Programa saúde da família

Programa saúde da família

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Temas da Área de Enfermagem

Apresentação

Elaboração de Materiais Instrucionais para Educação à Distância do Programa de Saúde da Família

A Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EEUSP), através do Núcleo de Apoio às Atividades de Cultura e Extensão: Assistência de Enfermagem em Saúde Coletiva (NACE:AENSC), estabeleceu uma profícua parceria junto ao Instituto para o Desenvolvimento da Saúde (IDS), que resultou na elaboração de material didático para apoiar os processos de capacitação de enfermeiros que atuam no Programa de Saúde da Família (PSF).

A missão da EEUSP no projeto foi contribuir para o processo de divulgação de conhecimentos através da produção de textos pedagógicos de circulação nacional, voltados para o fortalecimento das práticas de enfermagem em nível local de saúde, necessário para o efetivo avanço da implementação do SUS.

Apesar do entendimento de que a construção de um novo modelo assistencial não se restringe às transformações na prática de uma única categoria profissional, os textos foram dirigidos aos enfermeiros, entendendo-se que em várias situações os mesmos podem ser utilizados pela equipe como um todo no planejamento da atenção às famílias adscritas. Esse aspecto é fundamental, sobretudo na proposta do Programa de Saúde da Família, na qual o trabalho em equipe é um dos eixos fundamentais na estruturação das novas práticas.

Pautou-se no entendimento do PSF como um projeto de reorganização da atenção básica dos serviços de saúde, que pode se configurar na articulação dos modelos tecno-assistenciais, que abarcam a prática clínica informada pelo instrumental epidemiológico; à EEUSP cabe o desenvolvimento de 34 temas relacionados às intervenções de Enfermagem no PSF e aos processos de assistir e gerenciar com enfoque sobre indivíduos, famílias e coletivo, resgatando-se a operacionalização do cuidado na perspectiva da promoção da saúde.

Este material não esgota a complexidade da operacionalização do cuidado no nível local de atenção à saúde, porém se constitui num ponto de partida. Outro aspecto que merece destaque é a possibilidade de atualizações futuras do material ora disponibilizado e, ainda, a inclusão de outras temáticas não abordadas nessa primeira versão.

O desenvolvimento do material contou com o envolvimento de docentes de todos os departamentos da EEUSP para sistematizar o conhecimento resultante de pesquisas nas diversas áreas de conhecimentos da enfermagem, com o intuito de subsidiar a prática dos enfermeiros na perspectiva da construção da assistência integral em saúde.

Profa. Dra. Anna Maria Chiesa
Profa. Dra. Elizabeth Fujimori

Profa. Dra. Lislaine Aparecida Fracolli

Coordenadoras do Projeto na EEUSP Copyright © 2001 IDS - Instituto para o Desenvolvimento da Saúde

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Autores: Lislaine Aparecida

Maria Rita Bertolozzi1 Última Atualização: 9/26/2001 5:05:10 AM

1 Professora-Doutora do Departamento de Enfermagem em Saúde Coletiva da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo.

O que é a saúde e a doença?

Várias definições têm sido utilizadas nos meios técnico e científico na atualidade. Mas, primeiramente, é necessário deixar claro que a concepção de saúde-doença está diretamente atrelada à forma como o ser humano, no decorrer de sua existência, foi se apropriando da natureza para transformá-la, buscando o atendimento às suas necessidades. Um outro ponto a ser destacado é o fato de que a concepção de saúde-doença dá suporte aos projetos de intervenção sobre a realidade. Em outras palavras, a prática cotidiana de assistência junto aos indivíduos e aos grupos sociais é orientada pela visão que se tem de saúde, doença, vida, trabalho e assim por diante.

A concepção mais integral, que diz respeito à associação entre as condições sociais e a produção da saúde, ganhou nova força em meados da década de 70, sobretudo na América Latina, palco do desenvolvimento de processos de exclusão social, devido à adoção de determinadas políticas de ordens econômica e social. Como resposta a essa situação, na qual a maioria das populações exibe condições cada vez mais precárias em termos de acesso ao consumo - uma vez que despojadas progressivamente de emprego e de salários dignos - desenvolve-se o embrião latente da denominada Medicina Social, que permanecera mascarada pelo advento da era bacteriológica.

Fruto desse pensar, que buscava uma compreensão diferenciada dos fenômenos sociais e inclusive de saúde, consolida-se o desenvolvimento da Teoria da Determinação Social do Processo Saúde-Doença, que busca relacionar a forma como a sociedade está organizada às manifestações de saúde ou de doença. E o que isso quer dizer?

Significa que a saúde-doença compõe momentos de um processo maior, que se refere à vida das pessoas, que, por sua vez, está intrinsecamente ligada ao potencial que elas têm ao acesso às necessidades para viver a vida, seja a moradia, a alimentação, a educação, a saúde, o lazer, etc. Ter acesso, numa sociedade como a brasileira, depende da inserção no sistema de produção, ou seja, do local que a pessoa ocupa no trabalho. Assim, a depender da inserção no sistema de produção, poder-se-á dispor de possibilidades maiores ou menores para o consumo. Poratanto, verifica-se que a saúde-doença depende em última instância, do lugar que se ocupa na sociedade. Evidentemente que não se estão deixando de lado as características particulares de cada ser humano, conformadas através do genótipo/ fenótipo. Assim, a vida humana é forjada tanto na dimensão de processos que causam danos como daqueles que protegem as pessoas.

