Sistema Irrigas para Manejo de Irrigação: Fundamentos, aplicações e desenvolvimentos

Sistema Irrigas para Manejo de Irrigação: Fundamentos, aplicações e desenvolvimentos

(Parte 6 de 7)

Capítulo 4 Perguntas freqüentes sobre o Irrigas seque mais ainda, a cápsula porosa vai tornar-se ainda mais permeável ao ar e a água vai entrar mais rápido na cuba.

9# A cápsula porosa e o tubo plástico devem ficar cheios de água?

Nunca. A cavidade da cápsula porosa e o tubo do

Irrigas devem ficar sempre cheias de ar e livres de água (Fig. 4.1).

10# Em que profundidade a cápsula porosa do Irrigas deve ser instalada ?

A cápsula do Irrigas deve ser instalada na profundidade na qual ficam a maioria das raízes (profundidade efetiva). Para hortaliças e culturas anuais como o feijoeiro esta profundidade é usualmente entre 10 e 30 centímetros, sendo mais rasa para plantas mais novas. Sensores instalados desta forma, são freqüentemente denominados de “sensores raiz”.

Para se evitar a irrigação excessiva, ou deficiente, é comum se instalar também os denominados “sensores de controle”, a uma profundidade um pouco maior, próxima à profundidade limite em que a maioria das raízes penetram (Fig. 4.4)

A irrigação é realizada sempre que se detectar solo “seco” com o uso dos “sensores raiz”. Os “sensores de controle” são utilizados para ajustar a lâmina de água aplicada. Na prática, deve-se aumentar a lâmina aplicada em cerca de 20% caso os sensores de controle ainda permaneçam secos (permeáveis). Ao contrário, deve-se diminuir cerca de 15% a lâmina aplicada se os sensores de controle ainda estiverem com resposta indicativa de solo “úmido”.

Estes valores de lâmina de água são ajustados de maneira interativa. Se a primeira estimativa de lâmina de água para um solo de textura média é de 14 m, por exemplo, e ao se aplicar esta lâmina nota-se que os “sensores controle” se mantiverem secos, então a lâmina deve ser aumentada em 20% e sobe para 17,5 m. Se isto for insuficiente, a lâmina será aumentada mais uma vez e irá para 21,9 m (2 m). Este processo se repete até que os “sensores controle” dêem resposta “úmido”. Se na próxima irrigação os sensores controle ainda estiverem úmidos, diminui-se a lâmina aplicada em 15%, o que reduziria a lâmina para 19 m.

Assim, com este procedimento simples e prático se ajusta a lâmina de água para que não haja déficit nem desperdício de água, independentemente do sistema solo/planta e do exato posicionamento dos sensores.

1# A água pode ficar em um frasco para as próximas leituras?

Sim. De preferência em um frasco de boca larga e com tampa, para que não haja evaporação nem o desenvolvimento de mosquitos e algas. Adiciona-se hipoclorito de sódio (água sanitária) ou outro agente

Capítulo 4 Perguntas freqüentes sobre o Irrigas sanitizante, que impeça o desenvolvimento desses organismos.

12# Pode-se instalar um único tensiômetro comum ou um único sensor Irrigas em um canteiro?

Não, porque o sistema solo/água/planta em geral é desuniforme e um ponto de amostragem apenas pode induzir a erros graves.

13# É vantajoso instalar varias cápsulas Irrigas em uma mesma área de solo?

Sim, na verdade isto é indispensável, pois a distribuição das raízes das plantas no solo é não uniforme. Sabe-se também que o solo seca mais rapidamente próximo às raízes e que seca muito mais lentamente nos locais de baixa densidade radicular. Assim, um sensor longe das raízes mantém a resposta “úmido” por longo tempo. Caso a irrigação seja baseada neste sensor, as plantas poderão sofrer estresse e perda de produtividade. Ao contrário, um sensor instalado em local com densidade excessiva de raízes seca muito rápido. Neste casos, a irrigação baseada neste sensor tenderia a ser excessiva.

