Anais do Simpósio de Geologia do Sudeste 2010

Anais do Simpósio de Geologia do Sudeste 2010

(Parte 7 de 13)

XI Simpósio de Geologia do Sudeste 2009 18

14 a 17 de Outubro de 2009 - Hotel Fazenda Fonte Colina Verde - São Pedro - SP

Marcos Vinicius M. de Carvalho; Fábio V. P. Paciullo Graduação, IGEO/UFRJ– Rio de Janeiro homenaziago@gmail.com Departamento de Geologia, IGEO/UFRJ–Rio de Janeiro.

As serras do Paraíso e adjacentes (Serra de Campos Gerais e Serra do Macuco) estão localizadas ao redor da cidade de Campos Gerais, borda sudeste da Represa Furnas, sul de Minas Gerais. São constituídas por uma sucessão metassedimentar neoproterozoica pertencente a Megassequência Andrelândia, empurrada sobre um embasamento gnáissico migmatítico arqueano (Complexo Campos Gerais). O objetivo do mapeamento é investigar a ligação entre o sistema de nappes Luminárias-Varginha-Guaxupé, de transporte tectônico de W para E, com a nappe Passos de transporte tectônico de NW para SE. Na área mapeada ocorrem duas unidades litológicas: biotita gnaisse fino, sobreposto por quartzito com intercalações de mica xisto. O biotita gnaisse fino ora apresenta-se com aleitamento composicional claro-escuro (bandas quartzo-feldspaticas e outras biotiticas) ora com um aleitamento composicional melanocratico-mesocratico incipiente definido por leitos delgados com mais ou menos biotita. Veios de quartzo com k-feldspato paralelos ao bandamento são freqüentes. Mineralogicamente é constituído por quatzo, plagioclásio, biotita, localmente muscovita e, raramente, granada. A segunda unidade, esta representada por uma sucessão de quartzitos com intercalações de mica xisto e quartzo xisto. Os quartzitos apresentam estratificação média a delgada, e são constituídos basicamente de quartzo e muscovita. Os xistos possuem cor prateada quando frescos, e tem muscovita como constituinte principal. As duas unidades parecem corresponder às unidades A1 (biotita gnaisse fino) e A2 (biotita gnaisse fino com intercalações de quartzito e mica xisto) da Megassequência Andrelândia (Paciullo, 1997 e Ribeiro et al 2003). Foram identificadas três fases de deformação- D1, D2 e D3. A primeira esta representada por dobras isoclinais simétricas com plano axial paralelo a estratificação e lineação de estiramento e eixos de dobras com atitudes 130/20 e 310/20. A fase D2 forma uma grande estrutura antiformal com vergência para norte, lineações de estiramento e eixos de dobras assimétricas em S com atitudes 270/15 e 90/20.A fase D3 está representada por dobras com plano axial subvertical com atitudes x e eixos com atitudes 180-215/30. Ao longo das bordas norte das serras ocorre uma zona milonítica sinistral com lineações de estiramento XXx que define o contato entre os metassedimentos e gnaisses do embasamento.

CARACTERIzAÇÃO PETROGRÁFICA DAS ROChAS METAULTRAMÁFICAS DA JAzIDA MOSTARDAS E BOIADEIROS, SUPERGRUPO RIO DAS vELhAS, QUADRILÁTERO FERRÍFERO, MINAS GERAIS

Ana Márcia Batista Soares; Newton Souza Gomes Departamento de Geologia da Escola de Minas da Universidade Federal de Ouro Preto (Degeo/EM/UFOP)

