Desenho Arquitetônico

Desenho Arquitetônico

(Parte 3 de 7)

Como o desenho é o meio de expressão do arquiteto, torna-se importante que o seu traçado seja o mais preciso e perfeito possível. A precisão milimétrica em todos os traços é muito importante e, a partir desse momento, todos os seus “riscos” deverão ser desenhados. Até mesmo a escrita do arquiteto é um desenho de letras técnicas, como se verá mais adiante. Para tanto, alguma técnicas são de grande importância:

Enquanto estiver desenhando qualquer linha é importante que o lápis ou lapiseira seja gradualmente rotacionado enquanto se traça a mesma. Isso impede que o grafite se desgaste em uma das laterais gerando linhas com diferentes espessuras.

Durante o traçado puxe sempre a lapiseira e não empurre no sentido da linha que está fazendo, assim terá maior controle do traço.

No desenho com esquadros, mantenha a lapiseira na posição vertical, ligeiramente inclinada sobre o esquadro. Pois o desenho apoiado nos cantos do instrumento suja o esquadro ou régua e ocasiona borrão na folha de desenho e se a inclinação sobre o esquadro for excessiva, perde-se o controle da orientação da linha, permitindo que essa não saia exatamente reta.

Este material foi adaptado da apostila de Desenho Técnico I dos professores Denise Schuler, Heitor Othelo Jorge Filho e José Aloísio Meulam Filho, do Curso de Arquitetura e Urbanismo da FAG (Cascavel-PR)

Para o desenho de linhas curvas ou circulares, é preciso se tomar o seguinte cuidado: sempre trace a linha curva (com o compasso ou gabarito de circunferência) antes da linha reta, pois assim poderá encaixá-las perfeitamente sobre a linha curva. O processo contrário raramente tem bons resultados.

No desenho com compasso siga o que mostra a figura a seguir:

Cuidado ao desenhar a junção de uma linha com uma curva. Para evitar que fiquem desalinhados: sempre desenhe os segmentos circulares primeiro. Após desenhe os segmentos retos a partir das curvas.

Para o compasso, recomenda-se uma ponta em formato de cunha para obter linhas mais nítidas sem excesso de pressão – a ponta gasta-se facilmente e deve ser refeita com freqüência.

Não desenhe com o grafite apoiado nos cantos do instrumento – suja o esquadro ou régua e ocasiona borrão na folha de desenho.

Desenhe sobre a borda reta, deixando um pequeno espaço entre a borda e a grafite.

Este material foi adaptado da apostila de Desenho Técnico I dos professores Denise Schuler, Heitor Othelo Jorge Filho e José Aloísio Meulam Filho, do Curso de Arquitetura e Urbanismo da FAG (Cascavel-PR)

3.1.4 Seqüência de Desenho

A seqüência que se deve adotar para se obter um bom resultado final: 1. Esboce levemente as principais linhas verticais e horizontais; 2. Preencha as linhas secundárias; 3. Reforce as linhas finais, tendo em mente a intensidade apropriada de cada uma.

Este material foi adaptado da apostila de Desenho Técnico I dos professores Denise Schuler, Heitor Othelo Jorge Filho e José Aloísio Meulam Filho, do Curso de Arquitetura e Urbanismo da FAG (Cascavel-PR)

3.2 TIPOS DE LETRAS E NÚMEROS As características mais importantes para a graficação das letras são

LEGIBILIDADE e CONSISTÊNCIA, tanto em estilo quanto em espaçamento.

A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z0,5 cm
A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S T U V W X Y Z0,3 cm
0 1 2 3 4 5 6 7 8 90,5 cm

Obs.: A dimensão das entrelinhas não deve ser inferior a 2 m. As letras e cifras das coordenadas devem ter altura de 3 m.

