Aspectos teóricos na ação dos fármacos

Aspectos teóricos na ação dos fármacos

(Parte 7 de 7)

Há 2 tipos principais de inibição: competitiva e não-competitiva. Na inibição competitiva, o fármaco compete com o substrato pelo mesmo sítio da enzima com a qual se combina reversívelmente. Efetivamente, na presença de excesso de substrato o fármaco é deslocado do receptor, que passa a ser ocupado pelo substrato;

Na inibição não-competitiva, o fármaco combina-se com a enzima ou com o complexo enzimasubstrato com igual facilidade, mas num sítio diferente daquele ao qual o substrato é atraído. Portanto, após a ligação do inibidor à enzima, por maior que seja a concentração do substrato, ele jamais desloca o inibidor.

Prof. Antonio Távora

Química Farmacêutica 43 8.3. Inibição Alostérica.

O antimetabólito é composto de estrutura química semelhante à de um dado metabólito e essa característica de complementaridade permite que ele se combine com o centro ativo de uma enzima específica, interferindo na ligação enzimasubstrato.

Este mecanismo é válido para as enzimas em geral, com exceção das ditas enzimas alostéricas, por terem um sítio ligante diferente do centro ativo, o centro alostérico.

Portanto, o inibidor alostérico não precisa apresentar nenhuma semelhança estrutural com o substrato, porque o centro alostérico e o centro catalítico estão situados em porções diferentes da enzima.

A interação do inibidor enzimático com o centro alostérico resulta em alteração conformacional da enzima, diminuindo a afinidade da enzima pelo substrato.

Como exemplo temos os inibidores: da acetilcolinesterase, da MAO (antidepressivos), da Fosfolipase A2, COX-1 e 2 (antiinflamatórios), dentre muitos outros.

Alguns agentes atuam inibindo processos de biossíntese e metabolismo de neurotransmissores (serotonina), mediadores químicos (histamina) e constituintes da parede celular bacteriana (antimicrobianos).

Prof. Antonio Távora

Química Farmacêutica 4 8.4. Fármacos Supressores da Função Gênica.

É grande a lista de fármacos que atuam como supressores da função gênica. Como representantes temos alguns fármacos dentro das seguintes classes: antimicrobianos, fungicidas, anti-maláricos, tripanomicidas, esquistossomicidas, antineoplásicos e antivirais.

Os fármacos supressores da função gênica podem atuar como: (a) inibidores da biossíntese dos ácidos nucléicos; (b) inibidores da síntese protéica.

Os inibidores da biossíntese dos ácidos nucléicos são poucos usados na terapêutica, devido sua alta toxicidade, e interação tanto com os processos bioquímicos do parasito quanto do hospedeiro.

A sulfonamida, um análogo estrutural do ácido p-amino-benzóico (pABA), essencial para a síntese de ácido fólico (Folato) para as bactérias. E este último é necessário para a síntese dos precursores do DNA e RNA.

A cloroquina, que complexa-se por intercalação entre pares de bases do DNA. Os agentes alquilantes (mostardas nitrogenadas e epóxidos) complexam-se com os ácidos nucléicos por aposição, formando uma ligação cruzada com os cordões adjacentes da hélice dupla do DNA.

Os inibidores da síntese protéica (cloranfenicol, estreptomicina, e tetraciclinas) interferem com a tradução da mensagem genética.

Em ambos os casos o fármaco impede que o organismo patogênico sintetize estruturas protéicas (enzimas e/ou receptores) essenciais a sua sobrevida ou multiplicação. Ou ainda que passe a sintetizar proteínas anormais, às vezes tóxicas, e enzimas não-funcionais. Também é importante comentar que tais fármacos podem gerar mutações, tanto no parasita quanto no hospedeiro.

8.5. Antagonismo.

É quando o efeito farmacológico de 02 fármacos é menor que o efeito dos fármacos isolados. Existem 05 tipos de antagonismo: farmacológico, fisiológico, funcional, metabólico e químico.

Prof. Antonio Távora

Química Farmacêutica 45

8.5.1. Antagonismo Farmacológico:

Ocorre entre o agonista e seu antagonista, onde este último reduz ou impede o efeito do causado pelo primeiro (a nível do receptor), e pode ser de 02 tipos: competitivo e não competitivo.

8.5.2. Antagonismo Fisiológico:

Ocorre entre 02 fármacos agonistas que tenham efeitos farmacológicos opostos que se equilibram, e por isso, são denominados antagonistas verdadeiros.

Ex: - Insulina X Glucagon. - Epinefrina X Acetilcolina.

8.5.3. Antagonismo Funcional:

Ocorre entre 02 fármacos agonistas que atuam sobre o mesmo sistema enzimático, mas em sentidos opostos no desencadeamento de uma dada resposta celular. Ex: - Histamina e Isoprenalina (no músculo liso dos brônquios).

Prof. Antonio Távora

Química Farmacêutica 46 8.5.4. Antagonismo Metabólico:

O antagonista é um análogo estrutural do metabólito normal da célula e inibe a ação do metabólito normal competindo pelo mesmo receptor celular. Exemplo de metabólitos: hormônios, minerais e vitaminas. O antagonista que é um metabólito alterado, recebe o nome de antimetabólito, onde este pode ser de 02 tipos:

Antimetabólito Clássico: são os que apresentam nítida semelhança estrutural com os metabólitos normais, e podem atuar como inibidores enzimáticos ou causar síntese letal (morte celular).

Antimetabólito Não Clássico: são os que apresentam remota semelhança estrutural com os metabólitos normais, e podem atuar sobre enzimas-alvo originais, para impedir a formação do complexo enzima-substrato funcional.

8.5.5. Antagonismo Químico:

O antagonista interage quimicamente com o agonista inativando-o e produzindo substâncias tóxicas ou pouco tóxicas. Ex: - Cu++ e enzimas.

8.6. Agentes Quelantes.

Agentes quelantes são as substâncias que possuem a propriedade de combinarse com um íon metálico através da doação de pares de elétrons e assim formar compostos anelares, ou quelatos, geralmente de 5 ou 6 membros.

Três são os principais empregos de agentes quelantes em Química

Farmacêutica: 1. Eliminação do microrganismo por quelação de metais essenciais a sua sobrevida (oxina capaz de quelar o ferro); 2. Como antídotos (oxina e penicilamina), para retirada de metais indesejáveis (íons metálicos) dos organismos vivos;

Prof. Antonio Távora

Química Farmacêutica 47 3. Inibição de metais e enzimas metálicas para estudar suas funções em meios biológicos.

8.7. Ação inespecífica de fármacos.

A ação dos fármacos estruturalmente inespecíficos, como alguns anestésicos gerais, não decorre de sua interação com receptores específicos, mas resulta de suas propriedades físico-químicas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Ö KOROLKOVAS, A; BURCKHALTER J.H.. Química Farmacêutica. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1988. 54-123 p.

Ö SILVA, Penildon. Farmacologia. 4.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1994. 1450 p.

Prof. Antonio Távora

(Parte 7 de 7)

Comentários