Analise Gerencial e Contabil de Custos

Analise Gerencial e Contabil de Custos

(Parte 7 de 7)

O preço médio de venda do ano foi de $ 7,00/u.

Esses custos foram os médios do ano para os variáveis e o total do exercício para os fixos.

Para 1999, espera-se que os impostos, que representam metade dos “Outros Custos Fixos”, aumentem em 80%, enquanto que se guarda aumento de 40% sobre os salários diretos e indiretos e um acréscimo de 35% sobre os demais custos e despesas.

Espera-se ainda que o preço médio do ano seja de $ 8,45/u apenas.

A empresa tem o seguinte Patrimônio (sintetizado) em 31-12-98:

Ativo:

Circulante $ 500.000

Permanente $ 900.000 $ 1.400.000

( - ) Passivo:

Circulante $ 200.000

Longo Prazo $ 200.000 $ 400.000

( = ) Patrimônio Líquido $ 1.000.000

Espera ainda a indústria uma inflação de 8% para 1999.

  1. Qual foi seu Ponto de Equilíbrio Contábil em 1998?

  2. Qual será seu Ponto de Equilíbrio em 1999?

  3. Qual deve ser seu volume de vendas para que consiga um lucro real de 10% sobre seu Patrimônio Líquido em 1999?

  4. E se quiser que esse lucro seja o líquido, depois do Imposto de Renda de 30%?

Análise Gerencial e Contábil de Custos

Prof. Ms José Marcos Paula Theodoro

Custos para Decisão

Ponto de Equilíbrio Contábil, Econômico e Financeiro

Se uma empresa tem as seguintes características:

Custos + Despesas Variáveis: $6.000/u

Custos + Despesas Fixos: $4.000.000/ano

Preço de Venda: $8.000/u

sabemos que seu Ponto de Equilíbrio será obtido quando a soma das Margens de Contribuição ($2.000/u) totalizar o montante suficiente para cobrir todos os Custos e Despesas Fixos; esse é o ponto em que contabilmente não haveria nem lucro nem prejuízo (supondo produção igual à venda).

Logo, esse é o Ponto de Equilíbrio Contábil (PEC):

PEC = $4·000.000 / ano = 2.000 u/ano, ou $16.000.000/ano de Vendas

$2.000 / u

Mas um resultado contábil nulo significa que, economicamente, a empresa está perdendo (pelo menos o juro do capital próprio investido).

Supondo que essa empresa tenha tido um Patrimônio Líquido no início do ano de $10.000.000, colocados para render um mínimo de 10% a.a., temos um lucro mínimo desejado anual de $1.000.000. Assim, se essa taxa for a de juros no mercado, concluímos que o verdadeiro lucro da atividade será obtido quando contabilmente o resultado for superior a esse retorno. Logo, haverá um ponto de equilíbrio econômico (PEE) quando houver um lucro contábil de $1.000.000.

O PEE será obtido quando a soma das Margens de Contribuição totalizar então $5.000.000, para que, deduzidos os Custos e Despesas Fixos de $4.000.000, sobrem os $1.000.000 de lucro mínimo desejado:

PEE = $5.000.000 / ano = 2.500 u/ano, ou $20.000.000/ano de Receitas

$2.000 / u

Se a empresa estiver obtendo um volume intermediário entre as 2.000 e as 2.500 unidades estará obtendo resultado contábil positivo, mas estará economicamente perdendo, por não estar conseguindo recuperar sequer o valor do juro do capital próprio investido.

Por outro lado, o Resultado Contábil e o Econômico não são coincidentes, necessariamente com o Resultado Financeiro. Por exemplo, se dentro dos Custos e Despesas Fixos de $4.000.000 existir uma Depreciação de $800.000, sabemos que essa importância não irá representar desembolso de caixa.

