Resenha sobre o Livro meu vizinho é um psicopata

Resenha sobre o Livro meu vizinho é um psicopata

STOUT, MARTA

MEU VIZINHO É UM PSICOPATA.

Através desta obra, a Doutora Marta Sout, demonstra casos clínicos de pacientes que sofreram vários tipos de transtornos emocionais em decorrência de terem entrado em contato com indivíduo sociopatas, e ainda sita algumas características que podem servir de alerta ao nos depararmos com essas pessoas.

Nos doze capítulos das duzentas e trinta e oito páginas do livro, a autora relata situações que poderiam passar despercebidas do ponto de vista leigo, mas que são extremamente importantes, se levarmos em consideração o sofrimento das vítimas que sofreram transtornos mentais relacionados à coação psicológica.

Sociopatas são pessoas sem consciência, os quais não apresentam arrependimento por atos que possam ter vindo a prejudicar os demais tanto física, quanto psicologicamente, pois possuem um distúrbio de personalidade anti-social.

Apresentam um exterior sedutor, seguido de uma ampla capacidade de manipulação, fazendo uso de múltiplas personalidades para elevar seu poder de persuadir os que considera inferiores.

Sendo a principal meta desses indivíduos vencer, no entanto sua realização se dá em presenciar a derrota alheia, fato o qual esta ligado ao seu delírio de grandeza, ou seja, crê que as outras pessoas não chegam nem perto de sua inteligência e capacidade estratégica.

De vinte e cinco pessoas uma é psicopata, totalizando quatro por cento da população, um levantamento de certa forma aterrador.

Ao tentar compreender a etiologia desta patologia, a autora faz uma analogia entre consciência e super ego, utilizando a teoria de Sigmund Freud (The Ego and the Id, 1990), que acreditava que o ultimo determina nossas ações pensadas, ou seja, condutas que anteriormente fomos advertidos a não seguir, por serem erradas ou imorais. Enquanto a consciência esta ligada ao caráter e nem sempre aceitará as regras impostas.

Mas como já foi citado os sociopatas não possuem consciência e se analisarmos mais a fundo, até mesmo seu super ego é constantemente reprimido, pois eles não criam laços afetivos com os demais, crendo ainda que apenas seus preceitos de certo e errado se fazem valer.

Tendendo assim a anosognosia, por crerem que todos seus atos são coerentes, não aceitando responder por nenhuma conseqüência subseqüente, utilizando seu charme para que isto aconteça.

A autora faz referencia, a capacidade que o ser humano tem de reduzir outros a “coisas”, de certa forma deixando de lado sua consciência, aceitando certas situações que em outras circunstancias seriam repreendidas, como por exemplo, condenar um assassino a pena de morte, estariam de certa forma “pagando na mesma moeda”, sem levar em consideração que tal ato seria hediondo da mesma maneira que o cometido pelo individuo, porém não é visto desta forma, pois nossa consciência se aplica a seres humanos e não a “coisas”.

O poder de manipulação dos sociopatas é o que torna tão difícil seu diagnóstico, pois quando eles são desmascarados, tentam persuadir quem os acusa, alternando entre fases que vão de reduzir-se a vítima, até sentir- se indignado e irritado com a acusação.

Essas pessoas, sem consciência, tem o poder de cegar parcialmente o sétimo sentido das pessoas, utilizando contra eles algumas das ferramentas necessárias para que a sociedade esteja unida, como: a solidariedade, vínculos sexuais, papéis sociais e profissionais e principalmente a organização promovida pela autoridade.

Os vínculos sexuais foram citados, pois os sociopatas em sua grande maioria sofrem de transtornos ligados a sexualidade, utilizando- se dos parceiros apenas como objetos.

Esta obra serve de certa forma como um alerta para a sociedade em geral, que tenta consciente ou tacitamente, julgar o caráter de um indivíduo com base em sua aparência, no entanto essa estratégia de avaliação é ineficaz na maioria dos casos, pois os bandidos nem sempre terão a aparência que desejamos para que haja um reconhecimento prévio.

Marta Stout, Ph.D. ,autora deste livro, trabalha como psicóloga em seu consultório particular. Foi membro do corpo docente do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Harvard durante vinte e cinco anos.Também é autora de The Mith of Sanity. Mora em Cape Ann, em Massachusetts.

O titulo original da obra é The Sociopath next door, lançado nos Estados Unidos em 2005, foi traduzido para nosso idiomas por Regina Lyra.

Stout, Marta /Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2010.

GÉSSIKA GONÇALVES, acadêmica de Enfermagem, da Universidade da Região da Campanha (URCAMP). Resenha proposta para a disciplina de Saúde Mental, ministrada pela docente Lúcia Vieira.

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