Anais do Simpósio de Geologia do Sudeste 2010

Anais do Simpósio de Geologia do Sudeste 2010

(Parte 6 de 13)

XI Simpósio de Geologia do Sudeste 2009

14 a 17 de Outubro de 2009 - Hotel Fazenda Fonte Colina Verde - São Pedro - SP

Antonio Carlos Pedrosa-Soares (UFMG) Fernando Flecha Alkmim (UFOP)

S1 - CRÁTONS E NÚCLEOS CRATÔNICOS

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14 a 17 de Outubro de 2009 - Hotel Fazenda Fonte Colina Verde - São Pedro - SP

Ciro Alexandre Ávila, Alexandre Nascimento de Souza, Fernando Vasques, Júlio Cezar Mendes, Leandro Bravo Costa, Eduardo Guimarães, Mariana

Soares, Rômulo Stohler, Filipe Vidal Oliveira, Thayla Vieira, Filipe Rocha, Julia Guerrero, Thales AzevedoDep. de Geologia e Paleontologia, Museu Nacional, UFRJ (ávila@mn.ufrj.br); Pos-Graduação, Dep. de Geologia, UFRJ; Dep. Geologia, UFRJ; Graduação, UFRJ.

A região entre as cidades de São Tiago e Ritápolis está inserida no contexto evolutivo do cinturão Mineiro, que envolve arcos magmáticos intra-oceânicos e continentais amalgamados durante o Paleoproterozóico, cujo magmatismo varia de gabróico a granítico e entre 25 ± 6 Ma e 2050 ± 12 Ma. Neste contexto destaca-se o granitóide Ritápolis (2121 ± 7 Ma) que é intrusivo em anfibólio gnaisses, anfibolitos e em rochas metassedimentares do greenstone belt Rio das Mortes, bem como em metapiroxenitos e em corpos plutônicos paleoproterozóicos, com idades entre 2188 ± 29 e 2131 ± 4 Ma. Associado geneticamente a esse granitóide ocorre um enxame de pegmatitos mineralizados em cassiterita, columbita-tantalita, espodumênio, microlita e zircão hafnífero, correlacionados a Província Pegmatítica de São João del Rei. O granitóide Ritápolis é um batólito cálcio-alcalino, peraluminoso, que foi dividido em diferentes sub-tipos faciológicos, onde predominam termos equigranulares (fino, médio e grosso), que gradam para porfiríticos com fenocristais de feldspato de até 4cm. As rochas das facies média e grossa apresentam orientação de fluxo magmático (evidenciada pelo arranjo dos grãos hipidiomórficos de feldspato e biotita), clots máficos biotíticos (com forma oblata de até 7cm de diâmetro) e xenólitos de anfibolito. Rochas da facies média ocorrem como enclaves autolíticos na facies grossa, enquanto diques e apófises da facies fina cortam rochas da facies média. A mineralogia essencial do granitóide Ritápolis é representada por quartzo, plagioclásio, microclina, biotita, feldspato pertítico, apresentando como acessórios zircão, apatita, titanita, muscovita, minerais opacos e allanita, enquanto epidoto, clorita, sericita, carbonato, zoisita, clinozoisita, titanita, biotita e muscovita são minerais metamórficos e/ou hidrotermais. A análise de saprólitos em estereomicroscópio apontou, ainda, para a presença abundante de xenotímio, monazita, magnetita, martita e ilmenita, enquanto granada, galena, columbita-tantalita, turmalina, molibdenita, pirita limonitizada e gahnita são mais restritos. O estudo das inclusões sólidas por MEV-EDS em grãos de monazita, xenotímio e zircão das facies média e grossa apontou para a presença de duas gerações de monazita, sendo que uma apresenta inclusões de apatita, ilmenita, plumbogumita, xenotímio e zircão, correspondendo a uma das últimas fases minerais magmáticas a se cristalizar. Caracterizou-se, ainda, que fases minerais ricas em U (uraninita e coffinita) estão ausentes como inclusões na monazita das duas facies e presentes no zircão e no xenotímio, enquanto fases ricas em Th (torianita e torita) foram identificadas como inclusões/exsoluções na monazita, no xenotímio e no zircão de ambas as facies. Neste sentido pode-se inferir que durante a cristalização magmática das rochas das facies média e grossa o Th e o U foram capturados pelo xenotímio e pelo zircão, enquanto o U não foi compatível com a estrutura cristalina da monazita. De forma semelhante à monazita, a presença de inclusões de xenotímio e apatita no zircão e de zircão no xenotímio também apontam para a existência de pelo menos duas gerações distintas de zircão e/ou de xenotímio. A presença de exsoluções de columbita na ilmenita da facies grossa, bem como a presença de columbita-tantalita em várias amostras de saprólitos desta mesma facies aponta para uma possível associação genética entre o magma formador das rochas da facies grossa e dos corpos pegmatíticos. Como conclusão pode-se afirmar que o granitóide Ritápolis marca o último pulso magmático félsico Ryaciano da região estudada e que o enxame de corpos pegmatíticos estaria associado geneticamente a uma evolução do magma da facies grossa.