Assim, recomenda-se o uso de pelo menos três sensores por canteiro ou área uniforme, preferivelmente arranjados na forma de uma estação de controle, que tenha uma estaca que facilite a localização dos sensores em uma área representativa. As estações de controle tipicamente tem de 4 a 12 sensores, sejam estes sensores Irrigas, tensiômetros comuns ou outros tipos de sensores como blocos de gesso ou TDR.

Adicionalmente, como se descreveu anteriormente, pode ser interessante adicionar também “sensores de controle”. Isto é, sensores Irrigas instalados em profundidade usualmente duas vezes, para se ajustar a lâmina de água aplicada de modo a prover crescimento irrestrito das raízes e evitar a lixiviação.

14# É melhor instalar as cápsulas porosas na vertical ou na horizontal?

A cápsula pode ser instalada das duas formas. Na posição horizontal a cápsula faz uma amostragem de uma camada menor do solo. Esta é a posição preferível quando se quer controlar a umidade em camadas próximas à superfície do solo, como no caso de canteiros de mudas, por exemplo. Na instalação horizontal, a lateral da cápsula porosa deve, preferencialmente, estar voltada para a planta na denominada disposição tangencial (Fig. 4.5).

Observação: Para vasos, tubetes e canteiros de mudas há sensores Irrigas mini, usualmente de tensão crítica baixa (ex. 10 kPa) para manter úmido o substrato.

15# O sensor Irrigas serve para qualquer tipo de solo?

Sim. O sensor Irrigas pode ser fabricado com qualquer tensão crítica necessária. São particularmente úteis os sensores Irrigas de 10 kPa, 25 kPa e de 40 kPa. O sensor Irrigas de 10 kPa é utilizado principalmente para

Capítulo 4 Perguntas freqüentes sobre o Irrigas solos arenosos, para substratos e para plantas sensíveis à desidratação. O sensor Irrigas de 25 kPa é utilizado na maioria das aplicações, enquanto o Irrigas de 40 kPa é mais utilizado para solos argilosos e culturas nas quais se pode esperar um pouco mais para irrigar, sem com isto reduzir a produtividade das mesmas.

16# O sensor Irrigas não "abre" há mais de uma semana. O que fazer?

É comum que o sensor Irrigas fique vários dias "fechado" na época das chuvas, enquanto o solo permanece úmido. Isto também ocorre nos sensores instalados em áreas de baixa densidade de raízes ou quando instalado em profundidades maiores e nos seguintes casos adicionais: a) a cápsula porosa do Irrigas foi instalada perto de um vazamento do sistema de irrigação; b) a cápsula porosa do Irrigas sob uma área em que o cultivo foi sombreado; c) há um afloramento do lençol freático.

17# Quantas cápsulas porosas devo instalar por hectare?

Para cada talhão ou canteiro uniforme, com plantas no mesmo estádio de desenvolvimento, deve-se instalar pelo menos três sensores Irrigas. Preferivelmente deve-se instalar de 4 a 12 sensores em uma região representativa, em duas profundidades e com uma estaca que facilite a visualização do local no qual os sensores estão instalados. A este grupo de sensores em uma pequena região representativa do campo denomina-se estação de controle de irrigação.

18# O técnico indicou que deve-se fazer fertirrigação todos os dias, porém caso o sensor Irrigas se mantiver fechado vários dias o que se pode fazer?

Para hortaliças, a fertirrigação pode ser aplicada apenas uma vez por semana. Assim, basta controlar, proporcionalmente, a concentração dos fertilizantes, que serão assim aplicados quando a irrigação for necessária.

19# Que lâmina de água deve-se aplicar quando o Irrigas "abrir"?

Depende do tipo de solo. Na falta da curva de retenção de água no solo, utilize as seguintes relações: Solo argiloso: 0,60 m de lâmina de água por centímetro de profundidade do solo; Solo médio: 0,45 m de lâmina de água por centímetro de profundidade do solo; Solo arenoso: 0,25 m de lâmina de água por centímetro de profundidade do solo.

20# Como fazer as contas?

