicações a) Extravasamento de plasma. b) Choque ou persistência do choque. c) Sangramento. d) Dor abdominal. e) Hipóxia. f) Oligúria/anúria.

8.3.1 Extravasamento de plasma

8.3.1.1 Conduta a) Manter a circulação intravascular adequada. b) Manter acesso venoso periférico.

dengue: manual de enfermagem – adulto e criança secretaria de Vigilância em saúde / Ms23 c) Verificar os sinais vitais (SV)2/2 ou 4/4 horas; (Quadro SV). d) Avaliar o pulso e a temperatura de 1/1 hora. e) Verificar hematócrito de 4 a 6 horas. f) Orientar a ingesta de líquidos na ocorrência de náuseas ou vômitos persistentes não administrar ingesta. g) Realizar balanço hídrico e hidroeletrolítico. h) Manter acesso calibroso, duas vias (cuidados com venopunção). i) Observar cálculo e volume do gotejamento. j) Realizar exame físico. k) Realizar a hidratação venosa por bomba de infusão. l) Utilizar técnica asséptica. m) Acompanhar a administração de hemoderivados. n) Controlar a diurese no mínimo a cada 8 horas; o ideal é a cada 2 horas. o) Medir a densidade urinária no mínimo de 6/6 horas e no máximo de 12/12 horas. p) Observar resultado esperado: presença de urina em 8 horas, estabilização de sinais vitais. q) Comunicar alterações ao médico. r) Registrar no prontuário as condutas de enfermagem prestadas.

8.3.2 Choque ou persistência do choque

8.3.2.1 Conduta a) Monitorar sinais vitais de 15 a 30 minutos. b) Comunicar a ocorrência de choque imediatamente ao médico. c) Administrar fluídos venosos SF0, 9% ou ringer lactato conforme prescrito. d) Avaliar os exames laboratoriais. e) Anotar, registrar o tempo do choque e as intercorrências. f) Registrar no prontuário as condutas de enfermagem prestadas.

8.3.3 Sangramento

8.3.3.1 Conduta Procedimento conforme descrito no ítem 7.7.

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8.3.4 Dor Abdominal

8.3.4.1 Conduta Procedimento conforme descrito no ítem 7.4.

8.3.5 Hipóxia

8.3.5.1 Conduta a) Manter paciente monitorizado com oxímetro de pulso. b) Introduzir cateter nasal ou máscara de oxigênio conforme prescrição médica. c) Trocar o sistema a cada 24 horas (Protocolo de Oxigenoterapia – Anexo C). d) Verificar complicações decorrentes da oxigenoterapia (irritabilidade ocular e alterações de gasometria). e) Comunicar ao médico a chegada do resultado dos exames. f) Observar taquipnéia, cianose, esforço respiratório e alterações do nível de consciência. g) Aplicar escala de coma de Glasgow. h) Registrar colheita de gasometria com agulha de fino calibre (13/4,5). i) Registrar no prontuário as condutas de enfermagem prestadas.

◗ ATenÇÃO!!! O cateter pode causar trauma e sangramento.

8.3.6 Oligúria/anúria

8.3.6.1 Conduta a) Realizar controle de diurese, observar no prontuário aspectos como cor e odor (valor preocupante: oligúria). b) Realizar cateterismo vesical se necessário. c) Evitar sangramentos durante a remoção da sonda. d) Realizar a higiene externa. e) Realizar exame físico: nível de consciência e sinais de desidratação. f) Avaliar os exames urina tipo I e urocultura. g) Estimular a ingesta de líquidos. h) Registrar no prontuário as condutas de enfermagem prestadas.

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9 Dengue com complicações (formas atípicas) a) Derrame cavitário. b) Encefalopatia. c) Falência hepática, renal e respiratória. d) Hemoglobinúria.

.1 derrame cavitário

9.1.1 Conduta a) Realizar exame físico: taquipnéia, dispnéia, tosse, sons anormais, crepitação roncos e sibilos. b) Verificar os sinais vitais e enchimento capilar. c) Realizar balanço hídrico e hidroeletrolítico, Pressão venosa central. d) Observar a evolução do choque. e) Comunicar as alterações ao médico. f) Administrar oxigenioterapia conforme prescrição médica. g) Monitorar hematócrito. h) Administrar medicamentos conforme prescrição médica. i) Registrar no prontuário as condutas de enfermagem prestadas.

