Bíblia e a qualidade total

Bíblia e a qualidade total

(Parte 1 de 8)

BÍBLIA e

Bíblia e Qualidade Total

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José dos Santos Marques

Bíblia e Qualidade Total

© 2001 José dos Santos Marques © 2001 Livraria Nobel

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Coordenação editorial: Clemente Raphael Mahl

Assistente editorial: Marta L. Tasso

Produção gráfica: Fábio Cardoso/Mirian Cunha

Capa: Marta Cerqueira Leite

Composição: Polis Impressão:

Índice para catálogo sistemático: 1. Qualidade total : Ensinamentos biblícos : Administração de empresas658.4013

Nenhuma parte desta obra poderá ser reproduzida, copiada, transcrita ou mesmo transmitida por meios eletrônicos ou gravações sem a permissão, por escrito, do editor. Os infratores serão punidos pela Lei no 9.610/98.

Impresso no Brasil / Printed in Brazil

Marques, José dos Santos Bíblia e qualidade total / José dos Santos Marques. – São Paulo : Nobel, 2001.

ISBN 85-213-1150-8

1. Bíblia – Crítica e interpretação2. Empresas – Controle de qualidade 3. Qualidade total – AdministraçãoI. Título

01-2634 CDD-658.4013

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Apresentação7
1“No princípio, Deus criou o céu e a terra”13
2A liderança de Pedro14
3A liderança de Neemias20
4O bom samaritano e a qualidade humana22
8A teoria de Jetro: descentralização do poder31
9Salmo 15 – modelo do homem justo33
11Parábola dos operários da vinha36
12 A alegria de viver37
13 A justiça no trabalho40
16 A verdade liberta45
18Não tema! Não tenha medo47
19 O líder dos líderes54
21Humildade: vantagem competitiva ou desvantagem significativa?60
22Aproveitar os talentos internos ou buscá-los no mercado?62
25O sonho das três árvores68
26A preocupação de cada dia70
28O irmão mais velho do filho pródigo73
30 A fidelidade do administrador78
32Jacó: uma história de amor82
33Saulo: a força que veio de fora84
37Viva em paz e seja feliz93
38A liderança de São José95
39Natanael, um líder de verdade98
40As lições da visita de Maria a Isabel100
41 O temor do Senhor103
43O homem se revela pela fala110
44Viver para trabalhar ou trabalhar para viver?113
45Riqueza virtual versus pobreza real115
46Ao campeão só interessa o 1o lugar117
47Ver para crer ou crer para ver?119
48 O segredo da felicidade120
50 Conclusão125

Apresentação

Há tempos vinha alimentando o sonho de escrever um livro rastreado na

Bíblia, nos moldes deste que você está lendo agora. Faltavam-me, além de engenho e arte, decisão, já que tempo, ainda que exíguo, se bem administrado, é multiplicado e suficiente.

O amadurecimento dessa idéia ocorreu em outubro de 1998, quando participei de um seminário do Ibap (Educação Empesarial), em São Paulo, no qual, após mais de 25 anos, logrei encontrar um grande amigo, o Professor Gretz, melhor conferencista do evento, que, alto-e-bom-som, deu o seu recado sempre recheado de pensamentos bíblicos aplicados à realidade das empresas.

Lendo em seguida suas publicações: É óbvio, Viabilizando talentos, O prefeito de Jerusalém e Vida com qualidade, renunciei a outros projetos e a outras prioridades, e me pus à luta, motivado e disposto a escrever algo que pudesse ajudar as empresas e as pessoas neste início de milênio. Vieram-me, então, à mente os versos de Casimiro de Abreu:

Todos cantam sua terra Também vou cantar a minha Nas débeis cordas da lira Hei de fazê-la rainha.

Muitos escreveram sobre qualidade, excelência no atendimento ao cliente, autoajuda, motivação, criatividade, e eu sou apenas mais um que, possivelmente nada acrescentarei, mas se conseguir reavivar em cada leitor o que está subjacente em sua consciência dar-me-ei por satisfeito.

Quase todos os livros sobre sucesso, motivação e auto-ajuda estão em linha com os ensinamentos bíblicos, ainda que não lhes façam referência, pois a Bíblia é, na realidade, o melhor livro escrito até hoje sobre princípios éticos, relacionamento e crescimento pessoal.