Dessa forma, os desembolsos fixos serão de $3.200.000/ano; portanto, o Ponto de Equilíbrio Financeiro (PEF) será obtido quando conseguirmos obter uma Margem de Contribuição Total nessa importância:

PEF = $3.200 000/ano = 1,600 u/ano, ou $12.800.000 de Receitas Totais

$2.000/u

Se a empresa estiver vendendo nesse nível, estará conseguindo equilibrar-se financeiramente, mas estará com um prejuízo contábil de $800.000, já que não estará conseguindo recuperar-se da parcela "consumida" do seu Ativo Imobilizado. Economicamente estará, além desse montante, perdendo os $1.000.000 dos juros, com um prejuízo total de $1.800.000.

Se o volume de vendas for de 2.200 u, teremos:

Resultado Contábil: 200 u x $2.000/u = $400.000 de lucro

Resultado Econômico: (300 u) x $2.000/u = ($600.000) de prejuízo

Resultado Financeiro: 600 u x $2.000/u = $1.200.000 de superávit

(Esses números foram calculados tomando-se o volume de vendas em unidades menos os respectivos Pontos de Equilíbrio; seriam os mesmos caso calculássemos Receitas Totais menos Custos e Despesas Totais - contábeis, econômicas e financeiras.)

Assim, haveria em "Caixa" uma sobra de $1.200.000/ano, que significariam, contabilmente, lucro de $400.000, já que $80.000 seriam a recomposição no Ativo da parte perdida no Imobilizado, mas essa sobra de $400.000 é $600.000 inferior ao mínimo desejado de $1.000.000.

Essa é de fato uma hipótese simplista para o cálculo do Resultado Financeiro, pois estamos admitindo todas as receitas recebidas e todos os custos e despesas (exceto depreciação, é claro) pagos; mas também podemos admitir que o conceito de "Caixa" seja ampliado para "Disponível + Valores a Receber de Clientes - Valores a Pagar a Fornecedores dos Insumos (Bens e Serviços)". Poderia também ser calculado outro Ponto de Equilíbrio Financeiro que levasse em conta eventuais divergências entre prazos de pagamento e de recebimento.

Mais importante do que esse, todavia, é a elaboração de um segundo Ponto de Equilíbrio Financeiro (PEF2), que leve em consideração parcelas financeiras de desembolso obrigatório no período que não estejam computadas nos Custos e Despesas.

Por exemplo, suponhamos que a empresa tenha feito um Empréstimo de $8.000.000 para somar a seus Recursos Próprios a fim de conseguir os recursos totais para operar; e, mais, que os encargos financeiros desses $8.000.000 já estejam contidos dentro dos $4.000.000 de Custos e Despesas Fixos. Entretanto, a parcela da amortização não estará lá colocada. Supondo que tenhamos que amortizar esse empréstimo em parcelas anuais de $2.000.000, concluímos que, financeiramente, a empresa precisa obter em cada período os $3.200.000 de desembolsos fixos dos Custos e Despesas mais essa parcela de $2.000.000. Logo, o Ponto de Equilíbrio Financeiro para conseguir esse objetivo será:

PEF2 = $5.200.000 / ano = 2.600 u/ano, ou $20.800.000 de Vendas Totais

$2.000 / u

Assim, se estiver trabalhando num volume de 2.550 u, estará com um Resultado Contábil de $1.100.000, Econômico de $100.000, Financeiro de $1.900.000, se considerarmos só as operações, e Financeiro deficitário em $100.000, se levarmos em conta que não conseguiu todo o recurso necessário ao pagamento da amortização da dívida.

Outros cálculos podem ser feitos dentro dessa mesma linha de idéias; apenas expusemos os exemplos iniciais suficientes para o desenvolvimento individual de outras alternativas.

EXERCÍCIOS

01 - Uma indústria de televisores tem a seguinte estrutura de custos e despesas:

Custos fixos $ 16.000.000/mês

Custos variáveis $ 3.000/un

Despesas fixas $ 4.000.000/mês

Despesas variáveis 10% das vendas

Preço de venda $ 5.555/un

Sabendo que

  • a empresa deseja um retorno mínimo de 10% ao ano sobre o PL de $240.000.000;

  • 20% dos seus custos fixos são depreciações e que ela tem compromissos fixos para o ano de $ 6.000.000 mensais, a título de amortizações de dívidas, pede-se:

  1. calcular o Ponto de Equilíbrio Contábil e Econômico;

  2. Calcular o PE Financeiro sem e com a amortização das dívidas

02 – O analista de custos de uma certa empresa resolveu aplicar as técnicas de análise do Ponto de Equilíbrio para verificar o desempenho da empresa.

