A semente da vitória

A semente da vitória

(Parte 4 de 6)

Obrigado, doutor Sebastião. Por estar vivo para me mostrar essa minha obra. Obrigado por ter acreditado no rapaz imberbe que o senhor teve paciência de ouvir, e pelo seu poder de acreditar nas suas próprias e infinitas possibilidades.

O cérebro burro Alimentação mental: a dieta certa Vencer ou perder está em suas mãos Corpo frágil não sustenta espírito forte A inteligência do movimento O poder do acreditar O tripé da anulação O boicote A teoria dos sacos O difícil exercício do elogio Quem muda o corpo, muda a cabeça A debilidade emocional

O homem global é formado por corpo, mente, espírito e emoção.

Parece até coisa sabida, praticada, mas não é! Vive-se parcialmente. Alguns esquecem do corpo e vivem no templo da mente e por ela buscam aproximar-se do espírito.

Mas o corpo esquecido cobra-lhes sustentação, o bemestar, a disposição, o ar fresco pleno nos pulmões.

Falta-lhes o sangue forte e vivo correndo nas veias.

Então suas mentes agonizam e seus espíritos se apagam como luz noturna do farol da vida.

Cérebro burro!!! É uma conclusão a que cheguei, por perceber que podemos manobrar o nosso cérebro como quisermos. Simplesmente por descobrir que ele é vulnerável a todo tipo de interferências externas, como educação, cultura, sociedade, família, etc., a nos impor tipos e mais tipos de comportamento que nem sempre espelham nossa dinâmica realidade.

Sei que o termo parece um tanto ousado, mas a intenção é mesmo chocar. O cérebro ocupa a função primordial de regular a capacidade metabólica do organismo. É responsável por desenvolver bilhões de mecanismos na busca incessante de manter a vida. Ele é tão poderoso que pode nos fazer ficar doentes e possui condições de promover a nossa cura.

O cérebro é capaz de tudo. Mas é apenas um fabuloso processador de dados. Ele só tem contato com o mundo exterior por meio dos órgãos dos sentidos, nos quais colhemos as sensações que serão sempre moduladas pelas emoções; afinal, ele vive totalmente à mercê das emoções. Digo que o cérebro é burro para as pessoas perceberem que é apenas um processador, não sendo capaz de fazer nada por si mesmo.

Quem programa o cérebro são os órgãos dos sentidos. Nada o atinge sem antes passar pela audição, pela visão, pelo olfato, pelo paladar ou pelo tato. Ele é como um potente computador: vai operar as informações enviadas pelos órgãos dos sentidos.

Mas calma lá! Se você pensa que o mais importante no corpo são os órgãos dos sentidos, está redondamente enganado. Não! Os órgãos dos sentidos também estão submetidos às emoções, que controlam todas as informações obtidas. Quer um exemplo? Uma pessoa abre a janela ao acordar, vê um lindo dia de sol e diz: "Que dia lindo! Hoje vai ser o máximo. Vou realizar uma porção de coisas boas". Numa outra janela, alguém faz o mesmo e diz: "Que droga! Hoje vai fazer calor demais! Vou suar minha roupa! Que saco! Vai ser uma m...".

Pode também estar um dia chuvoso e a pessoa reagir dizendo: "Ah, essa chuva não para, que coisa horrorosa. Vai molhar meus sapatos! Estragou meu dia". O cérebro escuta e conclui: "Como é que é o negócio? Está tudo ruim?". Rapidamente ele manda fabricar hormônios de péssima qualidade, autênticos venenos que envia para a corrente circulatória, fazendo o indivíduo sentir-se fisiologicamente mal e deprimido.

bater na janelaVai fazer uma tarde tão romântica! Hoje será

Uma outra pessoa olha esse mesmo dia de chuva e diz: "Mas que dia incrível! Vai ser bom demais trabalhar vendo a chuva um dia especial!". O cérebro escuta e reage: "Puxa, a coisa está boa". E manda fabricar hormônios de alta qualidade, que, carreados para a corrente circulatória, provocam um bem-estar fisiológico.

azul e o cinza são ambos incríveis! Cada um à sua maneira

Então uma coisa puxa outra: bem-estar provoca mais bemestar e mal-estar aumenta o mal-estar. Podemos dessa maneira induzir o cérebro a sentir o que quisermos, bastando mentalizar fortemente o que desejamos que aconteça. E, além do mais, o dia

Um sem-número de vezes isso nos acontece durante o dia no nível inconsciente. É preciso estar mais alerta para fazer o cérebro trabalhar a nosso favor - sabendo que raramente nosso estado mental reflete a chamada realidade, mas, sim, a realidade que criamos a partir das nossas emoções. Por isso nós somos nosso único inimigo!

