A semente da vitória

A semente da vitória

(Parte 5 de 6)

Uma pessoa com o corpo frágil, ao contrário, não sustenta um espírito forte e, por conseqüência, suas emoções correm soltas e desordenadas, causando estragos gerais. É o caso de quem começa a fazer o trabalho conosco e, naquele dia, tem de executar trinta minutos de caminhada. Ela não teve tempo pela manhã e no final da tarde está cansada - na verdade, sua cabeça é que está cansada -, mas precisa se impor e cumprir o trabalho físico que lhe compete.

Em contra partida, aos trinta minutos ela percebe que está estimulada a continuar e, justamente quando começou a ficar gostoso, tem de parar. Sua vontade é ir adiante por mais um tempo, mas não é isso que seu organismo espera. Não ainda. Então ela tem de cumprir o seu programa e parar aos trinta minutos.

Esse é o processo do não querer e ter de fazer e do querer fazer e ter de parar. Tem de fazer quando não quer e tem de parar quando quer fazer.

Corpo fraco e debilitado é igual a cabeça fraca e sem poder.

Ninguém acorda um vencedor. Faz-se, constrói-se um vencedor alicerçado num corpo desenvolvido e evoluído.

É por isso que muita gente fala do poder da mente e parece baleIa. Muitos livros recomendam pensar positivo, mas pensar positivo apenas não adianta nada.

Felizmente as pessoas estão começando a se voltar para o poder da emoção e não apenas para o poder da sua inteligência, e assim começam a desenvolver-se espiritualmente, melhoram mentalmente, ou seja, cuidam da saúde em todos os aspectos.

Um corpo frouxo, atrofiado, hipotônico, cheio de gordura revela que seu dono está levando uma vida não muito feliz. Nem saudável. Devemos entender que é somente por meio do fazer, da ação concreta, da evolução com o corpo que realmente nos transformamos mental e emocionalmente, criando condições para uma vida espiritual mais elevada. O incrível é que essa pessoa fraca, frouxa e gorda pode modificar tudo isso quando quiser, porque é absolutamente possível a modificação. Essa pessoa, no estado físico em que estiver, tem em si o poder para isso.

É absolutamente impossível adquirir elevação espiritual num corpo frágil e incapaz de reparar as perdas inerentes à própria atividade diária.

A pessoa em defasagem com a vida está sobrevivendo, não está vivendo. Como é que ela vai desenvolver a espiritualidade, que é a essência maior do homem?

A pessoa que não tem energia mental também não tem energia espiritual. Ela precisa estar com muito bom humor, bemestar, energia, vitalidade, disposição - enfim, estar inteira - para perceber essa outra dimensão da vida, que é o seu próprio espírito.

É por isso que o meu método alcança fulminantemente o espírito. Pelas conquistas do corpo, a pessoa atinge um tal poder emocional que seu espírito se lança a outro patamar, fazendo surgir nele uma nova divindade. Pleno de possibilidades, de conquistas e vitórias, esse espírito se enaltece e se eleva.

É evidente que essa pessoa se torna mais complacente, vivendo em permanente estado de alegria com mais tolerância e compaixão. Nesse estágio, fará bem espiritualmente também às pessoas próximas.

Digo isso com base nos depoimentos que ouço de empresários e executivos com os quais trabalho. Um deles me disse: "O que me espantou é que lá na empresa eles acharam que eu estava espiritualmente diferente". Respondi: "Que bom! Você precisa perceber mais isso para valorizar o empenho que está tendo em modificar todo o seu corpo e os seus hábitos".

Espiritualidade é agir, doando-se para as pessoas, percebendo que as outras pessoas existem também e são exatamente como você. Partilhar sua vida é realmente se interessar pelos outros, sendo mais solidário e partilhando a alegria de viver, essa energia de sua alma, com seu semelhante.

Força é força. Não existe o indivíduo forte de um lado só. Intelectualmente poderoso e espiritualmente frágil. Senão, é como colocar toda a carga de um caminhão de um único lado: ele vai tombar na primeira curva.

A emoção deveria ser mais bem estudada nas universidades.

