Manual de Normas Técnicas e Rotinas de Enfermagem para Centros de Saúde

Manual de Normas Técnicas e Rotinas de Enfermagem para Centros de Saúde

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As falhas no processo de esterilização são sinônimos de sobrevivência de microorganismos nos artigos processados.Estes problemas podem estar relacionados a erros humanos ou mau funcionamento do equipamento, como por exemplo: • limpeza inadequada dos artigos a serem esterilizados;

• utilização de embalagens incompatíveis com o processo;

• drenagem insuficiente do ar dentro da câmara e no interior dos pacotes; • secagem do material deficiente;

• pacotes amarrados muito apertados, muito grandes e mal posicionados, que dificultam a penetração do vapor.

As falhas mecânicas podem ocorrer por problemas relacionados à válvula de vapor, por obstrução na exaustão, decorrentes de operações inadequadas ou por falta de manutenção do equipamento.

Esterilização por calor seco (estufa) Outra forma de destruição de microorganismos é a utilização do calor seco, gerado com estufas elétricas através da condução térmica. Requer o uso de altas temperaturas e um longo tempo de exposição, pois o ar quente propaga-se lentamente no material.O uso da estufa é limitado, pois o calor seco não é tão penetrante quanto o vapor e a sua distribuição dentro da câmara não ocorre de maneira uniforme, sendo recomendado que não se utilize o centro da estufa, pois este concentra os chamados pontos frios.Devido a tais limitações e a inexistência, até o momento, de uma solução, a esterilização pelo calor seco vem sendo gradativamente abandonada e substituída por outros processos.

Pr ocessos físico-químicos

Esterilização por gás óxido de etileno (ETO) Gás tóxico, altamente reativo, devido à sua estrutura química.Exerce ação esporicida, bactericida, fungicida e vivescida.O Ministério da Saúde e o Ministério do Trabalho estabelecem normas técnicas para sua utilização.

Esterilização por equipamento a base de peróxido de hidrogênio Processo mais recente, que tem se apresentado como alternativa ao óxido de etileno por ser menos tóxico, não poluindo o meio ambiente. Estudos mais conclusivos precisam ser realizados por ser ainda um processo recente.

Esterilização por pastilha de formaldeído Este método só deve ser utilizado sob determinadas condições e quando não houver outro método mais adequado.Pastilhas na concentração de 3% a 56ºC, por quatro (04) horas, sob umidade relativa máxima.

Processos químicos Só devem ser utilizados para artigos que não possam ser esterilizados pelo calor.

Esterilização por formaldeído Pode ser utilizado como agente ativo em solução aquosa ou como um gás.Bastante utilizado em hemodiálise (dialisadores).

Esterilização por glutaldeído Possui potente ação biocida, podendo ser utilizado para esterilização de equipamentos termo-sensíveis, que não possam ser esterilizados pelos métodos físicos tradicionais.

As condições para a manutenção da esterilidade dos artigos vinculamse ao risco de recontaminação, o qual é determinado por: • tipo de invólucro;

• condições de estocagem (armazenamento);

• condições de manipulação.

O prazo de validade da esterilização independe do processo ao qual o artigo foi submetido.Os autores divergem quanto aos prazos, pois os fatores contaminantes ao ambiente variam entre um serviço e outro. Devemos avaliar a possibilidade do artigo chegar ao seu usuário seco, sem sujidade e sem danos, independentemente do invólucro utilizado, para que não haja a menor possibilidade de um único material recontaminado ser usado.Na prática, todos os profissionais devem ser responsáveis pelas condições de esterilização, estocagem e manuseio do material, antes de utilizá-los.

As embalagens têm por finalidade a proteção do conteúdo contra uma possível contaminação, proveniente do meio ambiente e do manuseio. Se tivéssemos uma embalagem ideal, não teríamos necessidade de estabelecer o prazo de validade da esterilidade.

Características ideais de uma embalagem para esterilização • ser compatível com o artigo e o método de esterilização a ser utilizado; • não conter ingredientes tóxicos e não eliminar resíduos durante o processo; • permitir fechamento e selagem adequados;

• permitir adequada penetração do agente esterilizante;

• favorecer a eliminação do ar e, ao término do processo, permitir a eliminação do agente esterilizante; • ser barreira microbiana eficaz;

• ser hidro-repelente;

• não rasgar, romper ou furar facilmente, quando exposto ao manuseio necessário, desde o empacotamento até o momento do uso; • ser flexível, facilitando seu manuseio e permitindo observar os princípios da técnica asséptica; • permitir adequada visualização da integridade da embalagem;

• ser economicamente viável e fácil de ser encontrada no mercado.

Tipos de embalagens

Tecido de algodão cru Indicado para embalagem no processo de esterilização a vapor, obedecendo a uma textura determinada de quarenta (40) fios por centímetro e serem campos duplos.Ocorrem alguns problemas que dificultam sua qualificação como embalagem:

• dificuldade de monitoração do desgaste do tecido após repetidas la vagens; • barreira microbiana;

• repelência ao líquido;

• mais vulneráveis à contaminação.