Joanna Correia de Souza Pereira Gomes; Luis Fernando Oliveira; Marcos Eduardo Vieira Neri; Raul Sabadini Junior;Carlos Alberto Rosière Estudante de Graduação em Geologia UFMG; Departamento de Geologia, Instituto de Geociências, Universidade Federal de Minas Gerais.

Na porção oeste da Serra do Curral ocorrem rochas cristalinas do complexo Bonfim (localmente conhecido com Granito Souza Noschese), greenstone belts de idade arqueana representados pelo Grupo Nova Lima e sequência supracrustal de idade paleo proterozóica do Supergrupo Minas. Rochas intrusivas de composição gabróica ocorrem como diques e sills. Trabalhos de mapeamento em escala 1:25000 com levantamento estrutural sistemático foram executados usando como base topográfica fotos aéreas (vôo CEMIG, 1989). O arcabouço estrutural é marcado por dois lineamentos principais representando frentes de cavalgamento de direção aproximada E-W, indicando transporte de massa de sul para norte. Estas são limitadas por falhas transcorrentes reversas de direção grosseiramente N-S. As duas estruturas possuem características dúcteis. Falhas normais de caráter rúptil ocorrem em menor expressão, interpretadas como reativações das falhas transcorrentes, geralmente associadas a diques intrusivos. As rochas do Grupo Nova Lima (Supergrupo Rio das Velhas) afloram na porção sudoeste do mapa, representado por xistos, quartzitos, BIFs e metaconglomerados. Apresenta foliação principal Sn de direção variada, tida como reflexo da transposição do acamamento original, cortada por foliação (Sn+1) plano axial de dobras de eixo N-S e mergulho constante para E. O Supergrupo Minas está disposto em faixas alongadas de direção grosseiramente E-W e ocupa a região centro-norte. Subdividido nos grupos Caraça, Itabira, Piracicapa e Sabará. Perfaz 50% da área. Apresenta contato tectônico com o Grupo Nova Lima e o Granito Souza Noschese. A principal estrutura planar existente é uma foliação (Sn) plano-axial de dobras inversas com caimento, localmente rotacionadas por influencia das falhas transcorrentes. Cortando a estrutura principal (Sn), ocorre uma clivagem de fratura (Sn + 1), de atitude aproximada N-S/verticalizada. Possui espaçamento centimétrico e se mostra constante em toda área. A Fm. Gandarela aflora apenas na porção E do mapa, tendo sua continuidade lateral para W interrompida, entre as minas da Esperança e Pau de Vinho, e a Fm. Cercadinho está em contato direto com a Fm. Cauê, em discordância angular e erosiva. Na maioria das vezes apresenta conglomerado basal polimitico e matriz ferruginosa. A partir dos lineamentos N-S a região foi dividida em três grandes domínios estruturais: Oriental, Central e Ocidental. O limite Oriental-Central é marcado pelo lineamento do Rio Paraopéba e o Central-Ocidental pelo lineamento da Mina Pau de Vinho. O domínio oriental apresenta acamamento mergulhando para N-NW e eixos caindo para NE-SW. No ocidental as camadas mergulham para S-SE e os eixos caem para SE e localmente para NW. No domínio central as camadas apresentam mergulho para S-SE, verticalizados próximo a serra, tendendo a suavizar com o afastamento desta. Os eixos têm caimento para

NE-SW Agradecimentos: Ferrous Ressources Limited.