Dotado de tamanha capacidade, o cérebro, mal administrado, pode gerar graves problemas. Podemos, por exemplo, estar muito bem fisicamente, porém, se começarmos a nos preocupar e a acreditar que há algo de errado com nossa saúde, certamente faremos o cérebro produzir todos os sintomas daquilo que estamos imaginando - e ficaremos realmente doentes.

São as doenças de fundo psicossomático, já razoavelmente conhecidas. Mas, se esse "cérebro burro" pode somatizar o que não existe, pode também curar o que existe. Aliás, o que seria o milagre, a cura, senão essa absurda força capaz de fazer com que o cérebro humano produza substâncias que levam à cura de certas doenças, por mecanismos ainda desconhecidos?

Portanto, você tem de se convencer de que a emoção é a rainha da vida. O seu estado emocional influi diretamente no funcionamento do organismo, mostrando a enorme importância de se "direcionar" as emoções para viver em equilíbrio. E para sair do "equilíbrio" típico do homem moderno, que consiste justamente em estar fora de equilíbrio.

Costumo dizer que nosso cérebro é burro porque age e reage conforme nossas emoções. Quando percebe que estamos felizes, lança na corrente circulatória hormônios de excelente qualidade. Se estamos tristes, lança hormônios de péssima qualidade, provocando mal-estar físico. Então não se deve alimentar raiva nunca. Nem guardar rancor.

Por isso deve-se ter muito cuidado com a alimentação mental e com a força negativa dos nossos próprios pensamentos. Se a pessoa não acredita em sua capacidade de se modificar, não conseguirá se ver superando os próprios medos para alcançar seus objetivos. Com isso reforça em sua mente a incapacidade de vencer a si própria.

Acaba por criar um bloqueio que entrará em ação assim que se aproximar de algo que deseja muito, fazendo a mente reagir, opondo-se a tal realização, dada a informação anterior de que é incapaz de se transformar. Ao agir assim, a pessoa envia comandos ao cérebro para que suas conquistas não se materializem.

O termo alimentação mental foi se incorporando em minha forma de expressão para mostrar às pessoas os cuidados que devem ter com o que enviam ao seu cérebro. Embora sem perceber, fazemos isso a todo instante, o dia inteiro. Quando temos uma péssima alimentação física, é simples perceber; o mesmo não ocorre com a alimentação mental. Tudo se processa muito rapidamente e os terríveis danos que a alimentação deficiente ocasiona subitamente se revelam.

Temos de estar ligados na vigilância dos pensamentos. Não podemos esquecer que somos o que pensamos. Se você se pensa vitorioso, você se faz vitorioso. Se, por outro lado, você se pensa derrotado, já se fez um derrotado. Há que adotar, sempre, uma atitude mental positiva para ser sempre positivo.

Você é hoje exatamente aquilo que tem pensado nos últimos tempos. É preciso ficar bem claro em sua mente que você faz a sua vida. Se tratar de tecê-Ia no positivo, ela será positiva - e viceversa.

Graças ao fato de que o cérebro é burro, podemos fazer com que seja alimentado do que quisermos. Lembre-se sempre de que a verdade não existe. Nós é que fazemos a nossa verdade. Mantenha-se esperto e trabalhe sempre a seu favor e não a favor de seu inimigo. Não pegue a raquete de tênis para atravessar a rede e ir ao outro lado jogar junto de seu adversário e contra você mesmo.

Também é importante saber escolher nossas amizades, aproximar-nos de pessoas positivas, com uma energia boa. Evitar as pessoas negativistas sempre com uma visão horrível da vida, que nos passam insegurança em tudo.