3.2.1 Letras de Mão

Na década de 60, quando os desenhos de arquitetura passaram a ser feitos a lápis em papel "Albanene", foi introduzida nas normas de desenho dos escritórios de arquitetura do Rio de Janeiro, inicialmente pelo escritório de Henrique Mindlin, um tipo de "letra de mão", que praticamente aposentou os normógrafos (instrumento que era utilizado para o desenho de letras). Ela se difundiu por todos os demais e passou a ser chamada de "Letra de Arquiteto". É composta por caracteres próprios, que apresentam pequenas inclinações em elementos que os compõem, determinando assim a sua personalidade. São utilizadas na transmissão das informações contidas nos desenhos, sob forma de textos ou números. Normalmente elas aparecem nos desenhos, entre "linhas guia", em três dimensões: 2mm (dois milímetros) para locais onde o espaço para a escrita seja bastante restrito; 3mm (três milímetros) a mais utilizada; e 5mm para títulos, designações ou qualquer outro texto ou número que necessite de destaque. São representadas sempre em "caixa alta" (letras maiúsculas).

Este material foi adaptado da apostila de Desenho Técnico I dos professores Denise Schuler, Heitor Othelo Jorge Filho e José Aloísio Meulam Filho, do Curso de Arquitetura e Urbanismo da FAG (Cascavel-PR)

O uso de linhas guia é obrigatório para que as letras sejam consistentes na altura. As letras devem comunicar e não distrair ou prejudicar o desenho em si.

Desta forma, algumas dicas: 1. As letras devem ser sempre maiúsculas e não inclinadas – letras inclinadas geralmente são direcionais, distraindo a visão em um desenho retilíneo. 2. Para manter as letras verticais, um pequeno esquadro ajuda a manter os traços verticais das letras. 3. Mantenha a proporção de áreas iguais para cada letra, para que seu texto seja mais estável.

3.3 FORMATO E DIMENSÕES DO PAPEL

As folhas em que se desenha o projeto arquitetônico é denominada prancha. Os tamanhos do papel devem seguir os mesmos padrões do desenho técnico. No Brasil, a ABNT adota o padrão ISO: usa-se um módulo de 1 m², cujas dimensões seguem uma proporção equivalente raiz quadrada de 2 (841 x 1189 m), que remete às proporções áureas do retângulo. Esta é a chamada folha A0 (a-zero). A partir desta, obtém-se múltiplos e submúltiplos (a folha A1 corresponde à metade da A0, assim como a 2A0 corresponde ao dobro daquela).

A maioria dos escritórios utiliza predominantemente os formatos A1 e A0, devido à escala dos desenhos e à quantidade de informação. Em nossas aulas utilizaremos geralmente os formatos A2 e A3, pela facilidade de manuseio e dimensões das pranchetas e réguas paralelas disponíveis.

Apesar da normatização incentivar o uso das folhas padronizadas, é muito comum que os desenhistas considerem que o módulo básico seja a folha A4 ao invés da A0. Isto costuma se dever ao fato de que qualquer folha obtida a partir desde módulo pode ser dobrada e encaixada em uma pasta neste tamanho, normalmente exigida pelos órgãos públicos de aprovação de projetos. Este formato pode ser conseguido também pelas folhas padronizadas, desde que se utilize as recomendações para dobramento das folhas, conforme a norma referida

Este material foi adaptado da apostila de Desenho Técnico I dos professores Denise Schuler, Heitor Othelo Jorge Filho e José Aloísio Meulam Filho, do Curso de Arquitetura e Urbanismo da FAG (Cascavel-PR)

Do formato A0 resultará os demais formatos de papéis:

3.3.1 Dobramento das Pranchas

As cópias dos projetos podem ser arquivadas dobradas, ocupando menor espaço e sendo mais fácil seu manejo. O formato final deve ser o A4, para arquivamento. A NBR 6492 mostra uma seqüência de dobramento, para os tamanhos-padrão de papel.

