Hsiou et al., 2002 - Proterocampsídeo

Hsiou et al., 2002 - Proterocampsídeo

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Figure 7. Stereo pair of posterior portion of the right mandible of MCP 41 95 PV. to mbo da Scale 4 cm. Abbreviations as in figure 5. inferior (ati) I5 um pouco maior que o dihetro da 6rbita (do, ver nal, de mod0 que cobre a fenestra antorbital; do lado Tabela I), sendo 0 indice entre dofati de 0,7. esquerdo ela C aparente, mas a sua delimita@o nh pode 0 articular se encontra aparentemente fusionado ser feita com precisgo. No lado direito do maxilar se a0 suprangular e apresenta 0 seu extreme posterior ~reservaum Gnico dente debordas Clue aPresenta arredondado e pouco proj etado posteriormente. A o seu extremo curvadoposteriormente (Fiw 4B, 5B). sutura entre o suprangular e o angular 6 claramente Na porqiio dorsal do crilnio se observa uma crista observAvel (Figura 7), mas a fossa mandibular se en- longitudinal sobre 0 frontal que faz pae da ~mamen- contra apenas sugerida. 0 suprangular apresenta uma

Wso do teto craniano. Esta cristak notavelmente mais projeqiio lateral sobre a qua1 se apoia a barra do jugal alta naparte m6dia das 6rbitas. Cristas radiais meno- e quadrado-jugal.

res, partindo desde o centro do frontal, estiio tarnbI5m presentes. Outras, menos marcadas, se apresentam na DISCUSS A0 parte posterior do frontal

0 jugal e o quadrado-jugal formam o arco tempo- Cinco generos siio reconhecidos dentro dos ral inferior delgado (Figuras 4B, SB). 0 estreitojugal proterocampsideos: Proterochampsa, Chana- resuchus, Gualosuchus, Tropidosuchus e

Cerritosaurus (Arcucci, 1990, mas ver Bonaparte, 1997 para outra opiniiio sobre o grupo).

Proterochampsa, uma das formas mais modernas, mostra numerosas e profundas diferensas na sua morfologia craniana com respeito aos demais proterocampsideos (ver Sill, 1967; Barberena, 1982), inclusive ao novo espkche aqui descrito. 0 MCP 41 95

PV mostra igualmente, marcantes diferensas em rela- giio a Tropidosuchus e Cerritosaurus. No primeiro, o dihetro orbital 6 notavelmente maior que o compri- mento m-o da abertura temporal inferior, sendo o indice dolati de 1,50 (Arcucci, 1990), contrastando com os 0.70 que apresenta o novo exemplar (Tabela 1).

Cerritosaurus, al6m de ser muito menor com o seu comprimento craniano de aproximadarnente 90 mrn (Price, 1946, Dornelles, 1992), apresenta o rostro cur- to e as aberturas temporais dorsais mais alargadas trans- versalmente, com uma disposigiio rnais paralela. Ambas feis6es siio distintas das observtiveis em MCP 4 195 PV.

0 novo exemplar apresenta uma morfologia que se assemelha mais a Chanaresuchus e Gualosuchus. No entanto, os seguintes caracteres indicam uma maior sirnilaridade com Chanaresuchus bonapartei: a se- paras20 entre a superficie dorsal e a lateral no foci- nho, com projesaes do maxilar lateralmente aos na- sais na superficie dorsal; arc0 temporal inferior delga-

do; a porsiio do jugal formando a base da brbita, igual- mente delgada; as drbitas bem inseridas no teto do crilnio; as aberturas temporais superiores de forma tri- angular e bem divergentes posteriormente; a porqiio do parietal que forrna o teto craniano pouco comprido e o iingulo de divergencia da projeqiio posterior do parietal maior do que em Gualosuchus.

A por~iio posterior do articular na mandibula C pouco desenvolvida e arredondada, semelhante ao des- crito por Romer (1 97 1 : fig. 4) para C. bonapartei, e diferente do sugerido por Bonaparte (197 1 : fig. 1) para os proterocampsideos de Los Chaiiares e daquele reconstituido para Cerritosaurus por Barberena & Dornelles (1998). 0 articular aparece fusionado ao extremo posterior do suprangular como acontece em alguns exemplares de Chanaresuchus de Los Chanares (Arcucci, obs. pes.). Niio h6 urn processo retroarticular distinp'vel na superficie posterior do ar- ticular, como geralmente ocorre nas forrnas da Argen- tina. A carhcia do processo retroarticular C tarnb6m comum em todos os exemplares de Proterochumpsa da Argentina. A falta do mesmo pode ser resultado das condiq6es de preserva~go ou pela pobre ossificaqiio do osso articular.

Dornelles (1992,1995), descreveu urn cdnio de 260 mrn de comprimento (UFRGS PV 0464; Figura 3), que atribuiu a Chanaresuchus sp. 0 comprimento craniano completo do MCP 4195 PV C estimado em 180 mrn.