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Autores: Maria Rita Bertolozzi 1

Lislaine Aparecida Fracolli1

Última Atualização: 9/26/2001 7:29:10 AM

1 Professora-Doutora do Departamento de Enfermagem em Saúde Coletiva da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo.

O que são Perfis Epidemiológicos

Historicamente, o conhecimento epidemiológico tem sido aplicado no controle de saúde das populações. Segundo FONSECA; BERTOLOZZI (1997), a palavra epidemiologia significa etimologicamente "...ciência do que ocorre (se abate) sobre o povo." O desenvolvimento de ações voltadas ao controle de saúde do coletivo e não somente do corpo individual acompanhou a redefinição progressiva da medicina como prática social.

Um marco nessa redefinição das práticas da medicina e da epidemiologia foi a Revolução Industrial, pois, até então, a medicina era a prática dominante em saúde, voltada primordialmente ao atendimento do corpo individual. O Estado capitalista, instaurado para responder às exigências do capital, passou a preocupar-se em vigiar as condições de saúde das populações, pois estava interessado no controle e na reprodução da força de trabalho, absolutamente necessários para garantir o processo de acumulação capitalista.

É importante considerar que a epidemiologia e as correntes de pensamento emergentes nessa época influenciaram a enfermagem. Segundo FONSECA; BERTOLOZZI (1997), Florence Nightingale teve uma importante contribuição para o redirecionamento da enfermagem, com base no conhecimento epidemiológico da época, e isso pode ser evidenciado quando Florence concebe a doença como "...um esforço da natureza para restaurar a saúde, e a ação da enfermagem como sendo a de favorecer esse processo reparativo, mediante o uso do ar puro, da luz e do calor, da limpeza, do repouso e da dieta, com um mínimo dispêndio das energias vitais do paciente, de modo a mantê-lo nas melhores condições para que a natureza pudesse nele agir." (FONSECA; BERTOLOZZI apud CASTRO,1997). Essas autoras consideram ainda que Florence "...construiu a enfermagem visando a manutenção de condições ótimas para a recuperação da saúde...", enfatizando a atenção individual, embora desde o início de seu trabalho, na Guerra da Criméia, tenha baseado suas ações na observação do coletivo, ao estudar as condições em que viviam os soldados feridos que, segundo a mesma, "...matavam muito mais que os próprios ferimentos de combate." A visão de Florence sobre o processo saúde-doença, conforme FONSECA; BERTOLOZZI (1997) constituía-se como um misto de várias concepções e seu livro foi reconhecido por líderes da ciência médico-sanitária como um trabalho muito importante pois, em sua essência, revela a visão da autora sobre as necessidades de limpeza do ar, da água, das pessoas, das roupas e dos ambientes, além da iluminação, do silêncio e da ordenação do dormitório do doente.

Tanto a Medicina Social quanto a Saúde Pública valeram-se do conhecimento epidemiológico para realizar as ações de controle da saúde do coletivo, uma vez que, desde o seu nascimento, a Epidemiologia, como disciplina básica para a operacionalização dos projetos de intervenção, se propôs a estudar a distribuição e os determinantes das doenças e dos agravos que desigualmente atingem a sociedade.

Os movimentos sociais de 1968, que contestavam o processo de exploração capitalista e buscavam uma forma de organização das sociedades que promovesse a justiça social, reavivaram os projetos político e ideológico em que se fundamenta a Teoria da Determinação Social do Processo Saúde-Doença, à luz da qual, o processo saúde-doença da coletividade é entendido como sendo: "...o modo específico pelo qual ocorre nos grupos o processo biológico de desgaste e reprodução, destacando como momentos particulares a presença de um funcionamento biológico diferente, com conseqüências para o desenvolvimento regular das atividades quotidianas, isto é, o surgimento da doença." (LAURELL, 1983).

Surgem, então, os primeiros estudos que impulsionaram a constituição do novo conhecimento epidemiológico, e que conformaram a Epidemiologia Social. Apoiado no valioso instrumental da Epidemiologia Clássica, o campo da Epidemiologia Crítica, que se associou à constituição do campo da Saúde Coletiva, fundamentou-se na compreensão de saúde e doença, que coloca no centro da explicação dos determinantes da saúde: o trabalho - a produção capitalista - e, a ele subordinado, a vida - o consumo sob o comando do processo de acumulação capitalista.

Contrária à explicação meramente biológica do processo saúde-doença, a Teoria da Determinação Social do Processo Saúde-Doença declara que os processos construtores e destrutivos da saúde (processos de fortalecimento e de desgaste), portanto, os determinantes da saúde e da doença são parte dos processos de integração do homem no trabalho (formas de trabalhar) e na vida (formas de viver).

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Autores: Profa. Dra. Margareth Angelo1

Profa. Dra. Regina Szylit Bousso2 Última Atualização: 9/26/201 7:29:0 AM

1 Prof. Titular da EEUSP, Coordenadora do Grupo de Estudos de Enfermagem da Família. 2 Prof. Doutor da EEUSP, Membro do Grupo de Estudos de Enfermagem da Família.

Introdução A família como unidade de cuidado é a perspectiva que dá sentido ao processo de trabalho do Programa de Saúde da Família (P.S.F.). Esta perspectiva tem as seguintes características:

1. Requer que se defina família.

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