Este material foi adaptado da apostila de Desenho Técnico I dos professores Denise Schuler, Heitor Othelo Jorge Filho e José Aloísio Meulam Filho, do Curso de Arquitetura e Urbanismo da FAG (Cascavel-PR)

3.4 ESCALAS

Através do Desenho Arquitetônico o arquiteto ou o desenhista gera os documentos necessários para as construções. Esses são reproduzidos em "pranchas", isto é, folhas de papel com dimensões padronizadas, por norma técnica, onde o espaço utilizável é delimitado por linhas chamadas de margens. Uma prancha "A4", por exemplo, tem 21cm de largura por 29,7cm de altura e espaço utilizável de 17,5 cm de largura por

27,7 cm de altura. Desta forma se tivermos que desenhar a planta, o corte e a fachada de uma edificação, nesta prancha, estes deverão estar em ESCALA. As escalas são encontradas em réguas próprias, chamadas de escalímetros.

Assim, a escala é a relação que indica a proporção entre cada medida do desenho e a sua dimensão real no objeto.

Um dos fatores que determina a escala de um desenho é a necessidade de detalhe da informação. Normalmente, na etapa de projeto executivo, quando elementos menores e cheios de detalhes da construção estão sendo desenhados para serem executados, como por exemplo as esquadrias (portas, janelas, etc), normalmente as

Efetua-se o dobramento a partir do lado direito em dobras verticais de

Este material foi adaptado da apostila de Desenho Técnico I dos professores Denise Schuler, Heitor Othelo Jorge Filho e José Aloísio Meulam Filho, do Curso de Arquitetura e Urbanismo da FAG (Cascavel-PR) desenhamos em escalas mais próximas do tamanho real (1:20 ou 1:25). Outro fator que influencia a escolha da escala é o tamanho do projeto. Prédios muito longos ou grandes extensões urbanizadas em geral são desenhados nas escalas de 1:500 ou 1:1000. Isto visando não fragmentar o projeto, o que quando ocorre, dificulta às vezes a sua compreensão. A escolha da escala geralmente determina também o tamanho da prancha que se vai utilizar.

Com a prática do desenho, a escolha da escala certa se torna um exercício extremamente simples. À medida que a produção dos desenhos acontece, a escolha fica cada vez mais acertada. Só uma dica: um prédio com 100 metros de comprimento (10.0 cm) para ser desenhado na escala de 1:100, precisa de 1 metro (100 cm) de espaço disponível na folha de papel para ser desenhado. Na de 1:50 o dobro. Assim você pode determinar a prancha a ser utilizada.

Por exemplo, um projeto pequeno desenhado na escala de 1:100 (ou 1/100), talvez possa utilizar uma prancha A4, ou A3. Um projeto nesta escala significa que o desenho estará 100 vezes menor que a verdadeira dimensão/grandeza (VG). Então, se estamos desenhando uma porta de nosso projeto, com 1 metro de largura (VG), ela aparecerá no desenho, em escala, com 1 centímetro de comprimento. Se escolhermos 1:50 (ou 1/50) o desenho será 50 vezes menor, e assim por diante. Como podemos observar, o tamanho do desenho produzido é inversamente proporcional ao valor da escala. Por exemplo: um desenho produzido na escala de 1:50 é maior do que ele na escala de 1:200.

Escalas recomendadas: Escala 1:1, 1:2, 1:5 e 1:10 - Detalhamentos em geral;

Escala 1:20 e 1:25 - Ampliações de banheiros, cozinhas ou outros compartimentos;

Escala 1:50 - É a escala mais indicada e usada para desenhos de plantas, cortes e fachadas de projetos arquitetônicos;

Escala 1:75 - Juntamente com a de 1:25, é utilizada apenas em desenhos de apresentação que não necessitem ir para a obra – maior dificuldade de proporção.

Escala 1:100 - Opção para plantas, cortes e fachadas quando é inviável o uso de 1:50; plantas de situação e paisagismo; também para desenhos de estudos que não necessitem de muitos detalhes;

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Escala 1:175 - Para estudos ou desenhos que não vão para a obra; escala 1:200 e 1:250 - Para plantas, cortes e fachadas de grandes projetos, plantas de situação, localização, topografia, paisagismo e desenho urbano;

Escala 1:500 e 1:1000 - Planta de localização, paisagismo, urbanismo e topografia;

Escala 1:2000 e 1:5000 - Levantamentos aerofotogramétricos, projetos de urbanismo e zoneamento.

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