Para solo médio, por exemplo, se desejamos irrigar até a profundidade de 30 cm:

Lamina a aplicar = 30 cm X 0,45 m / cm = 13,5 m

Capítulo 4 Perguntas freqüentes sobre o Irrigas

Observação: quando se dispõem da curva de retenção a lâmina deve ser calculada para elevar a umidade do solo do valor crítico da cápsula porosa até a capacidade de campo.

21# Como proceder para instalar o sensor Irrigas em solo recoberto com plástico?

Antes da aplicação do plástico, instalar um número suficiente de cápsulas porosas nas posições e profundidades adequadas para o cultura. Caso o plástico já esteja esticado no canteiro, então deve-se levantar uma lateral, para instalar o sensor Irrigas. O tubo plástico deve atravessar o orifício por onde passa o caule da planta. Não é recomendável furar o plástico para colocar o Irrigas, porém caso se faça isto, então é importante remendá-lo com fita adesiva, para que a água da chuva não penetre neste local e interfira no funcionamento do Irrigas.

2# A cuba do Irrigas pode ficar constantemente submersa no frasco com água?

Não. Caso a cuba permaneça imersa no frasco pode ocorrer a entrada da água no tubo plástico. Pior ainda, pode ocorrer que a água do frasco seja succionada para o interior da cápsula porosa do Irrigas. Tanto o tubo plástico quanto a cápsula porosa do Irrigas devem ficar sempre cheios de ar e livres de água, como se vê no esquema da figura 4.1.

Observação: Caso esta pergunta esteja sendo feita com vistas a diminuir o trabalho na leitura dos sensores Irrigas, então por favor leia o capítulo 6, sobre sinalizadores de irrigação, que foram desenvolvidos com esta finalidade específica.

23# Por que é importante que a cuba do Irrigas permaneça com a boca voltada para baixo?

Para evitar a entrada de água durante as chuvas ou durante a irrigação. É comum deixar a cuba do Irrigas inserida em uma estaca. Há também a opção de colocar uma tampa para evitar a entrada de água no tubo do Irrigas (Fig. 4.6).

Outra solução prática que tem sido utilizada é encaixar a cuba no tubo somente no momento da leitura. Este é o caso também quando se utilizam os instrumentos de leitura eletrônicos dos sensores Irrigas. Desse modo a ponta do tubo dobrada não possibilita a entrada de água durante as chuvas.

24# Pode-se utilizar uma única cuba para ler todos os sensores Irrigas distribuídos no campo?

Certamente. Assim não se deixa no campo cubas por onde pode entrar água no interior do sensor Irrigas. É só conectar a cuba ao tubo de cada sensor no campo e fazer a leitura.

25# Como se instala o Irrigas no caso de irrigação por gotejamento?

Capítulo 4 Perguntas freqüentes sobre o Irrigas

No caso de gotejamento, os sensores pontuais de irrigação (Irrigas, tensiômetro comum e outros) são utilizados, usualmente, para determinar a borda do bulbo molhado. Neste caso, a distância observada entre a cápsula porosa e o emissor (tubo de gotejamento) deverá ser suficiente para formar bulbo molhado de volume adequado, no qual as raízes atuem sem restrições. A irrigação neste caso deve ser terminada logo após o sensor Irrigas ter se tornado impermeável ao ar, quando a água já não entra na cuba. Após cessar o suprimento de água, o movimento desta (redistribuição) continua e a borda do bulbo molhado se expande no solo por mais algum tempo.

Também no caso de gotejamento é interessante instalar “sensores controle” em profundidade maior para verificar se a lâmina de irrigação aplicada foi suficiente ou está excessiva (Fig. 4.7).

26# Quando a posição do sensor Irrigas deve ser corrigida?

Um sensor Irrigas deve ser novamente instalado quando: a) estiver perto de plantas não representativas, sejam plantas mortas, plantas muito pequenas ou muito grandes; b) quando se percebe, a posteriori, que a cápsula ficou próxima de vazamentos, áreas sombreadas ou áreas marginais.

27# Qual a diferença entre a cuba de imersão comum e o sinalizador do irrigação Irrigas?