Papel grau cirúrgico Deve ser resistente ao calor, tração e perfuração e não pode conter amido ou corantes.É permeável ao vapor e ao ETO.

Papel kraft Fabricado visando outros objetivos que não a esterilização.Este tipo de embalagem está entrando em desuso, em razão da irregularidade e inconstância na sua gramatura.Contém amido, corantes e outros produtos tóxicos.

Papel crepado (100% celulose) É uma das mais recentes tecnologias desenvolvidas como embalagens para a esterilização, apresentando-se como principal alternativa.O papel crepado é eficiente à esterilização pelo vapor e ETO e tem alta eficiência de filtragem, constituindo-se numa barreira efetiva contra a penetração de microorganismos.É atóxico e flexível.Prolonga o prazo de validade e é considerado ecologicamente correto do início ao final do processo .

Outros tipos de embalagens Filmes transparentes, Tyvec (polietileno de alta qualidade), lâminas de alumínio e caixas metálicas, vidros refratários, e não-tecido.

Estocagem e manipulação Um correto processo de esterilização só acontece quando se completa, com eficácia e segurança, o armazenamento do material.

Condições básicas • local próprio e limpo;

• local com umidade e temperatura controladas;

• local com porta;

• não é recomendado que os artigos sejam retirados quentes da autoclave, uma vez que podem conter vapor, o qual, em contato com superfície fria pode se condensar, ficando úmido o pacote e favorecendo sua recontaminação.

Validade Depende de todos os fatores mencionados, porém a média é de 15 dias, se os artigos foram esterilizados em autoclave.

A eficácia da esterilização de cada artigo, processado por qualquer método, deve ser testada através de constante monitoramento, por meio de indicadores físicos, químicos e biológicos.Todo artigo esterilizado deve conter o nome do material, tipo de esterilização, número da carga, data de validade da esterilização, nome do responsável pelo empacotamento, assim como devem ser registrados todos os testes realizados .

Testes físicos • desempenho do equipamento – observando os parâmetros apresentados durante o processo; • leitura da temperatura e pressão durante o processo;

• termopares – instrumentos utilizados após grandes reparos.

Testes químicos

Indicadores químicos Tiras de papel impregnadas com tinta termocrômica, que mudam de cor quando expostas à temperatura por determinado tempo.O ideal é a utilização de indicadores de múltiplos parâmetros (tempo, temperatura e vapor).São elaborados para serem utilizados dentro dos pacotes.

Teste de Bowie and Dick Indicado para determinar a eficácia do sistema de vácuo na autoclave de pré-vácuo.

Testes biológicos Preparação padronizada de esporos bacterianos, de modo a produzir suspensões usualmente colocadas em ampolas;é o único meio de assegurar que o conjunto de todas as condições de esterilização está adequado, porque os microorganismos são diretamente testados quanto ao seu crescimento ou não após a aplicação do processo;sua freqüência mínima indicada é semanal.

Validação do processo de esterilização É a prova de que um determinado processo faz o que se propõe a fazer.Envolve todas as etapas do processo, desde a limpeza dos artigos até a liberação da carga para utilização e deve ser vista como um processo contínuo, incluindo treinamento e reciclagem de pessoal, além de avaliar a qualificação do equipamento (instalação, controle rotineiro e manutenção).Apesar da evolução tecnológica disponível no mercado em benefício do homem, lembramos que o fator mais importante em relação à segurança dos processos continua sendo o elemento humano.

Material instrumental • colocar em solução de água e sabão até o momento da escovação, sendo que no final de cada turno o material deverá estar limpo, empacotado e/ou esterilizado; • calçar luvas de borracha para limpeza;

• escovar o material com sabão e água corrente.Se necessário usar pasta abrasante ou esponja de aço; • secar em toalha própria e acondicionar em panos de campo, preparando o pacote de acordo com sua utilização; • material odontológico e de pequenas cirurgias, acondicionar em caixas de metal próprias; • fixar com fita apropriada, colocando nome do que contém, data e assinatur a; • colocar o material na estufa a uma distância de, aproximadamente, 2 cm entre os pacotes; • esterilizar por 60 minutos, a 180°C, em estufa.Colocar o material após a temperatura da estufa atingir 80°C.Só contar o tempo previsto depois que o termômetro alcançar 180°C .Após a esterilização, quando a temperatura retornar a 100°C, abrir a porta da estufa (mais ou menos dois dedos), para esfriar o material.Quando estiver morno, estocar em local apropriado (armário tipo vitrine, protegido da luz solar e da umidade); • a validade da esterilização é de 7 dias, em locais secos, protegidos do sol e sem violação do pacote.

Almotolias A cada 7 dias deve ser feita a desinfecção das almotolias das soluções da sala de curativo e dos consultórios ginecológicos: • desprezar as sobras de solução;

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