Ainda é espantoso o grau de ignorância a respeito de algo que controla e domina tão completamente o ser humano. Se nosso cérebro tivesse apenas a inteligência tal como é conhecida, seria muito pouco para toda essa grandeza que o homem é. Se o cérebro é o centro das decisões humanas, a inteligência assim entendida seria insignificante, pois participaria pouco ou quase nada das batalhas humanas. Sempre foi dado muito valor à inteligência, a ponto de se dizer que o homem é um animal racional. Talvez racional seja o que ele menos é. Prefiro dizer que o homem é um animal afetivo, um animal emocional.

Outras inteligências hão de existir além desta dedutiva e matemática, pensava eu, pelo simples fato de que a vida me mostrava cada vez mais que a supremacia da razão colabora muito pouco para o sucesso do homem, visto que tê-Ia e não conseguir aplicá-Ia é igual a não ter racionalidade nenhuma.

A mente, na verdade, é um corpo orgânico com tarefas determinadas, como pensar, sentir, ser e realizar. Tudo isso só é possível com um mínimo de intelectualidade emocional para sustentar seu enorme poder de fogo.

O cérebro, esse desconhecido, é por demais potente, mas é fraco diante da emoção que o domina por completo, tornando-o um mero espectador de seus feitos e "desfeitos".

Nobre aliada da mente, a emoção torna-se inimiga quando não é levada em conta, servindo como arma poderosa contra nós mesmos.

Ela pode ser entendida como um talento que as pessoas têm, com mais ou menos desenvolvimento. Não é um tipo de inteligência, pelo simples fato de que é ilimitada - e pode ser desenvolvida a qualquer momento e ampliada, ao contrário da inteligência cognitiva, que atinge sua melhor condição na idade juvenil e depois começa a decair.

A intelectualidade emocional, ao contrário, está ali para ser desenvolvida em qualquer momento da vida pelo seguro e fácil caminho do movimento.

E, por não ter limite, ela pode aumentar, como costuma acontecer, conforme a pessoa vai amadurecendo, ganhando experiência e suporte espiritual, melhorando seu desempenho nas situações do dia-a-dia, enfim, pelo exercício e experiência da vida.

Quanto maior a elevação espiritual, maior o desenvolvimento emocional. A emoção não está presa a neurônios e axônios, como a inteligência, e sim a um entendimento maior de sua capacidade de superação diante das dificuldades do momento.

Por isso uma pessoa com maior poder de acreditar em si mesma possui automaticamente mais controle sobre os acontecimentos. Principalmente quando estes são desfavoráveis - é nessas circunstâncias que se desenha o vencedor, já que, quando tudo corre a favor, fica mais fácil ter o controle da situação.

Quanto mais crescer nossa segurança, auto-estima e o poder de acreditar, maior será o desenvolvimento emocional - justamente nisso é que está a grande contribuição do movimento.

Quanto maior controle sobre o movimento você tiver, maior será sua inteligência do movimento.

E maior sua vitória sobre o próprio corpo, com uma contribuição mais substancial para o desenvolvimento de seu corpo emocional.

Um atleta inspirado e com domínio completo dessa incrível força consegue atingir o seu ápice, assombrando o mundo.

Assim foi com todos aqueles que nos momentos-chave souberam fazer valer essa extraordinária força que vem do mais profundo de seu ser.

Quando colocada a nosso serviço, a emoção nos permite realizar algo sempre além do que a princípio nos julgamos capazes. E quando alguém acredita que pode, pode. Não precisa ser necessariamente o melhor, basta acreditar que pode ser o melhor. Então as coisas que me aconteceram, tudo o que vivi, me fizeram crer que, se alguém se acha capaz, não precisa de mais nada. Mas também não adianta todo o restante do mundo acreditar que ele é capaz se ele próprio não achar isso.

Esse acreditar tem de ser absoluto. Não se pode vacilar: "E se justo nesse dia eu não estiver bem? Se o desempenho não for bom? Se a performance cair?". Esse "se" não pode existir nunca. Simplesmente faça! Não pense! Deixe fluir do fundo de sua alma essa intuição magnífica que nos empurra para a frente.