Abstrair a beleza das parábolas de sua finalidade precípua que é a evangelização, para aplicá-las à vida das empresas, parece, num primeiro instante, uma utopia, mas não o é, visto que todos os ambientes devem ser arejados com as mensagens divinas, uma vez que passamos mais de oito horas – horário nobre – dentro das organizações.

Desejo, pois, caro leitor, que a sinergia que experimentei ao escrever este livro possa ser-lhe repassada, e com tal intensidade que haja entre nós uma verdadeira sintonia e vivência das mensagens, e conseqüente aplicação na vida pessoal e profissional.

Contatos com o autor para informações sobre o livro, Palestras e Seminários pelo e-mail js.marques@uol.com.br

Prefácio

A Bíblia é uma fonte inesgotável de tesouros espirituais, de cultura, de fé, de amor, de motivação, de auto-ajuda, de energização, de entusiasmo, de relacionamento, de liderança, de solidariedade, absolutamente indispensável para o crescimento pessoal e profissional.

O Professor Marques trabalhou muitos anos em empresa multinacional, tendo haurido grande conhecimento de como se comportar nos meandros intrincados das organizações.

O Marques foi, também, professor universitário, em instituições de primeira linha, deliciando seus alunos com sua rara erudição e seu sempre atualizado conhecimento.

Suas aulas e suas palestras eram e são recheadas de pensamentos extraídos da

Bíblia. Assim sendo, sistematizar agora toda essa experiência e transformá-la em livro não foi tarefa difícil. E fê-lo com invejável competência.

O objetivo principal de sua obra é municiar as empresas e os colaboradores de armas invencíveis, lastreadas na Bíblia, portanto, prenhes de ética e transparência, de tal modo que sejam vencedores num mundo de renhida globalização.

Trata-se de uma das mais completas obras sobre o assunto e indispensável para aqueles que priorizam a qualidade humana. Todos os capítulos trazem inúmeros exemplos de personagens bíblicos para o dia-a-dia das empresas. Quando ele fala sobre a liderança de Pedro, por exemplo, mostra que o chefe dos apóstolos não fez teste de inteligência para comandar o grupo, mas era o mais motivado, possuindo um elevado quociente emocional.

Moisés não queria ser líder, relutou em aceitar essa missão. Mas uma vez com tal investidura, demonstrou forte comprometimento com as metas que lhe foram delineadas. E quando Jetro, o primeiro consultor de empresas do mundo, mostrou ao genro que ele era muito centralizador, Moisés imediatamente adotou a metodologia do sogro.

O bom samaritano, segundo palavras do Professor Marques, é o melhor exemplo de atendimento ao cliente de que se tem notícia. Aquele infeliz, que estava jogado ao longo do caminho, esperava que alguém lhe desse água e talvez fosse avisar seus familiares. Mas receber o tratamento VIP que recebeu jamais lhe passara pela cabeça.

Cada capítulo é de uma riqueza impressionante, e é difícil eleger o melhor deles. Seria o do semeador, o de Neemias, o do irmão do filho pródigo, o dos talentos? Ou o capítulo que aborda a liderança de Davi?

Abraão teria sido o precursor da figura do negociador? Sua insistência pode ser aplicada aos interlocutores de hoje? Os apóstolos estavam envolvidos ou comprometidos com as metas do Mestre? Deve-se aproveitar os talentos internos ou buscá-los no mercado?

As respostas às indagações acima estão todas nesta obra, que será, agora, baliza-mestra para aqueles que querem ser líderes no terceiro milênio. Este livro, tenho certeza, será lido e relido e não se prestará a ficar dormitando na biblioteca, mas como obra viva encimará mesas, escrivaninhas e especialmente terá lugar de honra nas mentes dos leitores.

Haverá um antes e um depois, já que não se pode ser o mesmo após a leitura desta obra maravilhosa, que ora recomendo. E para terminar, nada melhor que dar a palavra ao Professor Marques: “Desejo, pois, caro leitor, que a sinergia que experimentei ao escrever este livro possa ser-lhe repassada, e com tal intensidade que haja entre nós verdadeira sintonia e vivência das mensagens, e conseqüente aplicação na vida pessoal e profissional”.