Sabia que a mesma vinha vendendo nos últimos meses 30.000 pacotes de algodão/mês, à base de $35 por pacote. Seus custos e despesas fixas têm sido de $472.500/mês e os variáveis de $15/pacote.

Suas dúvidas são as seguintes:

  1. Qual a margem de segurança da empresa?

  2. Um aumento de 2000 un na margem de segurança trará que efeito sobre o lucro?

  3. Qual a alavancagem operacional a partir daí calculada?

  4. Se conseguir uma redução de 20% sobre os custos e despesas fixas, o que acontecerá com a margem de segurança em termos percentuais?

  5. Supondo a não alteração do seu quadro de custosa atual, qual deverá ser o aumento de suas vendas para aumentar em 40% seus lucros atuais?

Análise Gerencial e Contábil de Custos

Prof. José Marcos

Bloco

D

Custos para Decisão

módulo

05

Fixação do Preço de Venda

O processo de fixação dos preços, que está intimamente ligado ao sistema de planejamento de uma empresa, deve refletir os objetivos e estratégias estabelecidas pela administração e constantes do plano gerencial da empresa.

As empresas procuram com isso, que o preço proporcione a longo prazo o maior lucro possível; que possibilite à venda; permita a otimização da capacidade produtiva e a otimização do capital investido.

Este processo de determinação é influenciado por inúmeros fatores, destaca-se:

  • A capacidade e a disponibilidade que o consumidor dispõe;

  • A qualidade do produto em relação as necessidades do mercado consumidor;

  • A existência da concorrência;

  • A demanda esperada do produto;

  • O volume de produção;

  • O mercado de atuação do produto;

  • Os custos e despesas de fabricar, administrar e comercializar o produto;

  • Os ganhos e perdas de gerir o produto.

Pode-se afirmar que a determinação dos preços está mais ligada ao marketing da empresa do que ao custo. Porém os custos são fatores preponderantes na formação e análise dos preços de venda. De forma geral, os custos determinados segundo as modernas técnicas de custeio, possibilitam, à luz do mercado, a avaliação dos efeitos sobre os lucros das alternativas de preços a serem praticadas, permitindo à empresa decidir sobre a continuidade, ou descontinuidade, ou ainda a modificação de produtos.

Exemplificando:

Uma empresa qualquer, antes de lançar um novo produto, através do departamento de pesquisa de mercado do seu setor de marketing, faz um levantamento em que prevê: se o produto for colocado a $ 2.000/un, há uma previsão de vendas de 10.000 unidades por mês; se colocar a $ 1.800/un, a previsão de vendas aumenta para 13.000 unidades por mês. Qual é a mellhor decisão para a empresa?

Neste caso, a melhor opção para fazer o cálculo é através da margem de contribuição, pois se realizado o cálculo com base no rateio de custos e despesas será necessário incluir o volume para depois fixar o preço.

Assim, entre as alternativas interessará a que apresentar maior Margem de Contribuição Total. Considerando a soma de custos de despesas variáveis do produto a $ 1.200.00/un:

Hipótese a) 10.000un a $2.000/un

Margem de contribuição = $ 2.000 – $ 1.200 = $ 800/un

Margem de contribuição Total = 10.000un x R$ 800/un = $ 8.000.000

Hipótese b) 13.000un a R$1800/un

Margem de contribuição = $ 1800 – $ 1.200 = $ 600/un

Margem de contribuição total = 13.000un x $ 600/un = $ 7.800.000

Verifica-se que a melhor hipótese é a primeira com preço maior e quantidade menor. A margem de contribuição total é suficiente para cobrir os encargos fixos e ainda fornecer um lucro mínimo desejado.