Arnbos exemplares se encontram dentro da variasiio de tamanho de Chamresuchus bompartei, sendo que

Romer (197 1) descreve os comprirnentos cranianos desta espkie oscilando entre 155 m e 260 mrn. 0 criinio do exemplar UFRGS PV 0464, apesar de com- pleto, apresenta-se muito deformado e com uma pre- servaqiio deficiente, sendo drficil a observagiio das es- truturas morfol6gicas. Desta forma, a sua identificaqiio como Chanaresuchus sp. foi recentemente discutida por Kischlat (2000), que reconhece o exemplar como vinculado aos proterocampsideos do tipo Cha~zaresuch~u e Gualosuchus. 0s caracteres men- cionados por Dornelles (1995) para considerar o cri- nio UFRGS PV 0464 como Chanaresuchus sp. fo- ram: 1) "a arquitetura da barra intertemporal e das fenestras supratemporais" consideradas como "essen- cialmente similar B da espCcie argentina"; 2) "as pro- pors6es entre as regi6es prC-orbit6ria e 6rbito tempo- ral, enquadra-se mais dentro dos lirnites do genera

Comprimento parcial 130,l
Comprimento total do criinio (estimado) 180
Dihetro na base da 6rbita (Do) 24,7
Comprimento na base da abertura temporal inferior (Ati) 34,8
Comprimento da abertura temporal superior (Ats) 2 1,5
hdice DoIAti0,7

Tabela 1. Medidas em m do exemplar MCP 4195 PV ......... Relaqiio entre o comprimento da 6rbita e o cornprimento p6s-Orbital. 2,O

REVISrC4 BRASILEIRA DE PALEONTOLOGIA, N03, 2002

Chanaresmhus" e 3) a fenestra antorbital subb-iangdar e Prof. F. Meyer (Colkgio Anchieta, Porto Alegre). "claramente mais desenvolvida do que em Gualosuch, Pela leitura e sugestks a M. C. Langer, P. Alano Perez mais uma fei~iio que aproxima a forma brasileira de e C. Marsicano. As fotografias foram feitas por G. J. Chanaresuchur;". 0 grau de deformidade do exemplar, de Oliveira (VIDEOPUC-PUCRS). 0s desenhos das especialmente na regi50 temporal, n5o permite ter cer- figuras 6 e 7 foram feitos por Luis Carlos LirnaLiborio teza da primeira scmclhanga sugerida por Dornelles (MCTIPUCRS). Trabalho corn apoio financeiro da (1995). AlCm disso, o comprimento da reg60 6rbito FAPERGS e do MCT/PUCRS. temporal 6 de 82% em relag20 ao comprimento da re- giiio pr6-orbithia em C. bonapartei e G. reigi. A mes- ma proporg20 no UFRGS PV 0464 resultou em 6%, certamente influenciada pela deformidade da regi2o tem- poral. Finalmente, os graus de desenvolvimento da fenestra antorbital niio aparentam ser muito diferentes entre C. bonapartei e G. reigi (comparar figs. 2 e 7 de Romer, 197 1). Em contrapartida, o aparente dihetro pequeno da 6rbita do lado esquerdo e a robusteza da barra suborbital e do arc0 temporal inferior siio seme- lhanqas com Gualosuchus reigi (Romer, 197 1 : fig. 7).

Consideramos, portanto, que uma maior precis50 taxo118mica para o material UFRGS PV 0464, d6m de ChanaresuchuslGualosuchus, seria incerta.

0 novo exemplar descrito MCP 4 195 PV C identi- ficado como Chanaresuchus bonapartei, que est8, assim, representada no Triassico Mkdio-Superior da Formaqiio Santa Maria no Sul do Brasil. 0 criinio

UFRGS PV 0464 previamente identificado como

Chanaresuchus sp. por Dornelles (1995) e conside- rado como um proterocampsideo com uma maior afi- nidade a Chanaresuchus e Gualosuchus, mas sem possibilidade de maior precis20 taxonarnica, conside- rando-se a preservaqiio do exemplar.

Chanaresuchus bonapartei e Gualosuchus reigi siio os arcossauriformes mais comuns da fauna de Los Chafiares no noroeste da Argentina (Romer, 197 1). 0 registro de novos materiais correspondentes h primei- ra no Rio Grande do Sul, vem sugerir, que como na Argentina, arcossauriformes proterocarnpsideos tam- bCm estariam bem representados no Triissico da For-

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AGRADECIMENTOS Dornelles, J. F. 1995. Urn tecodonte proterosuchideo (Chanaresuchus sp.) do Trilissico do Rio Grande do Sul.

Comunica@es do Museu de Cigncias e Tecnologia UBW

Pelo acesso ao material a Dra. M.C. Malabarba PUCRS. Serie Cigncias da Terra, 1:63-68.

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