Professor João Roberto Gretz

Natural do Estado de São Paulo, hoje radicado em Florianópolis, é consultor na área de Recursos Humanos e um dos maiores conferencistas do país.

Abreviaturas dos livros bíblicos citados nesta obra

Ag = Ageu At = Atos dos apóstolos Br = Baruc 1 Cor = Primeira carta aos coríntios 1 Cr = Primeiro Livro das Crônicas 2 Cr = Segundo Livro das Crônicas Dt = Deuteronômio Ecl = Eclesiastes Eclo = Eclesiástico Ef = Carta aos Efésios Est = Ester Ez = Ezequiel Fl = Carta aos Filipenses Gn = Gênesis Is = Isaías Jl = Joel Jo = Evangelho segundo João Jr = Jeremias Js = Josué Jt = Judite Jz = Juízes Lc = Evangelho segundo Lucas Mc = Evangelho segundo Marcos 1 Mc = Primeiro Livro dos Macabeus 2 Mc = Segundo Livro dos Macabeus Mt = Evangelho segundo Mateus Ne = Neemias Nm = Número Pr = Provérbios Rt = Rute 1 Rs = Primeiro Livro dos Reis 2 Rs = Segundo Livros dos Reis Sf = Sofonias Sl = Salmos 1 Sm = Primeiro Livro de Samuel 2 Sm = Segundo Livro de Samuel Tb = Tobias Tg = Carta de Tiago Zc = Zacarias

“No princípio, Deus criou o céu e a terra” (Gn 1,1)

Princípio pressupõe tempo;

Deus é tudo, portanto, é poder; criar é movimento, é ação; o céu lembra espaço; e a terra é matéria.

O que é o tempo, senão aquele período maravilhoso, dadivoso em que acontecem as coisas? Em nossa vida pessoal o tempo presente é uma dádiva, daí chamar-se “presente”.

Se há um tempo para amar, um tempo para chorar, um tempo para gozar, outro para sofrer; um tempo para se divertir, outro para trabalhar, conclui-se que nossa existência decorre dentro de um tempo suficiente para nossas atitudes positivas.

Numa organização, tempo é o período do dia, do mês, do ano em que produzimos, em que fazemos nosso trabalho, crescemos, desenvolvemo-nos, interagimos, plantamos o futuro alicerçados no presente.

E Deus, quem é? Deus é amor, na linda definição de João, o evangelista. Mas é também, poder, sendo esta qualificação que nos interessa no momento.

Na empresa deparamo-nos com muitos poderes, uns mais democráticos, outros autocráticos; uns justos e competentes, outros nem sempre pautados pela justiça e competência.

Em qualquer hierarquia há poder, e nas organizações há uma escala hierárquica que decide, e da qual emanam as normas, as regras de ação. Uma empresa sem poder, sem hierarquia, sem liderança está fadada ao insucesso.

Criar é agir, é trabalhar, inovar, fazer acontecer. É ação, movimento, vida.

Criar é transformar uma realidade em outra; é agir para que a empresa seja competitiva e inovadora.

O núcleo central de nossa vida e da vida das organizações é a ação. Pessoas e empresas paradas não criam nada, ao contrário, regridem, minguam e desaparecem.

O céu é o espaço que almejamos. É um estado de paz ansiado por todos nós. Na empresa, o espaço é o ambiente de trabalho, que deve ser o mais agradável possível, pois nele passamos a maior parte de nossa vida. O espaço está dentro do tempo, sendo que este é mais material, e aquele mais espiritual.

A terra é a matéria, a mãe generosa e inexaurível. O berço que nos embala e nos embalará.

Numa organização, a matéria é o produto, o serviço, as instalações, os investimentos, as vendas que geram o crescimento da empresa, tornando-a competitiva e lucrativa. Para administrar o princípio, o meio e o fim foi criado o homem, continuador da obra divina da Criação, e o responsável pelo equilíbrio ecológico, social e econômico da humanidade.

Se o processo de competição entre as empresas é selvagem, a culpa é do homem que não sabe hierarquizar as prioridades e não sabe limitar-se em suas pretensões desenfreadas.