É necessário precaver-se contra o lado negativo apresentado pela televisão. Ser atingido diariamente por todos os problemas que lança em sua casa dificulta ter uma mente positiva. Não quero com isso discutir filosofia de comunicação, mas o fato concreto é que, com uma televisão de péssima qualidade, fica difícil manter a cabeça limpa. Você deve usar a TV, mas não deve deixar a TV usar você.

chocantes. Quanto mais sangrentas, melhor. Maior a audiência

Com a cabeça direcionada para as intempéries do mundo fica difícil ser feliz, pensar coisas produtivas e edificantes. De que adianta saber que houve um terremoto no Japão ou que um ataque suicida matou dezenas de pessoas? Para ficar ainda mais terrível e acabar de vez com qualquer otimismo, a TV exibe cenas

Outra coisa importante é o relacionamento com as pessoas em seu ambiente de trabalho. Existem aquelas para as quais viver é uma eterna sinfonia de conquistas e descobertas. Essas pessoas nos dão a idéia de que os problemas e as ocorrências desagradáveis são mais um incentivo para continuar lutando do que propriamente um empecilho. Dessas pessoas você deve se aproximar para nutrir-se de sua energia e vibração com a vida.

O que importa é que você é o responsável por sua saúde, pela sua vida. Então tudo está em suas mãos. Cabe apenas ser rigoroso na busca dessa magistral oportunidade de ser feliz. Alimentemo-nos de coisas saudáveis, porque, assim como nosso corpo físico, o corpo mental necessita de qualidade para alcançar uma vida longa de realizações. Além de ser a base de sua vida emocional e espiritual.

Para quebrar o elo dessa cadeia de pensamentos negativos que funcionam como armadilha para a auto-estima, temos de nos valer de uma programação mental bem positiva e estarmos sempre atentos às vacilações emocionais e à intromissão de pensamentos negativos, mentalizando a capacidade de realização do que se deseja alcançar.

Posso falar sobre isso com a certeza de quem colheu excelentes frutos trabalhando o poder da programação mental positiva com muitos atletas já nas décadas de 1960 e 1970. Eles conseguiram modificar sua performance de acordo com as próprias induções mentais.

Gostaria de observar que muitos atletas estupendos começaram duvidando de si mesmos, completamente inseguros e medrosos. Vários deles, filhos de pais dominadores e autoritários, acreditavam-se incapazes de vencer. No entanto, foram em frente e se fizeram campeões - depois de vencer a si mesmos superando os próprios limites físicos e emocionais. Ocorrências como essas, no início da década de 1970, deram-me força para fixar meu método.

Os atletas, assim como as pessoas em seu dia-a-dia, devem sempre enxergar a vitória. Temos de acreditar sempre! Cabe lembrar aqui uma antiga fala grega: "Nem sempre o mais forte mais longe o disco lança". Eu completo: "Mas, sim, aquele que acredita!".

Você só chega até onde acha que pode chegar. E, como o cérebro é burro, você tem de aproveitar. Está em nossas mãos. Podemos vencer ou perder. E o mais incrível é que não depende de ninguém, além de nós mesmos - e das nossas emoções. Foi assim que descobri, ainda no início de minha carreira profissional, que a atitude mental positiva é contagiante. É como um vírus! Você pode contaminar seu ambiente de trabalho, seu lar, sua família, mas precisa, antes de tudo, dar-se essa oportunidade de se deixar contaminar pela exuberância da vida.

Sempre dei muita importância à força do pensamento. Sua influência foi nítida em relação às performances de meus pupilos.

Muitas vezes me surpreendi com a espantosa força mental que todos atingiram. Sempre que se concentravam em seu monitor cardíaco (relógio que marca a freqüência cardíaca dos batimentos do coração), percebia que os batimentos baixavam, atingindo pontos realmente incríveis. Eu os via mudando o ritmo de batimentos do próprio coração, um órgão involuntário, só com a força de seu pensamento. Veja de que poder incrível o homem é capaz. Aliás, todos nós somos capazes de operar fenômenos incríveis. Isso ocorre até em nível inconsciente, já que meus pupilos têm abrigada na memória a minha metodologia e sabem que, quanto menor a freqüência cardíaca, menor é o esforço para o coração.

