Auxiliares de enfermagem - 5

Auxiliares de enfermagem - 5

(Parte 2 de 10)

Sabe-se que o investimento nos recursos humanos no campo da saúde terá influência decisiva na melhoria dos serviços de saúde prestados à população. Por isso, a preparação dos profissionais-alunos é fundamental e requer material didático criterioso e de qualidade, ao lado de outras ações e atitudes que causem impacto na formação profissional desses trabalhadores. Os livros didáticos para o Curso de Qualificação Profissional de Auxiliar de Enfermagem, já em sua 3ª edição, constituem-se, sem dúvida, em forte contribuição no conjunto das ações que visam a integração entre educação, serviço, gestão do SUS e controle social no setor de saúde.

Humberto Costa Ministro de Estado da Saúde

A ssistênciassistênciassistênciassistênciassistência CirúrgicaCirúrgicaCirúrgicaCirúrgicaCirúrgica

ÍNDICEÍNDICEÍNDICEÍNDICEÍNDICE 1 Apresentação

2Central de Material Esterilizado (CME)

3Conhecendo a Unidade Cirúrgica

3.1Classificação da cirurgia por potencial de contaminação

3.2 Nomenclatura cirúr gica 3.3Estrutura do centro cirúrgico (C)

4O Cuidado de Enfermagem no Pré-operatório

4.1Humanizando o preparo do cliente para a cirurgia

4.3Encaminhando o cliente ao centro cirúrgico (C)

5O Cuidado de Enfermagem no Trans-operatório

6O Cuidado de Enfermagem no Pós-operatório (PO)

6.2Anormalidades e complicações do pós-operatório

7 Referências Bibliográficas

A A A A A ssssssssssistênciaistênciaistênciaistênciaistência CirúrgicaCirúrgicaCirúrgicaCirúrgicaCirúrgica

1- APRESENTAÇÃO

presente trabalho, direcionado ao processo de qualificação de auxiliares de enfermagem, abrange os conteúdos de enfermagem em centro de material e cirúrgico, bem como clínica cirúrgica e emergências.

Em sua concepção, tentou-se contemplar as diferentes realidades brasileiras – nas quais existem desde hospitais de grande complexidade, dispondo de recursos tecnológicos os mais modernos, até instituições de atendimento básico que, em seu dia-a-dia, realizam apenas pequenos procedimentos. Tendo em vista tal diversidade, o docente deve, na aplicabilidade do texto, enfatizar as técnicas regionalmente mais utilizadas.

Considerando-se que no desenvolver da atuação profissional, quer seja por excesso de trabalho, quer seja pelas inúmeras adversidades encontradas para o bom desenvolvimento do mesmo, não raramente observamos a ocorrência de atitudes antiéticas, falta de respeito aos direitos e valores dos usuários e/ou seus familiares, bem como ausência da perspicácia necessária para a lide diária com o sofrimento do ser humano, achamos conveniente repassar algumas noções sobre os aspectos ético-legais implícitos à sua profissão - as quais, para melhor aprofundamento, exigem a atenta leitura do Código de Ética específico.

6 Assistência Cirúrgica

Esperamos que nosso empenho em elaborar este material didático não tenha sido vão. Por parte dos educandos, os auxiliares de enfermagem, acreditamos que o esforço de sua participação no curso e na absorção do presente material lhes seja gratificante primeiramente por possibilitar uma profissão digna e efetivamente importante para a comunidade; e conclusivamente por lhes viabilizar maiores subsídios tecno-operacionais que os qualifiquem a exercer com maior confiabilidade, entendimento e segurança o seu mister: o auxílio àqueles que, fragilizados, estão em desfavorável situação de saúde.

2- CENTRAL DE MATERIAL ESTERILIZADO (CME)

Na Central de Material Esterilizado (CME) é realizado o preparo de todo o material estéril a ser utilizado no hospital. Para tanto, é composta pelas áreas de recepção, limpeza, preparo, esterilização, guarda e distribuição dos materiais esterilizados utilizados pela equipe de saúde no atendimento ao cliente.

Na estrutura do estabelecimento de saúde, a CME é uma unidade importante porque oferece à equipe de saúde materiais estéreis em condições adequadas ao seu desempenho técnico, bem como proporciona ao cliente um atendimento com segurança e contribui para que a instituição proporcione uma assistência com efetiva qualidade.

Alguns estabelecimentos de saúde preparam e acondicionam os materiais que cada unidade utiliza de forma descentralizada; outros, centralizam todo o seu material para preparo na Central de Material – o qual, geralmente, constitui-se no método mais comumente encontrado. Uma outra tendência é a terceirização da esterilização de materiais, principalmente por óxido de etileno, haja vista a necessidade de condições de segurança especiais para sua instalação e manuseio.

Esta centralização do processo - limpeza, seleção, acondicionamento, esterilização e distribuição do material esterilizado para as unidades e centro cirúrgico – apresenta a vantagem de padronização das técnicas de processamento de material estéril, contribuindo para a qualidade deste e favorecendo a economia de pessoal, material e tempo.

Idealmente, a CME deve ter sua estrutura física projetada de forma a permitir o fluxo de materiais da área de recepção à de distribuição, evitando o cruzamento de material limpo com o contaminado. A recepção do material sujo e para limpeza é separada da área de preparo do material e esterilização, bem como da área de armazenamento e distribuição. Esses cuidados na estrutura e fluxo proporcionam condições adequadas de trabalho à equipe de saúde, diminuindo o risco de preparo inadequado do material, com presença de sujidade ou campos com cabelo, linhas, agulhas de sutura e outras falhas.

