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“Sinalizador” 1 Pela superação da Escola – Agência de transmissão

Na proposição de novos caminhos para um projeto político-pedagógico emancipador, a Escola para a Saúde precisa superar a concepção de Escola como “agência de transmissão”.

Mesmo que os limites impostos pela vontade política da comunidade escolar sejam fortes o suficiente para deixar “apenas” a sala de aula como espaço de realização da nova prática pedagógica desejada pelo professor, será aí mesmo que ele exercerá a sua autonomia e onde poderá praticar a educação profissional significativa a qual deseja dedicar-se.

Há uma escola no meio do caminho. No meio do caminho há uma escola...

A adaptação do poema de Carlos Drummond de Andrade foi a forma que encontramos para expressar a “nítida sensação” de que a escola, na maioria das vezes, não exerce a mediação que pretendemos.

Ao contrário, atua como “atravessadora” entre o sujeito e o objeto, principalmente quando pratica hegemonicamente a pedagogia tradicional da transmissão, expressão dos desafios que temos que enfrentar na busca de uma pedagogia transformadora.

Pérez Gómez esclarece as implicações dessa “agência de transmissão”, dizendo que o déficit educativo reside na formação do pensamento e desenvolvimento das atitudes, (...) na capacidade de pensar, de organizar racionalmente os fragmentos da informação, de buscar seu sentido (1998, p.63).

Em uma afirmação de Libâneo (1998) encontramos um “socorro” providencial que sinaliza “o horizonte” para o qual caminhar:

A escola precisa deixar de ser meramente uma agência transmissora de informação e transformar-se num lugar de análises críticas e produção da informação, onde o conhecimento possibilita a atribuição de significado à informação (grifo nosso).

Atividade 1 Devagar se vai ao longe...

Considerando as citações de Pérez Gómes e Libâneo, as carências educativas dos trabalhadores de nível técnico em Enfermagem e o fato de que os processos de formação ainda constróem, prioritariamente, consumidores de informação:

!Planeje uma atividade, envolvendo alunos e professores da sua Escola/ do seu Curso, que possibilite a discussão do tema Uma escola para além de agência de transmissão.

Consulte os módulos anteriores para fundamentar os aspectos a serem discutidos.

Use e abuse da sua criatividade, visão estratégica, capacidade de buscar parceiros...

!Registre no seu Diário de Estudo o resultado desta atividade.

“Sinalizador” 2

Pela incorporação da dimensão dialógica na linguagem da Escola

Como sabemos, o projeto pedagógico define os princípios e os compromissos que se concretizarão na prática pedagógica. Nessa linha de pensamento, temos que abordar, no processo de contextualização ético-filosófica, o grande desafio de tomar como princípio a dialogicidade na Educação, materializada pela relação professor–aluno. Paulo Freire nos ensinou que:

A existência, porque humana, não pode ser muda, silenciosa (...). Existir humanamente é pronunciar o mundo, é modificá-lo. O mundo pronunciado, por sua vez, se volta problematizado aos sujeitos pronunciantes, a exigir deles novo pronunciar (2000, p.78).

Em diferentes módulos foram trabalhadas questões relacionadas à diversidade cultural e social. No Módulo 9 foi evidenciada a necessidade de dar voz à etnia negra pela sua participação histórica na construção da Enfermagem, em especial a brasileira. Você foi convidado a investigar, na Escola/no Curso as dificuldades e possibilidades para uma relação dialógica na prática pedagógica em Enfermagem, lembra-se?

Tudo isso tem expressão na linguagem. Meksenas diz que a linguagem da escola se apresenta por vários meios: no discurso do professor ou nos seus gestos, no conteúdo dos livros adotados, no programa de ensino, nas regras de convivência ou em

Uma Escola para a Saúde normas disciplinares. Todas as alternativas citadas são formas de expressar idéias, sentimentos e modelos de comportamento; tudo isso se constitui na linguagem da escola (1988, p.68).

Com base nessa reflexão, podemos depreender que a linguagem da

Escola pode afirmar exclusões ou inclusões, respeitar, estimular, ou não, outras e diferentes formas de expressão do pensamento.

Atividade 2

A Escola que muda, também fala. Qual a linguagem da Escola?