Os litotipos encontrados na Jazida Mostardas e Boiadeiros, localizada no Distrito de Rio do Peixe, Município de Nova Lima (MG), são caracterizados como rochas de idade arqueana pertencentes a um corpo ultramáfico metamorfizado a baixo grau. O corpo está inserido no Supergrupo Rio das Velhas, greenstone belt da província mineral conhecida como Quadrilátero Ferrífero. Essas rochas foram objetos de diversos estudos no último século, tendo sua origem atribuída a um protólito ultramáfico vulcânico. Há também a identificação de faixas de intensa deformação, gerando uma foliação milonítica, ou em alguns casos, uma xistosidade bem desenvolvida. Esses estudos alcançaram resultados divergentes, mostrando que ainda não existe uma caracterização satisfatória desse corpo metaultramáfico. Um novo levantamento foi realizado com o objetivo de ampliar o conhecimento sobre as rochas da Jazida Mostardas e Boiadeiros e assim minimizar as diferenças entre as classificações petrogenéticas atribuídas a essas rochas. Para isso, foi feita a identificação dos litotipos, a coleta de amostras de rocha para análise petrográfica e confecção de lâminas delgadas para estudos mineralógicos e textural, e a identificação das estruturas presente nas rochas. Os litotipos identificados foram serpentinitos e metapiroxenitos. As rochas da jazida mostram-se deformados em regime rúptil e feições rúpteis-dúcteis subordinadas. A deformação é caracterizada por juntas, mesofalhas, com estrias e steps e/ou espelhos de falha, além de raras dobras de arrasto com geometria kink e veios preenchidos por serpentina fibrosa. Localmente, os serpentinitos apresentam veios de material opaco que formam uma caótica rede de fraturas. Pela análise mineralógica e textural, observa-se que os serpentinitos preservam a textura do protólito, mostrada pela completa substituição das olivinas por serpentinas, com formação subordinada de clorita, talco, carbonato e tremolita. Em alguns serpentinitos, ocorrem veios preenchidos com magnetita, cromita e, mais raramente, ilmenita. Há também, serpentinitos milonitisados que se concentram nas porções mais externas do corpo ultramáfico. Os metapiroxenitos apresentram pseudomorfismos de piroxênios e olivinas, com substituição desses minerais por talco, principalmente. Há também a substituição por tremolita, serpentina, clorita e carbonatos. A presença de magnetita e cromita é inexpressiva, participando em menos de 1% da composição mineralógica da rocha. A caracterização textural das rochas mostra que o processo de formação do protólito não corresponde a um resfriamento brusco, como em casos de rochas vulcânicas. A inexistência de estruturas como spinifex e pillow lavas reforçam a não associação dessas rochas a um komatiito. E ainda, o processo de formação da foliação milonítica não deve ser considerado como a principal deformação sofrida pelos serpentinitos e metapiroxenitos. Em grande parte do corpo ultramáfico, esses litotipos apresentam pseudomorfismo dos minerais primários, o que sugere uma deformação não plástica da rocha em questão. Agradecimentos: ao diretor da empresa MSM Mariana Soapstone Minning, o engenheiro geólogo Osmar Fritscher Puperi

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14 a 17 de Outubro de 2009 - Hotel Fazenda Fonte Colina Verde - São Pedro - SP

COMPOSIÇÃO ISOTÓPICA Sr NOS PADRÕES DE ROChA DO USGS BCR-1, AGv-1, G-2 E GSP-1: RESULTADOS PRELIMINARES DO LABORATÓRIO DE GEOCRONOLOGIA E ISÓTOPOS RADIOGÊNICOS – LAGIR – UERJ, RIO DE JANEIRO

Claudio de Morisson Valeriano, Gilberto da Silva Vaz; Silvia Regina de Medeiros, Carla Cristina Aguiar Neto, Celia Diana Ragatky TEKTOS – Grupo de Pesquisas em Geotectônica, DGRG-FGEL-UERJ cmval@uerj.br CNPq, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico; PROATEC-UERJ; DMPI-FGEL-UERJ; Curso de Graduação em Geologia – UERJ; DMPI-FGEL-UERJ

Este trabalho apresenta análises isotópicas de quatro padrões de rocha USGS (basalto BCR-1, andesito AGV-1,granito G-2 e o granodiorito GSP-1) utilizando o espectrômetro de massa por termo-ionização (TIMS) TRITON-Finnigan. Estes primeiros resultados isotópicos do Sr natural foram feitos recentemente no Laboratório de Geocronologia e Isótopos Radiogênicos – LAGIR – UERJ, Rio de Janeiro. A importância da publicação destes resultados reside na necessidade de comparações interlaboratoriais e na pouca disponibilidade de valores de referência na literatura, especialmente utilizando-se o espectrômetro TRITON, equipamento este que vem tendo uso crescente no mundo e no Brasil. Os procedimentos químicos foram realizados em sala limpa sob pressão positiva do ar, utilizando-se reagentes (água, ácidos) bidestilados em sub-ebulição. Cada amostra com massa de aproximadamente 100 mg foi digerida durante 2 ciclos de abertura, o primeiro de 3 dias utilizando uma mistura de HF (6 mL) e HNO 6N (0,5 mL), e o segundo de 2 dias utilizando-se HCl 6N (6 mL). A separação do Sr foi efetuada com HCl 2.5N em colunas de troca iônica com a resina Bio-Rad AG-50W-X-8 (100-200 mesh). O Sr de cada amostra foi depositado e evaporado em filamento duplo de Rênio previamente degasado, usando 1 µL de HPO 1N, como ativador de ionização. As análises espectrométricas foram realizadas em modo estático com um arranjo de cinco coletores Faraday. A média das razões isotópicas do Sr/Sr medidas no LAGIR, para cada padrão, é apresentada a seguir em comparação com resultados reportados por Raczek (2003), Weis et al. (2006) e Wang (2007).