Planta física de um CEMAT com o fluxo do material

Também em relação ao ambiente, é importante que as paredes e o piso sejam de cor clara e fácil limpeza; e as janelas amplas, de forma a proporcionar uma iluminação que possibilite o bom trabalho na unidade.

Quanto à localização, este serviço deve estar situado o mais próximo possível das unidades que mais utilizam os seus materiais - como o centro cirúrgico e obstétrico, o pronto-socorro e a terapia intensiva -, o que facilita a circulação dos mesmos. A distribuição do material estéril para o centro cirúrgico pode ser realizada por monta-cargas ou carrinhos que propiciem a proteção do material estéril. A adoção deste cuidado diminui sobremaneira a possibilidade de contaminação durante o trajeto.

Todos os cuidados que a equipe da CME tem em relação à estrutura física e às técnicas de esterilização dos materiais visam

Monta-cargas – é um minielevador privativo, utilizado para a comunicação entre esses setores; em algumas instituições existe um para transporte de material contaminado e outro para o de material esterilizado.

Planta física de um centro de material com o fluxo do material

Fonte: SENAC

6 Assistência Cirúrgica diminuir os riscos de infecção, que, além de outras complicações, acarretam sofrimento ao cliente, bem como um tempo maior de inter nação.

Atualmente, em decorrência do avanço tecnológico, grande parte dos materiais hospitalares estão sendo substituídos por materiais descartáveis, que apresentam as vantagens de estarem prontos para uso, diminuirem a incidência de infecção hospitalar - com baixo custo para a instituição - e proporcionarem segurança e conforto tanto ao cliente como aos profissionais de saúde.

2.1 Fluxo do processamento de material esterilizado

Os materiais das diferentes unidades chegam ao CME através da área de recepção. De acordo com a rotina da instituição, os materiais recebidos são anotados em um caderno ou ficha de controle pertinente a cada unidade. Os que estiverem limpos são encaminhados para a área de acondicionamento, onde serão preparados; os sujos ficam no expurgo, para lavagem.

No expurgo ocorre o processo de lavagem do material sujo encaminhado ao CME – cuja atuação é muito importante, pois se o material não for lavado de forma correta a esterilização não se processa adequadamente; conseqüentemente, permanecerá contaminado, oferecendo riscos ao cliente.

Os materiais sujos de matéria orgânica (sangue, pus e outras secreções corpóreas) devem ficar imersos em detergentes enzimáticos por cerca de 3 a 5 minutos (ver recomendação do fabricante), tempo necessário para desagregar a matéria orgânica. Devem ser colocados abertos ou desconectados em recipiente não-metálico, tendose o cuidado de evitar que materiais diferentes (borracha, instrumenais, vidros) sejam postos no mesmo recipiente.

Após esta etapa, a limpeza do material pode ser feita com água, sabão e escova de cerdas, ou através de máquinas de limpeza, já que os abrasivos - como esponja de aço ou saponáceo - danificam o material. Para cada tipo de material existe uma técnica de lavagem que assegurará que o mesmo chegue à área de preparo em perfeitas condições de limpeza. Quando da lavagem, deve-se escovar as ranhuras, articulações e dentes de cada pinça, bem como injetar as soluções no interior das cânulas e sondas.

Após o enxagüe, onde todo o sabão deve ser retirado, os materiais devem ser secos com pano, máquina secadora ou ar comprimido, e posteriormente encaminhados para a área de preparo.

As seringas de vidro e agulhas hipodérmicas não foram especificadas porque o seu uso deve ser abolido e as mesmas substituídas por seringas descartáveis, procedimento mais econômico e seguro do ponto de vista de controle da infecção hospitalar. Idêntico cuidado deve ser observado com relação à reesterilização de luvas – para as instituições que ainda fazem uso desse processo recomenda-se que o local de lavagem e preparo seja um ambiente separado dos demais, e provido de máquinas para lavagem, secagem, entalcamento, preparo e acondicionamento das luvas.

Nesta área, é indispensável o uso de equipamento de proteção individual (EPI) constituído por luvas grossas de cano longo, óculos de proteção, máscara e avental impermeável longo; além disso, deve-se proteger o calçado com algum tipo de capa, ou utilizar botas de borracha, o que favorece a proteção dos pés. Esses cuidados são absolutamente necessária pelo fato de que o material a ser lavado é considerado contaminado; assim, deve-se tomar todas as precauções para evitar a contaminação do funcionário.

Os funcionários da área de preparo de material são responsáveis pela inspeção da limpeza, condições de conservação dos materiais e funcionalidade dos instrumentais, bem como o acondicionamento e identificação dos pacotes, caixas e bandejas. Entre suas atividades, cabe separar os materiais danificados, para posterior substituição. Durante o desempenho de suas funções é recomendável que os mesmos utilizem gorro ou touca descartável, para evitar a queda de fios de cabelo nos materiais; além disso, devem sempre manipular o material com as mãos limpas.

Na área de preparo os materiais são preferencialmente agrupados por tipo de material: vidros, tecido (roupas e campos), instrumental e borrachas.

Os aventais ou capotes, bem como os campos cirúrgicos e fenestrados, são recebidos da lavanderia e encaminhados diretamente ao setor de preparo para serem inspecionados, dobrados e acondicionados. Na inspeção, devem ser observadas sujidades, rasgos e ausência de cadarços ou amarrilhos.

Os campos cirúgicos e fenestrados são dobrados ao meio, no comprimento; depois, transversalmente (de cima para baixo). O processo deve ser finalizado dobrando-se a ponta superior externa duas vezes na diagonal - as aberturas devem estar voltadas para o lado oposto ao do executante, e as dobras para cima.

Técnica de dobradura de campo cirúrgico

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