Fique atento(a) e responda:

As diretrizes políticas e pedagógicas do Projeto da Escola em que você está atuando apontam para “linguagens” que favorecem ou desfavorecem o diálogo? Incluem ou excluem as diferenças?

Se julgar necessário, faça sugestões que nelas incorporem a dimensão dialógica.

“Sinalizador” 3

Pela contextualização do ensino em relação à especificidade em Enfermagem

Você vem construindo-reconstruindo sua reflexão, bases teórico-metodológicas, estratégias, parcerias, buscando tornar sua prática pedagógica, no ensino de Enfermagem, autônoma e significativa.

Ao longo dos núcleos anteriores, a contextualização desse ensino foi se dando em relação às áreas da Saúde, da Educação e do Trabalho, às temáticas das Políticas Públicas, do “Paradigma” da Promoção da Saúde, do Cuidado como ato político, das Tendências Pedagógicas e em Avaliação, das Políticas de Currículo, da Lei do Exercício Profissional, entre tantas outras.

Você certamente lembra que todo projeto político-pedagógico de educação profissional requer sua recontextualização, com o propósito de levar em conta a especificidade na formação promovida.

Com estas palavras de Pedro Demo chamamos sua atenção para o “descolamento” dos projetos/propostas, reiterando a necessidade de recontextualização, indispensável como ponto de partida e de chegada de nosso trabalho:

tão longe da realidade, que muitas vezes sequer sabe onde fica. Estuda a

realidade de tal modo, que não a pisa (1994).

Neste movimento cabe-nos subsidiar a recontextualização dessa formação, tendo como referência central as ações de Enfermagem – objeto que possibilita sua identidade como prática social.

Cabe-nos ficar atentos às articulações das ações em Enfermagem com os outros trabalhos em Saúde, de modo a entender essas atividades como um dos meios para a realização da atenção à saúde.

Cumpre-nos ainda procurar entender as razões de realizar este ou aquele grupo de atividades (...); ou seja, definir com clareza a que finalidades do trabalho na saúde estão atendendo as atividades de Enfermagem (Almeida e Rocha, 1997, p.64-5).

Temos que estar atentos para o fato de que a contextualização poderá ocorrer em relação aos mais diferentes níveis da totalidade da realidade social e sempre a partir de onde está situado o sujeito.

Considerando as múltiplas possibilidades existentes e as distintas compreensões da sua especificidade, é oportuno explicitar de que ações de enfermagem estamos falando. Nessa linha de raciocínio, ressaltamos a necessidade de que o enfermeiro-docente tenha um posicionamento claro a esse respeito, para que possa orientar o processo de ensinar-aprender a trabalhar em Enfermagem segundo uma perspectiva consciente e crítica.

E, por falar em especificidade...

As enfermeiras-professoras Maria Cecília Puntel de Almeida e

Semíramis Melani Rocha, ao considerarem a Enfermagem-Trabalho e não apenas a Enfermagem-Profissão, destacam em seu livro, O Trabalho de Enfermagem, que

A função peculiar da Enfermagem é prestar assistência ao indivíduo sadio ou doente, família ou comunidade no desempenho de atividades para promover, manter e recuperar a saúde. Mas, até mesmo definir conceitualmente o que é a Enfermagem, não tendo por fundamentação teórica as práticas consideradas socialmente, é limitante, pois não traz a sua historicidade, perdendo-se a noção de movimento do real (1997, p.18).

A partir desse pressuposto, as autoras definem Enfermagem como:

uma ação, ou uma atividade realizada predominantemente por mulheres que precisam dela para reproduzir a sua própria existência e utilizam de um saber advindo de outras ciências e de uma síntese produzida por ela própria para apreender o objeto da saúde naquilo que lhe diz respeito no seu campo específico (cuidado de enfermagem?) visualizando o produto final, atender às necessidades sociais (...), ou o controle da saúde da população. (ibidem, grifo nosso).

Entendemos por contextualizar as ações de Enfermagem considerar onde, como, quando, por que, por quem e com quem essas são realizadas, no cotidiano dos espaços em que acontecem.

Uma Escola para a Saúde

Vera Regina Waldow, outra enfermeira-professora, faz o seguinte alerta:

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