Nossos pensamentos exercem influência direta sobre o corpo e seu metabolismo. Mas a mente também depende do corpo para formular os pensamentos, pois tudo o que chega ao cérebro chega por intermédio dos órgãos dos sentidos. O cérebro não tem acesso direto ao mundo "real". Está isolado do mundo, fechado e protegido na caixa craniana. Sabe somente aquilo que sentimos ou pensamos que sentimos.

O cérebro tem um fantástico e admirável talento que nos permite "criar" a realidade. Muitas vezes não importa tanto o local em que realmente estamos, mas o que sentimos nesse lugar. Um mesmo espaço, por exemplo, pode ser ótimo para uns e péssimo para outros. A diferença entre uns e outros está no que a percepção de cada um colhe e a emoção qualifica, enviando essas sensações ao cérebro. É como duas pessoas que chegam juntas à mesma festa.

Uma delas diz: "Que lugar legal, bem decorado. Tá cheio de gente bonita. Puxa! Que música gostosa que tá tocando. Isto aqui tá uma delícia!". Essa pessoa, fisiologicamente, vai sentir-se bem, pois o cérebro é capaz de perfazer os tais hormônios de alta qualidade que mencionei. Mas outra pessoa que chegou junto na mesma festa diz: "Que lugar medonho, superbrega! Que gente mais esquisita! E que música mais chata! Que saco que tá isto aqui!". Essa pessoa, vai se sentir mal fisiologicamente, pois o cérebro também é capaz de perfazer os tais hormônios de péssima qualidade e lançá-Ios na corrente circulatória.

Você percebe que o que acha que é fica valendo como verdade para seu cérebro, e não o que o outro acha que é ou até o que é na verdade. É necessário orientar corretamente seu cérebro, desenvolvendo melhor o corpo emocional para lhe enviar coisas boas e positivas. Você precisa estar sempre muito alerta em relação a seu pensamento. Nosso cérebro é burro, mas seu poder é inigualável. Você só precisa colocar de maneira correta o que deseja dele. Ele é o mais dócil, precioso e poderoso participante de sua vida e está sempre submetido aos órgãos dos sentidos, manipulados no calor da emoção.

Existem pessoas extremamente inteligentes que foram primeiros alunos na faculdade e conseguem o milagre de não obter nenhuma realização em sua profissão. Existem pessoas que foram péssimos alunos na faculdade e conseguiram ótimo resultado em sua profissão, fazendo-se vencedores na vida. Tudo isso é resultado da força do cérebro burro - pode não haver nada que justifique um resultado, mas também pode-se conseguir o resultado que se quiser. O que importa é o que você pensa a respeito de si próprio, não o que realmente você é.

Todos têm todas as possibilidades. O que cerceia a pessoa é sua própria cabeça, anulada por uma sociedade castradora, que tenta tirar-lhe a confiança e o acreditar. Então digo que são nossas emoções que vão servir de referência ao nosso cérebro para que ele ordene a forma de agir diante dos acontecimentos, e não os acontecimentos em si que impõem essa ordem.

É importante saber qual o procedimento de nosso cérebro para podermos otimizar seu funcionamento, de tal maneira que ele trabalhe sempre a nosso favor. Temos de treiná-Io para que esteja predisposto a enfrentar todo acontecimento com positividade, sempre favorável a nós.

Tudo permanece sob o controle das emoções. Se adotarmos uma atitude mental positiva, teremos, de saída, pelo menos cinqüenta por cento de chance de alcançar o resultado esperado. Mas não pense que isso funciona como um truque. Não há mágica nisso.

A emoção tem de ser duramente trabalhada por muito tempo. Não adianta dizer: "Eu vou vencer". O desenvolvimento do corpo emocional virá por meio de um esforço contínuo e depois de muito trabalho.

O fato é que, ao iniciar o movimento com o corpo, trabalhamos antes de tudo nosso lado emocional. Será preciso muita disciplina, força de vontade e controle sobre as próprias emoções para calçar o tênis e arranjar um tempo.

Para colocar o corpo em movimento é necessário fazer um grande exercício emocional. A debilidade emocional dificulta passar do saber para o fazer.

Fui percebendo ao longo do tempo o que as pessoas ganham quando se põem a fazer esse trabalho. Elas adquirem maior sustentação emocional e isso salta à vista de todos com os quais convivem, como muitas vezes me foi demonstrado por relatos familiares.

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