Auxiliares de enfermagem - 5

Auxiliares de enfermagem - 5

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Os materiais esterilizados por este processo são os metais, vidros, acrílicos, borrachas e plásticos, que devem estar acondicionados em embalagem isenta de compostos de celulose.

!!!!!Esterilização por agentes químicos líquidos

Esta esterilização é recomendada apenas quando da impossibilidade de uso dos demais métodos, pois estes produtos exigem um tempo de exposição muito longo, enxagüe em solução estéril (água destila estéril), secagem em campos estéreis e uso imediato. Durante o processo, a manipulação exige técnica asséptica.

O material precisa estar limpo e seco para evitar alteração na concentração da solução, a qual deve ser renovada sempre que houver alteração da coloração, presença de depósito ou vencimento da validade da diluição do produto, conforme as especificações do fabricante.

Recomenda-se, também, evitar colocar no mesmo recipiente materiais de composição diferente, em vista da possibilidade de corrosão.

Este método de esterilização requer alguns cuidados simples, que mesmo assim muitas vezes não são seguidos. É importante que seja selecionado um recipiente de vidro ou plástico com tampa e de tamanho adequado à quantidade de material; em seguida, após a colicação do material para esterilização, o recipiente deve ser tampado e iniciada a contagem do tempo de exposição, conforme as especificações do fabricante. Ao término do processo, retirar os materiais da solução com técnica asséptica e enxagüá-los abundantemente, inclusive o interior dos tubos e cateteres; complementando o processo, enxugar com compressas esterilizadas, acondicionar os materiais em invólucros estéreis e encaminhálos para uso imediato.

Ao término de todos os processos de esterilização, com exceção do efetuado por agentes químicos líquidos, os materiais vão para a sala de armazenagem e distribuição. Dependendo da estrutura da instituição, ficam estocados na CME, sendo distribuídos de acordo com a solicitação, ou nas próprias unidades de internação.

6 Assistência Cirúrgica

A sala de armazenagem e distribuição destina-se obviamente apenas para o armazenamento e distribuição de material esterilizado; portanto, deve-se ter o cuidado de em nenhum momento receber material contaminado nesta área. É importante que a mesma esteja equipada com armários fechados para guardar os materiais de maior permanência e suportes com cestos ou prateleiras para os de distribuição diária. Os que possuem prazo de validade mais próximo do vencimento devem ficar colocados na parte de cima ou na frente, a fim de que se promova a rotatividade dos pacotes, evitando-se a armazenagem de material com prazo de validade vencido.

Quando a esterilização é realizada por autoclave e estufa, o prazo de validade dos materiais esterilizados é de 7 dias; por óxido de etileno, de 1 ano. Estes prazos variam conforme as condições de guarda do material, observando-se alterações da integridade do invólucro (rasgo, não presença da fita de identificação de esterilização, presença de umidade, violação do lacre). Nestas condições e/ou vencido o prazo de validade, os materiais são retirados da embalagem e novamente acondicionados e esterilizados.

3- CONHECENDO A UNIDADE CIRÚRGICA

“Cirurgia ou operação é o tratamento de doença, lesão ou deformidade externa e/ou interna com o objetivo de reparar, corrigir ou aliviar um problema físico. É realizada na sala de cirurgia do hospital e em ambulatório ou consultório, quando o procedimento for considerado simples”1.

Dependendo do risco de vida, a cirurgia pode ser de emergência, urgência, programada ou opcional. Por exemplo: nos casos de hemorragia interna, a cirurgia é sempre de emergência pois deve ser realizada sem demora; no abdome agudo, o tratamento cirúrgico é de urgência, por requerer pronta atenção, podendo-se, entretanto, aguardar algumas horas para melhor avaliação do cliente; as cirurgias programadas ou eletivas, como no caso de varizes de membros inferiores, são realizadas com data pré-fixada, enquanto que a maioria das cirurgias plásticas são optativas por serem de preferência pessoal do cliente.

A cirurgia também é classificada de acordo com a finalidade: diagnóstica ou exploratória, quando utilizada para se visualizar as partes internas e/ou realizar biópsias (laparotomia exploradora); curativa, quando se corrige alterações orgânicas (retirada da amígdala inflamada);1KAWAMOTO, 1999, p. 35 reparadora, quando da reparação de múltiplos ferimentos (enxerto de pele); reconstrutora ou cosmética, quando se processa uma reconstituição (plástica para modelar o nariz, por exemplo); e paliativa, quando se necessita corrigir algum problema, aliviando os sintomas da enfermidade, não havendo cura (abertura de orifício artificial para a saída de fezes sem ressecção do tumor intestinal, por exemplo).

As cirurgias provocam alterações estruturais e funcionais no organismo do cliente, que precisará de algum tempo para se adaptar às mesmas. É comum o tratamento cirúrgico trazer benefícios à qualidade de vida da pessoa, mas é importante compreendermos que o tratamento cirúrgico sempre traz um impacto (positivo ou negativo) tanto no aspecto físico como nos aspectos psicoemocionais e sociais. Com esta compreensão, temos maior chance de realizar uma comunicação interpessoal mais individualizada e prestar ao cliente orientações mais adequadas.