A decisão correta seria a mesma se considerarmos os custos e despesas variáveis a $ 600/un?

Neste caso, com uma maior Margem de Contribuição Total, a hipótese b é a melhor, pois resulta em melhor resultado.

Assim, nota-se que é importante conhecer a estrutura de custos e despesas, pois é a partir da Margem de Contribuição que podemos obter dados mais confiáveis para tomada de decisões. Entretanto é importante lembrar que a melhor alternativa não é aquela que dá maior Margem de Contribuição por unidade, mas aquela que dá maior Margem de Contribuição Total. Nem sempre a alternativa que possibilita a maior receita é a que dá melhores resultados.

Comprar ou Fabricar?

Suponhamos que uma empresa esteja fabricando um determinada peça que se usa na fabricação de geladeiras. Ela apropria os custos indiretos à base de horas-máquina as 800 unidades que fabrica.

Componente:

Material e mão-de-obra Diretos: $ 730/u

Custos Indiretos: $1.400.000­­ x 0,5 hm/u = $ 350/u

2.000 hm

Custo unitário total = $ 1.080

Produto:

Material e MOD diretos: $ 3.600/u

Custos indiretos de produção: $1.400.000 x 2,5 hm/u = 1.400/u

2.000 hm

Custo total: R$ 6.080 (R$3.600 + R$1.400 + R$ 1.080)

A empresa recebe a proposta de um fornecedor, que pode entregar a peça por $ 800/u. Deve aceitar?

Se os custos fixos são comuns tanto para o produto, quanto para a peça, nada altera para a empresa. O custo variável é de $ 730, se comprar , será de $ 800.

Talvez exista a possibilidade de a empresa eliminar grande parte de seus custos fixos, desativando um setor da fábrica. Vejamos: os custos variáveis somam $ 584.000, a compra dos componentes somaria $ 640.000 (800u x $ 800/u), então só valerá a pena a decisão, se a empresa conseguir custos fixos maior que $ 56.000 ($ 640.000 – $ 584.000), aí o custo total da empresa seria menor que o total da produção.

Neste tipo de decisão, o conceito de custeio variável é de suprema importância, já que sempre a alternativa correta será aquela que trouxer maior diferencial de Margem de Contribuição, o que significa diretamente diferencial do próprio lucro.

Mas precisam ser lembrados os Incrementos (ou Decréscimos) nos custos fixos.

EXERCÍCIOS

1- A Cia das Bicicletas está atualmente produzindo e vendendo 9600 unidades por ano. Após fazer uma pesquisa de mercado, verificou que precisaria diminuir o preço de venda de $3000 para $2900 a unidade para conseguir elevar suas vendas para o máximo de sua capacidade de produção que é de 12000 unidades/ano.

  1. Sabendo que os custos e despesas variáveis são de $2100/un e que os fixos totalizam $500.000 por mês, fora a depreciação de $840000 por ano, calcular o lucro por unidade e elaborar os outros cálculos necessários para análise da situação.

  2. Qual dos dois preços de venda deve adotar a empresa para maximizar seu lucro?

Para completar essa pesquisa, a companhia verificou ainda que, caso baixasse o preço para $2700/un, poderia colocar no mercado 1500 unidades por mês. Entretanto, necessitaria de um investimento adicional em equipamentos no valor de $12milhões. Estes teriam uma vida útil de 20 anos e uma valor residual de $3600000. O acréscimo nos custos fixos (exceto depreciação) seria de 15%.

  1. Qual seria sua decisão nesse caso? Justifique.

2- Certa panificadora observou que, na semana em que cobra $30/kg de um tipo de produto, vende um total de 2400 kg do mesmo, no entanto, quando cobra $32, vende 2100 kg. Cada quilo desse produto acresce seus custos de $16, além dos $12000 semanais de custos fixos referentes a essa linha de produção.

a- qual deve ser o preço cobrado por esse produto, para maximização do lucro?

Suponha agora que haja um aumento de 30% sobre a matéria-prima utilizada nesse produto e que essa MP represente 50% do seu custo variável total.

b- Analise essa nova situação.

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