A cuba de imersão comum deve ser de volume menor que a cavidade da cápsula porosa do Irrigas utilizado. Isto propicia uma visualização do movimento da água, durante o teste de imersão, usado para determinar se a tensão da água no solo já superou o valor crítico.

O sinalizador (cap. 6) de irrigação, ao contrário, possui cuba “grande” (Fig. 4.9), isto é, com volume algumas vezes maior que o volume da cavidade da cápsula porosa do sensor Irrigas. O volume da cuba do sinalizador de irrigação deve ser tal que, a contração do ar na cavidade da cápsula porosa durante as horas mais frias da noite não cause a sucção da água do reservatório, o que, evidentemente, encheria a cavidade da cápsula porosa com água. O sinalizador de irrigação é pressurizado por imersão da cuba cheia de ar em água após a irrigação. Quando a tensão da água no solo se torna superior ao valor crítico a água sobe na cuba do sinalizador. Isso é a despressurização, que é utilizada como sinal do momento da irrigação. O sinalizador deve ser pressurizado após cada irrigação.

28# Qual o problema de se aplicar irrigação em lâminas pequenas e com alta freqüência?

Isto pode causar a manutenção de um pequeno volume de solo úmido, o qual pode ser insuficiente para uma boa ancoragem da planta e para prover a absorção das quantidades necessárias dos elementos minerais essenciais ao desenvolvimento, que são extraídos da solução do solo e necessariamente envolve a exploração de volumes

Capítulo 4 Perguntas freqüentes sobre o Irrigas adequados de solo, exceto quando se faz uso de fertirrigação. Para visualizar este aspecto interessante convém lembrar as noções sobre eficiência e eficácia de irrigação ilustradas na figura 4.10.

29# Há vantagem comparativa do manejo de irrigação com tensiômetro ou Irrigas em comparação com o manejo utilizando-se o tanque classe A?

Em primeiro lugar, é importante lembrar que utilizar um sistema de manejo de irrigação é fundamental. Dos métodos micro meteorológicos, aquele que faz uso do Tanque Classe A é um dos mais populares e mais efetivos, de modo que é uma referência nesta categoria de técnicas de manejo de irrigação, porque o tanque integra todos os fatores climáticos que afetam a evapotranspiração das culturas. Dentre os métodos de manejo de irrigação, os tensiométricos são aqueles que tem sido considerados os melhores. O Irrigas, o tensiômetro a gás e o tensiômetro comum são exemplos sensores para manejo de irrigação por tensiometria. Em comparações entre manejo de irrigação com Tanque Classe A e com tensiômetros comuns, os tensiômetros comuns tem se mostrado superiores, no sentido de causam economia de água entre 20% e 40%, dependendo do cultivo e das condições que os estudos foram realizados. Neste sentido, adicionalmente, entre os usuários de tanque classe A é comum o uso de sensores tensiometricos para se verificar a possibilidade de estar havendo aplicação excessiva ou deficitária de água.

Neste capítulo se abordou as principais questões referentes a assuntos como: a natureza do sensor Irrigas, sua leitura, sua instalação em diferentes sistemas de irrigação, a determinação do momento de irrigar e a determinação da lâmina de irrigação, fatores fundamentais para se manejar a irrigação com este novo sistema.

Parte 1 Fundamentos e aplicações

CAPÍTULO 5 TENSIÔMETROS A GÁS E APLICAÇÕES

Adonai Gimenez Calbo & Washington L.C. Silva

Tensiômetro a gás é um instrumento para medir tensão de água entre zero e a tensão crítica das cápsulas porosas do sensor Irrigas. As estimativas podem ser obtidas de acordo com a pressão necessária para iniciar a permeação destas cápsulas com gás (Fig. 5.1). A tensiometria a gás pode ser feita enquanto a cápsula porosa do Irrigas perde água empregando-se a expressão: T = Td – P onde T é a tensão de água do solo, planta ou outro substrato sob medição, Td é a tensão crítica de dessorção, ou secagem, da cápsula porosa.

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