As reações emocionais guardam relação direta com o “significado” que o cliente e familiares atribuem à cirurgia, sendo a ansiedade pré-operatória a mais freqüente. Por isso, a cirurgia e os procedimentos diagnósticos podem representar uma invasão física, emocional e psicológica - e em algumas cirurgias (amputação da perna) uma invasão social, obrigando mudanças no estilo de vida.

A aceitação ao tratamento cirúrgico, apesar do medo da anestesia, da dor, da morte, do desconhecido e da alteração da imagem corporal, está geralmente relacionada à confiança que o cliente deposita na equipe profissional e na estrutura hospitalar, daí a importância de estarmos atentos ao tipo de relação interpessoal que especificamente temos com este cliente.

O atendimento do cliente cirúrgico é feito por um conjunto de setores interligados, como o pronto-socorro, ambulatório, enfermaria clínica ou cirúrgica, centro cirúrgico (C) e a recuperação pós-anestésica (RPA). Todos estes setores devem ter um objetivo comum: proporcionar uma experiência menos traumática possível e promover uma recuperação rápida e segura ao cliente.

O ambulatório ou pronto-socorro realiza a anamnese, o exame físico, a prescrição do tratamento clínico ou cirúrgico e os exames diagnósticos. A decisão pela cirurgia, muitas vezes, é tomada quando o tratamento clínico não surtiu o efeito desejado.

O cliente pode ser internado um ou dois dias antes da cirurgia, ou no mesmo dia, dependendo do tipo de preparo que a mesma requer. O cliente do pronto-socorro é diretamente encaminhado ao centro cirúrgico, devido ao caráter, geralmente, de emergência do ato cirúrgico. O centro cirúrgico é o setor destinado às intervenções cirúrgicas e deve possuir a recuperação pós-anestésica para prestar a assistência pós-operatória imediata.

No século X, as cirurgias se desenvolveram graças ao avanço tecnológico que permitiu um diagnóstico pré-operatório mais preciso e melhor domínio da técnica cirúrgica. Na década de 90, as microcirurgias ou as cirurgias a laser surgem com grande impacto por serem menos agressivas e diminuírem o tempo de cirurgia e de internação - não substituindo totalmente as cirurgias tradicionais.

6 Assistência Cirúrgica

Após a recuperação anestésica, o cliente é encaminhado à unidade de internação, onde receberá os cuidados pós-operatórios que visam prevenir a ocorrência de complicações.

3.1 Classificação da cirurgia por potencial de contaminação

O número de microrganismos presentes no tecido a ser operado determinará o potencial de contaminação da ferida cirúrgica. De acordo com a Portaria nº 2.616/98, de 12/5/98, do Ministério da Saúde, as cirurgias são classificadas em:

!limpas: realizadas em tecidos estéreis ou de fácil descontaminação, na ausência de processo infeccioso local, sem penetração nos tratos digestório, respiratório ou urinário, em condições ideais de sala de cirurgia. Exemplo: cirurgia de ovário;

!potencialmente contaminadas: realizadas em tecidos de difícil descontaminação, na ausência de supuração local, com penetração nos tratos digestório, respiratório ou urinário sem contaminação significativa. Exemplo: redução de fratura exposta;

!contaminadas: realizadas em tecidos recentemente traumatizados e abertos, de difícil descontaminação, com processo inflamatório mas sem supuração. Exemplo: apendicite supurada;

!infectadas: realizadas em tecido com supuração local, tecido necrótico, feridas traumáticas sujas. Exemplo: cirurgia do reto e ânus com pus.

3.2 Nomenclatura cirúrgica

A nomenclatura ou terminologia cirúrgica é o conjunto de termos usados para indicar o procedimento cirúrgico.

O nome da cirurgia é composto pela raiz que identifica a parte do corpo a ser submetida à cirurgia, somada ao prefixo ou ao sufixo.

Alguns exemplos de raiz: angio (vasos sangüíneos), flebo (veia), traqueo (traquéia), rino (nariz), oto (ouvido), oftalmo (olhos), hister(o) (útero), laparo (parede abdominal), orqui (testículo), etc.

Prefixo é o elemento colocado antes da raiz; sufixo é o elemento colocado depois da raiz.

Os sufixos mais utilizados na composição da terminologia cirúrgica são:

Prefixos/raiz Nome Significado

Ex (externo, fora) + oftalmo (olho)

Exoftalmia:Projeção acentuada do globo ocular

Circun (ao redor) + cisão (separação) Circuncisão ou postectomiaExcisão do prepúcio

SufixosSignificado do sufixoSignificado da palavra

TomiaIncisão, corteLaparotomia: abertura da cavidade abdominal

StomiaComunicar um órgão tubular ou oco com o exterior, através de uma “boca”

Colostom ia: abertura cirúrgica na parede abdominal para comunicar uma porção do cólon com o exterior

EctomiaRetirar parcial ou totalmente um órgão

Esplenectomia: retirada do baço

PlastiaReparação plásticaRinoplastia: correção do nariz

RáfiaSuturaHerniorrafia: sutura para correção da hérnia

PexiaFixaçãoNefropexia: elevação e fixação do rim

ScopiaVisualização da cavidade através de aparelhos especiais

Laparoscopia: visualização da cavidade abdominal

Além desses termos, existem as denominações com o nome do cirurgião que introduziu a técnica cirúrgica (Billroth: tipo de cirurgia gástrica) ou, ainda, o uso de alguns termos específicos (exerese: remoção de um órgão ou tecido).

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