A vida conspira a nosso favor - nós é que conspiramos contra a vida. Mas, quando você se põe a realizar um objetivo, algo ocorre no universo que o impele em direção à vitória. Essa é a sincronicidade que nos rege, na qual muitos ainda não acreditam.

Quantas vezes tive pupilos tenistas que perderam o jogo porque duvidaram, porque permitiram que o "se" minasse sua certeza da vitória. "E se a minha esquerda não sair? Eu nunca consigo mesmo! E se o meu saque não entrar?".

Como o cérebro é burro, tudo o que a pessoa fala o cérebro anota e providencia - e então não consegue acertar mais nenhuma esquerda, os saques não entram, porque ela se programou para dar errado.

O cérebro é uma grande força à nossa disposição. O que quero deixar claro é que acontece um verdadeiro milagre quando você leva ao cérebro uma certeza com emoção. E assim é em qualquer assunto da vida. O impossível é algo que é impossível até que passe a ser possível. É necessário quebrar os tabus, derrubar os paradigmas. Se estes acabam, pode-se alcançar o que quiser.

Quando as realizações concretas com o corpo ocorrem, tornam-se muito fortes em nossa emoção, fazendo-nos entrar em uma outra dimensão espiritual. Abrem-se infinitas possibilidades.

Você tem de acreditar, dar o melhor que pode e deixar fluir.

Nós nascemos para a vitória, não para o fracasso. Atingindo esse ponto, não há mais com o que se preocupar, porque a vida conspira sempre a nosso favor. Jamais duvide disso!

A maioria de nós passou a infância e a adolescência numa dura batalha de sobrevivência mental contra as regras de uma sociedade que cerceia nossa capacidade de desenvolver e lidar com as emoções. Somos, quase todos nós, analfabetos emocionais.

Primeiro são os pais, peritos em anular a auto-estima dos filhos e provar que eles não servem para nada; depois a escola, que insiste em mostrar que a criança está lá para se comportar e obedecer e não para desenvolver seus talentos; e, por fim, a religião dá o toque final, castrando nossa felicidade e nos impingindo culpa.

Pais, escola e religião formam a base do que chamo de tripé da anulação: um bem-aleitado "sistema de educação" que funciona com tal eficiência e habilidade em produzir pessoas inseguras e frágeis que quase ninguém consegue escapar.

A criança veio ao mundo para representar a magnificência do ser humano e para viver com plenitude. É exatamente o que faz nos primeiros meses e anos de sua vida. Mas essa pessoa será paulatinamente destruída no cerne da sua existência.

Muitos pais são verdadeiros catedráticos da anulação, doutores singulares da castração do extraordinário potencial humano de que a criança é dotada. Depois, reclamam de seus filhos adolescentes - que são agressivos, que não os respeitam. Isso é fruto do que eles mesmos plantaram.

E plantaram a falta de respeito por mais de uma década, mandando curto e grosso: quando o filho queria ir, "você vai ficar"; quando queria ficar, "eu quero que você vá"; quando se aprontava, "essa roupa não gostei, vista outra".

A criança vai, ali em suas peripécias e traquinagens naturais, pelejando com a vida, tentando por para fora seus imensos potenciais e descobrir de forma pura e natural o verdadeiro mundo que está à sua frente. Na busca dessa interação magnífica, entra em casa solta e espontânea, com a vida em pura alegria e felicidade, com seu jeito natural de ser, na maior algazarra e atropelo, tumultuando a "paz" da casa.

O pai já vai dando bronca: "Por que corre tanto?" e continua:

Vai acabar derrubando o abajur. Sossegue um momento,
trabalhou o dia inteiroDá um tempo!". Mas as broncas já

"Pare um instante, saia de cima do sofá, desça da cadeira, Olhe você não tem mesmo jeito". Depois, mais calmo, querendo justificar o berreiro, diz ponderado: "Papai está cansado, ficaram marcadas em seu inconsciente, revelando à criança que essa forma de ser não é muito legal.

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