A semente da vitória

A semente da vitória

(Parte 6 de 6)

Ela está sempre experimentando o que não pode. Quer conhecer a vida, mostrar o que aprendeu na rua: "Olha, mãe, dá uma olhada", e sai correndo, bate as mãos no chão e os pés na parede limpinha para plantar uma bananeira, e a mãe já grita: "Pare de sujar a parede, olhe o que você fez! Tá de castigo!".

A criança então pensa: "Meu Deus, lá na rua só eu consegui.

Achei que era um cara incrível e agora estou de castigo!". Esse é um fator inconsciente de surpreendente força.

Ela começa a perceber que, a toda hora que está alegre e feliz, leva porrada. Logo conclui que não está no caminho certo, pensa que esse negócio de ser feliz, de ficar alegre não está com nada: "Se a hora em que estou legal recebo castigo e porrada, o negócio não é por aí". Até o dia em que o garoto está lá, parado num canto, macambúzio, sorumbático, tristonho, o pai chega e diz: "Filho, o que você tem hoje?". Faz cafuné, dá carinho. O garoto pensa: "Puxa! Eu existo nesta casa...". E fica radiante.

Quando estava contente, não foi estimulado. Não recebeu carinho. Recebeu castigo. O que fica no inconsciente? Fica essa força da anulação do prazer, da alegria, da beleza, da felicidade, que acabamos carregando pela vida inteira.

Todo mundo quer ser aceito. O pai, naquele dia, deu atenção ao filho porque estava triste, fez carinho. E a mãe falou: "O que você tem? Está tão tristinho...".

A criança pensa que descobriu a mina e deduz que o negócio é ficar triste. Claro que isso tudo acontece no nível inconsciente. Mas o inconsciente age no consciente sem a percepção do consciente e o que se tem é uma bomba-relógio de efeito tardio que vai minar os seus desígnios de saúde, de sucesso, de alegria de viver.

O mais terrível vem quando a criança adoece. Esse é o pior momento para estimulá-Ia, fazer qualquer tipo de agrado, mas é o que mais acontece. Claro que precisamos dar o atendimento adequado, saber o que ela tem e proceder aos cuidados, correr atrás do diagnóstico. Mas não podemos fazer festa com estímulos do tipo: "Olhe, hoje você vai assistir televisão até mais tarde, mas só porque está doente, viu?", "Olhe, amanhã você não precisa ir pra escola, mas só porque você está doente!", "Hoje a mamãe vai fazer aquele bolo que você adora e eu nunca faço, mas só porque você está doente...".

sua felicidadeÉ assim que se constrói uma criança triste, um

Instala-se nesse momento um programa de autodestruição que acompanhará a criança de forma inconsciente para o resto da sua vida e vai trabalhar, ainda que sem consciência disso, diuturnamente na destruição de sua saúde, de seu sucesso, de adolescente deprimido, um adulto derrotado e autodestruidor.

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