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14 a 17 de Outubro de 2009 - Hotel Fazenda Fonte Colina Verde - São Pedro - SP

GEOLOGIA DA REGIÃO ENTRE AzURITA E ITATIAIUÇU, ExTREMO OESTE DA SERRA DO CURRAL, QUADRILÁTERO FERRÍFERO - MG

Moara Melo Tupinambás; Joanna Chaves Souto Araújo; Antônio Wilson Romano; Dpto. de Geologia, IGC/UFMG – Belo Horizonte. moaramt@gmail.com

A presente pesquisa é resultado de um Trabalho Geológico de Graduação e foi executado em uma área de 144km, escala 1:25.0. A área está inserida na porção oeste da Folha Igarapé, 1:50.0 e está situada na porção setentrional do Quadrilátero Ferrífero. O contexto geológico engloba terrenos granito gnaissicos arqueanos, rochas do greenstone belt Rio das Velhas e metamorfitos do Supergrupo Minas. Uma característica marcante da região é a existência de possantes veios de quartzo de extensão quilométrica que formam um relevo característico de cristas retilíneas e agudas e cortam todas as rochas do embasamento e Supergrupo Rio das Velhas. Os sedimentos mais recentes são representados pela sedimentação lacustrina terciária, vastos depósitos coluvionares e aluvionares. Os terrenos granito gnaissicos ocupam a parte oeste da área e são constituídos por rochas gnáissicas e migmatíticas, com alguns corpos granitóides do Complexo Divinópolis e pelos granitóides sin-tectônicos da Suíte Mato Dentro. O Supergrupo Rio das Velhas, na porção norte e extremo sul, é representado pela Seqüência Metaígnea e Metassedimentar basal e pela Seqüência Metassedimentar e Metavulcano-sedimentar superior do Grupo Nova Lima. Essas duas seqüências são constituídas por rochas ultramáficas, máficas, quartzito, magnetitito, filito carbonoso, metatufo, rochas peraluminosas, xisto e formação ferrífera bandada tipo Algoma. Já a porção sul, ao longo da Serra Azul, porção terminal da Serra do Curral, é representada por uma sucessão quase completa do Supergrupo Minas, constituída principalmente por quartzito, filito, filito carbonoso, formação ferrífera bandada e dolomito. A região está situada no limite entre os terrenos arqueanos fortemente afetados por uma tectônica caracteristicamente transcorrente, que representa a terminação mais ocidental do Lineamento Pitangui, e os terrenos paleoproterozóicos do Supergrupo Minas afetados pela tectônica compressiva transamazônica. Esta tectônica é visível por causa de um vetor de transporte de direção noroeste que marca conspicuamente todas as rochas. No entanto, traços de uma tectônica transcorrente são também possíveis de se detectar ao longo da Serra do Curral ocidental, sob a forma de uma acentuada verticalização dos estratos ao longo de direções aproximadamente leste-oeste e lineações de estiramento sub-horizontais. Os terrenos ao norte da Serra do Curral são claramente afetados pela tectônica transcorrente, principalmente aqueles situados entre a Serra de Santo Antônio, norte de Mateus Leme e a Serra da Saudade, sul do distrito de Azurita. O padrão de deformação nessa região parece ser similar ao da Serra de Santo Antônio, e tratar-se de uma estruturação transpressiva, com um nítido vetor de transporte oeste nas porções balizadas pelas zonas de transcorrência de direção lesteoeste. O fenômeno mais intrigante da região é, no entanto, representado pelos veios de quartzo, muitas vezes erroneamente interpretados como sendo de rochas sedimentares com forte recristalização metamórfica. Todavia, são produtos de segregação metamórfica/hidrotermal e preenchem zonas distensivas abertas quando da implantação da tectônica transcorrente. Um destes veios estrutura a Serra da Saudade. A região destaca-se economicamente pela presença de minério de ferro, lavrado praticamente em toda a extensão da Serra do Curral ocidental, além de outros recursos minerais, tais como, areia, brita de gnaisse, argilas, agalmatolito e filito carbonoso.

