Fisiologia do Movimento Humano

Fisiologia do Movimento Humano

(Parte 8 de 8)

A motricidade é ainda possível, mas apenas por meio de movimentos mais grosseiros, que não exigem a coordenação e o controle independente de diferentes articulações. Não é possível, no lado lesado, a realização de movimentos coordenados de flexão e extensão em torno das articulações do joelho e tornozelo. Movimentos dos membros superiores também são muito limitados, sendo que pode restar algum controle de articulações proximais, como ombro e eventualmente o cotovelo. O tratamento fisioterápico de pacientes hemiplégicos, no entanto, pode contribuir de forma importante na redução da espasticidade, melhorando o desempenho de algum controle motor voluntário que tenha sido preservado.

Apraxias

Muitas lesões corticais resultam em déficits de coordenação que não podem ser atribuídos a hemiplegia, diminuição da força muscular, distúrbios sensoriais ou perda da motivação. Uma classe importante de lesões desse tipo é denominada apraxia, que significa a perda da habilidade motora. Essa perda pode comprometer tarefas cotidianas, como escovar os dentes, ou cortar uma fatia de pão. Pacientes apráxicos tendem a apresentar um pior desempenho motor quando solicitados a imitar uma dada ação motora como, por exemplo, repetir com as mãos vazias a seqüência de gestos necessários para cortar, com uma faca imaginária em uma das mãos, a fatia de um pão, também imaginário, seguro na outra.

Apraxias podem ser produzidas por lesões em diferentes áreas corticais, como o córtex pré-frontal, a área motora suplementar, e o córtex parietal. Esse fato demonstra que sintomas apráxicos não constituem um conjunto homogêneo de alterações motoras, mas podem representar diversas facetas da disfunção de um complexo processo de transformação sensório-motora. Assim, sintomas apráxicos podem surgir como conseqüência de lesões do córtex parietal, o qual é envolvido na construção de representações de movimentos complexos. A realização de um movimento, no entanto, requer que essas representações sejam transformadas em um plano motor específico. Essa transformação exige a participação de circuitos localizados em áreas pré-frontais e pré-motoras, sendo que lesões dessas áreas podem, portanto, resultar em apraxias.

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