PadrãoSr/Sr± Erro padrão absoluto

Andesito AGv-1

Agradecimentos: Os autores agradecem o apoio financeiros da FINEP CT-MINERAL REDE GEODINÂMICA (Convênio. 01.06.0222.0), e do CNPq ( Proc. 47120/203-4 e Proc. 310589/2006-1)

O LINEAMENTO N45°W: UMA FEIÇÃO TECTÔNICA COMUM AO CRÁTON SÃO FRANCISCO MERIDIONAL E FAIxA BRASÍLIA.

Mauricio A. Carneiro; Antonino J. Borges; Débora E. dos Santos; Bruno H. Campos; Sérgio Y. D. H. dos Santos; Izabela A. Camisassa; Rodrigo M.

BauerfeldtDegeo/EM/UFOP; CPRM/Sureg/BH; Demin/EM/UFOP.

O tratamento das imagens do levantamento aerogeofísico de Minas Gerais e Goiás, realizado pelo programa Oasis Montaj (GEOSOFT), revelou a existência de um longo lineamento estrutural com orientação N45°W, muito destacado nas imagens aeromagnetométricas de sinal analítico, derivada vertical e contagem total, mas de pouca expressão nas imagens U e K. Essas imagens foram importadas pelo programa ArcGIS (ESRI), onde o lineamento foi georeferenciado e confrontado com os aspectos geográficos e geológicos da região. Assim, determinou-se que a sua extensão crustal é de, aproximadamente, 1000 km, cobrindo desde a porção meridional do Cráton São Francisco até a porção meridional do arco magmático de Goiás (Faixa Brasília). Na sua porção SE (em Minas Gerais), nos domínios da crosta siálica arqueana, se destacam cinco ramos principais que avançam para NW. Em território goiano, na região de Hidrolândia, essa expressão geofísica se reduz a dois braços (um setentrional e outro meridional). Em Santa Bárbara de Goiás o ramo meridional sofre uma inflexão acentuada, intercepta e transpõe o ramo setentrional (49°39’W e 16°35’S). Mas, após descrever um arco côncavo, na divisa dos municípios de Sanclerlândia e Mossâmedes, re-intercepta o outro ramo (50°12’W e 16°15’S) assumindo a direção E-W até atingir a porção meridional do arco magmático de Goiás. Tectonicamente, na sua porção SE, se destacam cinco ramos principais que se misturam a um denso enxame de lineamentos dos sistemas de diques máficos Lençóis I e I que apresentam, respectivamente, direções N50°-60°W e N35°-45°W, compreendendo, portanto, o lineamento N45°W em questão. Contudo, os mafitos desses dois sistemas de diques, no âmbito da porção meridional do Cráton São Francisco (região de Cláudio) forneceram idades radiométricas (Ar-Ar) de 1,9 e 0,9 Ga, respectivamente. Preliminarmente o lineamento N45°W poderia fazer parte desse sistema máfico fissural, restrito à crosta siálica arqueana da porção meridional do Cráton São Francisco, mas à medida que ele se prolonga para NW, apesar da manutenção dos seus cinco ramos principais, a sua expressão geofísica perpassa rochas de três unidades crustais distintas: 1) cobertura cratônica neoproterozóica (Supergrupo São Francisco); 2) Faixa Brasília; 3) sedimentos e vulcânicas do Cretáceo. Ressalta-se que, apesar da sua nítida expressão geofísica nos terrenos cretáceos, nenhuma ocorrência de mafito desse lineamento foi encontrada, até agora, nesses domínios crustais. Contudo, na região central de Minas Gerais (entre as cidades de Bom Despacho, Luz e Tapiraí) os mafitos do lineamento N45°W afloram em meio a rochas da crosta siálica arqueana do Cráton São Francisco Meridional e neoproterozóicas do Supergrupo São Francisco. São rochas de granulação fina a grosseira, exibindo textura ofítica a intergranular e constituídas essencialmente por plagioclásio, clinopiroxênio e ortopiroxênio (em proporções variáveis), que são classificadas como gabro e gabronorito. Resultados litogeoquímicos indicam tratar-se de um magmatismo do tipo tholeiítico continental. Se em termos petrográficos e litogeoquímicos gerais, esses mafitos se assemelham aqueles dos sistemas Lençóis I e I, tectonicamente, no entanto, devem pertencer a eventos fissurais mais recentes, pois intrudem as rochas do Supergrupo São Francisco e, quiçá, as cretáceas. Em suma, o lineamento N45W é uma feição tectônica que perpassa as porções meridionais do Cráton