◗ ATenÇÃO!!! Após a melhora do quadro de insuficiência respiratória, manter saturação acima de 95%.

.2 encefalopatia

9.2.1 Conduta a) Avaliar nível de consciência (irritabilidade, distúrbio da fala, torpor, coma, desconforto respiratório). b) Providenciar material de emergência. c) Viabilizar oximetria. d) Aplicar escala de coma de Glasgow e avaliação neurológica de hora em hora. e) Atentar para o risco de crise convulsiva. f) Manter em segurança paciente em crise convulsiva. h) Comunicar ao médico o resultado de exames.

dengue: manual de enfermagem – adulto e criança secretaria de Vigilância em saúde / Ms26 i) Assegurar medicação e soroterapia. j) Manter acesso venoso calibroso. k) Atentar para cuidados de biossegurança com hemoderivados e hemodiálise. l) Aspirar secreção com cuidado, evitar sangramento durante o procedimento. n) Registrar no prontuário as condutas de enfermagem prestadas.

.3 Falências hepáticas, renais e respiratórias

9.3.1 Conduta a) Monitorar continuamente.

.4 Hemoglobinúria

9.4.1 Conduta a) Detectar precocemente a hemoglobinúria. b) Realizar balanço hídrico e hidroeletrolítico. c) Realizar rigoroso controle de diurese, atentando para coloração e volume urinário.

10 Medicamentos utilizados (conforme prescrição médica)

10.1 sintomáticos a) Antitérmicos e analgésicos

• Dipirona. • Paracetamol

• Os salicilatos não devem ser administrados, pois podem causar sangramentos. • Os antiinflamatórios não hormonais (ibuprofeno, diclofenaco, nimesulida) e drogas com potencial hemorrágico não devem ser utilizados.

dengue: manual de enfermagem – adulto e criança secretaria de Vigilância em saúde / Ms2 b) Antieméticos

• Metoclopramida. • Bromoprida.

• Alizaprida.

• Dimenidrinato.

c) Antipruriginosos

O prurido na dengue pode ser extremamente incômodo, mas é autolimitado, durando em torno de 36 a 48 horas.

A resposta à terapêutica antipruriginosa usual nem sempre é satisfatória, mas podem ser utilizadas as medidas a seguir: • Medidas tópicas: banhos frios e compressas com gelo.

d) Drogas de uso sistêmico:

• Dexclorfeniramina. • Cetirizina.

• Loratadina.

• Hidroxizine.

◗ ATenÇÃO!!!

O uso de drogas sintomáticas é recomendado para os pacientes com febre elevada ou com dor. Deve ser evitada a administração destas por via intramuscular.

1 Confirmação laboratorial

A confirmação laboratorial é orientada de acordo com a situação epidemiológica: • em períodos não epidêmicos, solicitar o exame de todos os casos suspeitos; • em períodos epidêmicos, solicitar o exame em todo paciente grave ou quando houver dúvidas no diagnóstico, seguindo as orientações da Vigilância Epidemiológica de cada região.

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1.1 Métodos de diagnóstico

• Sorologia – Método Elisa. • Detecção de vírus ou antígenos virais » Isolamento viral

» Imunohistoquímica. • Anatomopatológico.

a) Diagnóstico sorológico – a sorologia é utilizada para a detecção de anticorpos antidengue e deve ser solicitada a partir do sexto dia do início dos sintomas.

b) Diagnóstico virológico – tem por objetivo identificar o patógeno e monitorar o sorotipo viral circulante. Para a realização da técnica de isolamento viral, a coleta deve ser solicitada até o quinto dia de início dos sintomas.

c) Anatomopatológico

» Todo óbito deve ser investigado. Todo paciente grave, que potencialmente pode evoluir para óbito, deve ter seu soro armazenado ou sangue colhido para a realização de exames específicos. » Fragmentos de fígado, pulmão, baço, gânglios, timo e cérebro podem ser retirados por ocasião da necropsia ou, na impossibilidade, por punção de víscera (viscerotomia), devendo ser feita tão logo seja constatado o óbito. » Para a realização dos exames histopatológico e imunohistoquímica, o material coletado deve ser armazenado em frasco com formalina tamponada, mantido e transportado em temperatura ambiente.

