Normas para o diagnóstico, tratamento e prevenção da tuberculose

Normas para o diagnóstico, tratamento e prevenção da tuberculose

(Parte 2 de 8)

Pacientes com TB pulmonar bacilífera – paciente com pelo menos uma amostra de escarro com baciloscopia positiva

Recidiva após cura - paciente com novo episódio de TB até 5 anos após ter sido tratado anteriormente com sucesso.

Resistência Primária – presença de organismos resistentes a uma ou mais drogas em paciente que nunca foi tratado para TB ou que foi tratado por menos de um mês.

Resistência secundária (adquirida) – presença de organismos resistentes a uma ou mais drogas em paciente tratado para TB por um mês ou mais. Estes pacientes incluem os casos identificados com recidiva pós-cura (RC), recidiva pós-abandono (RA) e falência.

Retratamento – tratamento prescrito para o doente já tratado por 30 dias ou mais, que venha a necessitar de novo tratamento por falência, recidiva ou retorno após o abandono.

TB crônica – é a que ocorre nos pacientes que já receberam pelo menos 2 tratamentos prévios de maneira regular ou irregular, sem a negativação do exame do escarro. Os motivos para a não obtenção da cura podem ser devidos a multirresistência, irregularidade no uso dos medicamentos, má absorção das drogas, associação incorreta de drogas entre outros.

4. Investigação Diagnóstica

Com o objetivo de controlar e reduzir a transmissão intra-hospitalar da TB, tornase obrigatória a coleta de três espécimes de escarro de todo caso definido como suspeita clínica, de acordo com as orientações estabelecidas nos próximos fluxogramas. Sistematicamente, serão realizadas pesquisa direta de bacilos álcoolácido resistentes (pesquisa de BAAR) e cultura.

O Serviço de Epidemiologia Hospitalar confere diariamente os resultados e assegura a notificação através do contato com o médico do paciente ou encaminhamento para o ambulatório de TB.

ORIENTAÇÕES PARA COLETA DE ESCARRO Enxaguar a boca e fazer gargarejo com água antes da coleta;

Coletar escarro de tosse profunda em frasco estéril;

Manter refrigerado até encaminhamento ao laboratório.

*tosse produtiva por mais que 3 semanas a) investigação de tuberculose pulmonar em adultos do pronto socorro e ambulatório

1ª. Triagem- enfermagem: Identifica e avalia o sintomático respiratório*, entrega máscara cirúrgica e orienta conduta em caso de tosse e espirros (cobrir a boca com a mão)

2ª. Triagem- médico: Avalia o paciente e solicita exames microbiológicos e radiológicos

Rx tóraxEspécime de vias aéreas (pesquisa de BAAR, cultura)

Sem expectoração: NÃO INDUZIR ESCARRO! Solicitar broncoscopia

Apresenta expectoração:exame de escarro Sugestivo de TBNormal

Solicitar mais duas amostras de escarro: • 2º amostra: 24 horas após a primeira, pela manhã.

• 3º amostra: coletar na entrega da 2ª amostra, ou na manhã seguinte.

Permacecer com máscara cirúrgica

Permacecer com máscara cirúrgica BAAR + b) Investigação de Tuberculose Pulmonar em Adultos Internados (inclusive internados no PS)

Na suspeita de TB, o paciente deve ser mantido em isolamento respiratório para aerossóis e deve ser colhido espécime de vias a aéreas para pesquisa de BAAR e cultura.

Identificar espécime como TB -diagnóstico (exame encaminhado na urgência) para resultado da baciloscopia em 2 horas

Solicitar mais duas amostras: 8 horas após a 1ª. coleta, e em jejum na manhã seguinte

BAAR +BAAR - Suspender isolamento

*Suspender isolamento após 3 escarros negativos coletados ao final de 2 semanas de tratamento adequado; BAAR + não contra-indica a alta hospitalar

Manter isolamento respiratório para aerossóis* em quarto individual

• Conduta perante os exames complementares:

Rx normalTratarInvestigar Rx sugestivoTratarConsiderar tratamento c) Investigação de TB Pulmonar em Pediatria Apesar de crianças com TB serem, em geral, paucibacilares, no Instituto da Criança do HC-FMUSP, os casos bacilíferos têm importância epidemiológica uma vez que os contactantes, são crianças com doenças de base imunodepressoras. Acresce-se a esse fator, a presença dos acompanhantes, que, se de um lado são importantes no apoio psicológico dos pacientes, podem também ser disseminadores de agentes infecciosos. Os profissionais de saúde envolvidos no cuidado às crianças são também susceptíveis a se contaminar e infectar outras crianças. A dificuldade para o controle desta doença na infância inicia-se já no diagnóstico, uma vez que a clínica neste grupo etário é bastante incaracterística e necessita do médico sempre um grau alto de suspeição, para que se faça um inquérito epidemiológico rigoroso, que muitas vezes é a única pista para a doença. As crianças terão tratamento no Instituto da Criança e os acompanhantes serão encaminhados à Unidade Básica de Saúde (UBS) ou para o ambulatório de TB do HC-FMUSP.

Rotina de investigação de TB pulmonar em pediatria

Identificar e avaliar sintomático respiratório (criança ou acompanhante)

Fornecer máscara cirúrgica para a criança e para o acompanhante (se este tiver tosse)

Solicitar RX de tórax

Alterado Normal

• Solicitar pesquisa e cultura de BAAR no escarro ou no suco gástrico • Manter em quarto de isolamento respiratório para aerossóis

Se houver fator de risco (Aids C3, contato domiciliar com TB bacílifera, desnutrição grave ou com grande perda de peso recente, uso de imunossupressores, diálise, diabetes)

SIM NÃO Atendimento normal

5. Fluxograma dos materiais encaminhados para seção de microbiologia - Setor de Micobactérias

Amostra de material biológico (todos os espécimes)

Conferência e cadastramento Encaminhamento para o setor de Micobactérias

1. Pesquisa de Micobactérias coloração pelo método de Ziehl Nielsen resultado para o paciente internado (inclusive no PS) em até 2 h, demais 8 h

CULTURAS Conforme indicação médica

2. Cultura para Micobactérias - Meio de Lowenstein -Jensen.

- Método Automatizado BACTEC 460 TB

- Resultado até 70 dias

3. Hemocultura para Micobactéria - Método automatizado Bactec 460 TB

- Resultado em até 8 semanas

4. Identificação - Método automatizado Bactec 460 TB

- Resultado em 6a 10 dias.

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