São Francisco e da Faixa Brasília e o seu significado tectônico ficará mais explicito após a determinação de sua idade radiométrica (etapa em andamento). Agradecimentos: FAPEMIG, CNPq e CPRM/Sureg/BH.

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14 a 17 de Outubro de 2009 - Hotel Fazenda Fonte Colina Verde - São Pedro - SP

CARACTERÍSTICAS AEROGEOFÍSICAS DA FOLhA LUz (SE 23 Y D v) - INTERPRETAÇÃO E DADOS PRELIMINARES

Matheus KuchenbeckerCPMTC/IGC/UFMG – Belo Horizonte alemaogeo@gmail.com

Localizada na porção oeste do estado de Minas Gerais, a Folha Luz (SE 23-Y-D-V) insere-se nos domínios do Cráton do São Francisco, próximo ao seu limite W. Na região ocorrem rochas do Grupo Bambuí, usualmente pouco metamorfizadas e intensamente deformadas, sob influência da Faixa Brasília. Subordinadamente afloram rochas ígneas e sedimentares cretácicas, pertencentes ao Grupo Mata da Corda. Geomorfologicamente, a área encontra-se na região do Alto São Francisco, junto ao limite sul da Serra da Saudade. A folha em questão encontra-se em processo de mapeamento geológico em escala 1:100.0, através de convênio firmado entre a CODEMIG e a UFMG. Neste contexto, foi realizada a interpretação dos dados aerogeofísicos disponíveis, tendo-se em vista os dados de campo até então levantados. Foram utilizados os mapas de gammaespectometria de U, Th e K e o mapa magnetométrico de sinal analítico, ambos integrantes da Área 7 de levantamento aerogeofísico da CODEMIG. O mapa ternário de gammaespectrometria exibe três domínios principais. O primeiro ocorre descontinuamente na porção NW da área, consistindo em baixo sinal de K e alta contribuição de U e Th, com suave predomínio do Th. Em campo, este domínio corresponde a arenito muito alterado e solo eluvial relacionados ao Grupo Mata da Corda. O segundo domínio ocorre em toda a área, sendo notavelmente homogêneo na região da Serra da Saudade, no NW da área. Consiste em regiões com sinal exclusivamente de K, que em campo relacionam-se a argilitos e siltitos do Grupo Bambuí. O terceiro domínio ocorre dominantemente nas porções central e extremo SE da área. Corresponde a extensas regiões com baixo sinal de K e alto sinal de U e Th, em iguais proporções. Relacionam-se em campo a coberturas argilo-siltosas elúvio-coluviais cenozóicas. Quando analisado individualmente, o mapa de gammaespectometria do canal de K marca um baixo relativo na porção NW da área, que em campo corresponde às porções mais arenosas do Grupo Bambuí, delimitando também as ocorrências de verdete. O mapa de sinal analítico apresenta de maneira geral resposta baixa e homogênea em toda a área, com raras anomalias pontuais. É notável a existência de um feixe de lineamentos de direção NW, que exibem resposta magnetométrica anomalamente alta. Estas feições correspondem a um enxame de diques básicos, provavelmente cretácicos, muito raramente encontrados em afloramentos. As anomalias pontuais, também de difícil expressão em superfície, podem corresponder a kimberlitos ou outros corpos intrusivos, que não foram, entretanto, identificados em campo.

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