12 Critérios para alta hospitalar

Para a alta hospitalar, o paciente precisa preencher todos os seis critérios a seguir: » Ausência de febre durante 24 horas, sem uso de terapia antitérmica.

» Melhora visível do quadro clínico.

» Hematócrito normal e estável por 24 horas.

» Plaquetas em elevação e acima de 50.0/mm3.

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» Estabilização hemodinâmica durante 24 horas. » Derrames cavitários, quando presentes, em regressão e sem repercussão clínica.

13 Classificação final e encerramento do caso

Nesta etapa, são consideradas todas as informações clínica, epidemiológica e laboratorial para o diagnóstico final de um caso de dengue, conforme o Guia de Vigilância Epidemiológica do Ministério da Saúde.

A padronização da classificação de casos permite a comparação da situação epidemiológica entre diferentes regiões. A classificação é retrospectiva e, para sua realização, deve-se reunir todas as informações clínicas, laboratoriais e epidemiológicas do paciente, conforme descrito a seguir.

13.1 Caso confirmado de dengue clássica

É o caso suspeito, confirmado laboratorialmente. Durante uma epidemia, a confirmação pode ser feita pelos critérios clínico-epidemiológicos, exceto nos primeiros casos da área, os quais deverão ter confirmação laboratorial.

13.2 Caso confirmado de febre hemorrágica da dengue

É o caso confirmado laboratorialmente e com todos os seguintes critérios presentes: a) Febre ou história de febre recente de sete dias. b) Trombocitopenia (≤100.0/mm3 ou menos). c) Tendências hemorrágicas evidenciadas por um ou mais dos seguintes sinais: prova do laço positiva, petéquias, equimoses ou púrpuras, sangramentos de mucosas do trato gastrintestinal e outros. d) Extravasamento de plasma devido ao aumento de permeabilidade capilar, manifestado por: » hematócrito apresentando um aumento de 20% (adulto) e 10% (criança) sobre o basal na admissão; » queda do hematócrito em 20%, após o tratamento adequado;

» presença de derrame pleural, ascite e hipoproteinemia.

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Segundo a Organização Mundial da Saúde, a febre hemorrágica da dengue pode ser classificada de acordo com a sua gravidade em:

a) Grau I – febre acompanhada de sintomas inespecíficos, em que a única manifestação hemorrágica é a prova do laço positiva; b) Grau I – além das manifestações do grau I, hemorragias espontâneas leves (sangramento de pele, epistaxe, gengivorragia e outros); c) Grau I – colapso circulatório com pulso fraco e rápido, estreitamento da pressão arterial ou hipotensão, pele pegajosa e fria e inquietação; d) Grau IV – Síndrome do Choque da Dengue (SCD), ou seja, choque profundo com ausência de pressão arterial e pressão de pulso imperceptível.

13.3 Caso confirmado de dengue com complicações

Todos os casos que não se enquadram nos critérios da OMS de FHD e DC com sorologia ou isolamento viral positivo para dengue.

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Anexo A

Protocolo de verificação de sinais vitais

1 temperatura corporal

Objetivos a) Conhecer as condições térmicas do paciente. b) Colaborar no diagnóstico e tratamento de doenças.

Materiais a) Termômetro. b) Cuba rim. c) Bola de algodão. d) Álcool a 70%. e) Relógio com ponteiro de segundos. f) Bandeja

Procedimentos

• Reunir o material. • Higienizar as mãos.

• Orientar o paciente e/ou acompanhantes sobre o procedimento a ser realizado.

• Baixar a coluna de mercúrio do termômetro abaixo de 34ºC ou 35ºC.

• Enxugar as axilas do paciente e colocar o termômetro fazendo pequena compressão. • Deixar durante 3 a 5 minutos, fazendo a leitura imediatamente.

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