TECTÔNICA TRANSPRESSIvA DA SERRA DE SANTO ANTÔNIO, MATEUS LEME, MG

Joanna Chaves Souto Araújo; Antônio Wilson Romano; Moara Melo Tupinambás Dpto. de Geologia, IGC/UFMG – Belo Horizonte. joannaaraujo@oi.com.br

O greenstone belt Rio das Velhas ao noroeste do Quadrilátero Ferrífero, mais precisamente entre as localidades de Mateus Leme e Pitangui, desenvolveu-se no contexto de uma bacia oceânica formada na zona de colisão entre dois blocos crustais. Essa zona é materializada pelo denominado Lineamento Pitangui de direção geral noroeste-sudeste. Esse lineamento possui caráter transcorrente, oblíquo e sinistral e assume uma direção leste-oeste na região ora estudada. A Serra de Santo Antônio, também conhecida como Serra do Elefante, localizada ao norte de Mateus Leme, região metropolitana de Belo Horizonte, é um bom local para se observar aspectos da sedimentação e deformação do greenstone belt Rio das Velhas. Nessa região e em seus arredores afloram as duas sequências principais do Grupo Nova Lima: Sequência Metassedimentar e Metavulcano-sedimentar e Sequência Metaígnea e Metassedimentar, com diversas litologias como rocha metamáfica com pillow lavas, formação ferrífera intercalada com filito carbonoso, agalmatolito, tufo, quartzito cianítico, entre outros. No topo da serra afloram quartzitos e metaconglomerados do Grupo Maquiné, que sustentam essa notável expressão topográfica e representam a fase molássica da sedimentação do Supergrupo Rio das Velhas. A região sofreu duas fases de deformação: uma dúctil e outra dúctil-rúptil. Elas são praticamente paralelizadas, desenvolvendo uma foliação de transposição milonítica. A relação entre as duas deformações é nítida nos quartzitos do Grupo Maquiné, onde a foliação plano-axial da primeira fase é transposta por uma foliação penetrativa de caráter milonítico a proto-milonítico da segunda fase. A geologia da serra e sua vizinhança é fortemente influenciada pelo Lineamento Pitangui. Ao sul da serra desenvolveu-se uma outra zona de cisalhamento transcorrente de direção aproximada E-W que passa pela localidade de Azurita e é sub-paralela ao Lineamento Pitangui. Dessa forma, toda a serra de Santo Antônio ficou como um bloco aprisionado entre os dois cisalhamentos e desenvolveu um padrão de deformação conflitante com a deformação regional. A região foi então interpretada como tendo a estruturação de uma cunha transpressiva entre duas zonas de cisalhamento transcorrentes sub-paralelas, o que resultou em falhas de empurrão com um nítido vetor de transporte oeste, que não corresponde também ao padrão de compressão regional transamazônico, bem evidenciado ao sul, na região da Serra do Curral, que é de sentido noroeste. Em consequência da transpressão, uma série de falhas de empurrão de baixo ângulo foram geradas ao longo da vertente oeste da Serra de Santo Antônio e são bem definidas por marcadores de deformação, tais como estiramento de seixos, lineação de estiramento/mineral e foliação milonítica, impressos nos quartzitos e em um pacote de paraconglomerado, ambos pertencentes ao Grupo Maquiné. Concomitantemente à instalação das zonas de cisalhamento e da transpressão, houve uma intensa percolação de fluidos hidrotermais que gerou rochas ricas em muscovita, polimorfos AlSiO, coríndon, diásporo e pirofilita, além de zonas sulfetadas, com mineralizações auríferas.

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