Se a centralização de rendas é grande, e o Brasil ostenta o primeiro lugar no planeta, é porque o homem deixou de ser solidário para ser solitário; deixou de dar seqüência à obra da criação para subjugar as criaturas de Deus!

Mas no terceiro milênio, conforme se verá nos próximos capítulos, não haverá lugar para o egoísmo, para o egocentrismo. Não só as pessoas terão de se pautar pela honradez, mas também as empresas.

Os profissionais, ou melhor, os colaboradores/parceiros, no terceiro milênio procurarão empresas éticas para trabalhar. Não serão só as empresas que correrão atrás de elementos de excelente desempenho; as pessoas de postura e compostura também procurarão empresas dessa qualidade.

Para um aprofundamento sobre este assunto recomendamos a obra É óbvio, do professor Gretz, na qual me baseei para escrever este capítulo.

2 A liderança de Pedro

1 – A escolha de Pedro

Ao passar pela beira do mar da Galiléia, Jesus viu Simão e seu irmão André; estavam jogando a rede ao mar, pois eram pescadores. Jesus disse para eles: “Sigam-me, e farei vocês se tornarem pescadores de homens”. Eles imediatamente deixaram as redes e seguiram a Jesus. (Mc 1, 16-17)

Pedro não fez teste de inteligência e nem lhe foram pedidas referências. A troca de olhares entre Jesus e os dois irmãos deve ter sido fulminante, não lhes restando outra alternativa senão seguir o Mestre.

Muitas vezes fazemos inúmeras exigências para contratar um colaborador, quando deveríamos tão-somente apreender se ele está motivado para o cargo, para o trabalho. Por ourto lado, uma simples falha, um erro não devem servir de pretexto para demissão. Pedro errou muito, aliás cometeu faltas graves, e mesmo assim não foi demitido. Foi escolhido como líder! E sua principal missão era unir, reunir e confirmar o grupo. Quando Jesus tinha uma tarefa mais exigente, quem era escolhido para fazê-la, senão Pedro?

O líder não precisa ser o mais culto e o mais inteligente, mas necessariamente deve ser o mais motivado e o mais comprometido com o sucesso da empresa, dois atributos evidentes em Pedro.

2 – Clarividência e coragem de Pedro

Então Jesus perguntou-lhes: “E vocês, quem dizem que eu sou?” Pedro respondeu: “Tu és o Messias”. Então Jesus proibiu severamente que eles falassem a alguém a respeito Dele. Em seguida, Jesus começou a ensinar os discípulos, dizendo: “O Filho do Homem deve sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos chefes dos sacerdotes e doutores da Lei, deve ser morto, e ressuscitar depois de três dias”. E Jesus dizia isso abertamente. Então Pedro levou Jesus para um lado e começou a repreendê-lo. Jesus virou-se, olhou para os discípulos e repreendeu a Pedro, dizendo: “Fique longe de mim, satanás! Você não pensa as coisas de Deus, mas as coisas dos homens”. (Mc 8, 29-3)

Ao dizer que Jesus era o Cristo, coisa que ninguém havia dito antes, Pedro teve uma clarividência muito grande. Seu olhar de líder perscrutou longe e sua fé inquebrantável fê-lo sentir e pressentir que Jesus era o enviado do Pai.

O líder de hoje deve saber onde está a verdade, a justiça e deve saber argüir seus colaboradores acerca das metas da empresa. Não se pode ter receio de formular perguntas e nem impedir que os colaboradores conheçam a verdade.

Pedro não teve medo de discordar do Mestre, mas como exorbitou-se de suas atribuições foi severamente repreendido.

A coragem de Pedro foi muito grande; faltou-lhe, contudo, habilidade. Se a diretoria está dizendo que as metas estabelecidas são tais, cabe às lideranças cumprilas e não discuti-las. Antes da escolha dos objetivos, porém, esses podem e devem ser discutidos. Aprovados, devem ser cumpridos.

Pedro não aceitou as previsões duras que Jesus fizera a respeito de si mesmo.

Fez isso, certamente, porque não concordava com os sofrimentos de seu Chefe. Jesus reagiu com veemência, mas não desestimulou sua liderança.

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